Autoria: Aguinaldo Silva. Direção: Paulo Afonso Grisolli. Produção: Paulo Afonso Grisolli. Assistente de direção: Maurício Farias
ELENCO: André Chiarelly, Daniel Dantas, Darci do Prado, Eduardo Conde – Cássio, Gilson Sirqueira, Jorge Coutinho, Julia Lemmertz – Denise, Jurandir Silva, Léa Garcia - Emília, Marcus Vinícius, Milton Gonçalves – Tiago, Newton Martins, Oswaldo Loureiro – Barbosa, Regina Dourado, Roberto Bomfim – Otelo de Oliveira
A trama trata do amor entre Otelo (Roberto Bonfim), diretor da Paraíso do Tuiuti, e Denise (Julia Lemmertz), filha de Barbosa (Oswaldo Loureiro), o bicheiro que financia a escola de samba. Otelo tem um conturbado relacionamento com o sogro, já que o contraventor tem preconceito relacionado à classe social do diretor. Otelo e Denise marcam o casamento às escondidas e passam a morar juntos. Para ajudar na preparação da escola para o desfile, Otelo nomeia Cássio (Eduardo Conde) como segundo homem da agremiação, o que permite a ele tomar todas as decisões necessárias caso Otelo não esteja na quadra.
Mas, um antigo e ambicioso integrante da escola também almeja o cargo. Quando fica sabendo que não foi o escolhido, Tiago (Milton Gonçalves) começa a criar armadilhas para tirar o rival do cargo. Logo no início do casamento de Otelo e Denise, a escola é invadida por componentes de uma agremiação concorrente. Muitas fantasias e carros alegóricos são destruídos. Assim, para garantir que tudo corra bem até o desfile, Otelo decide dormir na quadra e pede a Cássio que fique tomando conta de Denise em sua casa.
Tiago, então, vê a oportunidade para planejar uma forma de ocupar o cargo de Cássio. Um dia, ao chegar à casa de Otelo, ele encontra Denise, Emília (Léa Garcia) – babá de Denise desde a sua infância e esposa de Tiago – e Cássio. Tiago vê Cássio ensinando Denise a tocar violão. Sobre a mesa, ele percebe o anel que Denise ganhou de Otelo no dia do seu casamento. Tiago, então, rouba o anel e o entrega à vingativa ex-namorada (Regina Dourado) de Cássio. Tiago pede que ela vá até o barracão usando o anel. Assim, Otelo veria que a aliança de sua esposa, que um dia pertencera à sua mãe, está na mão de outra mulher. Tiago vai até o barracão e diz que Otelo deve tomar cuidado com a relação de Cássio e Denise.
O plano de Tiago dá certo. Quando Otelo vê o anel, decide acabar com o seu casamento. Começa a beber e pensa em se matar. Cássio descobre o que aconteceu e corre para o barracão, tentando acabar com o mal-entendido. Otelo chega bêbado em sua casa e ameaça a mulher. Denise se diz inocente, mas o marido não acredita. Sem controle, Otelo mata a esposa por estrangulamento. Quando Cássio consegue encontrar Otelo, já é tarde demais. Após ouvir sobre a armação de Tiago, Otelo decide se vingar do rapaz e o mata na frente de todos.
A escola consegue ficar pronta a tempo do carnaval. Mas Otelo não acompanha o desfile: por conta dos dois assassinatos, acaba preso.
Roteiro: William Cobbett, Antônio Neves. Diálogos: W. Cobbett, Josué Montello. Estória: Baseada no conto "O Monstro", da obra "Duas vezes perdida" de Josué Montello. Direção: William Cobbett. Produção: William Cobbett. Direção de produção: Adélia Sampaio.
ELENCO: Luiz Armando Queiróz (Jerônimo), Isolda Cresta (Angélica), Maria Rita (Noraldina), Zezé Macedo (Solteirona), Wilson Grey (Escroque), Fernando Reski (Vendedor), Tony Ferreira (Pastor), Célia Maracajá (Pomba Gira), Catalina Bonak (Mãe de Noraldina), Victor Zambito (Síndico), Alan Cobbett (Menino), Prioli (Pai), Mário Paris (Porteiro), José Amaro (Poeta), Angéla Vitória, Vera Teo (Lavadeiras), Paulo Luz (Franciscano), Dedé, Tony Ferreira
Jerônimo, funcionário público pobre, tímido, solitário e monarquista, leva vida dupla. Ao chegar da repartição, ele veste roupas do tempo do império, gosta de ser chamado de barão e espera Noraldina, sua colega de trabalho e amante, que participa de suas excentricidades, no pequeno apartamento de Santa Teresa, decorado com quadros de bacantes e nus renascentistas. Ali os amantes são felizes, desligados do ambiente da repartição e dos escandalizados vizinhos que os hostilizam, sendo os encontros amorosos precedidos de leituras de revistas pornográficas estrangeiras e jornais sensacionalistas. Esses jogos excêntricos são interrompidos com a chegada, da Bahia, de dona Angélica, mãe de Jerônimo, mulher ignorante e possessiva. A velha começa por vender todos os móveis antigos do filho, inclusive uma marquesa que havia pertencido ao Barão de Saquarema, peça rara. As brigas entre mãe e filho são constantes e ela acaba por expulsá-lo de casa. Desorientado, Jerônimo procura Noraldina e os dois arquitetam juntos um plano para eliminar a velha, que sempre infernizou a vida do filho. Mas não chegam a concretizá-lo pois Angélica descobre os objetos que fazem parte dos jogos do filho e morre de enfarte. Os amantes retornam suas vidas, sempre ameaçados por telefonemas anônimos que chamam Jerônimo de monstro.
Direção, Direção de arte, Música e Direção de fotografia: Wilson Rodrigues. Montagem: Walter Vanni
Elenco: Emmanuella Migues, Heitor Gaiotti, Wilson Rodrigues, Walter Portela, Cavagnole Neto, Rosa Ferreira, Kenji Kawasaki, Lino Braga, Gorete Borges, Nerê de Passy, Antonio Leme, Anor Falda, Luzia Manrique, Getúlio Franco, Lira Rodrigues, Carlos Henrique, Marly Bianchi, Regiani Dellassis, Maria das Graças Ferreira, Ezilda de Sá Magalhães, Gilberto Guerra Santos, Ilma Dorotéia, Antonia Castro, Eliani, Rosângela, Carla, Claudia de Castro, Thyana Perckle, James Lins
Dois universitários se conhecem casualmente. Ao primeiro encontro se sucedem muitos outros, unindo-os numa sólida amizade. A aproximá-los, o fato de serem filhos revoltados com o tipo de vida levado pelos pais. Cris veio de uma cidade do interior, muito mais para fugir da monotonia do cotidiano da família do que para estudar na capital, motivo que, então, alegou. Henrique mostra-se mais sensível às contradições morais, causadoras de muitos conflitos em seu ambiente familiar. Identificados e buscando superar seus problemas, os dois se unem, sonhando construir uma vida mais livre. Entretanto, o encontro de Cris com um membro de uma ordem religiosa gera uma crise na vida do jovem casal. Henrique morre sem conseguir realizar seu sonho de uma vida nova. Desencantada, Cris torna à sua cidade.
Dirigido por Paulo Cesar Saraceni (estréia)
Elenco: Irma Alvarez, Reginaldo Faria, Paulo Padilha, Margarida Rey, Henrique Bello, Joseph Guerreiro, Sergio Sanz, Irma Álvarez (Esposa)
Por si, a história é uma adaptação do livro O Carteiro Sempre Bate Duas Vezes, do autor americano James M. Cain, que à época do filme, já havia sido adaptada para o cinema duas vezes: o italiano "Obsessão", de 1943, dirigido por Luchino Visconti, e o americano "O Destino Bate À Sua Porta", de 1949, dirigido por Tay Garnett. A história é traduzida para o município de Itaboraí, no estado do Rio de Janeiro, com inspiração em um crime conhecido como "crime da machadinha".
Uma mulher muito pobre, maltratada por um marido ferroviário ignorante e bruto, resolve assassiná-lo, e para conseguir quem faça isso, utiliza seus encantos femininos.
Dirigido por Frederico Machado
Elenco: Lauande Aires, Rosa Ewerton, Maria Ethel
Um homem (Lauande Aires), que vive no limite entre razão e loucura, está em busca de seu passado. Para isso, ele percorre diversas cidades do interior do Maranhão para tentar reconstruir sua história. Nesse "road movie", ele vai conhecer os mais variados tipos de pessoas e reencontra signos de sua vida, mostrando um possível caminho para sua salvação.
Direção: Julia Rezende. PRODUÇÃO: Mariza Leão
Elenco: Otávio Augusto ... Velho, Zezeh Barbosa ... Mãe de Primo, Paulo Carvalho ... Diretor da Cooperativa, Milhem Cortaz ... Flávio, Daniel Curi ... Motorista do carro que bate, Laryssa Dias ... Secretária Cooperativa, Silvio Guindane ... Primo, Débora Lamm ... Regina, Raphael Logam ... Alessandro, Ismar Martins ... Motorista, Marcius Melhem ... Marcovan, Paulo Miklos ... Luiz, Hossen Minussi ... Policial, Fabiula Nascimento ... Clivia, Marino Rocha ... Taxista, Regina Sampaio ... Dona Mirthes, Marcelo Valle ... Vladimir
Adaptação cinematográfica de uma peça teatral escrita por Fernando Ceylão, "Como é cruel viver assim" manteve o ator Marcelo Valle e escalou um novo elenco para os personagens versão cinema: saem Alamo Facó, Leticia Isnard e Inez Vianna e entram Silvio Guindane, Fabiula Nascimento e Debora Lamm para os respectivos papéis. O elenco de apoio chama atenção pelo ecletismo e talento: Paulo Miklos, Otávio Augusto, Millem Cortaz e Zezeh Barbosa, além de uma ponta de luxo de Marcius Mellen. Como boa parte da crítica percebeu, o filme tem como referência o Cinema dos Irmãos Coen, principalmente de filmes como "Fargo" e "Onde os fracos não tem vez". Os protagonistas, como não poderiam deixar de ser, são os típicos Loosers, que se encontram em uma ratoeira sem saída, e do nada, precisam tomar decisões arriscadas sobre algo que surgiu na sua vida. No caso, o quarteto Vladimir (Valle), sua esposa Clivia (Nascimento), donos de uma lavanderia decadente no subúrbio carioca, mais os desempregados Primo (Guindane) e Regina (Lamm) armam um plano para sequestrar um empresário. Atrapalhados, mas cheios de desejo de mudar de vida (uma vez que a vida não oferece oportunidades para nenhum deles), eles pedem ajuda a 2 mentores do crime organizado, interpretados pelos encapetados Miklos e Cortaz. Filmar em locações reais deu ao filme um respiro importantíssimo, para deixar o espectador cúmplice da vida desregrada que os personagem possuem. A fotografia hiperralista e saturada de Dante Belluti, aliada à Direção de arte detalhada e estilizada, ajudam a dar um ar pop vintage ao filme, remetendo a um decadente anos 70 a 80, favorecido pelo figurino que também remete a esses tempos. A trilha sonora soberba de Berna Ceppas dá uma atmosfera lúdica e sonhadora nas cenas. Poderia dizer que para diferenciar esse olhar dos Irmãos Coen, o roteiro de Ceylão mescla com um dos filmes mais subestimados de Woody Allen, "Os trapaceiros". sobre uma quadrilha que arquiteta um plano para assaltar um banco e dá com os burros na água. O filme termina com um belíssimo plano de drone sobre um cemitério, acompanhando o casal protagonista. Amei o título em inglês: "Life is a bitch".
Diretor: Dellani Lima
ELENCO: André Gatti, Ana Paula Condé
Aldo é ex-repórter fotográfico que dá aulas em uma universidade e está perto de se aposentar. Mas ele é subitamente demitido. Sem perspectivas de emprego, decide vender seus antigos instrumentos de trabalho e queimar parte de seu acervo de fotos, o que culmina em uma série de acontecimentos imprevisíveis que vão mudar, para sempre, sua vida.
Elenco: Isam Ahmad Issa como ele mesmo, Carmen Silva como ela mesma, José Dumont como Apolo, Suely Franco como Gilda, Mariana Raposo como Isobel, Gabriel Tonin como Kleiton, Lucía Pulido como ela mesma, Guylain Muskendi como ele mesmo
Uma cena em determinado momento do filme entrega o coração Cinéfilo da cineasta Eliana Caffé: 2 personagens transam, em enquadramentos estilizados que fazem referência ao clássico de Agnes Varda, "As duas faces da felicidade". Eliana Caffé faz de seu "Era o Hotel Cambridge", uma costura narrativa que o cinema iraniano e os documentários de Eduardo Coutinho fazem tão bem: mesclar ficção e documentário, atores e não atores de forma harmônica, a ponto de você se perguntar quem é ator ali no meio. Jurei a mim mesmo que a personagem da líder dos sem moradia, Carmen Silva, era atriz, e quando fui pesquisar, fiquei chocado ao descobrir que ela é real e interpreta a si mesma. Algum produtor de elenco precisa escalar essa maravilha de artista para algum trabalho, ela é simplesmente uma força da natureza. José Dumont e Suely Franco se misturam a não atores e personagens da vida real e vivem moradores da ocupação do prédio do antigo hotel de luxo Cambridge. Ameaçados de despejo em 15 dias, eles se organizam a fim de impedir a expulsão. Com direção pulsante de Eliana Caffé e uma equipe formada por profissionais e estudantes, o filme seduz pela sua mistura explosiva de conteúdo, forma e resultado que mexe com todo mundo. Um microcosmo da sociedade em que vivemos, desse Brasil mesclado de nativos, estrangeiros e refugiados que lutam pelo mesmo Ideal. Um filme polêmico, que polariza discussões intermináveis sobre luta de classes e direitos humanos, seja de forma legal ou não. Obrigatório.
Dirigido por Paulo Caldas
ELENCO: Fábio Assunção como José, Maria Padilha como Roberta, Gabriel Braga Nunes como César, Nicolau Breyner, Germano Haiut, Fernanda Vianna, Juliana Kametani, Fabiana Pirro, Lívia Falcão
Roberta (Maria Padilha), uma pianista clássica bastante conhecida, está em um concerto quando sua doença renal crônica começa a afligi-la então ela recebe assistência médica no hospital onde Cesár (Gabriel Braga Nunes) trabalha, conhecendo também seu irmão, padre José (Fábio Assunção), que começa a se apaixonar por ela. Em meio a isso, o padre, que busca pela razão e está cheio de dúvidas, se posiciona a favor do aborto de uma menina de doze anos que foi estuprada por seu tio e fica grávida de gêmeos. No entanto, o bispo (Nicolau Breyner) excomunga a garota junto de sua mãe e do médico que o realizou, mas não o estuprador, irando o padre, que também recebe alguns dias de exclusão.
Direção: Hilton Lacerda
ELEMCO: Irandhir Santos ... Breno, Maria Barreira ... Emma, Ariclenes Barroso, Amanda Beça ... Penha, Hermila Guedes, Suzy Lopes ... Alice, Safira Moreira ... Indira, Guga Patriota ... Breno, Leandro Villa ... Ângelo
Prêmio de melhor filme no Festival do Rio 2019, "Fim de festa" é escrito e dirigido pelo mesmo cineasta pernambucano de "Tatuagem", outro premiadíssimo filme que conta com o melhor do elenco pernambucano. "Fim de festa" é um filme do nosso tempo: população dividida entre os que apoiam o governo e os que o descreditam; juventude liberal X população conservadora, que não aceita a nudez dos jovens fora do ambiente carnavalesco; crítica aos policiais e militares; o filme ainda consegue discutir a questão do gênero e do feminismo, além do racismo e do morador da periferia. Nessa colcha de retalhos moral, social e econômica que acontece a partir da 4ª feira de cinzas e se espalha por mais 4 dias, o filme ainda encontra tempo para tentar desvendar o paradeiro do assassino de uma turista francesa, casada com um brasileiro, que foi assassinada durante o carnaval, asfixiada. "Fim de festa" é um título metafórico e bastante melancólico para um País que se encontra num beco sem saída, ou a saída é morar no exterior, como alguns personagens, que abandonam tudo e vão morar na França ou Argentina. Mas o que mais me chamou atenção como referência cinéfila (além do óbvio "O bandido da luz vermelha") foi a aproximação com o cinema do russo Alexander Sokurov, mais precisamente de seu filme "Pai e filho", um drama homoerótico que mostra de forma discreta uma possível relação incestuosa entre pai e filho. Irandhir Santos, que interpreta o policial Breno, e Gustavo Patriota, que interpreta seu filho rebelde e bissexual Breninho, se olham ternos, apaixonados, se permitem massagear seus pés, se abraçar, deitarem-se juntos. Um tesão velado apenas quebrado pela rotina de um drone que insiste em flagrar os atos repletos de tabus dos moradores de Pernambuco.
ELENCO: Aristides de Sousa ... Cristiano, Murilo Caliari ... Andre, Gláucia Vandeveld ... Márcia, Renata Cabral ... Ana, Renan Rovida ... Renan, José Maria Amorim ... Barreto, Katia Aracelle ... Dona Olga, Adriano Araújo ... Cascão, Anna Campos ... Jéssica, Osvaldo Pires de Lima ... Osvaldo do Violão, Carlos Francisco ... Antônio Carlos, Débora Guimarães ... Edilene, Marcos Jamanta ... Caminhoneiro, Gabriela Luiza ... Bia, Janaína Morse ... Dona Conceição, Wederson Neguinho ... Luizinho, Renato Novaes ... Nato, Marcos Rossingnoli ... Marcos, Ana dos Santos ... Dona Efigênia, Alexandre Souza ... Zeca, Sinara Teles ... Noêmia, Robson Vieira ... Lavrador Grevista, Mauro Xavier ... Patrão
Escrito e dirigido pelos mineiros João Dumans é Affonso Uchoa, "Arábia" é um dos mais contundentes filmes sobre a solidão e sobre a luta do brasileiro pobre e anônimo para sobreviver no interior do Brasil. André é um adolescente que mora com seu irmão caçula em uma cidade próxima à Ouro Preto. Seus pais viajaram à trabalho e quase nunca aparecem. Eles moram próximos à uma fábrica de alumínio, que espalha poluição nos arredores. Um dia, um funcionário da fábrica, Cristiano, se acidenta, e a tia de Andréa, que é enfermeira, pede para que ele vá na casa de Cristiano buscar roupas. André encontra um caderno com escritos e a partir daí, passamos a acompanhar a vida pregressa de Cristiano, e a sua luta para sobreviver: preso por consumir droga, quando solto, ele viaja pela estrada, em busca de trabalho. O filme, quase todo narrado em off por Cristiano, tem uma dimensão sobre a solidão que chega a incomodar e a machucar a alma. O ator Aristides de Sousa, que interpreta Cristiano, é um ex-presidiário de verdade. A sua presença na tela é magnética, e sua voz, invade nossos corações. O filme fala sobre luta, desilusão, esperança. Com um trabalho de Direção brilhante, com momentos de pura poesia, o filme provavelmente terá pouco impacto no espectador comum: o ritmo é bastante lento, e os planos são bem longos. Linda trilha sonora, nesse filme que venceu inúmeros prêmios no Festival de Brasília 2017 (Filme, Ator (Aristides), edição e trilha sonora.
