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Galinha Pintadinha Volume 4

 

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 ROBOCOP (2014) Dublado MEGA / Minhateca

 Refilmagens enfrentam problemas desde sua concepção. Se de um lado produtores imaginam uma coisa, de outro, diretores podem pensar diferente e o estúdio, que botou grana no projeto, pode fazer o mesmo. Ou seja, é uma conta enjoada de fechar. Lá na outra ponta tem o fã, que pode ser aquele com mania de comparar isso ou aquilo, esquecendo que é um novo filme. Mas tem também o espectador comum, que viu ou não o original, e poderá se beneficiar (ou não) da novidade, ainda mais se for bem feita. RoboCop, dirigido pelo brasileiro José Padilha, sem sombra de dúvida, se enquadra nesta opção e se você continuar lendo, vai entender o porquê.

No ano de 2028, a OMNI Corporation domina os sistemas de segurança. Seus drones e robôs estão espalhados mundo afora, mas nos Estados Unidos eles são proibidos, por conta de uma lei e a rejeição de 72% da população. O motivo? A certeza de que "máquinas não sentem". Ganancioso, o empresário Raymond Sellars (Michael Keaton) manda seu cientista (Gary Oldman) criar um novo produto na OMNI Corp., para driblar essa percepção. Ao investigar um esquema de corrupção policial, o oficial Alex Murphy (Joel Kinnaman) acaba vítima de um violento atentado. Com boa parte do corpo destruído, ele vira a cobaia perfeita para a nova invenção da companhia, uma criatura híbrida, cujo maior desafio será saber qual lado irá prevalecer: o homem ou a máquina.

Entre as curiosidades, citações - em audio e vídeo - do Brasil, e foi bom ouvir bordões de RoboCop - O Policial do Futuro (1987), dirigido por Paul Verhoeven, além do tradicional som da pisada. A tal roupa preta (criticada por xiitas de plantão) ficou incrível e o capacete (pra mim) tem um "Q' de HR Giger, desenhista da criatura de Alien (1978). Para os que buscam efeitos especiais, eles existem e são bons, assim como as cenas de ação, desde o início, tocadas pela boa trilha sonora do brasileiro Pedro Bromfman, com composições próprias, uma revisitada no tema de Basil Poleudoris (do original), e músicas incrivelmente distintas, como "Fly Me To The Moon (In Other Words)" (Frank Sinatra), "If I Only Had a Heart" (do Homem de Lata, em O Mágico de Oz) e uma antológica "Hocus Pocus", do lendário grupo holandês Focus. Todas as três, diga-se de passagem, inseridas com um viés de humor no filme.

Usando e abusando das questões políticas e sociais, o roteiro do estreante Joshua Zetumer teve o auxílio luxuoso do próprio Padilha, que conhece bem do riscado, como mostrou em Ônibus 174 e nos filmes Tropa de Elite, que o consagraram. Na trama de agora, não faltarão dedos na ferida da sociedade americana (uma ousadia do diretor em território ianque), fruto de um texto ácido, potencializado pela boa interpretação de Samuel L. Jackson, no papel de um apresentador de um programa jornalístico altamente faccioso. A ironia, aliás, é uma constante na produção, que combina ainda doses precisas de drama e tensão. Seja numa cena do reencontro com a família ou naquela em que criador e criatura debatem questões filosóficas sobre ser, pensar e existir, recorrentes ao longo da história, provocando a reflexão. Não se deixe levar pelo preconceito e permita-se tirar suas próprias conclusões. Até porque para muita gente, acredito, o cineasta brasileiro fez seu dever de casa, mostrando que o lema "do caveira" ainda prevalece: missão dada (mesmo no exterior) é missão cumprida. ;)

 Jonas 1

JONAS (2015) / MEGA / 1Fichier

Estreante na feitoria de longas-metragens, após um bom período como produtora e assistente de direção, Lê Politi apresenta seu Jonas, um filme que remonta elementos da fábula cristã em uma nova roupagem, mais atual, brasileira e claro, sexual. O roteiro de Politi e Élcio Verçosa tem por base a antiquada questão do amor impossível entre pessoas de classes distintas, usando o personagem-título, filho de empregada, como possibilidade romântica da jovem patroa.

Jonas é vivido por Jesuíta Barbosa, ator que está cada vez mais à vontade no cenário de cinema mainstream brasileiro. O drama paulista flerta levemente com a luta de classes, artifício que serve, claro, de despiste. Curioso é notar que o personagem de Jesuíta permanece com os olhos arregalados o tempo inteiro, talvez por erro da condução, mas que, diante de todo o cenário tragicômico da fita, torna-se até charmoso, abrindo inclusive a possibilidade de este comportamento ser algo premonitório.

Depois do encontro com Branca (Laura Neiva), e após uma série de flertes, Jonas se vê em meio a uma situação absurda, envolvendo a famosa participação do rapper Criolo (em um dos papéis mais hilariantes do filme), fato que muda completamente o cenário e, claro, as atitudes dos homens. Além da óbvia comparação com a história do profeta foragido bíblico, há um bocado de Pierrot e Colombina no drama mostrado em tela, além de claras alusões ao roteiro de Quentin Tarantino, Amor à Queima-Roupa.

No último terço há uma clara subida de carisma dos personagens, especialmente de Ariclenes Barroso, que vive Berro, um dos traficantes locais que protagoniza a melhor cena junto a Ana Cecília, quando em ameaça destila um diálogo engraçadíssimo, carregado de espirituosidade. Outro personagem que rouba para si o protagonismo é o jovem Jander, vivido pelo ator mirim Luam Marques, que consegue causar nos espectadores uma sensação de absoluta simpatia e interesse, especialmente por suas tiradas e verborragia pouco observadas nas crianças. Os diálogos bem urdidos fazem lembrar as ótimas conversas presentes nos scripts de Braulio Mantovani em Tropa de Elite e Cidade de Deus, não na gravidade, evidentemente, mas no aspecto de usar frases de efeito curiosas.