Dirigido por José Joffily
ELENCO: Cassiano Carneiro ... Fernando Ramos da Silva (Pixote), Luciana Rigueira ... Cida Venâncio da Silva, Joana Fomm ... Josefa, Tuca Andrada ... Cafu, Roberto Bomtempo ... Lobato, Carol Machado ... Ana Lúcia, Maria Luisa Mendonça ... Malu, Antonio Abujamra ... Advogado, Paulo Betti ... Diretor de TV, Maria Lúcia Dahl ... Atriz de TV, Candido Damm ... Carbonara
A história de Fernando Ramos da Silva, um semi-analfabeto que ficou conhecido ao interpretar o papel-título em Pixote - A Lei do Mais Fraco. Porém, quando a fama acabou ele não conseguiu trabalho como ator, se desesperou e acabou se enveredando pelo crime, como o personagem que interpretou.
Dirigido e escrito por Paulo Pons
ELENCO: Antônio Fagundes (Cacá Viana), Alexandra Martins (Giovana), Emílio de Mello (Igor Marin), Caio Blat, Marcos Caruso (Roberto Menezes), Amanda Acosta (Mônica Velazques), Edson Celulari (João Guilherme), Clarisse Abujamra (Testemunha), Caco Ciocler (Emilio Siqueira), Bruno Fagundes (Luan Bertollo), Ilana Kaplan (Recepcionista)
Em um período próximo às eleições presidenciais no Brasil, o veterano apresentador de telejornal Cacá Viana (Antônio Fagundes) se vê no meio de um conflito ético envolvendo diretamente dois dos candidatos a presidência, com os quais ele possui uma forte amizade. Às vésperas de sua aposentadoria, ele vai ter que decidir entre suas motivações pessoais e profissionais nesse conflito que determina o futuro do país.
Dirigido por Paulo Caldas
ELENCO: Nash Laila, Peter Ketnath, Magdale Alves, Chico Diaz, Servilho de Holanda, Zezé Mota, Hermila Guedes, Aramis Trindade, David Rosenbauer, Marilia Mendes
Tráfico de animais e exploração sexual de meninas. A poética do tempo real: duro e seco. Jéssica, 15 anos, uma adolescente do interior nordestino, assiste à ruína de sua família. Ela vai para o Recife e lá encontra o caminho do turismo sexual para viver. É neste universo que ela conhece e se apaixona por Mark, um turista de Berlim.
No dia 19 de maio de 2019, faleceu o Cineasta Luiz Rosemberg Filho. Ativo na produção de filmes autorais e provocativos desde o final dos anos 60, Rosemberg nunca escondeu a sua influência ciinematográfica das filmografias de Godard e de Glauber Rocha. De Godard, ele buscou inspiração nas colagens, na montagem de imagem e som esquizofrênicas e nos protagonistas anti-heróicos. De Glauber, trouxe a narrativa teatral, épica e a câmera livre. Em "Os Príncipes", Rosemberg volta a filmar com alguns de seus atores recorrentes: Ana Abbot e Patricia Niedemeier, que trabalharam com ele em "Dois casamentos" e "Guerra do Paraguay", e Alexandre Dacosta, também de "Guerra do Paraguay". Esses 3 filmes, aliás, foram produzidos por Cavi Borges, incansável batalhador do Cinema autoral brasileiro. "Os Príncipes" também teve produção da Cafeína Filmes, de Ph Souza, Produtor de Belo Horizonte. Competindo no Festival Cine PE 2018, "Os Príncipes" conseguiu o grande feito de ganhar 6 importantes Prêmios: Melhor Ator para Igor Cotrim; Melhor Atriz para Patricia Niedemeier, Melhor Ator Coadjuvante para Tonico Pereira, Melhor Fotografia, Edição de Som e Trilha Sonora. É difícil não enxergar algumas referências cinéfilas: podemos encontrar uma homenagem explícita à "Laranja mecânica", quando os protagonistas, em busca de uma noite de sexo e violência, invadem uma casa e batem nos moradores, cantando 'Singing in the rain". Tem também ecos de "O bandido da Luz Vermelha", com o recorrente locutor de uma rádio ligada no carro narrando noticiários políticos. O filme acompanha a trajetória de 2 "Príncipes" urbanos no Rio de Janeiro: pilotando um carro anos 70, eles vagueiam pelas ruas da cidade, acompanhados de 2 prostitutas. Os 4 seguem uma epopéia de muito sexo, drogas e destilando uma metralhadora giratória de impropérios verbais que atiram para todos os lados. é uma crítica feroz à sociedade, ao governo, à corrupção, ao Cinema comercial e, impossível de não reparar, ao machismo. Para o público feminino, o filme deve incomodar bastante: as personagens femininas são vitimas da misoginia dos personagens masculinos, que comandam a narrativa. O filme reserva uma cena divertida, quando quer criticar o Cinema feito por Hollywood: o crítico de cinema Rodrigo Fonseca interpreta a ele mesmo, entrevistando uma Diva que representa Hollywood. É uma cena digna da melhor chanchada brasileira, ao som de samba e Nino Rota de "8 1/2"de Fellini, e muita avacalhação narrativa do cinema marginal. O elenco como um todo atua de forma visceral, sem pudores e sem amarras. Um filme brutal, sujo, violento, que choca e que faz refletir sobre o mundo que estamos vivendo.
Dirigido por Fabiano Cafure
ELENCO: Felippe Vaz como Beto, Vinícius Moulin como André, Ingrid Conte como Adriana, Flávia Arruda, Dadá Maia, Irene Alonso, David Manzano, Raquel Matos
A trama se passa no ano de 1996 e Beto (Felippe Vaz) namora com Adriana (Ingrid Conte) e seu melhor amigo é André (Vinícius Moulin) e em um final de semana os Beto, Adriana e André vão passar um final de semana em sítio e lá os 3 começam a viver um romance a três, com o tempo Beto e André ficam sozinhos, sem a presença de Adriana, eles se apaixonam e começam as fazer as coisas juntos. O família de André não aceita a sua bissexualidade, no final do filme ele morre e deixa Beto sozinho. O filme é uma homenagem a Renato Russo e toca muitas músicas dele, o dia da morte de André é 11 de outubro de 1996, o mesmo dia em que Renato Russo morreu.
Dirigido por Zeca Brito
ELENCO: Leonardo Machado como Leonel Brizola, Cleo como Cecília Ruiz, Fernando Alves Pinto como Luís Carlos, José Henrique Ligabue como Tonho, Letícia Sabatella como Blanca
Lançar um filme como "Legalidade", que tem como pano de fundo o levante comandado por Leonel Brizola em 1961, então Governador do rio Grande do Sul para assegurar que o Presidente Jango Goulart assuma a presidência, evitando o golpe militar, parece ser um bom motivo para se discutir os caminhos da política brasileira nos dias de hoje. "Legalidade" é um épico político, e também é um melodrama. Tendo claras referências à "Casablanca" e "O destino de uma nação" (no discurso final de Leonel Brizola), o roteiro é bem ambicioso, abraçando várias sub-tramas: um triângulo amoroso entre uma jornalista brasileira entreguista e que depois se arrepende, Cecília (Cleo) e a relação com os irmãos Luiz Carlos (Fernando Alves Pinto) e o jornalista Tonho (José Henrique Ligabue). Tem também a trama de Leonel Brizola (Leonardo Machado, falecido), e em 2004, a trama da filha de Cecília, interpretada por Leticia Sabatella, tentando descobrir o que aconteceu com a sua mãe. O filme alterna muitas imagens de documentário para poder atenuar as questões de orçamento, visível em cenas que exigiria uma produção maior. Durante a narrativa, perde-se o foco de quem é o protagonista, mas de uma forma geral, é um filme que merece ser visto, por trazer de volta um tema esquecido pelos brasileiros, e pelo trabalho de atores como Cleo, Leonardo Machado e Fernando Alves Pinto, dando dignidade ao projeto. O filme competiu no Festival de Gramado 2019.
Direção: Arne Sucksdorff
ELENCO: Cosme dos Santos (Jorginho), Josafá Da Silva Santos (Paulhinho), Leila Santos de Sousa (Lici), Toninho Carlos de Lima (Rico), Dirce Migliaccio
Um docudrama que retrata um grupo de crianças das ruas do Rio de Janeiro enquanto estas tentam sobreviver, numa sociedade que aos poucos vai lhes retirando seus sonhos, inocência e esperanças.
Dirigido por Roberta Marques
ELENCO: Graziela Felix (Rânia), Rob Das (Belga), Demick Lopes, Nataly Rocha (Zizi), Mariana Lima (Estela), Paulo José, Kennedy Saldanha, Angela Moura
Fortaleza, Ceará. A adolescente Rânia (Graziela Felix) passa seus dias entre a escola municipal, os afazeres domésticos e o trabalho em uma barraca. Seu grande sonho, no entanto, é de se tornar dançarina. Com sua melhor amiga, Zizi (Nataly Rocha), Rânia descobre o Sereia do Norte, regada a festas e orgias, e passa a ganhar dinheiro com a vida noturna. Quando conhece a coreógrafa Estela (Mariana Lima), a garota tem sua grande chance de enfim se tornar dançarina profissional, mas para tanto precisa enfrentar a intransigência dos pais.
Dirigido por Heitor Dhalia
ELENCO: Fabrício Boliveira (Richard), Samira Carvalho (Keira), José Dumont (Seu Ney), Wesley Guimarães (Caju), Jean Pedro (Soldado)
Adaptação cinematográfica da premiada Graphic novel de Marcello Quintanlha, e dirigida pelo mesmo cineasta de "O cheio do ralo", "À deriva" e "Serra pelada". Tungstênio é um dos metais que compõe material para o explosivo, e o filme começa exatamente com a imagem de dois pescadores jogando explosivo no mar, matando peixes clandestinamente. Esse incidente é o início para o encontro inesperado e visceral entre personagens que habitam Salvador: O ex-militar conservador Ney (Zé Dumont), o jovem traficante Caju (Wesley Guimarães), o policial corrupto Richard (Fabricio Boliveira) e sua esposa Keira (Samira Carvalho Bento). Um dia de calor, com todos os personagens à flor da pele, a um ponto da explosão, entre violência, traições e ódio. Dito assim, parece sinopse de 2 filmes clássicos: "Faça a coisa certa", de Spike Lee, e "Pulp fiction", de Tarantino. e muito dos elementos desses filmes estão presentes na narrativa: a montagem que vai e volta no tempo, entrecruzando as histórias; a câmera angulada e inquieta, nervosa. A violência prestes a explodir a qualquer momento. O elenco é a grande força e ponto de interesse do filme: todos, sem exceção, estão excelente. Por eles, vale ir correndo assistir ao filme e se deleitar com performances arrebatadoras. Duas coisas me incomodaram: a narração em off de Millen Cortaz, redundante, e a câmera contra-plongé excessiva.
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Dirigido por Arnaldo Jabor
ELENCO: Maurício do Valle, Ítala Nandi, Jesus Pingo, Hugo Carvana, José de Freitas, Wilson Grey, Vinícius Salvatori, Tep Kahok, Maria Regina Caldas, Manoel de Gaveira
A história se passa numa cidade brasileira imaginária no século XVI e é uma alegoria sobre as origens da formação do país, misturando guerras, negros, índios, colonos e aventureiros.
ELENCO: Alex Ferro, André Reis, Bruno Torres, Chico Sant'anna, Luiz Carlos Vasconcelos, Mariana Nunes (Raquel)
Desde que foi lançado no Festival de Brasília em 2009, eu esperava para assistir a esse filme. Só consegui agora, quando passou no Canal Brasil. Pegando emprestado o titulo de um clássico de Kurosawa, a história gira em torno de um Posto de gasolina perdido no meio de uma estrada de terra em Cuiabá. É lá que as 3 histórias irão se entrecruzar. Wesley (Bruno Torres) é um vendedor de dvds e cds piratas, lutando para sobreviver. Maltratado pelo seu patrão, ele acaba sendo deixado no Posto de gasolina. Ele acaba se afeiçoando por Raquel (Mariana Nunes), funcionária do Posto, cuja dona, Rita (Simone Iliescu), teve uma história de amor trágica com um palhaço de circo (Luiz Carlos Vasconcellos). Uma mistura de gêneros drama e policial, o que prevalece mesmo é o romance, o pilar de todas as histórias. Sem medo de assumir o amor como força motriz de seu filme, o Cineasta Geraldo Moraes abraça o brega nas canções que surgem ao longo do filme e faz um lindo passeio por um Brasil ainda pouco conhecido no cinema brasileiro. Os atores estão excelente (Bruno Torres e Mariana Nunes foram premiados em Brasília e no Festival de Pernambuco) e ainda conta com participações especiais de Antonio Petrin e Everaldo Pontes, 2 monstros da atuação. Um filme que vale ser visto pela sua singeleza e humanidade. Bela fotografia de André Lavenere e trilha sonora de Andre Moraes.
Diretor: José Medina
ELENCO: Carlos Ferreira, Alfredo Roussy, Áurea de Aremar, Medina Filho
Na construção de uma São Paulo que "crescia desafiando as nuvens, levando nessa ânsia incontida o suor de operários humildes", um trabalhador cai de um andaime e à beira da morte pede para o filho trilhar o caminho da "honestidade, do trabalho e da honradez". O filho porém prefere tornar-se um vagabundo e tudo faz para ser preso afim de sobreviver.
Dirigido por Maurice Capovilla
ELENCO: Antonio Pedro, Eliene Narducci, Gugu Olimecha, Isabel Ribeiro, Joel Barcellos, Jorge Dória, Paschoal Villaboin, Vinícius Salvatori
Em Crônica à Beira do Rio o espírito carioca é mostrado através de quatro temas: o mar, a mulher, a cidade e a noite. Baseado nas crônicas de Rubem Braga, adaptadas pelos escritor Paulo Mendes Campos, o filme materializa os personagens e as situações narradas pelo escritor. Rubem é o personagem central representado pelo ator Jorge Dória que narra em of e se apresenta ao vivo. Na verdade o que se expressa é a visão poética e iluminada de Rubem sobre a sua Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro.
Diretor: Jorge Durán
ELENCO: Caio Blat .... Paulo, Maria Flor .... Letícia, Alexandre Rodrigues .... Leon, Edyr Duqui .... Rosalinda, Adriano de Jesus .... Cacazinho, Luciano Vidigal .... Mário, Raquel Pedras .... Rita
Paulo é um estudante de medicina que divide uma quitinete com Leon, seu melhor amigo e estudante de sociologia. Leon namora Letícia, mas ela e Paulo se apaixonam. O trio tenta ajudar Rosalina, uma paciente terminal que está no Hospital Universitário, a rever os filhos, que não a visitam há bastante tempo. Ao tentar salvar Cacauzinho, um dos filhos de Rosalina, Leon é ferido em um tiroteio. Letícia consegue resgatá-lo, mas para que Leon sobreviva Paulo terá que operá-lo em sua própria casa.
Dirigido por Vinicius Bandera
ELENCO: Anna Karinne Ballalai, Carlo Mossy, Rossana Ghessa, Sérgio Santeiro
Drama que reúne histórias contadas de forma atemporal. Misturando ficção e cenas documentais, os personagens do longa vivem situações filosófico-existenciais. O filme busca mostrar várias partes do Rio de Janeiro e permite ao espectador montar o enredo a partir de sua própria leitura.
DIREÇÃO: Sérgio Ricardo
Elenco: Kizi Vaz, Antonio Pitanga, Osmar Prado
Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, 1977. Neno, Tiana (Kizi Vaz) e Bituca, um bandido foragido, iniciaram um complexo triângulo amoroso em uma situação inusitada: enquanto desenrolam a relação, os moradores da comunidade carente acabam de ser surpreendidos pela prefeitura do Rio de Janeiro, que decidiu desapropriar arbitrariamente os barracos do local, alegando risco de deslizamento. A verdade, porém, é outra: a real intenção do governo é construir um grande hotel de luxo.
ELENCO: Regis Myrupu como Justino, Rosa Peixoto como Vanessa, Johnatan Sodré como Everton, Edmildo Vaz Pimentel como André, Anunciata Teles Soares como Marta, Kaisaro Jussara Brito como Jalmira, Lourinelson Wladmir como Wanderlei, Suzy Lopes como Rose
Vencedor de 29 prêmios internacionais, incluindo Locarno e Brasília, "A febre" é o longa de ficção de estréía da documentarista Maya Da Rin, que também co-escreveu o roteiro. Fotografado pela argentina Barbara Alvarez, o filme traz um olhar documental sobre a vida de Justino (Regis Myrupu), pai da enfermeira Vanessa (Rosa Peixoto). Ambos são indígenas convivendo pacificamente com a comunidade branca na periferia de Manaus. Nessa mistura de culturas e raças, Justino procura manter a tradição de falar a sua língua com o seu neto, contando histórias, para que essa língua não se perca com as novas gerações. Justino tem 45 anos e trabalha de segurança no porto. Quando sua filha passa para a faculdade de medicina em Brasília, Justino começa a sentir uma febre que não encontra explicação médica. Ao mesmo tempo, um animal ronda a comunidade, e as pessoas se sentem amedrontadas. O filme sai da seara do realismo para investir no simbolismo: Justino sente a crise cultural e de identidade, e cada vez mais percebe que deve buscar as suas origens. Com um ritmo contemplativo e bastante lentidão, o filme faz um olhar sobre a miscigenação em uma região complexa como a capital da Amazônia, onde comunidades indígenas se misturam, inclusive várias não conseguindo se comunicar entre si. Um drama melancólico sobre a perda da identidade, e a força de um homem para resgatá-la.