O desfecho de Jonas e dos seus é semelhante ao que aconteceu em toda a sua vida, usando o carnaval paulista e a vida suburbana como background, o que faz toda a tragédia ganhar até mais significado. De fato o argumento não é um primor, mas é certamente compensado pelo tom e pelas atuações dos coadjuvantes, que ofuscam o desempenho pouco convincente de Neiva enquanto protagonista feminina, resultando Jonas em um filme divertido, semelhante aos clássicos de Grande Otelo e Mazzaropi, não em formato, mas bastante em magnetismo humorístico.

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MATEMÁTICA DO AMOR (2010) Dublado Minhateca

Direção: Marilyn Agrelo

Elenco:

Jessica Alba Mona Gray

Ashlie Atkinson Lisa's Aunt

Bailee Madison Mona mais jovem

Bill Coelius Movie Patron #1

Blythe Auffarth Candy Striper

Brandon Jeffers Science Kid #1

Chris Messina Ben Smith

Conor Carroll 5th Grader

Crystal Bock Panida Saleswoman

Daniel Dugan Attorney

Daniel McDonald Runny Nose Boy

Daniel Pearce Danny's Dad

Donovan Fowler Levan Beeze

Emerald-Angel Young Rita Williams

Ian Blackman Ann's Dad

Ian Colletti Danny O'Mazzi

Jake Richard Siciliano Elmer Gravlaki

Jill Abramovitz Ann's Mom

J.K. Simmons Mr. Jones

Joanna Adler Lisa's Mom

John Shea Pai de Mona Gray

Lilly Hartley Female Runner

Lori Hammel Danny's Mom

Mackenzie Milone Ann DiGanno

Marin Gazzaniga Hostess

Marylouise Burke Ms. Gelband

Sharon Washington Levan's Mom

Sônia Braga Mãe de Mona Gray

Sophie Nyweide Lisa Venus

Stephanie DeBolt Ellen

Tom Nonnon Doctor

O cinema sempre flertou com a matemática:  “Uma Mente Brilhante”, “Quebrando a Banca” e “Gênio Indomável” são alguns filmes que a usaram com grande efeito. Também professores e a sala de aula tem sido objeto de afeição dos roteiristas e diretores, como em “Ao Mestre com Carinho”, “A Primavera de uma Solteirona”, “Mentes Perigosas” e “Half Nelson – Encurralados”. Reunindo essas duas fortes temáticas existentes no best-seller de Aimee Bender, An Invisble Sign of My Own, Marilyn Agrelo debuta como diretora deste independente “Matemática do Amor”, após ter conseguido muito sucesso com um documentário em 2005, “Mad Hot Ballroom”.

Jessica com John Shea e Sonia Braga

A sequência de abertura é uma sombria animação que revela a influência que Hans Christian Andersen e os Irmãos Grimm exerceram sobre a escritora. Nela, apresenta-se uma fábula em que o rei ordena que cada família tenha um dos seus membros executados, mas uma consegue que, ao invés desse sacrifício, cada um dos membros perca uma parte de seu corpo. Narrada pelo pai (John Shea, o Lex Luthor da série “Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman”) para a filha Mona (Bailee Madison) em sua festa de aniversário, esse início já estabelece o clima de  conto de fadas recheado de  excentricidades  que acompanha  todo o filme. Por idolatrar seu pai, brilhante matemático que adora correr nas horas livres, ela o segue nessas duas paixões. Um dia, durante uma corrida, seu pai sente-se mal e a partir daí a vida de Mona vai desmoronar completamente. Debilitado pelo que parece ser um colapso nervoso e visivelmente afetado por algum distúrbio mental, ele fica aos cuidados da  paciente esposa (Sonia Braga), e a menina perde sua motivação e seu rumo. Ela decide desistir de tudo na vida num pacto com o universo em troca das melhoras de seu pai, o que acaba não acontecendo. Só lhe resta a matemática como salvação.

Já adulta, aos vinte anos de idade e agora interpretada por Jessica Alba, a heroína se encontra obcecada por números e os usa para lidar  com um mundo que lhe é hostil e imprevisível. Quando se sente ameaçada ou nervosa, bate compulsivamente na madeira, e números são visualizados de maneira inesperada, num bonito efeito criado pela equipe técnica, que assim  estabelece um efeito quase místico. Um dia a mãe decide que ela deve deixar a casa e seguir seu caminho, numa cena que intrigou grande parte da crítica, mas que pode ser apenas uma atitude de estimular a independência dos filhos, bem ao estilo da cultura norte-americana. Apesar de não ser graduada e de não ter experiência alguma, consegue emprego como professora de matemática para crianças de nove anos numa escola cuja diretora é conhecida de sua mãe. E é a partir daí que a vida de Mona vai lhe trazer grandes desafios.

Nessa parte do filme, seguimos Mona na sua trajetória como professora e seus métodos nada convencionais, usando expressão corporal, coreografias e muita criatividade para ensinar operações e sinais como “maior que” e “menor que”, resultando em momentos inspirados. Marilyn demonstra grande habilidade na direção dos atores mirins, especialmente a ótima menina  Sophie Nyweide, cuja personagem sofre pela mãe que está morrendo de câncer e se apega à professora como tábua de salvação. Esta, que se encontra constantemente fragilizada, de repente se vê forçada a apoiar a criança nesse terrível momento. O professor de ciências (Chris Messina, de “Vicky Christina Barcelona”) começa a nutrir um sentimento mais profundo em relação a Mona, e ela vai ter que enfrentar seus próprios medos  e esquisitices para aceitar a presença de um amor na sua vida. Esses dois relacionamentos formam o eixo da história, onde a professora é forçada a sair de seu casulo e se tornar uma pessoa plena, em busca de seu lugar no mundo. Na parte final do filme, uma cena envolvendo um machado representando o número sete trará a lembrança da fábula dark do começo da trama.