DIREÇÃO: Evandro Berlesi
ELENCO: Sirmar Antunes - Seu Teixeira, Martina Pilau - Alice, Lucas Sampaio - Luciano, Bruno Krieger – Daniel, Nunes Miguelangelo - Glauco da Pet, Anita Dal Moro – Cassandra, Marcelo Maresia - Flavio, Carol Fabris - Patrícia, Lesi Morato - Sheila, Edimilso Silva - Aids, Tamara Nascente – Luana Teixeira, Nicolas Vargas – Elton, Guilherme Dal Castel – Xaveco, Jéssica Trintin – Bianca, Fabrício Miranda – Jason, Chuck – Chuck, Anna Carolina Oliveira – Kelly, Henrique Lago - Moranga, Fabrizio Gorziza – Heitor, Gabriel Rocha - Flavio jovem, Nathália Severo – Patrícia jovem, Pâmela Manica – Cassandra jovem, Brayan Pimentel Beck - Filho de Flavio, Cecília Brandão Osório - Bebê Julia, Regina Perez – Funcionária da escolinha, Edna Lima – Funcionária da escolinha, Leandro Sagguy - Proprietário do restaurante, Anderson Dravasie - Colega de Luciano, Sheron Vieira - Colega de Luciano, Otavio Perguer - Colega de Luciano, Michelly Tavares - Colega de Luciano, Flavia Lima – Youtuber, Rafael Borges - Atendente da delegacia, Cesar Ferreira - Delegado, Damião Oliveira – Proprietário da olaria, Marcito Luz – Professor substituto, Vinicius Gomes de Matos - Colega de Kelly, Graziella Cardoso - Moça da ONG, Pierre Fernandes – Entregador de flores, Luis Fabiano Soares – Cliente do restaurante, Lolita Guizzo Ferreira - Menina da gatinha, Jonathan Alves - Arroz, Valério Szelest – Seu Valério, Danny Gris – Voz do telejornal
Em 1988, os irmãos Flávio e Patrícia traçam um plano para levar pra cama Cassandra, a garota mais popular da escola. Trinta anos depois, afastados pelo tempo, eles ainda residem na pequena cidade de Alvorada/RS, onde suas vidas são interligadas por habitantes de diversas classes sociais e personalidades obscuras: Cassandra tornou-se dona de casa, é casada com Glauco da Pet, suposto vereador da causa animal. Flávio, viúvo, tornou-se um músico fracassado e um péssimo pai. Patrícia, ainda bela e solteira, é proprietária de uma escolinha infantil, foco de uma tragédia eminente.
ELENCO: Arthur Avila ... Daniel, Natália Dantas ... Alanis, Vinícius Queiroz ... Jean, Carla Ribas ... Irmã Corina, Nayara Tavares ... Fabiana
Escrito e dirigido por Robney Bruno Almeida, 'Dias vazios" competiu no Festival de Tiradentes 2019. Longa de estréia do cineasta goiano, o filme se passa na pequena cidade de Silvânia, no interior de Goiás. O filme tem como temas o desencanto da juventude e o suicídio, e como muitos filmes recentes brasileiros, são filmes bastante pessimistas. Livremente adaptado do livro "Hoje Está um Dia Morto", escrito por André de Leones, o filme se passa em duas épocas distintas e com dois casais separados pelo tempo. Jean e Fabiana estudam em um colégio católico. Namorados, eles não sabem o que fazer de suas vidas assim que se formarem. Ambos demonstram o desejo de sair da cidade, mas não encontram estímulo para tal. Jean acaba se suicidando com um tiro na cabeça, e Fabiana desaparece. Dois anos depois, Daniel e Ailana estudam no mesmo colégio.Igualmente apáticos, suas vidas espelham a de Jean e Fabiana. Daniel decide escrever um livro sobre Jean e Fabiana, e imagina um final para Fabiana. Aos poucos, a identificação entre os 2 casais vai cada vez mais se aproximando. Corajoso por tratar do tema do suicídio de forma crua e sem apelações melodramáticas, "Dias vazios" não deve ser visto por pessoas depressivas. Um alerta contra a apatia dos pais e da sociedade, além da Igreja, fortemente criticada no filme, que nada ou pouco fazem para salvar as vidas de jovens depressivos. Com um ótimo elenco de jovens, preparados por Fátima Toledo, e a participação especial e bastante significativa de Carla Ribas no papel de uma freira, o filme incomoda pelo tema, mas faz vislumbrar um cineasta com domínio de sua narrativa.
Dirigido por Paulo Porto
ELENCO: Paulo Porto, Maria Fernanda, Denise Bandeira, Roberto de Cleto, Riva Nimitz, Zaira Zambelli, Manfredo Colassanti, Anselmo Vasconcelos, Angelina Muniz, Dênis Derkian, Arthur Costa Filho
Cidade de Rio de Janeiro. Cansado das festas de socialites e recepções promovidas pela esposa Márcia (Maria Fernanda), Marcelo (Paulo Porto) vais se refugir em Angra dos Reis, onde conhece a artista plástica Lena (Zaira Zambelli). Ela mora em um barco com a amiga Tânia (Denise Bandeira). Entre os três se desenvolve uma relação de paixão e ciúme. A situação se agrava com a chegada de Márcia. Um trágico acidente determina a decisão de Marcelo: é o fim da festa.
Dirigido por Sérgio Bianchi
ELENCO: Fernando Alves Pinto - Leandro, Maria Manoella - Vera, Sérgio Mamberti - Siqueira, Clarisse Abujamra - Marília, Paulo César Peréio - Jairo, Silvio Guindane - Rafael, Renato Borghi - Jacques, Germano Haiut - Alfredo, Antônio Petrin - Plínio, Ana Carbatti - Heloísa, Magali Biff - Profª. Célia, João Velho - Jairo (jovem)
Leandro (Fernando Alves Pinto) é filho de Jairo Mendes (Paulo César Pereio, quando velho, e João Velho, quando jovem), um cineasta marginal, e de uma Marília (Clarice Abujamra), uma ex-militante. Em seu mestrado, ele pesquisa sobre a ditadura militar no Brasil e acaba se deparando com a obra do pai, censurada em 1973. Paralelamente a isso, o personagem principal encontra Rafael (Silvio Guindane), um jovem niilista que muda sua perspectiva do contexto político.
Dirigido por Sérgio Bianchi em sua estreia na direção. Produção: Jefferson de Albuquerque Jr., André Rosa, Ivan de Sá Pereira, André Klotzel, Micky Neo. Direção de fotografia, Câmera: Pedro Farkas, Dudu Poiano. Assistência de direção: Francisco Cataldi Martins (Ícaro Martins), Maria Cecília Cerroti
ELENCO: Patrício Bisso, Sérgio Mamberti, Luiz Roberto Galizia, Maria Alice Vergueiro, Paulo Márcio Galvão, George Otto, Rodrigo Santiago, Celuta Machado, Zé Luiz Ferreira, Mercedes Dias, Doris Paredes, Delci de Oliveira, Bronie Lozneanu, Carlos Nascimbeni, Adriana Bacchi, Jaques Suchodolski, Célia Maracajá, Circe Bernardes, Isa Kopelman, Reinaldo, Walter Breda, Gigante, Thereza Freitas, Ângela de Castro, Sérgio Bianchi, Lélia Abramo, Elaine Erig
O filme se passa no ano de 1974 e a história acontece dentro de um casarão abandonado no centro de São Paulo, que mais do que uma simples locação, pode ser considerado um personagem principal e indispensável na composição do longa. Os habitantes desse casarão são jovens dos mais diferentes estilos e tribos, desde os hippies até os militantes, gays e aqueles que eram tachados como doidos, e dentro daquele local misterioso, dividem experiências, histórias e uma nova filosofia de vida que era compartilhada pela juventude dos anos 70. Todo enredo gira em torno da maneira como essa juventude da época revolucionou o jeito de enxergar o mundo e das mudanças geradas por esse novo pensamento. Dentro desse casarão, distantes de todos os outros tipos de convivência em sociedade, como a cidade, escolas, família e trabalho, esses jovens se ocupam em discutir sobre diversos assuntos como liberdade, drogas, novas maneiras de se relacionar, marginalidade, entre outros.
Dirigido por Sérgio Bianchi, baseado no conto "Pai contra mãe" de Machado de Assis
ELENCO: Ana Carbatti como Arminda, Cláudia Mello como Tia Mônica Silveira, Herson Capri como Marco Aurélio Silveira, Caco Ciocler como Ricardo Pedrosa, Ana Lúcia Torre como Maria Antônia do Rosário / Nôemia, Sílvio Guindane como Candinho, Lena Roque como Lurdes, Miriam Pires como Judite, Lázaro Ramos como Dido, Leona Cavalli como Clara, Odelair Rodrigues como Lucrécia, Joana Fomm como Maria Amélia, Emílio de Mello como Luciano, Caio Blat como Bira, Marcélia Cartaxo como Adélia, Funcionária da Ong, Ariclê Perez como Marta Figueiredo, Zezé Motta como Joana Maria da Conceição, Antônio Abujamra como Proprietário de escravo, Ênio Gonçalves, Danton Mello, Umberto Magnani, José Rubens Chachá, Milton Gonçalves, Tatiana Godoi
Uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. No século XVII um capitão-do-mato captura um escrava fugitiva, que está grávida. Após entregá-la ao seu dono e receber sua recompensa, a escrava aborta o filho que espera. Nos dias atuais uma ONG implanta o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada. Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.
ELENCO: Camila Morgado ... Woman, Maricel Álvarez ... Neighbor, Maria Alice Vergueiro ... Mother, Daniel Fanego ... Chief of Naval Prefecture, Daniel Aráoz ... Barman, Claudio Torres ... Doorman, André Caldas ... Husband, Sang Min Lee ... Japanese, Silvina Bosco ... Funeral Home Employee, Nelson Rueda ... Court Assistant, Cacá Vicente ... irmã, Kris Niklison ... Flat Owner, Ignacio Valentín Ramos ... Kid 1, Ayrton Uriel Venari ... Kid 2, Tiziano Ruger ... Kid 3, Xavier Dutka ... Kid 4, Mariana Cinat ... Girl 1, Camila Ochoa ... Girl 2, Evelyn Pomilio ... Girl 3, Sofia Fernandez Da Silva ... Girl 4, Bernardita Blanca ... Girl 5, Clara Canolik ... Retired Woman, Leonardo Nejamen ... Retired Man, Nestor Lombardo ... Old Man, Marcelo Arévalo ... Policeman, Pablo Francisco ... Pedestrian, Jorge Esperanza ... Pedestrian, Matias Monzullo ... Pedestrian
A ficha técnica dessa co-produção Argentina/Brasil dá bem o tom do filme que iremos assistir. A cineasta argentina Kris Niklison escreveu, produziu, dirigiu, fotografou, fez a direção de arte e co-editou esse projeto que invade a alma feminina de uma mulher no alto dos seus 40 anos, interpretado com garra e visceralidade por Camila Morgado. Kris Niklison morou em Armsterdam, onde fundou um grupo de teatro, tendo trabalhado com Peter Greenaway e Dario Fo. Um feito e tanto, sem dúvida! Um casal brasileiro viaja de férias para Buenos Aires. Mas o homem morre em um acidente. esse prólogo nós não vemos, pois o filme se passa 98% dentro do apartamento alugado pelo casal em Buenos Aires, repleto de plantas no jardim (a essa decoração de plantas dá-se o nome de "Vergel". O filme começa com a mulher já de luto. Desesperada, ela tenta enviar o corpo para o Brasil, mas a burocracia local dificulta tudo, e ela é obrigada a ficar no País até tudo se resolver (lembra até um episódio de "Relatos selvagens"). A mulher grita, se masturba, entra em crise, conhece uma vizinha extrovertida com quem ela irá viver experiências novas, relembra do seu marido morto. O filme é bastante sensorial, a câmera vai até o rosto de Camila, invade tudo. Na cena da masturbação, bela e dolorosa, o trabalho da atriz é feroz. Não é um filme para espectadores comuns. É artístico, quase experimental, íntimo. A fotografia e os enquadramentos, parecem pinturas. A trilha sonora, energizante e melancólia ao mesmo tempo, é de Arrigo Barnabé.
Dirigido por Caíto Ortiz
ELENCO: Eduardo Chagas, Kentaro Inoue, Cauê Ito, Eiji Leon Lee, Fabiula Nascimento, Gustavo Novaes ... Paraguaio, Renata Sayuri, Lucas Serranno ... Shoyo, Carolina Sudati, Paulo Tsuchiya
Curioso drama que procura trazer a estética de Wong Kar Wai para o Brasil, ambientando Hong Kong no Bairro da Liberdade, e ao invés do chinês Tony Leung, temos o sansei Cauê Ito. Em uma trama meio "After Hours", de Scorsese, acompanhamos a história de Mario, um brasileiro da terceira geração de descendentes japoneses, que passa por um grande dilema: ele não se vê nem como japonês, nem como brasileiro. No entanto, aonde ele vai, ele é chamado de "Japonês", de forma pejorativa. Mario não segue a sua cultura oriental, adotando uma postura totalmente de brasileiro. Em crise no emprego e na vida amorosa (ele mora com uma mulher descendente de italianos), Mario recebe misteriosamente uma carta remetida do Japão. Sem saber ler os ideogramas, Mario entra em colapso e perambula pelas ruas da Liberdade de noite, entre bares, karaokês e mafiosos japoneses. Rodado em São Paulo e em Tokio, "Estaçao Liberdade" é um filme de sensações. Todo estilizado, em estética publicitária (Caito Ortiz é um Diretor de publicidade e recentemente dirigiu o premiado "O roubo da taça"), ele é um projeto mais para cinéfilos que curtem uma aura cult. Bem produzido, mesmo que aparente ser um projeto de baixo orçamento, o filme tem uma bela fotografia e direção de arte, fazendo uma bela homenagem a um cinema noir paulistano, bem comum nos anos 80, com os cinemas de Guilherme de Almeida Prado e de Wilson Barros. No elenco, o filme conta com a participação especial de Fabiula Nascimento.
Dirigido por Sergio Bianchi
Elenco: Renato Borghi ... José Maurício, José Rubens Chachá ... Paulo / Garcia, Rodrigo Santiago ... Cláudio / Fortunato, Cláudia Mello ... Marisa / Maria Lúcia, Ester Góes ... Play's art-director, Alexandre Paternost ... Carlos, Luiz Ramalho ... Luis, Lígia Cortez ... Carla, Denis Victorazo ... Actor in the play, Elisa Lucinda ... Actress in the play, Rogéria ... Próprio, Rosi Campos ... Secretary, Gil Gomes ... Radio Announcer, Rosita Thomaz Lopes ... Hospital patient, Eduardo Artêmio, Miguel Bretas, Walter Martins de Paula, Angela Dippe, Paloma Fênix, Ignezi Lopes, Cristina Lozano, Zécarlos Machado, Marcelo Mansfield, Vanka Nielsen, Norival Rizzo, Eleonora Rocha, Dorothy Rojas, Edy Soares
Nas filas do INPS, hospitais públicos e nas próprias ruas, eles encontram um sentimento cada vez mais indiferente à dor e à humilhação dos marginalizados. Os atores reagem a isso de diferentes formas: desde a empatia à raiva. A Causa Secreta é um filme contundente e ainda bastante atual sobre as mazelas da sociedade brasileira.
Direção: Bruno Safadi, Ricardo Pretti
Elenco: Bruno Safadi, Leandra Leal, Mariana Ximenes, Jiddu Pinheiro, Fernando Eiras....voz, Maria Gladys....voz
Eles viveram, atuaram e amaram. Hoje, dolorosamente, quatro pessoas lembram e revivem o passado para tentar compreender a inexplicável experiência de amar. Mas, o amor é apenas uma passagem.
Dirigido e escrito por José Sette. Foi baseado no livro Etc., etc., um livro 100 por cento brasileiro do poeta suíço Blaise Cendrars
Elenco: Odete Lara, Paulo César Pereio, Guará Rodrigues, Maria Gladys, Wilson Grey, Alvaro Apocalipse, Ronaldo Brandão, Luiza Clotilde, Ana Maria Donnard, Cida Falabella
O poeta francês Blaise Cendrars desembarca no Rio de Janeiro, em pleno carnaval carioca, e recria a ideia de que não se define em uma época. Longa reflete a explosão modernista da década de 20 em suas repercussões mais profundas e interligadoras do passado e do futuro.
Dirigido por Maurício Gomes Leite
Elenco: Paulo José (Estevão), Dina Sfat (Paola), Joana Fomm (Lívia), Mário Lago (General Passos), Ferreira Gullar (Jornalista Augusto), Hugo Carvana (Deputado Pedro Inácio), Paulo César Pereio (Paulo César), Clementino Kelé (Embaixador africano), José Lewgoy (Homem de capa), Renata Sorrah (Atriz do Filme B), Carlos Heitor Cony (Assassino), José Wilker (Assassino), Lúcia Milanez (Ângela), Guará Rodrigues (Ator do Filme B)
Um jornalista mineiro (Paulo José), radicado no Rio de Janeiro, segue para Brasília para cobrir pronunciamento sob a entrega do controle de jazidas de Minas Gerais a empresas estrangeiras. Aproveitando a viagem deverá levar a um político documentos que lhe foram entregues por general Passos (Mário Lago) e que apontam a corrupção política na negociação das jazidas. Do Rio a Belo Horizonte, recorda dois amores: Paola (Dina Sfat) e Lívia (Joana Fomm). Em Brasília não consegue fazer chegar os documentos a seu destino, sendo oprimido por forças do governo.
Dirigido por Paulo Nascimento
Elenco: Leonardo Machado ... Boni, Fernanda Moro ... Cecilia, Nélson Diniz ... Professor, César Troncoso ... Leo, Julia Feldens ... Dinha, Sílvia Buarque ... Lenora, Marcos Verza ... Onório, Sirmar Antunes ... Higino, Ricardo Seffner, Marcos Paulo ... Torturer 1
No início dos anos 70, o Brasil vivia o endurecimento da ditadura militar. A sociedade se organizava e resistia das mais variadas maneiras. Alguns grupos políticos optaram pela luta armada para enfrentar o regime. Em Teu Nome conta a história de Boni, um estudante de engenharia de origem humilde que adere a luta armada, mas carrega dúvidas e medos a respeito de sua escolha. Boni teme pela família, pela namorada e pelo futuro, que parece mais incerto a cada dia. Como tantos, é preso, torturado e banido do país ao ser trocado por um embaixador suíço no chamado Grupo dos 70.
Direção, Argumento, Roteiro, Câmera: Walter Hugo Khouri. Produção: Enzo Barone. Direção de fotografia: Antonio Meliande. Montagem: Eder Mazzini. Trilha musical: Rogério Duprat
Elenco: Vera Fischer (Anna), Márcia Rodrigues (Sílvia), Bianca Byington (Júlia), Cornélia Herr (Mariana), Beth Martinez (Beatriz), Marcelo Picchi (Homem), Lucinha Lins (Cléa), Leonor de Almeida, Ricardo Negreiros, Marcelo Viviani
Anna (Vera Fischer) sofre de distúrbios psicológicos e Clea (Lucinha Lins), sua amiga desde a infância, cuida de seu tratamento. Em busca de melhores resultados para o tratamento, elas decidem retornar ao lugar onde passaram a infância - em um casa de campo. Só que o encontro com um homem desconhecido modifica os planos delas.