Para acentuar o visual “nerd” da personagem, Jessica Alba esconde a beleza e famosa sensualidade atrás de uma enorme franja, um penteado infantil e óculos grandes. Neste personagem totalmente oposto à sua imagem, ela se sai bem com seu ar perdido. Embora muitos críticos a acharam fora de papel, ela recebeu elogios do Los Angeles Times e do New York Daily News e o elenco de apoio também teve boas menções do New York Post. Messina está simpático como o namorado, um dos pouquíssimos “normais” da história; J.K. Simmons, figura carimbada dos “indies”, faz um afável e inspirador professor de matemática da infância de Mona e a nossa Sonia Braga é aquela grande atriz que se entrega totalmente ao personagem, discreta, sem vaidade, natural, intensa, verdadeira nos olhares, gestos e palavras, especialmente  na sequência do café da manhã para comemorar mais um aniversário da filha e nos atritos familiares. Sonia disse que adorou trabalhar com Jessica, que considerou adorável.

Com roteiro adaptado por Pam Falk e Mike Ellis (de “O Casamento de Meus Sonhos”), locações em Tarrytown e Sleepy Hollow e bonita e dramática fotografia de Lisa Rinzler, o filme resulta simpático e sensível, além de  interessante por apresentar personagens excêntricos, história inusitada e sinais invisíveis para falar de dúvidas, esperança, destino e amor.

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA (2007) Minhateca

O crítico paraense de cinema, jornalista Ismaelino Pinto disse certa vez uma frase que guardei fundo na minha memória. Sempre bem-humorado e sarcástico, ele afirmou que "a gente sabe quando um filme brasileiro de época é bom prestando atenção nas perucas. Se as perucas estão mal-feitas, cuidado com o filme: tudo vai sair errado."

Lembrei-me imediatamente desta divertida citação logo na primeira cena de O Amor nos Tempos do Cólera. O filme, obviamente, não é brasileiro, mas a frase cabe perfeitamente. Que perucas são aquelas? E a maquiagem de envelhecimento? Parece produção barata do SBT. Como uma produção norte-americana como estas, de orçamento estimado em US$ 45 milhões, pode ser iniciada com uma cena típica de A Paixão de Jacobina?

Resolvi relaxar e dar um desconto. Talvez algo tenha dado errado nesta primeira cena e a partir daí o filme decole. Que engano! Quanto mais a longa (138 minutos) projeção avança, mais se percebe que a peruca era o menor dos problemas. O diretor inglês Mike Newell (de Quatro Casamentos e um Funeral) mostra a cada minuto que não tem a mínima intimidade com o universo cultural latino-americano, muito menos com a obra de Gabriel García Márquez, que só não está bufando em seu túmulo porque ainda não morreu. O que ele deve ter desejado após ver o filme.

Tudo é tristemente caricato, falso, com um elenco no qual atores latinos e não-latinos nivelados são por baixo em interpretações dignas de um novelão mexicano. As falas são solenes, os movimentos teatrais e o timming dos mais sonolentos. De nada adiantou a produção se deslocar até a Colômbia, terra natal de Márquez, se foram perdidos completamente a magia e o encanto do texto original.

A história? Ah, sim, a história: o poeta e telegrafista Florentino Ariza (Javier Bardem) apaixona-se fulminantemente e à primeira vista pela bela Fermina Daza (Giovanna Mezzogiono) e passa a lhe escrever intensas cartas de amor. Mas, sob pressão do pai, Fermina acaba se casando o médico aristocrata Juvenal Urbino (Benjamin Bratt), o que provoca em Florentino uma dor de cotovelo de várias décadas. Para se "distrair", ele passa a colecionar casos de amor.

Mais uma vez, o cinema anglo-saxão reduz a pó a riqueza da cultura latino-americana. Um desastre.

IRONWEED (1987)

A Grande Depressão iniciada em 1929 foi um dos períodos mais nefastos da história norte-americana. Nele se passa Ironweed, adaptação do livro homônimo de William Kennedy, dirigida por Hector Babenco logo após o êxito internacional de O Beijo da Mulher Aranha (1985). Estamos num entorno degradado pela quebradeira financeira, pela falta de emprego, pela proliferação de moradores de ruas que lutam para sobreviver. Logo no começo do filme, Rudy, personagem de Tom Waits, miseravelmente comemora o diagnóstico de câncer, pois, segundo ele, é a primeira vez na vida em que de fato tem alguma coisa. Quem escuta a sentença é Francis (Jack Nicholson), homem assombrado por um evento trágico do passado, distante da própria família há mais de vinte anos, e que igualmente passa os dias bebendo e perambulando sem eira nem beira.

A rotina é dura, muitas vezes abrandada pelo consumo de álcool. Francis bebe demais, gasta qualquer centavo que consegue em doses de esquecimento momentâneo. Ele reza somente para garantir um prato de sopa quente, nesta terra em que Deus parece distante, ou, ao menos, negligente. A desesperança rege Ironweed. O esmero da direção de arte garante a excelência da reconstrução de época e a verossimilhança da extrema pobreza. Assim, o aspecto visual dá credibilidade ao que se conta, ao drama das figuras que andam sem qualquer perspectiva de uma vida mais digna, torcendo quando muito para que a noite seja curta e o frio não castigue tanto. Babenco tem um senso clássico de encenação, não busca os holofotes para seu trabalho, colocando-o a serviço da história.

Francis tem uma relação com Helen (Meryl Streep), ex-cantora e pianista que deixou para trás os dias de glória e que, igualmente, enfrenta uma difícil realidade regada à bebida e incerteza. Eles brigam, se afastam de vez em quando, tem lá suas diferenças, mas sustentam um ao outro no que é possível. Não à toa, Nicholson e Streep foram indicados ao Oscar, pois ambos demonstram uma entrega admirável a esses personagens muito distantes de qualquer glamourização, pelo contrário, habitantes no limiar entre a miséria absoluta e a morte iminente. Claro, Babenco também merece créditos pela coesão das interpretações, não apenas do casal protagonista, já que os coadjuvantes ajudam a tornar esse mundo crível, ampliando ainda mais a sensação geral de desamparo.

Ironweed foi injustamente pouco visto. Seu lançamento ocorreu num momento complicado, em que os Estados Unidos viviam situação semelhante à da trama. Babenco mostra, mais uma vez, predileção por tipos marginalizados, colocados de lado por uma sociedade que vive de aparências e aplaude apenas os bem-sucedidos. Vemos pessoas batalhando para ter o que comer, penhorando seus princípios para ter onde dormir, enfrentando fantasmas do passado e doenças que surgem em decorrência da precariedade, sem qualquer espaço para mensagens edificantes ou curvas dramáticas que nos aliviem um pouco a sensação de acompanhar, de fato, uma tragédia social de duros efeitos pessoais. Cinema sem concessões para privilegiar o conforto do espectador, algo bem raro.

 

A MISSÃO (1986) Dublado Minhateca

DIREÇÃO: Roland Joffé

Elenco:

Aidan Quinn Felipe Mendoza

Alberto Borja Padre

Alejandrino Moya Chief's Lieutenant

Álvaro Guerrero Jesuit

Antonio Segovia Nobleman

Asuncion Ontiveros Indian Chief

Bercelio Moya Indian Boy

Carlos Duplat Portuguese Commander

Cherie Lunghi Carlotta

Chuck Low Cabeza

Daniel Berrigan Sebastian

Enrique Lamas Nobleman

Harlan Venner Secretary

Jacques Des Grottes Padre

Jeremy Irons Father Gabriel

Joe Daly Nobleman

Liam Neeson Fielding

Luis Carlos Gonzalez Boy Singer

Maria Teresa Ripoll Carlotta's Maid

Monirak Sisowath Ibaye

Rafael Camerano Spanish Commander

Ray McAnally Altamirano

Robert De Niro Rodrigo Mendoza

Rolf Gray Young Jesuit

Ronald Pickup Hontar

Sigifredo Ismare Witch Doctor

Silvestre Chiripua Indian

Tony Lawn Father Provincial

A missão é dirigido pelo cineasta franco-britânico Roland Joffé, que teve bastante notoriedade nos anos 80 e 90. Seus trabalhos de maior sucesso são esta produção de 1986 e o filme Os gritos do silêncio de 1984, ambos indicados ao Oscar. A missão ainda conseguiu a proeza de levar a Palma de Ouro em Cannes. Com um elenco de grandes atores, entre eles, Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson, a produção britânica é lembrada sobretudo pela fantástica trilha sonora do mestre Ennio Morricone.
O filme conta a história da construção de uma missão jesuítica na fronteira do Brasil, Paraguai e Argentina, território disputado por portugueses e espanhóis no século XVIII. No início da trama, acompanhamos o assassinato de um padre pelos índios guaranis. Padre Gabriel (Jeremy Irons) é enviado para substituir seu predecessor e consegue estabelecer uma relação mais próxima com os índios através da música. Um antigo capturador de índios espanhol, Rodrigo Mendoza (Robert de Niro), passa a fazer parte da missão após uma tragédia familiar. Por fim, a missão deve lutar para continuar existindo, uma vez que os colonizadores portugueses tem intenção de dizimar a população local.
A missão proporciona ao espectador momentos belíssimos. O filme poderia existir sem as falas dos personagens, uma vez que os elementos mais importantes da narrativa são a imagem e a música. A primazia desses dois elementos pode ser observada na belíssima cena em que o padre Gabriel faz o primeiro contato com os índios. Perdido em meio a floresta, ele começa a tocar seu oboé atraindo a comunidade indígena que estava preparada para atacá-lo. Através da música, como se ela tivesse um poder encantatório, ele é acolhido pela maioria dos índios. 
Mas, A missão nos brinda com outras cenas antológicas, como aquela em que Rodrigo, em uma penitência auto-imposta (e explicitamente inspirada no mito de Sísifo) deve carregar um rede contendo metais pesados pelos barrancos e cachoeiras da floresta. A cena do perdão, que se segue e que corresponde ao fim da penitência, é particularmente emocionante. Outro momento belíssimo é a cena de abertura que mostra a morte do primeiro padre. Pregado em uma cruz de madeira, ele desce rio abaixo, passando pelas corredeiras, até chegar a uma grande cachoeira. Esta cena simboliza a recusa dos índios pela catequização. No entanto, o momento mais forte do filme, é sem dúvida, a parte final, grandiosamente bela e trágica. 
A missão é um filme cuja história vai se construindo aos poucos. O ritmo por vezes arrastado evoca a vida na floresta e a contemplação da natureza. Ao final, percebemos que os dois terços iniciais do filme, que mostra a estruturação da missão jesuítica e o fortalecimento dos laços entre padres e índios, são absolutamente necessários para a criação do impacto que o último ato terá sobre o espectador. 
O filme não se exime de mostrar a responsabilidade de espanhóis e portugueses na escravização e massacre indígena. A crueldade e covardia tanto dos representantes da coroa portuguesa e espanhola, quanto da própria Igreja é mostrada de uma maneira contundente pelo filme. No entanto, ele não tem o mesmo olhar crítico com os jesuítas, que são mostrados sobretudo como salvadores dos índios. O filme se abstém de se aprofundar na questão da aculturação e da imposição do cristianismo aos índios. 
Apesar de não ser um filme de grandes performances individuais, o elenco de A missão tem um desempenho notável, com destaque para a sensibilidade das composições de Robert de Niro e Jeremy Irons. O trabalho de preparação dos índios também é fantástico, ainda mais se levarmos em conta o grande número de figurantes usados nas cenas do filme. 
A fotografia do filme ganhadora do Oscar, de Chris Menges, é deslumbrante. Optando sempre por opor o espaço fagocitante da floresta e a pequenez dos homens perto da grandiosidade da natureza, Joffé e Menges criam planos extraordinários. O filme, no entanto, não teria o mesmo impacto sem a linda e melancólica trilha sonora de Ennio Morricone. 
A missão é um espetáculo triste e deslumbrante. Vale a pena conferir!