DIREÇÃO: Marcos Guttmann. PRODUÇÃO: Marcos Guttmann, Katia Machado
Elenco: Júlio Andrade ... Gaspar, Vera Holtz ... Angelina, Mariana Nunes ... Maria, Bruce Gomlevsky ... Vladimir, Pietro ... Bogianchini
Drama baseado no livro “Barco a Seco”, de Rubens Figueiredo, é o longa de estréia do cineasta Marcos Guttman, que consumiu 12 anos de sua vida para levar a obra às telas. Com grande determinação, Guttman buscou a parceria da roteirista Melanie Dimantas para esculpir uma narrativa poética e cheia de proezas, onde a imaginação e o real andam lado a lado. Até onde vai o fascínio de um artista pelo seu muso? O ator Julio Andrade interpreta 2 personagens: o pintor Emilio Vegas, espanhol, que viveu na região litorânea do Rio de Janeiro até os anos 50 e foi dado como morto por afogamento. Pobre, ele pintava quadros e os trocava por comida. Nos dias atuais, o merchand e escritor Gaspar Dias (também Julio Andrade) é fascinado pela obra pictórica de Emílio Vegas, cuja obra agora é muito valorizada. Ele passa seus dias autenticando a veracidade da autoria das obras trazidas por colecionadores, até que um dia, um senhor já idoso, Inacio (Pietro Mario), diz que a obra de Emilio que Gaspar considerava como falsa, é verdadeira. Com um grande apuro visual, o filme, pelas palavras do diretor, é bastante sensorial. E isso é verdade: as imagens falam por si, muitas cenas são silenciosas, poéticas. O mar está sempre presente, e talvez ele seja o grande protagonista do filme, pois todos os personagens circulam em sua função (Emilio pinta o mar, Gaspar nada todos os dias para espairecer). Os atores estão ótimos, em especial, Julio Andrade e Pietro Mario, esse último comovente no papel de Inácio. Os super closes que Marcos Guttman dá em seus atores chega a causar desconforto, tamanha é a aproximação que ele os coloca com o espectador. Um belo filme, instigante, que merece ser visto. Venceu no Festival do Ceará os prêmios de ator para Julio Andrade, e de Diretor.
Elenco: Kathia Calil ... Kats, José de Abreu ... Polidoro, Eucir de Souza ... Alceu, Jayme del Cueto ... Denis, Claire Digon ... Rosa, Bruno Dubeux ... Juiz Carlos, Letícia Isnard ... Bia, Aisha Jambo ... Advogada Bianca, Mariana Lima ... Maria Pia, Luiz Magnelli ... Milton, Sílvio Matos ... Evandro, Danton Mello ... Paulo, Miguel Nader ... Jorjão, Eder Paolozzi ... Maestro da orquestra, Saulo Rodrigues ... Braulio, Dedé Santana ... Gregório, Guta Stresser ... Joelma, Cora Zobaran ... Mirta
Longa de estréia do Cineasta Tiago Arakilian, "Antes que eu me esqueça" inicialmente tinha o título de trabalho chamado "Polidoro", que é o nome do protagonista, vivido com brilho pelo Ator José de Abreu. Ele é um aposentado viúvo, pai de Maria Bia (Leticia Isnard) e Paulo (Danton Mello). Maria Bia cisma que o pai está doente e sem condições de se cuidar sozinho. Já Paulo, um músico fracassado, não fala com seu pai há anos. Polidoro compra uma boite de prostituição que fica do lado de seu prédio, e resolve administrá-lo. Ali, trabalham, entre outros, a garçonete Joelma (Guta Stresser, maravilhosa). Mas uma situação inesperada irá forçar esse reencontro entre pai e filho, e assim, ambos terão a chance de se reconectar. O Diretor teve em mãos um belo roteiro, que alterna momentos de puro humor com cenas de intensa emoção, e principalmente, um elenco de tirar o chapéu: além dos já citados, temos Mariana Lima, Augusto Madeira, Eucir de Souza, Saulo Rodrigues e em participação especial, Dedé Santana. O filme tem uma linda trilha sonora, capitaneada pela dramática "Gymnopédie No.1", de Eric Satie. 2 momentos antológicos: a cena do banheiro, com Guta Stresser e Mariana Lima, e outra, também com Mariana Lima e Danton Mello, em frente a um piano. Belas performances. Para quem gosta de um drama familiar no gênero "Feel good movie", uma dica altamente recomendável.
Direção: Gustavo Rosa de Moura
Elenco: João Miguel....Eduardo, Marina Person....Julia, Marat Descartes....Paulo, Paulo Lins....Segundo entrevistado, Francisco Miguez....Lucas, Francisco Guarnieri....Atendente do IML, Bernardo Barcellos....Telefonista do hospital, Poliana Pieratti....Mariana, Bernardo Carvalho....Primeiro entrevistado, Silvia Miranda....Mãe de Eduardo, Victor Mendes....Amigo de Júlia
Uma mulher de classe média alta, casada com um homem bem sucedido e mãe de 2 filhos, entra em profunda depressão e tenta o suicídio. Não, não estamos falando da obra prima de John Cassavetes "Uma mulher sobe influência", com atuação arrebatadora de Gena Rowlands. Eduardo (João Miguel), apresentador de programa de tevê, é casado com Júlia (Marina Person). Após tentativa de suicídio, o marido a vigia constantemente. O filho adolescente está cada vez mais irritado com a atitude egoísta da mãe. Curiosamente, o filme vai se encaminhando para uma trajetória diferente, onde o ciúme vai assolando Eduardo. O filme é filmado de uma forma claustrofóbica, para que o espectador consiga entender o profundo buraco negro existencial dia personagens. Bem atuado, porém os personagens são tão frios e distantes que eu não consegui me aproximar emocionalmente deles. A abrupta mudança do roteiro na metade final levou a história a um caminho totalmente diferente de sua primeira metade. Preferia que tivesse continuado a acompanhar a história de depressão de Júlia do que do que os ataques de ciúme de Eduardo, um personagem muito polêmico.
Dirigido por: Breno Silveira
ELENCO: Júlio Andrade (Cadu), Adelio Lima (Professor), Adriano Garib (Diretor Demóstenes), Caio Junqueira (Jonas), Felipe De Paula (Valadares), Gustavo Novaes, Júlia Ianina (Malu), Júlio Machado (Professor), Roberto Birindelli (Pepe José Pedro), Sacha Bali (Playboy Luís Paulo Filho), Sílvio Guindane (Mãe Abelardo Ferreira da Silva), Stepan Nercessian (Simões Lobo), Thiago Gaudêncio (Parede), Xando Graça (JP)
Depois de descobrir que não é fácil conseguir emprego sendo expresidiário, Cadu encontra um fio de esperança trabalhando numa ONG. O sucesso lá é um incentivo para tentar uma carreira de deputado em Brasília, mas sozinho ele não conseguiria. Sem saber que contava com a ajuda de Pepe, Cadu é eleito e se vê num conflito entre seu desejo inicial de honestidade e manter sua família viva. Ou ele faz de tudo para passar uma lei que beneficia a rede de tráfico do cartel ou Pepe mata sua família. Ele tenta não entrar numa teia sem fim de corrupção, mas se distancia tanto de Malu e dos filhos que fica cada vez mais difícil para a sua família apoiálo.
Dirigido por: Breno Silveira
Baseado em fatos reais, é a dramática e divertida história de um honesto chefe de família classe média, de uma pacata cidade do interior de São Paulo. Cadu é um pequeno advogado da defensoria pública, um jovem casado, que atravessa uma crise financeira pela chegada próxima do seu segundo filho. Uma absurda teia de equívocos leva Cadu a ser injustamente condenado, por tráfico, a 12 anos de cadeia. No violento descompasso do presídio, levado pelas circunstâncias, Cadu é obrigado a mentir para sobreviver. Em meio à brutal fauna de bandidos dissimulados e assassinos imprevisíveis, correndo a cada instante o risco de ser desmascarado, com sua vida sempre por um fio, Cadu vai construindo, entre assustado e divertido, uma intrigante, sedutora e poderosa personalidade. A surpreendente trajetória de Cadu é uma bem humorada reflexão sobre a difícil relação entre o certo e o errado, e a infinita capacidade de adaptação do ser humano.
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Diretor, : José Mojica Marins. Rubens Francisco Lucchetti, José Mojica Marins. Produtores: Luis Antônio de Oliveira, Rafael Bastos da Silva, Antonio Mantovani Sobrinho, José Mojica Marins, Crounel Martins, João José Martins, Alfredo Palácios, Jorge Peres Ortega, Satã, Carlos Sodré
ELENCO: José Mojica Marins ... Mauro, Bárbara Prado ... Maria, Satã, Jayme Cortez ... Habud, David Húngaro, Marly Palauro, Fátima Porto, Rose Clair, Arlete Moreira, Giulio Aurichio, Malu de Souza, Débora Muniz, Anadir Goe, Carmen Marins, João Paulo Ramalho ... (voz)
Na véspera de Natal, Mauro – repórter de um grande jornal – tem 24 horas para encontrar uma manchete para a primeira página. Ele sai então pelas ruas à procura de uma grande notícia, mas todas as situações que encontra são corriqueiras. Isso aos poucos vai levando-o ao desespero. Enquanto isso, sua esposa em casa precisa urgentemente de dinheiro para socorrer o filho atropelado, e vai buscar ajuda com o editor do jornal. Enquanto procura uma manchete, o repórter nem imagina que ele próprio será notícia no dia seguinte.
Direção, Roteiro: Luiz Rosemberg Filho
Elenco: Ana Abbott, Alexandre Dacosta, Chico Díaz, Patrícia Niedermeier
Assistir a um filme de Luiz Rosemberg Filho é uma volta ao passado, aos melhores tempos do Cinema marginal que permeou a filmografia brasileira dos anos 60 e 70, onde saíram obras-primas como "Matou a família e foi ao cinema", de Julio Bressane e "O bandido da luz vermelha", de Rogério Sganzerla. Nesse resgate político e social de um Cinema que ousa fazer o espectador refletir e pensar tudo o que está vendo e ouvindo (um desafio cada vez maior nos dias de hoje, com uma geração toda voltada à visual clipado e diálogos mínimos), Rosemberg faz uma linda alegoria que promove um encontro entre a Arte X a violência. Violência que pode vir na forma de assassinatos, da ignorância, do egoísmo, das armas de fogo, do capitalismo desenfreado, do estupro físico e moral e do egocentrismo. A direção, premiada no Festival de Vitória 2016, abraça o realismo fantástico e a linguagem do teatro para contar a história de um soldado que comemora o fim da Guerra do Paraguay. Solitário, ele percorre com o seu pequeno tambor uma região bucólica, cercada por árvores frondosas e um lago cintilante. A imagem do soldado batendo o tambor, me lembra bastante Cabíria de Giuletta Masina e o pequeno Oskar de "O Tambor", Todos esses 3 personagens são ingênuos e acreditam na sua causa. Cabíria e Oskar encontram em sua trajetória um conflito enorme que os levou a um outro pensamento sobre tudo o que até então acreditavam. Para esse soldado, que comemora a violência travada pelo seu exército, que dizimou milhares de soldados da outra frente, existe uma chance de redenção: ele encontra em se caminho, 3 mulheres de gerações diferentes, que arrastam uma enorme carroça sem cavalos. Elas são atrizes esfomeadas e cansadas, uma bela metáfora sobre a luta diária do artista para se sustentar. Começa aí um debate ideológico e filosófico, uma verdadeira queda de braços, entre a Arte e a Violência, entre a tradição e a modernidade (um elemento surreal do filme: o soldado vive no Século passado, e as atrizes, provavelmente, nos anos 70). A cena inicial, um enorme plano sequência com as mulheres carregando a carroça pela estrada, lembra bastante o plano inicial de "O cavalo de Turim", do húngaro Bela Taar. O filme de Luiz Rosemberg Filho é composto de longos planos sequências, milimetricamente enquadrados e com atores bem marcados. O elenco, encabeçado por Patricia Niedemeier, Anna Abbot e Alexandre Dacosta, foi a fundo na proposta promovida pelo Diretor, promovendo um feliz encontro entre a linguagem naturalista do Cinema, com a presença bem marcada em cena do teatro. O filme é um belo exercício de cinema, mas que será melhor apreciado pelo cinéfilo antenado pela busca de novas formas de contar o cinema. Um destaque especial para a linda trilha sonora, para a direção de arte da carroça de Cristiano Requião e para o clip final, uma colagem apocalíptica do mundo que vivemos hoje. O filme ganhou no Cine PF 2016, o prêmio concedido pelos críticos de cinema.
Comédia dramática filmada em 2011, participou do Festival do Rio no mesmo ano, na Mostra novos rumos, e ganhando no ano seguinte o Prêmio de melhor trilha sonora para Plinio Profeta, no Festival de Sergipe. A história do filme remete à desilusão de uma geração de idealistas e intelectuais, que se conheceram no final dos anos 70, namoraram ouvindo músicas da Blitz, Metrô, Léo Jaime e outros grupos pops nacionais e no decorrer das décadas seguintes, se entregaram ao lugar comum. Nesse ponto, o que restou foi a separação, tanto física quanto intelectual desse casal. Eles são Francisco (Guilherme Piva) e Sara (Solange Badim). Ele de dedica a escrever colunas para jornais de bairros, ela é uma professora. Francisco fantasia a ida até a Austrália, para encontrar Chicão (Álamo Facó), um amigo virtual surfista que ensina a ele o lado bom da vida: se entregar aos prazeres que ela lhe proporciona. Melancólicos e sem estímulos para seguir adiante, ambos encontram na figura da jovem Penélope (Natália Garcez), 21 anos, a chama que existia neles a décadas atrás. O problema é que ambos namoram a menina, sem saber que a mesma está tendo caso com o outro. É assim que se desenvolve o triângulo amoroso desse filme que é um delicioso híbrido de vários filmografias ícones. É um filme que veio como resultado de uma geração de Cineastas cinéfilos. Cavi Borges e Walter Daguerre homenageiam o cinema de Woody Allen, os filmes de início de carreira de Almodovar, Bergman, Kubrick e outros grandes. As referências são ótimas. Com uma estrutura dramatúrgica que me remeteu a 2 grandes filmes, um clássico e outro recente: "Nós que nos amávamos tanto", de Ettore Scola, e "A vida secreta de Walter Mitty", de Ben Stiller. Do primeiro, vem a geração que ousou um dia sonhar e que encontrou portas fechadas pelo caminho, se entregando à nostalgia. Do filme de Ben Stiller, veio a vontade de se entregar à fantasia, como uma forma possível de encarar as dificuldades da vida. Dificuldades estas que passam até pelos bastidores do filme. Inicialmente uma peça teatral, o filme acabou acontecendo antes, resultado de uma verba de pouquíssimo valor que viabilizou o filme. Equipe formada por amigos, atores que toparam fazer no amor à arte e muito desejo de colocar a voz em um projeto que ressoasse como porta voz de uma geração que quer mostrar o seu valor, por trás e na frente das câmeras. A trilha sonora, brilhante. resgate grandes clássicos pop dos anos 80 e dá uma roupagem nova, com outros cantores. É como se o casal protagonista, que viveu intensamente uma época, quisesse trazer essa nostalgia para a garotada de hoje, em roupagem nova, para dizer que sim, um dia foram felizes, e que essa energia ainda pode voltar a reacender. Destaque para a antológica cena final, no táxi, com a participação de Tonico Pereira, brilhante na atuação e no texto, comovente, que fala sobre acreditar e confiar no seu sonho. Um filme pouco visto, e que merece ser resgatado.
Elenco: Irandhir Santos como Luzimar, Júlio Andrade como Gildo, Cássia Kis como Marta, Dira Paes como Toninha, Démick Lopes como Zunga, Inês Peixoto como Suzi, Camila Amado como Bibica, Cyria Coentro como Hélia
Adaptação do livro "O Mundo Inimigo”, de Luiz Ruffato, mesmo autor de outro filme chamado "Estive em Lisboa e me lembrei de você", ambos rodados no Polo de Cinema em Cataguases. O filme é a estréia na Direção Do diretor da Globo José Luis Villamarin, consagrado por dirigir novelas e seriados, entre elas, "Avenida Brasil". Villamarin é famoso pela excelente Direção de Atores, e é justamente esse ponto, e o da fotografia, que o filme tem de mais memorável. Walter Carvalho aprimora ainda mais o seu olhar aguçado sobre a imagem que o rodeia. Muitas cenas são verdadeiras pinturas, como as da fábrica de algodão, a da beira da estrada de ferro e a da chuva. Simplesmente brilhante. Villamarin apostou em um cinema autoral para a sua estréia, e para isso, contou com o apoio de atores consagrados no cinema de autor: Irandhir Santos, Julio Andrade, Dira Paes e Cassia Kiss. Todos estão incríveis, trabalhando a questão do tempo e o conflito interno de cada um de seus personagens. Em Cataguases, mora Luzimar (Irandhir), operário de uma fábrica de algodão. Ele é casado com Tininha (Dira). Um dia, Gildo (Julio Andrade) retorna à cidade, para visitar sua mãe (Cassia Kiss), na noite de Natal. O reencontro dos dois amigos irá fazer florescer uma tragédia do passado. Com uma belíssima direção de imagens. o filme abraça o minimalismo e vai de encontro a um ritmo extremamente lento, compassado, onde poucas coisas acontecem. Todo o turbilhão emocional encontra-se no interior dos personagens. É um filme autoral, artístico e que vai encontrar no público cinéfilo os seus espectadores. O grande público será desafiado a assistir a uma obra que precisa ser saboreada lentamente, em seus pequenos detalhes. A quem se permitir tal acordo, encontrará uma obra adulta e que provavelmente, provocará mesas de discussão pelo sentimento que ele provoca ao fim da projeção.