OS 33 (2015) Dublado MEGA

Direção: Patricia Riggen

Elenco: Antonio Banderas, Rodrigo Santoro, Juliette Binoche, Gabriel Byrne

Cinco anos atrás, o mundo acompanhou de perto o drama de 33 mineiros presos por 69 dias após um desmoronamento na Mina de San Jose, Chile. Transmitido em tempo real, o inspirador resgate, algo jamais feito antes, trouxe de volta a fé na humanidade, a história virou livro, de Hector Tobar, e agora o livro vira filme para mostrar, de forma dramática, os esforços no subterrâneo e na superfície para trazer esses homens de volta às suas famílias.

A história é poderosa e faz sentido ganhar uma adaptação, o problema dessa produção é a forma como os personagens são mal construídos. Com isso, o drama real se perde a obra se torna algo de pouco impacto, ainda mais se comparado ao ficcional Perdido Em Marte, outro filme de sobrevivência e resgate capaz de empolgar e emocionar de verdade.

As dificuldades começam logo na primeira cena, quando a diretora Patricia Riggen (Sob A Mesma Lua) tenta apresentar os mineiros de forma apressada durante uma festa, de qualquer jeito, repleto de clichês e marcando as personalidades dos mineiros por apenas uma característica: Temos Edison Pena, imitador de Elvis, Yonni Barrios, que está no meio de um triângulo amoroso, Dario Segovia, um viciado que está afastado da irmã mais velha, Maria (Juliette Binoche), e Carlos Mamani, recém-chegado boliviano que atrai a suspeita do grupo.

Quando a mina de 121 anos de idade entra em colapso e prende os 33 no subterrâneo profundo, Mario Sepulveda (Antonio Banderas), também conhecido como Super Mario, se torna o líder e mantém todos com a cabeça no lugar. O principal momento de tensão é esse, isolados, com comida para três dias e com a mineradora os dando como mortos. Cabe a eles se agarrarem às esperanças e a Laurence Golborne (Rodrigo Santoro), ministro das Minas, agir para convencer o governo a realizar um salvamento inédito.

A tensão até aí é real, verdadeira e é possível relevar o pouco desenvolvimento pessoal de cada personagem até então, mas quando o contato com os 33 é feito e o plano de resgate traçado, o filme perde todo o impacto, e se torna tão maçante que poderia, facilmente, ser encerrado com rapidez – infelizmente, ele ainda se arrasta por longos minutos.

Talvez a maior decepção seja a produção tratar apenas das questões conhecidas por todos, situações vistas na mídia na época. Falta aprofundar detalhes obscuros da situação e levantar questões sérias sobre a negligência da empresa de mineração ou a forma como o governo usa o caso como forma de propaganda. A própria comunidade criada em volta da mina, conhecido como Acampamento Esperança, é mostrada de forma superficial e nunca percebemos a dimensão daquele lugar ou as tensões do dia a dia que assolariam uma cidade improvisada no meio do deserto.

Além disso, as atuações anão ajudam. Apesar de ser importante para resultados comerciais globais reunir um elenco internacional falando inglês, mesmo em um ambiente que deveria ser totalmente chileno, os atores são incapazes de suavizar o problema. Binoche, por exemplo, é uma grande atriz, mas não funciona no papel da vendera das melhores empanadas da região. O mesmo vale para Gabriel Byrne, que finge ser um engenheiro chileno da melhor maneira que pode. Já Banderas exagera como Super Mario, transformando o homem considerado o herói entre os mineiros num personagem chato e desgastante. Ao menos, Santoro faz o personagem mais interessante da trama e entrega uma das melhores atuações da produção.

Reviver a saga dos 33 mineiros chilenos na telona não é nem de perto tão interessante ou tocante quanto ter acompanhado a situação real na época. E não necessariamente porque o público sabe o final, mas porque o filme não apresenta nada novo, não investe em seus personagens e trata do assunto de forma descuidada.