Produção: João Roni, David Schurmann, Vilfredo Schurmann, Zahra Staub
ELENCO: Marcello Antony (Vilfredo Schurmann), Julia Lemmertz (Heloisa Schurmann), Maria Flor (Jeanne), Erroll Shand (Robert), Mariana Goulart (Kat Schurmann), Fionnula Flanagan (Bárbara), Rose Brant (Mila), Thaís Comim (Sophia), Alice Berton (Luana), Thomas Silvestre (Julio), Michael Wade (Will), Régius Brandão (Juíz), Ryan James, Saulo Sisnando (Engenheiro)
A essa altura do campeonato, todo mundo já ouvir falar desse filme dirigido por um dos integrantes da família Schurmann. David estudou Cinema e televisão lá fora e sabe do que está falando. Sem querer fazer brincadeira de mau gosto, mas ele não é "marinheiro de primeira viagem" no Cinema. Diretor do premiado documentário "O mundo em duas voltas", sobre as façanhas marítimas da sua famosa família, dessa vez David se apropria de uma história bastante pessoal: a história de Kat, uma menina que foi adotada pela sua família aos 3 anos de idade, e que veio a falecer em 2006, aos 13 anos. Com belas atuações do elenco principal, principalmente de Julia Lemmertz e Maria Flor, é um filme com fortes personagens femininas, inclusive da pequena Kat e de sua avó. Eu particularmente gosto de filmes que narram uma boa história, e aqui, é fácil se emocionar com várias trajetórias de luta. Sempre fui apaixonado pelos melodramas clássicos do cinema, e por conta disso, embarquei de imediato na história. Para os detratores do gênero, é difícil aceitar as qualidades do filme. É um filme competente em todos os requisitos técnicos, e não faz feio comparando com produções estrangeiras. Para os que abrem seu coração para filmes com mensagens edificantes, esse filme é uma grande pedida.
Elenco: Armando Babaioff, Eriberto Leão, Erom Cordeiro, Natália Lage, Paula Burlamaqui, Saulo Arcoverde, Tonico Pereira
O cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, abraçou o cinema independente do super produtor Cavi Borges e juntos, conceberam esse filme/ensaio poético, que faz uma alusão fantasiosa sobre a seguinte hipótese: e se os amigos Lucio Cardoso, roteirista, e Murilo Mendes (poeta surrealista), se encontrassem depois de mortos, no Rio de Janeiro de hoje? E mais: e se os personagens dos livros de Lucio Cardoso surgissem em carne e osso, "assombrando" o criador? Esse tema curiosíssimo me lembrou bastante do filme de Alain Resnais, "Providence", onde um escritor se utiliza de entes próximos para criar seus personagens. Aqui em "O que seria desse mundo sem paixão?", além da homenagem que Bigode faz aos 2 expoentes da literatura brasileira (Bigode já adaptou obras de Lucio Cardoso, como "Introdução à música do sangue" e "Mãos vazias"), o Cinema é o grande personagem do filme. O título pode muito bem ser encaixado metaforicamente sobre a sobrevivência do cinema de autor: como existir em uma indústria de entretenimento que cada vez menos absorve filmes autorais? A resposta que Bigode dá é simples e contundente: com paixão à Arte do Cinema. Convidando atores amigos, vemos um grande desfile de talentos, que vão de Erom Cordeiro, Tonico Pereira, Armando Babaioff, Saulo Arcoverde (excelente), Eriberto Leão, entre outros. A participação de Carla Daniel é divertida: ela interpreta Jandira, personagem de uma das obras de Cardoso, exalando sensualidade, beleza e muita alegria e melancolia, tudo mesclado em um clip muito bonito. Não é um cinema convencional, e tem uma narrativa ousada, quase experimental. É um filme de sensações, valorizadas pela bela trilha e pela fotografia de Alisson Prodlik. A destacar também a bela locação da Cinemateca do Mam, e as participações do crítico Rodrigo Fonseca e do curador Ricardo Cota, que dão conta do recado como atores em suas participações afetivas. E finalmente, senão não seria um filme do Bigode, a exaltação da beleza da nudez masculina, representada por belos enquadramentos e luz que fazem os planos parecerem pinturas.
Elenco: Júlio Andrade como Dr. Evandro, Andréa Beltrão como Ana Lucia, Marjorie Estiano como Drª. Carolina, Stepan Nercessian como Samuel, Ícaro Silva como Dr. Paulo, Joelson Medeiros como Dr. Américo, Thelmo Fernandes como Capitão Botelho, Álamo Facó como Dr. Norman, Julia Shimura como Enfª. Keiko, Josie Antello como Rosa, Luciano Vidigal como Barão
Dirigido e produzido por Andrucha Waddington, é livremente inspirado no livro Sob Pressão: A Rotina de Guerra de Um Médico Brasileiro, do cirurgião torácico Marcio Maranhão em depoimento à jornalista Karla Monteiro e em uma premissa de Mini Kerti.
Insiprado no livro "Sob Pressão — A Rotina de Guerra de um Médico Brasileiro, do Dr. Marcio Maranhão", o filme "Sob pressão" parece um piloto estendido de seriado de televisão. Não que isso seja um demérito. Afinal, qualidades técnicas o filme tem de sobra, e o elenco principal, capitaneado por Julio Andrade, Icaro Silva e Andrea Beltrão estão ótimos. Para quem está habituado a assistir aos seriados "Plantão médico", "Gray's anatomy" e "House", sabe que acontece de tudo em um hospital de emergência: pacientes que dão entrada crivados de tiros, polícia evitando invasão de bandidos, romance entre funcionários, médico viciado em drogas, etc. O hospital de "Sob pressão" é uma metáfora, um microcosmo da falência do sistema de saúde e da sociedade brasileira. Não se respeita ninguém, tudo é na base da corrupção e da ignorância. As coisas funcionam na base da opressão e do grito, da ameaça. O filme é bem dinâmico e a edição bem clipada, bem próxima aos seriados comentados, inclusive a parte gráfica e visual é muito semelhante. Para quem gosta, o filme tem generosos closes em cirurgias abertas e sangue jorrando aos borbotões.
ELENCO: Karine Teles ... Ângela, Tom Karabachian ... Diogo, Denise Fraga ... Clarice, Emílio de Mello ... Marcos, Anita Ferraz ... Mariana, Daniel Rangel ... Guilherme, Manoela Dexheimer ... Paola, Guilherme Guaral ... Geraldo, Cecilia Hoeltz ... Enfermeira 1, Daniel van Hoogstraten ... Professor, Letícia Borges ... Martha C. (voice), Chico Suzano ... José, Letícia Novaes ... Bianca (voice), Sérgio Menezes ... Cláudio, Lionel Fischer ... Henrique, Débora Almeida ... Enfermeira 2, Samuel Vieira ... Operário
Escrito e dirigido pelo premiado Cineasta e roteirista Felipe Sholl, "Fala comigo" é um filme safado. Exalando voyeurismo e muito erotismo, "Fala comigo" narra a história de amor e sexo entre um rapaz de 17 anos, Diogo (Tom Karabachian) e uma quarentona depressiva, Angela (Karine Teles). O que os une, é que Diogo é filho da psiquiatra vivida por Denise Fraga, e Angela é sua paciente. Diogo tem o hábito de pegar a agenda de contatos das pacientes de sua mãe e liga anonimamente para elas, se masturbando ao ouvir a voz delas. Em um desses trotes, ele e Angela se conectam e se apaixonam. O trabalho das atrizes no filme é formidável: Karine e Denise interpretam duas mulheres neuróticas, porém vítimas de um mundo machista e opressivo. Do elenco masculino, além da revelação do jovem Tom, temos o mega talento de Emilio de Mello, no papel do pai de Diogo, e Daniel Rangel, que interpreta o colega apaixonado platonicamente por Diogo. Com um tema tão subversivo, Felipe Sholl adicionou um pouco de humor para amenizar o drama contundente que se esconde em todas as relações do filme. Belíssima estréia na direção de longas.
Elenco: Rômulo Braga ... Elon, Maria José Novais Oliveira ... Vizinha, Helvecio Alves Izabel ... Vigia, Vinicius Rezende ... Altair (voz), Claudio Marcio ... Jovem, Clara Choveaux ... Jasmin / Madalena, Marina Viana ... Dançarina, Gláucia Vandeveld ... Enfermeira, Silvana Stein ... Rita, Olavino Marçal ... Policial 1, Lourenço Mutarelli ... Manoel, Francisco Loyola ... Chico, Shima ... Pedreiro, Germano Melo ... Chefe, Robson Vieira ... Policial 2, Carlos Magno Ribeiro ... Policial 3, Grace Passô ... Graça, Ricardo Alves Jr. ... Delegado (voz), Eduardo Moreira ... Legista
Eu adoro ver cenas de sexo bem filmadas nos filmes, e aqui, existe uma cena de sexo explicito, onde os atores Romulo Braga e Clara Choveaux fazem sexo oral, de forma crua e visceral. Uma cena intensa e dolorosa. Só por essa cena, o filme já merecia a atenção do espectador. Mas o filme é bem mais do que isso. Totalmente focado na estética dos cineastas belgas irmãos Dardenne, que se utilizam da câmera documental que fica o tempo todo grudado nas costas do personagem, seguindo-o para todos os lugares, "Elon não acredita na Morte" é um híbrido de drama psicológico e filme de suspense. Elon (Romulo Braga) é um vigia noturno. Sua esposa, Madalena (Clara Choveaux) não retorna para casa, e ele passa a noite toda em busca de seu paradeiro. Para isso, ele vai atrás de uma amiga, da Irmã dela (a mesma Clara Choveaux) e de pessoas próximas, sem sucesso. Ao mesmo tempo, imagens desconexas vem a sua mente. O que teria acontecido à Madalena? Me lembrei bastante de um filme de Gustavo Rosa de Moura, chamado "Canção da volta". Nele, um casal em crise, vividos por João Miguel e Marina Person, vivem às turras. Um dia, ela desaparece, e o personagem de João vaga pelos hospitais, delegacias, Iml, ruas, em busca dela. O que diferencia os dois filmes, é justamente a estética. Ricardo Alves Jr, cineasta mineiro, adaptou o seu premiado curta "Tremor", de 2013, e o esticou, criando o longa "Elon não acredita na morte". Ele substituiu o ator Elon Rabin, que dá nome ao personagem, pelo ator Romulo Braga, que está extraordinário. É um filme que mistura atores e não atores, em narrativa totalmente documental. Um filme adulto, trágico, cult e um belo presente para cinéfilos. Trilha sonora e fotografia fodas, ajudando no clima claustrofóbico.
ELENCO: Magali Biff ... Alma, Claudinho Castro, Lima Duarte ... Dom Aleixo, Cida Moreira ... Valquíria, Pietra Pan ... Narcisa, Everaldo Pontes ... Draco, Marcio Rosario ... Hercules
Adaptação do conto ‘Santa Maria do Circo’ do mexicano David Toscana, essa estréia na direção cinematográfica do Ator e Diretor teatral Guilherme Weber veio sem concessões para o espectador, que testemunhara cenas com entrega visceral do seu elenco vibrante. Boa parte oriunda do teatro e do cinema autoral, os 8 personagens representam arquétipos que ao longo do filme, irão se degladiar em embate moral, fisico e psicológico. Lima Duarte, Cida Moreira, Everaldo Pontes, Márcio Rosario, Fernando Teixeira, Magali Biff, Claudinho Castro e Pietra Pan possuem cada um, um grande momento individual, que os faz brilhar em cena. Guilherme Weber foi generoso e distribuiu as cenas de igual intensidade para todo o elenco. Em um lugar perdido no tempo, uma trupe de circo mambembe, decadente e esfomeada, resolve parar em uma cidadezinha. Chegando lá, eles estranham que não exista uma única pessoa no lugar. O grupo, com exceção de Dom Aleixo (Lima Duarte), decide ficar no lugar e deixar de perambular de cidade em cidade para mostrar a sua Arte. Dom Aleixo os questiona, dizendo que são Artistas e precisam mostrar o seu trabalho para as pessoas, mas os outros contestam, alegando estarem cansados de passar fome e agora querem uma casa e comida. O grupo decide também distribuir "personagens", e assim, cada um vai representar uma figura que consideram importantes para uma sociedade coexistir. O filme, obviamente, é uma grande metáfora e alegoria sobre a Arte e o Poder. Fico imaginando Glauber Rocha enlouquecendo com esse roteiro. Mas nas mãos de Weber, o filme tomou um rumo mais cru, violento, angustiante e teatral. Ao deixarem de viver da Arte, o grupo se desfaz e começa a se desintegrar. Essa é a grande critica que o filme faz, um povo não vive sem a Cultura. A outra critica, igualmente poderosa, é demonstrar como que cada indivíduo analisa e enxerga o outro como ela quer: na escolha dos papéis (puta, militar, caçador, negro, médico, cozinheiro, padre), existe uma hierarquia que faz com que um se sobreponha ao outro. Quase como em "Saló", de Pasolini, onde os Poderes fazem do seu povo gato e sapato. É um filme polêmico que apresenta no discurso dos personagens, toda a raiva embutida na sociedade dita democrática: preconceito racial, abuso sexual, machismo, crítica à religião. "Deserto", dirigido com poesia e muita Arte por Weber, tende a encontrar um público muito específico. É um filme autoral, e renderá boas discussões, para o bem ou para o mal. A destacar: a brilhante fotografia de Rui Poças, português responsável pelos belos "Tabu" e "O ornitólogo", 2 grandes cults portugueses.
Participação e realização de José Mojica Marins. Roteirista: Ozualdo Candeias
Elenco: Aurino Cassiano - Crispim, Augusto de Cervantes, Carmem Marins, Delmo Demarcos - Luiz, Franquito - Carlito, José Mojica Marins - Pai, Mário Lima, Nivaldo Lima, Nilton Batista - Robertinho, Nivaldo Guimarães - Quinzinho
Quando um homem chega a casa bêbado e bate na mulher, o seu filho Carlito tenta defender a sua mãe com um cabo de vassoura. O pai vira-se para o rapaz e diz ameaçadoramente "Eu vou matar você!". Apavorado, o menino foge com outras quatro crianças, todas elas pobres e sofrendo abusos e exploração em casa pelas suas famílias. Estas crianças tentam então sobreviver nas ruas da periferia de São Paulo.
Carlito (Franquito), o mais velho deles, toca guitarra e canta para ganhar dinheiro. José Mojica Marins compôs três das dez canções compostas para Carlito no filme.
ELENCO: Paulo Philippe (Miguel Arcanjo/ Catherine), Guta Stresser (Angela), Letícia Spiller (Maura), Claudio Jaborandy (Biu), Paulo Vespúcio Garcia (Seu Joao), Maria Gladys (DaGuia), Victor Jose (Luis)
Produção da Paraíba dirigida pelo estreante em longas André da Costa Pinto, que também escreveu o roteiro, "Tudo que Deus criou" é um filme visceral, que agrega em um único filme vários personagens decadentes e marginalizados, que segundo os créditos, se baseia em história real. Miguel (Paulo Philipe) é irmão de Angela (Guta Stresser), e moram na casa da mãe (Maria Gladys), que é cega e passa o dia todo reclamando e dizendo que quer morrer. O marido de Angela, Biu (Claudio Jaborandy) é portador de HIV e contaminou Angela. Ele estupra Miguel diariamente, que não conta nada pra família com medo que Biu o chantageie e conte para elas que ele de noite sai nas ruas para fazer michê vestido de mulher. Paralelo, temos a história de João (Paulo Vespúcio), um funcionário dos Correios, que é visitado todas as tardes por Maura (Leticia Spiller), uma cega virgem que se excita com as histórias de João e deseja que ele transe com ela. Mas João tem como amante Miguel. Todas as histórias se entrecruzam, mostrando o lado mais sórdido, violento e melancólico dos personagens. Com uma boa direção de André Costa Pinto, o filme tem nas performances o seu ponto alto. Os atores se entregaram por inteiro aos seus papéis. Leticia Spiller realiza aqui a sua performance mais corajosa de sua carreira, saindo totalmente da zona de conforto. Ela somente é prejudicada pelas horríveis lentes de contato que sua personagem usa para mostrar que é cega. Guta Stresser, sem maquiagem, está fantástica, abusando de seu talento incontestável, e com uma cena antológica: quando seu irmão a maquia e veste. Maria Gladys é outra que não tem medo de encarar nenhuma loucura na sua carreira. Um grande destaque é o ator paraibano Paulo Philipe, no difícil personagem de Miguel/ Catarina, sem exageros. Os atores gays que fazem as outras travestis também são ótimas. De baixo orçamento, é um filme de guerrilha, que tem uma parte técnica irrepreensível para tão poucas condições de produção. Parte da equipe foi formada por alunos da Faculdade local.
Direção: Jayme Monjardim, Luca Bueno
Elenco: César Troncoso ... Mellon Lincoln Filho (Mestre), Dan Stulbach ... Júlio César (Super Ego), Dani Antunes ... Paula, Andreas Apergis ... Mellon (voz), Julian Bailey ... Honey Mouth (voz), Nelson Baskeville, Maria Bircher ... Jurema (voz), Billy Blanco Jr. ... Empresário, Stephanie Breton ... Widow of Heitor (voz), Mark Camacho ... Heitor (voz), Dusan Dukic ... Male host (voz), Marcelo Flores, Stela Freitas, Marcel Jeannin ... Julio (voz), Leonardo Medeiros, Thiago Mendonça ... Bartolomeu (Boquinha de Mel), Guilherme Prates ... João, Giselle Prattes ... Mellon Wife, Douglas Simon ... Chefe de Policia, Alex Teix ... Executivo, Marcelo Valle
Júlio César (Dan Stulbach), um psicólogo decepcionado com a vida, tenta o suicídio, mas é impedido por um homem desconhecido. Um mendigo, o “Mestre” (César Troncoso), o salva da morte. Uma amizade peculiar surge entre os dois, e logo a dupla passa a tentar salvar pessoas ao apresentarem um novo caminho para se viver. Ao mesmo tempo em que eles as libertam do cárcere da rotina, arrumam muitos inimigos. Inspirado no livro de maior sucesso de Augusto Cury.
Diretor: Anderson Simão
Elenco: Poliana Oliveira (Jaqueline), Victor Carlim (Fernando), Evandro Scorsin, Gabrielle Pizzato Santana (Amanda), Iza Kürten, Leonardo Oliveira, Wellington Sari
Jaqueline (Poliana Oliveira), uma jovem humilde de 16 anos, é bolsista em um colégio particular e passa seus dias dividida entre os estudos e os pensamentos em Fernando (Victor Carlim), o garoto mais bonito da escola por quem está perdidamente apaixonada. O que ela não imagina é que sua melhor amiga, Amanda (Gabrielle Pizzato Santana), tem uma história com o rapaz e ele tem um segredo capaz de impedir qualquer chance de namoro entre os dois. Além disso, Marchesi (Leonardo Oliveira), amigo de Fernando, também gosta dela e pretende fazer de tudo para conquistá-la.
Direção: Ana Carolina
ELENCO: Danilo Grangheia, Luciano Cáceres, Luiz Iran Gomes, Octávio Moraes, Pedro Barreiro, Silvana Ivaldi, Thérèse Cremieux
É 1939 quando se passa Paixões Recorrentes. Em meio a notícia do estouro da Segunda Guerra Mundial, um grupo de pessoas discute o estado do mundo em um bar em uma praia sul-americana, sem qualquer contato com o front. Entre os integrantes do grupo estão um brasileiro comunista e um português capitalista, que discutem ferozmente. Há também um argentino fascista e uma atriz francesa trotskista, que assim como a outra dupla, discutem ferozmente. Neste remoto banco de areia, todos defendem suas ideologias que foram superadas pela realidade.
Dirigido e escrito por Daniela Thomas e Beto Amaral
Elenco: Adriano Carvalho - Antônio, Luana Nastas - Beatriz, Sandra Corveloni - Dona Ondina, Maria Helena Dias - Domingas, Juliana Carneiro da Cunha - Dona Zizinha, Roberto Audio - Batholomeu, Jai Baptista - Feliciana, Toumani Kouyaté - Lider, Vinícius dos Anjos - Virgílio, Fabrício Boliveira - Jeremias, Adilson Maghá - Porfírio, Geisa Costa - Joana, Maria Isadora Favero - Maria Joaquina
Premiado no Festival de Brasilia 2017 com os prêmios de Melhor direção de arte e melhor atriz coadjuvante, para Jai Baptista, no papel da escrava Feliciana, "Vazante" também foi exibido no Festival de Berlim. O filme teria passado incólume pelo circuito como um drama que retrata a relação entre Fazendeiro português, negociante de escravos e gado, e o seu casamento com sua sobrinha de 12 anos. Talvez desse mídia por ser o primeiro filme solo de Daniela Thomas. Ou talvez por ser um filme que mostra a sociedade machista opressora já em 1821, e que se mantém igual nos dias de hoje. Nem o excelente trabalho do elenco, mescla de atores brasileiros e portugueses, foi o suficiente para encher os olhos da platéia. O que realmente chamou a atenção de todos, foi o gigantesco bafafá que se formou em relação ao filme, após sua tumultuada exibição no Festival de Brasilia. Um grupo de manifestantes do movimento negro, formado por atores, diretores e críticos de cinema, ficou revoltada com o tratamento que os negros apresentam no filme. Acusaram Daniela, roteirista do filme, de manter o olhar passivo e subjetivo dos personagens negros, que não encontram protagonismo na história nem relevância. Para piorar, o personagem de Fabricio Boliveira, um escravo alforrriado, massacra a comunidade negra, chicoteando e ameaçando de morte. Esse personagem é quase uma cópia do de Samuel L Jackson em "Django Livre", de Tarantino. Após 2 horas de exibição (ritmo extremamente lento), o que ficou realmente para mim, foi a belíssima fotografia de Inti Briones, em preto e branco acachapante, e o rosto do ator português Adriano Carvalho, o seu olhar é avassalador e hipnótico, parece que seus olhos vão saltar das telas. Do roteiro, fiquei frustrado com o desfecho, um lugar comum para quem quer acreditar no amor entre os diferentes.
ROTEIRO: Anna Carolina Francisco, Hilton Lacerda. PRODUÇÃO: Cláudio Assis, Marcello Ludwig Maia. PRODUÇÃO EXECUTIVA: Marcello Ludwig Maia.
ELENCO: Marcélia Cartaxo ... Mãe de Francisco, Maya de Paiva ... David, Clarice Fantini, Jards Macalé ... Príncipe, Vertin Moura, Matheus Nachtergaele ... Pai de Francisco / Nelson, Rafael Nicácio ... Francisco, Fabiana Pirro, Pally Siqueira
"Big jato" é "Os incompreendidos" de Claudio Assis. Explico: para quem assistiu a obra prima de Truffaut, será fácil identificar as inseguranças e sonhos de um adolescente que passa pelo rito da passagem para a vida adulta. Os anseios sobre o primeiro amor, sexo, conflitos familiares, drogas e a busca de um sentido para a vida invadem a vida de Francisco (Rafael Nicacio), morador do município de Peixe de pedra, junto de seu pai (Matheus Nachtergaele), seus três irmãos, sua mãe (Marcelia Cartaxo). Na mesma cidade também moram seu Tio radialista (Matheus Nachtergaele) e um poeta, Príncipe (Jards Macale), que introduzem a arte e a Poesia na vida do menino. O pai de Francisco é dono de um caminhão chamado de Big Jato e vive de limpar as fossas nas casas das pessoas. Mas com a chegada do esgoto e das Privadas o serviço vai diminuindo. Francisco sofre bullying dos colegas da escola que o chamam de limpador de merda. Para piorar a situação, seu pai, machista, proíbe de escrever poesias. Belissimamente fotografado por Marcelo Durst, que traz cores inovadoras para o universo de Claudio Assis, o filme todo tem um tom de fábula. Parece até que o narrador em Off vai começar o filme dizendo "era uma vez". O elenco é o ponto alto do filme. A atriz Maeve Jenkings foi a preparadora de elenco. Estão todos excelentes, do elenco adulto ao jovem. Matheus prova ser dos maiores atores do Brasil, junto de uma explosiva Marcelia Cartaxo. Ambos ganharam prêmios em Brasília, além de filme e roteiro, consecutivo por Hilton Lacerda e baseado em livro de Xico Sá.
Dirigido e escrito por Laís Bodanzky
ELENCO: Maria Ribeiro como Rosa Fabri Vasconcellos, Paulo Vilhena como Eduardo Vasconcellos (Dado), Clarisse Abujamra como Clarice Fabri, Jorge Mautner como Homero Fabri, Sophia Valverde como Nara Fabri Vasconcellos, Annalara Prates como Juliana Fabri Vasconcellos, Felipe Rocha como Pedro, Gilda Nomacce como Didi, Cazé Peçanha como Cacau, Herson Capri como Roberto Nathan, Heleninha Boskovic Cortez como Rosa (criança), Ralf Henze como cientista americano
Durante boa parte do filme, me veio em mente um clássico drama familiar americano de 1983: "Laços de ternura", com Shirley Maclaine, Debra Winger, Jack Nicholson e Jeff Daniels. "Como nossos pais" tem um paralelo bem próximo: relações familiares que vão de Esposa X Marido e Mãe X Filha, até uma reviravolta surpreendente na historia. O filme venceu 5 Oscar. "Como nossos pais" ganhou 6 Kikitos em Gramado 2017 e pode vir a ser um dos selecionados pela Comissão Brasileira para competir a uma vaga no Oscar. Tudo isso indica a alta qualidade do filme, principalmente no quesito Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena e Jorge Mautner estão fabulosos em seus personagens cheios de erros e poucos acertos. As participações especiais também colaboram bastante, como os excelentes atores Gilda Nomacce e Felipe Rocha. A fotografia do espanhol Pedro J. Márquez traz lindas tintas melancólicas, e especialmente na cena da praia no anoitecer é muito poética. O roteiro, de Lais e de Luis Bolognese, é o retrato de todas as famílias do mundo inteiro: traições, rusgas mal resolvidas, conflitos pais e filhos, amantes e como não poderia deixar de existir, o terapeuta que discute a relação de casal. O vigor e disponibilidade do elenco, principalmente Maria Ribeiro e Clarisse Abujamra conferem ao filme várias cenas antológicas: mas a que mais me marcou, foi o passeio da mãe e filha comprando sapatos pra mãe. A mãe chega e pede a opinião da filha sobre qual sapato comprar: vermelho ou marrom. A filha escolhe um, a mãe outro, e ai começam uma discussão interminável. Essa cena para mim resume o filme: cada um é e deve ser dono de si e de suas opiniões. Sejam elas acertadas ou não. Um belo filme que merece ser visto.
Direção: Joel Zito Araújo. Roteiro: Joel Zito Araújo, Di Moretti
Elenco: Ruth de Souza ... Maria Aparecida (Cida), Léa Garcia ... Maria da Ajuda (Ju), Milton Gonçalves ... Seu Zé, Taís Araújo ... Young Maria Aparecida (Cida), Maria Ceiça ... Selma, Thalma de Freitas ... Young Maria da Ajuda (Ju), Dani Ornellas ... Dora, Rocco Pitanga ... Young Marquinho, Zózimo Bulbul ... Marquinho, Kadu Karneiro ... Flávio, Jonas Bloch, Mônica Freitas
Numa pequena cidade em Minas Gerais as irmãs Maria "Cida" Aparecida (Taís Araújo) e Maria "Ju" da Ajuda (Thalma de Freitas) têm objetivos bem distintos. A primeira quer se tornar uma famosa atriz e para isto é imperativo que deixe o lugarejo, já a segunda só pensa em namorar. Vivem com Zé das Bicicletas (Mílton Gonçalves), o pai delas, que foi abandonado pela mulher e é muito rigoroso com o comportamento das filhas. Quando ele acusa injustamente Cida de estar se envolvendo com Marquinhos (Rocco Pitanga), o namorado de Ju, ela fica tão magoada que deixa a cidade e vai para o Rio de Janeiro na esperança de ser atriz, e consegue. A vida de cada irmã seguiu seu curso e elas ficam sem se falar por mais de 4 décadas. Com a morte de Zé das Bicicletas, Cida retorna para a sua cidade natal para o enterro do pai. O encontro dela com Ju será inevitável, mas elas têm muita mágoa uma da outra e talvez seja difícil resolver 40 anos em alguns dias.
Dirigido por George Sluizer. Baseado no livro homônimo, de Odylo Costa Filho
ELENCO: Jofre Soares (João), Áurea Campos (Dona Ana), João Batista (Deodato), Ana Miranda (Maria), Douglas Santos (Zeferino), João Batista de Andrade, João-Augusto Azevedo (Juiz)
João da Grécia (Jofre Soares) encontra o amor ao se casar com Maria (Ana Maria Miranda), moça 40 anos mais nova que ele. Um dia, ele salva do afogamento o menino Deodato (João Batista). O tempo passa, e o ciúme irrompe quando, numa sexta-feira santa, João chicoteia Deodato, já adulto. Ele parte, então, para a Amazônia para enricar, e assim compensar, perante a mulher, a enorme diferença de idade que existe entre os dois. De volta ao seu rincão, João encontra uma nova vida.
MEGA Senha: mari1998
Direção, Roteiro: Lui Farias, baseado no livro homônimo e autobiográfico de Eliane Maciel. Direção de produção: Juarez Precioso, Roberto Berliner. Assistência de direção: Alice de Andrade. Direção de fotografia, Câmera: Walter Carvalho. Edição: Eduardo Albuquerque, Lui Farias. Assistente de montagem: Eduardo Albuquerque
ELENCO: Fernanda Torres - Eliane, Carlos Augusto Strazzer - Otávio, Marieta Severo - Eunice, Reginaldo Faria - Milton, Yolanda Cardoso - Avó, Tania Boscoli - Cida, Ilva Niño - Mãe de Otávio, Duse Nacaratti - Teresa, Analu Prestes (Advogada), Carlos Wilson (Comissário Bráulio), Caio Torres (Daniel), Stella Freitas, José Mello, Ataíde Arcoverde, Larissa, Catalina Bonaki, Luís Bandeira Brasil, Karen Accioly, Luís Roberto Peçanha, Jorge Rosa, Márcia Faria, Alice Moraes, Bia Lessa, Paulo Ramos, Breno Moroni, Roberto Berliner, Célia Valéria, Cíntia Dantas, Denise Fraga (amiga de Eliane), Suely Weller, Dayse de Lourenço, Tom Reston, Eduardo Porto, Valéria Abbade, Fernando Luz, Zeza Farias, Isabel Cristina, Marise Farias (Janaina), Paulo Porto (Juiz)
Família de classe média se aperta num apartamento de Nilópolis. Eunice (Marieta Severo), a mãe, é uma mulher amargurada, Milton (Reginaldo Faria), o pai, é um ex-militar doente. Eliane (Fernanda Torres), a filha, de 15 anos, começa a namorar Otávio (Carlos Augusto Strazzer) um homem desquitado e mais velho. A família tenta impedir por todos os meios. A adolescente procura a justiça, disposta a enfrentar os preconceitos e a repressão familiares.
Dirigido e financiado por Daniel Filho
ELENCO: José Wilker .... Alfredo Giacometti, Sônia Braga .... Maria Lúcia, Antônio Pedro, Rui Resende .... Melquíades, Ida Gomes .... Mãe de Maria Lúcia, Pedro Camargo .... Quieto, Susana Vieira .... Cida, Herval Rossano .... Doutor, Flávio São Thiago, Fábio Sabag, Walter Avancini, Betty Faria, Ângela Leal, Sérgio de Oliveira, Moacyr Deriquém, Jotta Barroso
Lançado no circuito em 1975, essa comédia dramática escrita por Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, tem caráter auto-biográfico. Um jovem casal, Maria Lucia (Sonia Braga) e Alfredo (José Wilker) descobrem que vão ser pais. Os dois sofrem conflitos de ordem financeira, profissional (Alfredo é professor de história na Puc) e pessoal. Alfredo se assusta com a possibilidade de ser pai. Maria Lucia está amando essa possibilidade. Alfredo afoga suas crises no boteco, junto de um grupo de amigos boêmios formado pelos atores Antonio Pedro, Rui Resende, Pedro Camargo e Betty Faria. Deliciosamente carioca e ao mesmo tempo, tendo muita referência da estética da nouvelle vague francesa, "O casal" discute o drama da juventude que descobre cedo demais as responsabilidades da vida. Rodado em plena ditadura, questões como aborto, sexo livre, uso de drogas, discurso livre, são retratados de forma corajosa. Todo o elenco esbanja espontaneidade, e ver o Rio de Janeiro do início dos anos 70 e uma verdadeira delícia. A montagem do filme é moderna, se utilizando de recurso narrativos bem pouso usuais na época: fotos congeladas, jump cuts, etc. O filme fez sucesso comercial, e curiosamente, anos depois Wilker e Sonia Braga repetiriam a parceria em um dos maiores sucessos de bilheteria no Brasil, "Dona Flor e seus dois maridos", tal a química que rolou entre os 2 atores.
Elenco: Nelson Xavier ... Almirante, Juliana Paes ... Fátima, Amélia Bittencourt ... Alzira, Thereza Piffer ... Regina, Marcelo Di Marcio ... Homem no bar, Bruno Alves Dos Santos ... Pothead 2, Vinícius Ferreira ... Almirante jovem, Felipe Hintze ... Neto de Agenor, Ithamar Lembo ... Filho de Almirante, Nill Marcondes ... Atendente do Bar, Osvaldo Mendes ... Agenor, Deto Montenegro ... Motorista de táxi, Fatima Ribeiro ... Nora de Almirante, Theo Salomão ... Eduardo, Rafael Valente ... Pothead 3, Luma Vidal ... Blonde at the Bank
Escrito, Dirigido e produzido por Marcelo Galvão, mesmo Diretor de "Colegas" e "Bellini e o demônio", "A despedida" é uma homenagem ao grande ator Nelson Xavier, que se entrega no papel do "Almirante", um homem de 90 anos debilitado pela saúde e pressentindo que a morte está próxima. O filme todo se passa em um dia: O Almirante acorda, toma banho e resolve dizer ao seu filho que vai para a rua tomar café. Sabendo da deficiência física de seu pai, o filho tenta impedi-lo, em vão. Dá-se inicio à epopéia do Almirante por um dia onde ele começa a se despedir de todos: de antigo desafeto, do neto. Há espaço também para experimentar coisas novas: fumar maconha é uma delas. Até que o dia termina com o seu encontro com sua amante, a jovem "Morena", interpretada belamente por Juliana Paes, em atuação emocionante. O filme me lembrou de imediato, por conta do tema, de 2 filmes distintos: "30 anos essa noite", de Louis Malle, e "Antes de partir", com Jack Nicholson e Morgan Freeman. Em comum, o desejo de homens comuns de despedirem da vida, após fazerem um balanço do que realmente importa para eles. O ritmo do filme vai lento, como se o Almirante aproveitasse cada segundo de sua vida. O elenco de apoio, formado por atores paulistas, é ótimo. A fotografia traz um visual que alterna o moderno e o vintage. Porém, o filme não existiria senão fosse a performance irretocável de Nelson Xavier, talvez em sua atuação mais vibrante e brutal. A cena de Alirante com 3 jovens rappers é antológica. O filme é uma homenagem de Marcelo Galvão ao seu avô, e venceu inúmeros prêmios em vários Festivais.
Dirigido por Gustavo Dahl
ELENCO: Paulo César Pereio como Miguel Horta, Mário Lago como Augusto, Ítalo Rossi como Conrado Frota, Maria Lúcia Dahl como Clara Horta, Milton Gonçalves como sindicalista, Cesar Ladeira como Virgílio, Paulo Gracindo como Péricles, Joseph Guerreiro como Honório, David Drew Zingg como Senador O'Finney, Angelito Mello como Governador, Hugo Carvana como Pelego, Carlos Vereza como Rodrigues
Julgando que só no governo se consegue algo pelo bem público, Miguel Horta (Paulo César Peréio), deputado da oposição, rompe com o Partido Radical, e filia-se ao situacionista Partido Nacional. Ao mesmo tempo em que vê desgastada a relação com sua esposa Clara (Maria Lúcia Dahl), Horta se dá conta de que só as suas boas intenções não são suficientes para mudar o status-quo.
Dirigido por Vinicius Mainardi. Roteiro: Diogo Mainardi, Vinicius Mainardi. Linha de Produção: Sara Silveira, Renato Ciasca. Produção: Julia Mainardi, Vinicius Mainardi
ELENCO: Antônio Calloni ...Vittorio, Maitê Proença ...Eleanor, Marcélia Cartaxo ...Viúva, Pedro Brandi ...Benjamin, Fabiano Fabris ...Washington, Bruno Giordano ...Detetive, Amaury Álvarez ...Médico, Eduardo Semerjian ...Amigo, Paulo Giardini ...Advogado de Vittorio, Pierre Bittencourt ... Jefferson, Luan Ferreira ... Wilson, Carlos Meceni ... Jackson, Décio Pinto, Andrea Pozzi
Com medo de que sua família sofresse represálias, o empresário Vittorio (Antônio Calloni), mediante o pagamento de US$16,060, manda matar Jackson (Carlo Meceni) na cadeia, após frustrada tentativa de assalto à sua mansão. Por engano, é morto outro preso. Arrependidos, Vitório e a esposa Eleanor (Maitê Proença) acolhem a viúva (Marcela Catarxo) e os três filhos do falecido. A insânia se instala, e o que vem pela frente é imprevisível.
Dirigido por Alberto Salvá
ELENCO: Oduvaldo Vianna Filho...Flávio, Glauce Rocha...Selma, Rafael de Carvalho...pai, Lícia Magna...mãe, D'Artagnan Mello...irmão, Dita Côrte-Real, Silvio Fróes, Kazuo Kon, Mário Prieto, Célio de Barros
Flávio (Oduvaldo Vianna Filho) é um homem "sem importância". Ele chega aos 30 anos sem uma capacitação profissional que lhe permita uma ocupação digna. Em face do desemprego crônico, ele vive brigando com o pai (Rafael de Carvalho), um mecânico rude, sem instrução, que vive mergulhado em seu trabalho. Flávio segue seu périplo diário, conhece a desquitada Selma (Glauce Rocha), que entende o seu drama, mas, desalentado, sente que já perdeu a juventude e continua desprovido de chances de realização.