PALAVRA E UTOPIA (2000) / Minhateca

Elenco:

Lima Duarte - Padre António Vieira (fim da vida)
Luís Miguel Cintra - Padre António Vieira (período em que ele viveu na Europa e enfrentou a Inquisição)
Ricardo Trepa - Padre António Vieira (fase jovem)
Ronaldo Bonacchi - Padre Bonnuci

Direção: Manoel de Oliveira

Portugal, França, Brasil e Espanha uniram esforços para produzir o mais recente filme de Manoel de Oliveira, provavelmente o cineasta mais idoso ainda em atividade na cinematografia mundial: 92 anos. Desta vez, Oliveira aponta suas estáticas lentes para 1663, momento em que o padre jesuíta Antonio Vieira é convocado a comparecer diante da Inquisição. Vieira precisa explicar ao tribunal suas idéias "liberais", sobre escravidão, a situação dos índios e as relações império-colônia. Perante os juízes, ele passa a limpo seu passado, desde a juventude no Brasil até o seu envolvimento na causa dos índios.

O tema, palpitante, poderia ter rendido um belo filme sobre a liberdade, mas o ritmo absolutamente arrastado, típico dos filmes de Oliveira, leva Palavra e Utopia ao limite do insuportável. Os filmes anteriores do cineasta português, apesar de premiados e elogiados, já indicavam o cansaço e a falta de criatividade de sua obra: Viagem ao Princípio do Mundo (1997), Inquietude (1998) e A Carta (1999), só para citar três exemplos, exigem doses maciças de paciência por parte do espectador. Uma paciência que nem sempre é recompensada, ao final da projeção.

Se atualmente Oliveira continua sendo um cineasta de prestígio, isso se deve muito mais ao respeito pela sua idade que propriamente à qualidade de seus filmes.

Em Palavra e Utopia, o Padre Vieira é interpretado por três atores: Ricardo Trepa, na juventude, Luís Miguel Cintra, na meia-idade, e Lima Duarte, na velhice.

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BABÁ FORA DE CONTROLE: OPERAÇÃO BRASIL (2015)

Franck, Sonia, Sam, Ernest, Alex e Estelle viajam até o Brasil, para passar as férias no hotel de Jean-Pierre, o pai de Sonia. Franck quer aproveitar esta viagem para propor casamento a Sonia. No hotel, o grupo está hospedado por Jean-Pierre e Yolande, a avó rabugenta de Sonia.

Eles então organizam uma excursão até a selva. Mas na noite passada, os rapazes, a avó e seu guia ainda não regressaram. Na manhã seguinte, uma câmara GoPro é encontrada.

Atos de Amor (1996) Legendado

Joseph (Dennis Hopper) é um fazendeiro solteiro e também professor numa comunidade rural no interior dos Estados Unidos. Ele namora Rosealee (Amy Irving) desde a infância e seu relacionamento está muito cômodo e sem grandes novidades até o momento em que suas vidas se transformam com a chegada de uma bela jovem de 17 anos. Catherine. Ela é uma das alunas de Joseph, que logo fica seduzido por sua beleza. O professor sucumbe aos desejos da jovem garota, descobrindo uma paixão diferente, que trará muitas dúvidas e confrontos. Agora ele precisará encontrar dentro de si uma força que jamais teve.

Direção : Bruno Barreto

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SENHA: tatuador 

Mii Saki in O Império do Desejo Mii Saki in O Império do DesejoTeca Klauss in O Império do DesejoTeca Klauss in O Império do DesejoTeca Klauss in O Império do DesejoTeca Klauss in O Império do DesejoTeca Klauss in O Império do Desejo  

O IMPÉRIO DO DESEJO (1981) / Minhateca

Dirigido por: Carlos Reichenbach

Elenco: Roberto Miranda, Benjamin Cattan, Márcia Fraga, Meiry Vieira, Orlando Parolini, Jose Luiz França, Nádia Destro, Misaki Tanaka, Dino Arino, Genésio Carvalho, Maria de Fátima, Felipe Donavan

À primeira vista, O Império do Desejo pode parecer uma simples pornochanchada que trata de, obviamente, sexo, num contexto mais sombrio, com um criminoso que persegue suas vítimas num ambiente desolado e claustrofóbico enquanto a mocinha não sabe como lutar contra isso. Porém, numa análise mais aprofundada, percebe-se que a liberdade sexual e a violência do filme de Carlos Reichenbach se encaixam perfeitamente no contexto sociopolítico da época. Um grito de basta à opressão da ditadura militar refletido pelos desejos reprimidos de seus personagens.

É com esta ideia metafórica que as personas são colocadas no tabuleiro. Sandra (Meiry Vieira), viúva de um milionário, viaja ao litoral para recuperar uma casa de praia tomada por grileiros. Lá chama um casal de hippies (Roberto Miranda e Márcia Fraga) para serem caseiros da propriedade e conta também com a ajuda do Dr. Carvalho (Benjamin Cattan), que acaba se apaixonando pelos dois. As relações sexuais que se estabelecem entre eles e outros personagens que vão surgindo, como o amante de Sandra e duas turistas, entra em choque aparente com Di Branco (Orlando Parolini), um anjo vingador que a maioria parece não entender suas intenções violentas até tudo parecer ter sentido - ao menos, para quem está do outro lado da tela.

Afinal, o que é Di Branco se não a catarse do próprio desejo do título, um psicopata que dá pauladas na cabeça de suas vítimas não ao acaso, mas sim por elas serem reprimidas, fechadas demais, alienadas e a esmo no mundo? Ele não ataca qualquer um, e isso vai se tornando perceptível. Só quem ele entende que nunca vai conseguir se libertar das próprias amarras, talvez apenas com a própria morte. Nem por isso sua fúria vai sendo aplacada. Afinal, ele quer libertar o mundo dos "boçais" que tanto prega contra. E assim eles vão sendo eliminados, quando menos se espera.

Estes reflexos da ditadura através do conservadorismo em contraste à liberdade, aqui na conotação mais sexual possível através de bigamia, amor livre e orgias, é que norteiam p filme, deixando as transas menos gratuitas do que aparentam boa parte das pornochanchadas. Carlos Reichenbach não se apropria do sexo pelo sexo. Eles faz o ato se tornar uma arma de combate à repressão, interior e externa, na sua forma de pedir novos tempos de paz através da veia cinematográfica. Afinal, não é o cinema arte e voz de protesto? Pois neste filme isto se torna claro, ainda que o excesso de personagens que vão surgindo coloquem em risco a capacidade do espectador em distinguir quem "merece" ser vítima do anjo vingador ou não.



Vai Trabalhar, Vagabundo! (1973) / Minhateca / MEGA

Dirigido por Hugo Carvana

Elenco:

Hugo Carvana .... Secundino Meireles
Odete Lara .... Heloísa
Paulo César Peréio .... Russo
Nelson Xavier .... Babalu
Rose Lacreta .... Vitória
Roberto Maya .... Azambuja
Nelson Dantas, Wilson Grey, Otávio Augusto, Zezé Motta, Lutero Luiz, Fregolente, Neila Tavares, Valentina Godoy, Roberto Landin, Sônia Dias, Joseph Guerreiro

O papel ocupado pelo cinema de Ugo Giorgetti em relação ao imaginário da cidade de São Paulo é no Rio de Janeiro amplificado e dominado pela curta cinematografia como diretor do roteirista, produtor e ator – de mais de cinqüenta filmes! – Hugo Carvana.

Logo, para se compreender a obra de Carvana, precisamos dar um mergulho nos recônditos da alma carioca. Capital do Brasil por 200 anos, cidade-símbolo das delícias paradisíacas nacionais, o Rio é um daqueles fenômenos contraditórios, de onde se espera tanta perfeição que qualquer imperfeição soa gritante, grotesca.

Muita coisa aconteceu da "Paris Tropical" no início do século XX, para o Rio de Janeiro do século XXI. Neste vácuo de profundas transformações surgem as grandes questões de conflito: a mesma favela que simboliza a cidade é também sua desgraça; a mesma mítica da dolce vita é a que cria a injustiça de se dizer que no Rio ninguém trabalha, apesar da população ser a campeã absoluta em horas trabalhadas no Brasil.

Navegando em tantos paradoxos, os cariocas costumam responder aos problemas com uma auto-suficiência exagerada, com a exacerbação de seus méritos e uma tentativa de volta pródiga ao passado. Tal como sebastianistas, dão-se ao carioca típico os descontos de ser utópico. Dom Sebastião não retornará – assim como a Argentina nunca será novamente a de Perón e Gardel – e Antônio Carlos Jobim não se levantará da sepultura do São João Baptista, para recolocar no mundo o suspiro por uma aldeia longínqua e ideal.

Hugo Carvana, primordialmente um filho de Ipanema, começa sua trajetória no cinema como ator em meados dos anos 50 e chega à direção, no início dos anos 70, pronto para colocar em prática aquilo que tinha aprendido em quase duas décadas de ofício.

Assim é que Carvana captou o rumo das coisas e, como a alma onipresente que tudo vê e tudo sabe, recriou em meia dúzia de filmes uma metáfora do que era, foi e seria sua cidade – do passado triunfante aos dias incertos e conturbados de hoje, quase previstos em “Vai Trabalhar, Vagabundo!” (1973), exatos trinta e três anos atrás.

No filme, Dino (o próprio Carvana) é um malandro que ao sair da cadeia procura continuar a fazer da vida aquilo que sempre fez: absolutamente nada. Notem que não existiria Dino sem Rio e Rio sem Dino. Levado para qualquer outro espaço, o tipo murcharia e seu way of life não faria sentido. Alimentando-se da geografia exuberante, da fauna social que manipula, dos refúgios nos casebres da favela, há em Dino um carioquismo militante de anedota, na fronteira entre a realidade e o estereótipo.

Antropologicamente, o malandro pode ser explicado pela proximidade da população da antiga capital com o poder e a ordem estabelecidos – o que a tornava mais resistente e debochada a eles. Em uma explicação psicanalítica, o malandro é aquele que insatisfeito com a interdição, o controle paterno (a lei), sublima a castração através de artifícios de resistência e fuga, criando para si uma compensação de self – ou melhor dizendo, criando um mundo onde estes conflitos desapareçam e triunfe o prazer, o Eros.

O que torna o filme interessante, no entanto, não é só o personagem, mas sua busca por um sentido. Quanto mais pretende vagabundear, mais Dino é posto para agir, criar, trabalhar. Em suma, como bom carioca e malandro que se preze, sua embromação e seu savoir-affair são motivos de quase-arte, quase-mérito. Ironia absoluta é precisar fazer um esforço maior do que um emprego formal para sustentar exatamente sua negação ao formalismo sócio-econômico.

Carvana opera o tempo todo com signos: o homem branco e pobre brasileiro guarda na mistura racial do país sua delícia, sua vazão existencial. Sendo amante da empregada negra (Zezé Motta) de um apartamento na Lagoa, Dino se apaixona também pela dona da casa (Odete Lara), loira fidalga que, apesar disto, vive de golpes tanto quanto o próprio Dino. Discute-se, em nível maior, a descrença na integridade moral da sociedade, anulando-se assim o aspecto dos feitos de Dino como contravenção ou desvio de conduta. Em um país onde todos erram, que mal há em ser errado?