Dirigido por Sérgio Rezende
ELENCO: Juca de Oliveira .... Felício Barreto, José Wilker .... Mandarim, Drica Moraes .... Paloma, Regiane Alves .... Estela da Luz, Aramis Trindade .... Genésio "Boca Pura", Castrinho .... Mirandinha, Genézio de Barros .... Freire, José Dumont .... Januário "Jajá" Bastos da Silva, Tiago Moraes .... Rafael "Rafa", Paulo César Peréio ... Mr. Hyde, José Vasconcelos ... José Vasconcelos, Denise Weinberg .... Socorro "Socorrinho", Rafael Ponzi .... Calado, Ricardo Kosovski .... Oliva, Ernani Moraes .... Paco, Lívia Falcão .... Clotilde, Carri Costa .... Emerson, Karla Karenina .... dona Selma, Ana Marlene .... Arlete, Robério Diógenes .... Dr. Castelo, Ricardo Alegre .... tocador de trombone
Felício Barreto (Juca de Oliveira) é um comediante veterano que vive triste e solitário. Em busca de ser novamente feliz, ele passa a inventar uma aventura delirante, onde reencontra seu antigo parceiro Mandarim (José Willker) e sua ex-esposa Paloma (Drica Moraes), ambos já falecidos. Em sua saga Felício é levado da fria São Paulo para um lugar paradisíaco, onde encontra Estela da Luz (Regiane Alves), uma atraente mulher.
Dirigido por Flávio R. Tambellini
Elenco: Mário Benvenutti (Danilo Ribeiro), Ary Fontoura, Monique Lafond (estréia), Vera Barreto Leite, Ana Christie,
Casado com Renata (Vera Barreto Leite), Danilo (Mário Benvenutti) trabalha na empresa do sogro. Frustrado por ter abandonado seus sonhos e projetos da juventude, ele afoga as mágoas em doses de scotch com a amante Denise (Ana Christie). Seria ele capaz de recomeçar sua vida ao lado dela, abrindo mão das benesses de seu casamento, e afastando-se dos filhos Dinho (Flávio Ramos Tambelini) e Clarice (Monique Lafond)?
Direção, Roteiro: Tizuka Yamazaki. Produção: Carlos Alberto Diniz, Tizuka Yamasaki. Música: Egberto Gismonti. Direção de Fotografia: Edgar Moura. Edição: Karen Akerman, Diana Vasconcellos. Direção de Arte: Yurika Yamasaki. Primeiro Assistente de Direção: Hsu Chien Hsin
ELENCO: Tamlyn Tomita .... Maria Yamashita Salinas, Jorge Perugorría .... Gabriel Damazo Bravo Salinas, Nobu McCarthy .... Shinobu Yamashita, Kyoko Tsukamoto .... Titoe Yamada, Eda Nagayama .... Shinobu Yamashita - jovem, Kissei Kumamoto .... Sensei Yamashita / Kazumi, Luís Melo .... Ramon Salina Bravo Salinas, Zezé Polessa .... Gina Salinas, Louise Cardoso .... Sofia Damazo Bravo Salinas, Mariana Ximenes .... Weronica Müller, Aya Ono .... Batyan, Lissa Diniz .... Yoko Salinas, Carlos Takeshi .... Vicente, Eijiro Ozaki .... Kunihiro, Felipe Kannenberg .... George Müller, Keniti Kaneko .... Jiro Kobayashi, Ryogo Suguimoto .... Ken, Dado Dolabella .... Brother, Kassia Lumi Abe ... Young Shinobu, Ilya Akiyoshi ... Young Pedro, Aparecido ... Xetá, Apollo ... Priest, Isadora Barion ... Gina Salinas (child), Paulo Castro ... Guará Pedro Diniz ... Young Pedro, Thaís do Carmo ... Blonde girl, Michelle Ekune ... Snake girl, Atsumi Iwakiri ... Japonese manager, Gori Koike ... Kiyomoto-san leader, Maurício Souza Lima ... Spanish driver, Miwa Marayama ... Teacher, Poka Marques ... Policeman, Juliana Matsumoto ... Batyan (child), Francine Missaka ... Singer, Vitor Mity ... Lucas, Emilia Miyazaki ... Sueko, Ralf Muller ... German, Lucas Muragucchi ... Lucas, Tiemi Ono ... Marília, Domingos Pellegrini Júnior ... Farmer, Sílvio Pozzato ... Italian photographer, Minoru Sasahara ... Nikkey leader, Pamela Takahara ... Lumi, Renata Tan ... Singer, Fábia Tanabe ... Singer, Naina Tie ... Yoko (child), Fabiano Takeo Tsutsui ... Kazumi (child), Stephanie Vasconcelos ... Brazilian girl, Naiara Watanabe ... Lumi, Fausto Kendi Yamai ... Ujihara
Em 1908 chega ao Brasil Titoe (Kyoko Tsukamoto), japonesa que vem ao país na intenção de conseguir dinheiro com seu trabalho para então retornar ao Japão e poder seguir sua vida no país-natal. Em 1935, já com sua filha Shinobu (Nobu McCarthy) nascida e com dinheiro insuficiente para retornar ao Japão, Titoe decide comprar seu primeiro lote de terras em Londrina. A 2ª Guerra Mundial e suas consequências para o Japão acabam adiando ainda mais os planos de Titoe em retornar ao país, principalmente após Kazumi e Maria (Tamlyn Tomita), seus netos, nascerem. Já crescida, Maria se casa com Gabriel (Jorge Perrugoría), gaijin filho de pai espanhol e mãe italiana, com quem tem dois filhos: Yoko (Lissa Diniz) e Pedro. Os negócios de Gabriel vão bem, até que o confisco feito pelo Governo Collor em 1990 o leva à falência. Sem alternativas, Maria e as crianças vão morar com Titoe enquanto Gabriel embarca para Kobe, província japonesa, na intenção de trabalhar temporiamente e juntar dinheiro para a família.
Este filme, que teria uma continuação em 2005, marca a estreia de Tizuka Yamasaki como diretora e roteirista.
ELENCO: Kyoko Tsukamoto .... Titoe, Jiro Kawarazaki .... Yamada, Ken Kaneko .... Kobayashi, Antônio Fagundes .... Tonho, Gianfrancesco Guarnieri .... Enrico, Yuriko Oguri .... sra. Nakano, Maiku Kozonoi .... Keniti Nakano, Celso Saiki .... Ueno, Álvaro Freire .... Chico Santos, Louise Cardoso .... Angelina, José Dumont .... Ceará, Clarisse Abujamra .... Felícia, Carlos Augusto Strazzer ....dr. Heitor, Mii Saki ... Suki, Dorothy Leirner .... Grazziela, Lineu Dias, Sadi Cabral
Japão, 1908. Dada a miséria reinante, os irmãos Yamada (Jiro Kawarazaki) e Kobayashi (Keniti Kaneko) decidem sair do país. A companhia de emigração só aceitava grupos familiares com pelo menos um casal. Yamada casa-se com Titoe (Kyoko Tsukamoto), uma jovem de 16 anos, e o casal parte para o Brasil, onde vão trabalhar na cultura do café, e se defrontam com um capataz que os explora. Além disso, são roubados pelos donos da fazenda, apenas sendo tratados com respeito por outros colonos e por Tonho (Antônio Fagundes), o contador da fazenda.
Direção: Tizuka Yamasaki. Roteiro: Tizuka Yamasaki, Alcione Araújo. Diretor assistente: Tânia Lamarca. Direção de fotografia: Edgar Moura. Câmera: Nonato Estrela, Edgar Moura. Montagem: Michael Cristian, Tizuka Yamasaki. Título da música: Patriamada.
Música de: Carlos Fernando. Intérprete: Alceu Valença
ELENCO: Débora Bloch (Lina), Walmor Chagas (Rocha Queiroz), Buza Ferraz (Goiás), Eleonora Rocha, Ernesto Piccolo, Gilson Moura, Júlia Lemmertz, Luca de Castro, Paulo Moura, Roberto Faissal, Rômulo Arantes, Thelma Reston, Yumiko Ueno, Adalberto Freitas, Jessel Buss, Paulo Magôulas, Luisa Silveira, Rodrigo Kurtz, José Jofily Filho, Alfredo Sirkis, José Antônio, Silvio Da Rin, Ricardo Clementino, Michael Cristian, Mário Fernandes, Alcione Araújo, Ilya Yamasaki, Thais Helena Nunes, Marco Aurélio, Abel, Fátima Diniz, Ruth Albuquerque, Mara Salete, Luiza Monteiro, Hélio Paulo Ferraz, Helena Salem, Cosme Alves Neto, João Carlos Salgado, Lilian Lemmertz (Mulher do empresário Rocha Queiroz), Ewerton de Castro, Maria Silvia, Alceu Valença, Sônia Braga, João Baptista de Oliveira Figueiredo, Paulo Maluf, Tancredo Neves, Franco Montoro, Ulysses Guimarães
Início de 1984. O desejo nacional das eleições presidenciais diretas e a luta pela aprovação da emenda Dante de Oliveira retratados por Lina (Débora Bloch) e Goiás (Buza Ferraz), namorados e jornalistas. Paralelamente às reportagens e entrevistas, ela se envolve em um triângulo amoroso com seu namorado e com Rocha Queiroz (Walmor Chagas), um poderoso homem de negócios.
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Dirigido por Sérgio Amon
ELENCO: Pedro Wayne ... Saul, Beto Ruas ... Raul, Suzana Saldanha ... Clara Cristina, Maria Inês Falcão ... Jussara, Oscar Simch ... Gordo Carlos, Carlos Cunha Filho ... Juarez, Edu Madruga ... Ferreirinha, Biratã Vieira ... Dr. André, Zeca Kiechaloski ... Alfredo, Java Bonamigo ... Eduardo, Ruza Cali ... mulher de roxo 2, Pilly Calvin ... dona da pensão (voz), Simone Castiel ... Norma, Nair d'Agostini ... convidada na festa 2, Marley Danckwardt ... mulher de roxo 1, Careca da Silva ... Ferreirinha (voz), Araci Esteves ... dona da pensão, Lahir Hubert ... Dona Branca, Isabel Ibias ... cartomante, Nei Lisboa ... barman, Nina de Pádua ... narração final, Clarisse Rath ... Norma (voz), Jaime Ratinecas ... convidado na festa 1, Angel Rojas ... porteiro, Werner Schünemann ... Saul (voz), Marco Antônio Sorio ... Mário, Flávio Stein ... convidado na festa 3
Baseado no conto homônimo de Caio Fernando Abreu, o filme conta a história de Saul e Raul, colegas de trabalho em uma repartição pública. Raul, recém-saído de um casamento frustrado, é extrovertido e brincalhão e passa o tempo ouvindo e tocando bolero no pequeno apartamento onde mora. Saul é tímido, de espírito crítico e amargo. Saiu de um noivado quase interminável e se recupera de uma tentativa de suicídio. Os dois acabam unidos pela solidão e iniciam uma intensa amizade. Os outros colegas de trabalho confundem a amizade com um romance e os dois viram alvo de discriminação. Confusos, nem eles mesmos sabem se estão de fato apaixonados.
Direção: Paulo Augusto Gomes
ELENCO: Denise Bandeira (Helena), Eduardo Machado (Luís - época passada), Mário Lago (Luís - época atual), Carmem Silva (Alice), José Mayer (Manuel), Jota Dângelo, Maria Alice Mansur, Vera Farjado, Breno Fonseca, Palmira Barbosa, Eduardo Rodrigues, Helvécio Ferreira, Léa Delba, Affonso Drumond, José Roberto Alvarenga, Priscila Freire, Antônio Kattah, Javert Monteiro, Edel Mascarenhas, Miriam Brum, Murilo Antunes, Lúcia Schettino, Ronaldo de Noronha, Lucas Salgado, Maria Lúcia Dahl (Tia teresa)
Nos dias de hoje, um casal - Luís e Alice, ele um ex-companheiro de serviço de Carlos Drummond de Andrade na Imprensa Oficial, poeta efêmero, antigo frequentador de rodas e saraus literários, comemora suas bodas de ouro. Missa solene, recepção em casa para amigos e parentes. No fim da noite, os dois conversam e fazem uma avaliação de todos os acontecimentos daquele dia especial e de sua vida em comum. E é naquele momento que Luís se vê compelido a revelar à sua mulher uma paixão que lhe marcou a existência e definiu sua trajetória. Voltamos aos anos 30, sempre em Belo Horizonte. Enquanto Alice passava férias com as crianças numa estância hidromineral, Luís conheceu Helena, carioca, em visita ao irmão que se tratava de tuberculose. Encontraram-se em meio a uma reunião de poetas parnasianos, passaram pelas ruas e praças da jovem cidade, travaram forte relacionamento, se amaram. Helena, mais até que paixão, surge aos olhos de Luís como a oportunidade que ele sempre desejou: a de desenvolver sua verdadeira vocação de poesia, criar uma obra importante, emigrando ao mesmo tempo para a metrópole - o Rio de Janeiro, velho sonho mineiro. Por medo, acabou desistindo e, quando era tarde, se arrependeu. Nunca mais encontrou aquela mulher fascinante e original - e também nunca mais a esqueceu. Escolheu a província para sempre e matou sua vocação. De seu momento de glória, só lhe restam o remorso e o arrependimento.
De novo no presente, Alice, ao acabar de ouvir aquela confissão, está evidentemente arrasada. Com o dia nascendo, só lhe resta subir para o quarto com o vidro de comprimidos para dormir, deixando Luís ali na saleta, espantado com a própria coragem que teve, ao revelar aquele segredo por longo tempo oculto, e também aliviado, ao se desfazer de tamanho fardo.
Dirigido por Manuel Peluffo
ELENCO: Antonieta Morineau - Leninha, Helmuth Schneider - Maurício (creditado como Alexandre Carlos), Ziláh Maria - Lídia, Rubens de Queiróz - Paulo, Maria de Lourdes Lebert - Consuelo, Great George - Avô, Nair Pimentel - Netinha, Raul Breda - Marcelo, Ilza Menezes - Naná, João Pinto de Oliveira - Elpídio, Iracema - Dona Zefa, José Penteado Carlos, Diana Lepore - Mulher (Regina/Evangelina/Guida), Adolfo Leicys - Coronel, Artur Carvalhal - Juiz, Ayres Campos - Cabra, Caio E. Scheiby, Vitorio Cusani, Manuel Peluffo
Leninha (Antonieta Morineau) se casa com Paulo (Rubens de Queiróz), sem estar apaixonada pelo viúvo. Passa então a residir com este e sua família. Na realidade, ela se apaixona pelo cunhado Maurício (Helmuth Schneider) assim que o conhece. Mas descobre que a primeira mulher de seu marido fora morta por cães. Começa a ficar atormentada com a presença da morta nas falas das pessoas que a rodeiam. A tormenta se transforma em pavor com uma suposta aparição de Guida, a falecida. Mas Leninha resolve seguir o fantasma e descobre que se trata de Lidia (Ziláh Maria), a prima de Paulo, que desmascarada, revela toda sua loucura. Enfim, Leninha é aceita por todos e a paz volta a reinar na fazenda.
Diretor porto-riquenho Diego de la Texera
ELENCO: Paula Burlamaqui como Eva, Daisy Granados como Madame, Cláudio Marzo como Velho Meirelles, María Dulce Saldanha como Nova, Nicolas Trevijano como Pelotudo, Danielle Ornelas como Maria Conceição, Leandro Hassum como Gordo, Lucci Ferreira como Aloísio, Felipe Kannenberg como Hans, Iracema Starling como Iracema
Início dos anos 1960. Uma equipe trabalha na construção de uma estrada federal para ligar a Novacap ao Nordeste brasileiro. Após 31 de março de 1964, os trabalhadores são abandonados. Com eles, as prostitutas que os visitavam mensalmente, impossibilitadas de deixar o local, pois fortes chuvas destruíram trechos da estrada. Os dois grupos passam por privações, até que um meteoro, traz o milagre da água e a comunidade se desenvolve, mas passa a sofrer com as forças oficiais caçando guerrilheiros. E a diáspora volta a seguir seu caudaloso curso...
Dirigido por Laís Bodanzky
ELENCO: Tônia Carrero (Dona Alice), Betty Faria (Elza), Cássia Kiss (Marici), Miriam Mehler (Nice), Elza Soares (Ana), Jorge Loredo (Dionísio), Leonardo Villar (Álvaro), Maria Flor (Bel), Marly Marley (Liana), Paulo Vilhena (Marquinhos), Stepan Nercessian (Eudes), Selma Egrei (Falecida), Clarisse Abujamra (Rita), Luiz Serra (Ernesto), Conceição Senna (Aurelina), Amélia Bittencourt (Empresária), Ivan de Almeida (Namorado de Aurelina)
Um baile acontecerá em um clube de dança em São Paulo. Desde quando o salão abre suas portas, pela manhã, até seu fechamento ao término do baile, pouco após a meia-noite, diversos personagens rodeiam o local.
DIREÇÃO: Eduardo Llorente. Diretor de fotografia: Ozualdo Candeias
ELENCO: Rosana Martins ... Maria, Sérgio Hingst, Mauro Mendonça, Roberto Bolant (O tal), Nelcy Martins, Oswaldo D'ávila, Jorge Pires, Luiz Alberto Magalhães, Nestor Alves de Lima, Geraldo Decourt, Ricardo Picchi
Maria (Rosana Martins) morava numa fazenda no interior, até ser expulsa de casa por ser filha bastarda, sendo obrigada a enfrentar as agruras da vida na cidade grande. Moça ingênua e bonita, ela sofre todo tipo de assédio, não encontra trabalho, e por despertar o desejo nos homens, só encontra o meio de vida na prostituição, contrariando sua formação religiosa. Até que ela encontra o amor em um homem de meia idade (Sérgio Hingst), e sua vida parece tomar um novo rumo. Parece.
Dirigido por Hermano Penna, baseado no livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro
ELENCO: Lima Duarte .... Getúlio, Orlando Vieira .... Amaro, Fernando Bezerra .... Prisioneiro, Flávio Porto .... Padre, Antônio Leite .... Tenente, Ignês Maciel Santos .... Luzinete, Amaral Cavalcanti .... Elevaldo, Otávio Sales Fillho .... Nestor, Marieta Fontes .... Ozonira, Márcia de Lima .... Filha de Nestor, Ethel Muniz .... Emissário, Carlos Rocha .... Emissário, Antônio Lima
O Sargento Getúlio (Lima Duarte) é incumbido de levar um preso político de Paulo Afonso (BA) até Aracaju (SE). Durante a viagem, em companhia de seu parceiro Amaro (Orlando Vieira), uma mudança política altera as ordens, e Getúlio não deve seguir na missão. Determinado a cumprir a ordem inicial, ele segue em sua jornada pontilhada pela violência.
Elenco: Jesuíta Barbosa (Jonas), Laura Neiva (Branca), Criolo (Dandão), Chay Suede (Fê), Chris Couto (Rita), Karol Conká (Miria), Ariclenes Barroso (Berro), Ana Cecília Costa (Janice), Paulo Américo (Moisés), Rincon Sapiência (Cesinha)
Longa de estreia de Lô Politi, quando lançado em circuito foi bastante criticado pelo que os críticos chamavam de olhar televisivo e novelesco e pelo tema perigoso sobre a vítima que se apaixona pelo seu algoz. Assistindo agora, me deparei com um lindo filme, um drama romântico sobre um amor impossível, com leves toques de humor capitaneados por um excelente elenco de apoio. Sim, o filme tem uma narrativa estilizada e publicitária, mas isso não pode ser visto como um demérito. A fotografia de Alexandre Ermel e a bela trilha sonora de Zezinho Mutarelli ajudam a dar um tom melancólico a essa fábula urbana belamente conduzida por Lô Politi. Ambientada em São Paulo, durante o Carnaval, conta a história de Jonas (Jesuita Barbosa), filho da empregada que trabalha para uma família de classe média alta (Chris Coutto e Roberto Birindelli), e cuja filha, Branca (Laura Neiva), é objeto de desejo de Jonas. Jonas faz de tudo um pouco para ajudar no sustento de sua família: o pai é alcoólatra e seu irmão menor, Jander (Luam Marques, excelente), que o venera como herói. Jonas ajuda na quadra da escola de samba e também trabalha como avião para os traficantes do local. Achando que Branca o está seduzindo, Jonas acaba matando sem querer um traficante e sequestra Branca, escondendo-a dentro da alegoria de uma enorme baleia. Além da grande qualidade técnica (o único porém é a cena do incêndio do final bem tosca), o grande trunfo do filme, escrito por Lô Politi e colaboradores, entre eles, o talentoso Felipe Sholl Diretor de "Fala comigo", é o eclético elenco, composto por atores consagrados e amadores. Além de Jesuita Barbosa, tem os ótimos Ariclenes Barroso, Roberto Birindelli e Ana Cecilia Costa. Tem também os jovens promissores Laura Neiva e Chay Suede, e os cantores Karol Konká e Criollo, surpreendendo em suas composições.
Dirigido por Walter Rogério. Direção de Fotografia: Adrian Cooper. Gerente de Produção: Jayme del Cueto
ELENCO: Chiquinho Brandão.... Norival, Maitê Proença.... Catarina, Fernanda Torres.... Claudete, Antônio Fagundes.... dr. Paulo, Ary Fontoura.... Alvarino, Cláudio Mamberti.... advogado de Norival, Miguel Falabella.... Zecão, Iara Jamra.... Carmen, José Rubens Chachá.... Pedrão, Dani Patarra.... Dolores, Gianfrancesco Guarnieri.... fotógrafo, Eloísa Mafalda.... proprietária da pensão, Walmor Chagas.... juiz da Suprema Corte, Miriam Pires.... operária, Ankito.... faxineiro, Sérgio Mamberti.... juiz, Genival Lacerda.... ele mesmo, Laert Sarrumor.... ele mesmo, Joel Barcellos.... arquivista, Tânia Bondezan.... secretária de Paulo, João Acaiabe .... dono do bar, Vic Militello.... prostituta, Ary França, Gérson de Abreu, Dulce Bressane, Walter Breda, Roney Facchini, Paco Sanches, Júlio Calasso, Jayme del Cueto, Cláudia Moras, Cássio Scapin, Orlando Vieira
Lourival (Chiquinho Brandão) e Catarina (Maitê Proença), operários de uma tecelagem em São Paulo, são demitidos por justa causa, acusados de se beijarem no ambiente de trabalho. Casada com Zecão (Miguel Falabella), Catarina se conformou. Solteiro, Lourival acionou a Justiça do Trabalho. O tempo passou, o processo trabalhista engordou, atravessou todas as instâncias, até o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, e, anos depois, finalmente, o operário ganhou a causa. Ganhou?
Direção: José Sette
Elenco: Suzana de Moraes, Maria Gladys, Célia Messias, Paulo César Peréio, Carlos Pontual, Rodrigo Santiago, Sandro Santos, Neila Tavares
Longa-metragem experimental, sem história e sem roteiro estruturado, construído, tão somente, sobre a percepção do sentimento de opressão da vida paranoica e obsessiva dos perseguidos. Uma metáfora sobre o conflito ideológico-político entre a ação e o pensamento repressivo da direita predatória e cruel, contraposto à ação de uma esquerda neurótica, autofágica e confusa. Um filme sobre a perseguição, repressão e desumanização do povo.
Dirigido por Andrucha Waddington. ROTEIRO: Luiz Carlos Barreto, Elena Soarez, Andrucha Waddington. PRODUTORES ASSOCIADOS: Daniel Filho, Luciano Huck, Carlos Eduardo Rodrigues. PRODUÇÃO: Pedro Guimarães, Leonardo Monteiro de Barros, Andrucha Waddington. CO-PRODUÇÃO: Patrick Siaretta. MÚSICA: João Barone, Carlo Bartolini
ELENCO: Fernanda Montenegro.... D. Maria / Áurea, de 1942 a 1969 / Maria, em 1969, Fernanda Torres.... Áurea, de 1910 a 1919 / Maria, em 1942, Ruy Guerra....Vasco de Sá, Seu Jorge.... Massu, de 1910 a 1919, Luiz Melodia.... Massu, em 1942, Enrique Diaz.... Luiz, em 1919, Stênio Garcia.... Luiz, em 1942, Emiliano Queiroz.... Chico do Sal, João Acaiabe.... pai de Massu, Camilla Facundes .... Maria, em 1919, Haroldo Costa.... capataz, Jorge Mautner.... cientista, Nélson Jacobina .... cientista, Zumbi Bahia ... Carregador Vasco #1, Jefferson de Almeida Barbosa ... Mirinho (1919), Wadson Martins Costa ... Mirinho - 1942, Urias de Oliveira Filho ... Carregador Vasco 2, Guilherme Júnior ... Pescador Fogueira, Carlos Henrique Nascimento ... Pescador do Entreposto, Fernando Torres ... (archive footage)
Em 1910, o português Vasco leva sua esposa grávida Áurea e a mãe dela, Dona Maria, em busca de um sonho: viver em terras prósperas, recentemente compradas por ele. O sonho se transforma em pesadelo quando, após uma longa e cansativa viagem junto a uma caravana, o trio descobre que as terras estão em um lugar totalmente inóspito, rodeado de areia por todos os lados, e sem nenhum indício de civilização por perto.
DIREÇÃO: Roberto Farias
ELENCO: Reginaldo Faria ... Pablito, Rejane Medeiros ... Flora, Aurélio Teixeira ... Isaac, Maurício do Valle ... Isaac, Jofre Soares ... Nitan, Dinorah Brillanti ... Zola, Labanca ... Curê, Paulo Copacabana ... Osório, Mário Petráglia ... Aguará, Ruy Polanah ... Clandestine buyer, Eva Rodrigues ... Anaí, Vilma Portela ... Nakyrã, Borges Capillé ... Another changa-ý, Nenito Brigueña ... Curãturã (the old roaster)
Baseado no romance de Hernani Donato, o filme mostra o cotidiano de trabalhadores que extraem a erva mate e são tratados como escravos. Aqueles que tentam escapar recebem drásticas punições.
Roteiro e direção de Carlos Gerbase. Edição: Giba Assis Brasil. Assistente de Direção: Ana Luiza Azevedo
ELENCO: Maria Fernanda Cândido.... Cátia, Camila Pitanga.... Cassandra, Marcos Breda.... Rudi Veronese, Bruno Garcia.... Valdo, Janaína Kremer.... Mirabela, Nelson Diniz.... João Batista, Júlio Andrade.... Holmes, Rafael Tombini.... Afonso, Mateus Dagostin.... Léo, Felipe de Paula.... Jaques, Roberto Birindelli.... Cristóvão, Bruno Torres.... Garcia, Rodrigo Najar.... médico, Adriana Scherer.... enfermeira, Maitê Proença ... Estrela de Cinema, Sergio Lulkin.... Geraldo, Marcelo Aquino ... Lucas, Júlia Barth ... Linda, Carla Cassapo ... Jane, Leonardo Machado, Fábio Rangel ... Torresini, Marco Antônio Sorio ... Art Director
Cátia, uma bem-sucedida economista, repensa sua vida quando seu namorado Veronese, um cineasta fracassado e que tem uma loja de revelações fotográficas, sofre um ataque cardíaco.
OK.RU / YOUTUBE / MEGA Senha: mari1998
ELENCO: Gabriela Duarte como Elvira, Marcelo Faria como Asdrúbal, Ernani Moraes como Juventino, Luana Piovani como Laurinha, Zezeh Barbosa como Dona Dinha, Michel Melamed como Eusébio, Branca Messina como Marlene, Pedro Brício como Orozimbo, Julianne Trevisol como Terezinha, Thelmo Fernandes como Portela, Antônio Fragoso como Leocádio, Cláudio Gabriel como Raimundo, Lidi Lisboa como Mariana, Julia Lund como Jandira, Débora Olivieri como mãe de Jandira, Crica Rodrigues como Amélia, Ricardo Martins como Ronaldo
Longa de estréia do Diretor de publicidade Clovis Mello, "Ninguém ama ninguém.." reúne 5 contos de Nelson Rodrigues, todos tendo como tema a infidelidade, em sua grande parte, feminina. Adaptar Nelson Rodrigues nos dias de hoje torna-se sempre um perigo, podendo correr risco do público feminino não se identificar com a imagem da mulher objeto e infiel. Fora isso, boa parte das mulheres também são maquiávelicas, não tendo o mínimo pudor de trair os maridos, retratados como machos bobões e amantes incautos. Mas esse é o universo de Nelson, que para a época que foi escrito era visto como libertário. O elenco é composto por um elenco numeroso, entre famosos e outros advindos do universo do Teatro, em uma bem-vinda mistura. Esse é o ponto alto do filme, além da parte técnica: fotografia, figurino, direção de arte e maquiagem de alto nível. O filme em si é um belo passatempo, prejudicado pelo excesso de histórias e personagens. Alguns contos são ótimos e teria sido mais instigante se tivessem sido mais explorados, como a de Pedro Bricio e Gabriela Duarte, e Branca Messina e Antonio Fragoso. Acabam virando flashes, em uma estrutura narrativa onde todas as histórias se misturam.
ELENCO: Ilya São Paulo .... Liojorge, Sonia Saurin .... Alva, Barbara Brant ....Nhinhinha, Maria Ribeiro ....Mãe, Chico Díaz ....Rogério, Waldir Onofre ....Dismundo, Ana Maria Nascimento e Silva, Vanja Orico, Jofre Soares, Afonso Brazza, Lavoiser Albernaz, Denise Alvarez, Zé do Badau, Efigênia do Carmo, Andrade Júnior, Néio Lúcio, Laura Lustosa, Mário Lute, Aliomar Macedo, Renato Matos, Gilson Moura, Elcione Rabelo, Eduardo Rocha, Henrique Rovira. Joaquim Saraiva, Carla Ulhoa, Mariane Vicentini, Ana Cláudia Vieira
Baseado em três contos do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa, com roteiro e direção de Nelson Pereira dos Santos, o filme conta sobre um homem que vai morar em uma canoa, no meio de um rio. Seu único contato com as pessoas acontece através de seu filho Liojorge, que lhe deixa comida na margem do rio. Rosário, irmã de Liojorge, se casa e vai morar na cidade grande. Seu irmão também se casa, mas fica com a mãe, e continua todo dia levando a comida para o pai. Quando nasce sua filha Nhinhinha, Liojorge a leva até a beira do rio para apresentá-la ao avô.
Dirigido por Luiz Villaça. Roteiro: Flavio Souza, Luiz Villaça. Direção de Fotografia: Adrian Teijido. Edição: Idê Lacreta
ELENCO: Denise Fraga ... Helena, Pedro Cardoso ... Marcos, Luís Melo ... Sérgio, Esther Góes ... Alexandra, Marisa Orth ... Laís, Gianni Ratto ... Seu José, Angela Dippe ... Helô, Dalton Vigh ... Tony, Milhem Cortaz ... Puck, Maria Assunção, Nilton Bicudo, Thânia Castello, Iara Jamra, Lulu Pavarin, Luiz Ramalho, Henrique Stroeter
Atriz em ascenção, Helena (Denise Fraga) é casada com Marcos (Pedro Cardoso), um artista plástico que brinca com os medos e o ciúme da esposa. Um dia ela recebe um convite que será também o maior desafio de sua carreira: encenar uma peça teatral com Sérgio (Luís Melo), um ator consagrado, talentoso e temperamental, em crise no seu casamento com Laís (Marisa Orth), uma arquiteta bonita e ciumenta.
Dirigido por Arnaldo Jabor. O roteiro é baseado na obra homônima de Nelson Rodrigues. Foi o último filme estrelado pela atriz Adriana Prieto, que morreu pouco tempo depois num acidente de automóvel. Sua voz foi dublada por Norma Blum.
ELENCO: Adriana Prieto .... Glorinha, Paulo Porto .... Sabino, Camila Amado .... Noêmia, Érico Vidal .... Antônio Carlos, Mara Rúbia .... Eudóxia, Nelson Dantas .... Xavier, Fregolente .... Camarinha, Carlos Kroeber .... padre Bernardo, André Valli .... Zé Honório, Cidinha Milan .... Maria Inês, Vinícius Salvatori .... delegado Rangel, Shulamith Yaari, Gianina Singulani, Aurélio Araruama, Rosa Maria Penna, Lícia Magna (Esposa do Dr. Camarinha), Abel Pêra, Alby Moos, Kátia Grumberg
Às vésperas do casamento de sua filha Glorinha (Adriana Prieto), Sabino (Paulo Pontes) sofre com o amor obsessivo que nutre por ela. O Dr. Camarinha (Fregolente) revela a ele que o futuro genro é homossexual. Glorinha relembra e revive cenas de sua vida, revelando verdades escondidas sob a aparente felicidade burguesa: injustiças, perversões sexuais, adultérios e crimes.
Dirigido por Flávio Ramos Tambellini
ELENCO: Carolina Ferraz como Glória, Sandra Corveloni como Graça, Carol Marra como Fedra, Sofia Marques como Papoula, Vicente Demori como Moreno, César Mello como Otávio, Vicente Conde como Vicente, Roberto Maya como Dr. Eduardo, Mikael de Albuquerque como Rafael, Gabriel Delfino como Saulo, Bruna Griphao como Mariana, Polly Marinho como Enfermeira, Felipe Oliveira como David, Henrique Pires como Dr. Chagas, Naura Schneider como Irene, Gabriela Simoni como Cris, Rogério Barros como porteiro
O cineasta e produtor Flavio Tambellini tem uma filmografia bastante eclética: tem policial (Bufo e Spalanzani), comédia romântica (Malu de bicicleta), Drama (O passageiro) e agora, um melodrama com tintas Almodovarianas e carregado em tintas de Wong Kar Wai, "A Gloria e a Graça", escrito por Mikael de Albuquerque e Lusa Silvestre (de "Estômago"). Nessa história focada na emoção, acompanhamos a rotina de Graça (Sandra Corveloni), mãe solteira dos adolescentes Papoula e Moreno. Ela é massagista Ayurvérdica, e por conta disso, a filha Papoula sofre bullying na escola. Ao visitar um médico, Graça descobre que tem um aneurisma que pode fazer ela morrer a qualquer momento. Aconselhada pelo médico, ela procura seu irmão, único parente vivo que poderá cuidar das crianças caso ela morra. Ao marcar um encontro com Luis Claudio, que ela não vê há 15 anos, ela leva um susto: ela agora se chama Gloria (Carolina Ferraz), um travesti, dono de restaurante, que em princípio se nega a cuidar das crianças, por conta do passado mal resolvido entre as duas. As duas precisam resolver as suas diferenças antes que o pior aconteça. Passeando entre o drama, o romance a uma leve pitada de humor, o filme tem no trabalho das duas atrizes o seu ponto forte. Se a prótese dentaria de Carolina Ferraz é o equivalente ao nariz de Nicola Kidman em "As horas" (eu só olhava para a boca de Carolina, juro), o trabalho de Carolina compensa qualquer caracterização para a personagem. Sandra, responsável pelo lado mais melodramático da trama, segura a onda, se contendo para não ficar over em cenas demasiadamente fortes de emoção. A fotografia acaba chamando muita atenção e tirando o foco da narrativa, mas o teor polemico da trama (dentro e fora do filme, por conta da discussão sobre atores cisgêneros, prostituição, aceitação das diferenças e a prática do bullying) valem a ida ao cinema com amigos e discutirem depois sobre as várias possibilidades de leitura para o filme. De qualquer forma, um filme ousado por aceitar que o mundo mudou, e a mentalidade das pessoas também precisa mudar.
Dirigido por: Gustavo Acioli
Homem (Fernando Eiras) planeja se suicidar no dia seguinte. Encontra uma bela prostituta (Dira Paes) em um bar e paga a ela apenas para que ouça a sua história. No quarto barato, um jogo sem regras: eles conversam, apegam-se, e acabam transando - e o mais difícil, o mais improvável, eles se conhecem.
Direção de Zelito Viana para o roteiro baseado na obra homônima de Oswald de Andrade.
ELENCO: Isabel Ribeiro... Alma d'Alvellos, Cláudio Marzo... João do Carmo, Roberto Bataglin... Mauro Glade, Manfredo Colassanti, Lupe Gigliotti, Elza Gomes (Genoveva), Fernando José, Nildo Parente, Antonio Pedro, Helber Rangel, Fábio Sabag, Ênio Santos, Marly Sônia, Zora Verinha, Antônio Victor, Maria Banzo, Vilma Celeste, Rose Lacreta, Leila Lisander, Kim Negro, Olívia Pineschi, Maria do Roccio
Alma (Isabel Ribeiro) é levada à prostituição por Mauro (Roberto Bataglin). Ela engravida e Mauro a abandona. Apaixonado, João do Carmo (Cláudio Marzo) a acolhe. O nascimento do filho gera novas necessidades, e ela retoma o uso do corpo para supri-las. João do Carmo acompanha a trajetória dela, e volta a protegê-la.