Posicionando o espectador na torcida pelo herói, a trama avança as peças e para pagar um saldo de jogo, Dino precisa organizar um campeonato de sinuca. Recorda na lenda urbana, no imaginário popular, os dois maiores jogadores da cidade. Um deles, Russo (Paulo César Peréio), foi parar literalmente no Pinel. Outro, Babalu (Nelson Xavier), largou a sinuca e virou represente comercial em botequins. A ida de Dino para buscá-lo, em uma pequena casa da favela, e sua posterior argumentação para que o amigo volte a ativa – para que não massacre seu talento em benefício de uma moral burguesa –, dizem mais sobre a luta de classes do que mil tratados sociológicos.

E a trilha-sonora emocionante de Chico Buarque, as externas de um Rio-73 pleno de luz, alegria e sol, o riso fácil dos párias que deveriam chorar de amargura e a instrução didática que o filme propõe, conduzindo o espectador pela mão, já bastariam para incluí-lo como parte do currículo de qualquer universidade do mundo que estude cultura brasileira. Mas o que o leva a ser um dos maiores filmes nacionais é, sobretudo, a capacidade de se antecipar em documento vivo das mudanças que massacravam a cidade, das idiossincrasias do fascinante e dionisíaco povo carioca e das razões óbvias que encaminharam a Cidade Maravilhosa para a encruzilhada em que se encontra na atualidade.

Ao longo de sua filmografia, tal como David Neves, Carvana foi desfiando o carretel e tornando-se comentador do próprio tema. Mas ao assistí-lo aprendemos a amar uma Ipanema que não conhecemos, um apartamento em Copacabana que nunca freqüentamos e uma birosca no subúrbio na qual nunca beberemos. Portanto, se a raça humana desaparecer e do Rio sobrar apenas uma cópia de “Vai Trabalhar, Vagabundo!”, ainda assim no futuro conhecerão a lenda, o mito de quem nasceu ou viveu naquele pedaço de terra onde um dia construíram uma bela metrópole, entre as montanhas e o mar.

 

   

Mazzaropi - Jeca contra o Capeta (1975) / Minhateca / MEGA

Mazzaropi fez um filme “apostólico”. Apesar do cansaço de suas últimas películas, do humor triste, desencantado e aborrecido, o comediante campeão de bilheteria ainda exploraria sua capacidade de inserção nas mais diversas camadas sociais ao debater um tema então em voga: o divórcio.

O que comprova que, mesmo sofrendo o desprezo da intelectualidade e vivendo uma espécie de autismo cinematográfico já de longos anos, Mazzaropi mantinha-se antenado com questões do seu tempo.

O título Jeca contra o Capeta é meramente sensacionalista e pouco se justifica. Há cenas deliberadamente paródicas em relação ao filme O Exorcista [William Friedkin, 1973], mas a matéria de Jeca contra o Capeta é a de funcionar justamente como um libelo contra o projeto de lei de divórcio (que só seria aprovado em 1977, com a Lei nº 6.515).

Embora conservador e de certa maneira panfletário, recorrendo inúmeras vezes à figura do Padre e até mesmo à de Jesus Cristo (ainda que meio hippie) para legitimar seu discurso, Mazzaropi fez um filme com um aspecto de western spaghetti, aspecto esse muito bem materializado pelas cenas de tiro, pancadaria e da morte de Camarão.

O assassinato do Camarão (em uma referência escancarada a um dos maiores sucessos do grupo carioca Os Originais do Samba) é o começo de toda a tragédia mazzaropiana. Acusado pela polícia de matá-lo, o ferreiro filho do Jeca tenta em vão provar sua inocência.

O ar supersticioso de Jeca contra o Capeta faz, em conjunto com os outros filmesJeca Macumbeiro (1974) e Jecão... um fofoqueiro no Céu (1977), aquilo que poderia se chamar de “trilogia de sobrenatural”. Não só pela aproximação temática e por serem produzidos na sequência, não só também pela insistência de determinados elementos da fé católica popular e do baixo espiritismo, mas pela tônica reacionária e moralizante de certas falas e situações.

É, porém, interessante observar a trilha sonora do filme. Abandonando a musiquinha de fanfarra circense, Hector Lagna Fietta nos surpreende ao elaborar um interessante tema musical, que imprime mistério em ótimas situações do filme, além soar parentesco a grandes trilhas de terror e suspense.

 

Mazzaropi - Candinho (1953) /  Minhateca / MEGA

O grande momento na carreira de Amácio Mazzaropi viria com o filme Candinho. É nele que o comediante, pela primeira vez na tela grande, casaria de modo único e inconfundível seu estilo cômico com o estereótipo do caipira paulista. O resultado seria, em quase todos os filmes que se seguiriam, utilizado à exaustão.
Abílio Pereira de Almeida parece que levou muito a sério as pesadas críticas da imprensa da época, de que os dois últimos filmes de Mazzaropi foram "mal dirigidos". Porque é só agora (1953) que Abílio toma consciência de que trabalha para a poderosa Companhia Cinematográfica Vera Cruz. O filme tem toda a pujança típica dos estúdios da Vera Cruz: várias locações, uma quantidade gigante de figurantes, uma história rocambolesca, até parece que o diretor mobilizou uma cidade inteira para fazer o registro de cada cena.
É incrível ver Mazzaropi contracenar com o sambista e nunca sempre lembrado humorista da Era do Rádio, Adoniran Barbosa. E é interessante observar Mazzaropi fazer cenas de relativa carga dramática, levando o público facilmente às lágrimas e às gargalhadas.
A história é, de certa forma, paródia do clássico "Cândido", do filósofo francês Voltaire. O otimista incorrigível da novela voltaireana, o prof. Pangloss, vira, através da mente de Abílio, o Prof. Pancrácio (Adoniran Barbosa). Desde Sai da Frente que o mestre Abílio insiste em nomes bizarros e falas pomposas, e canalizar esses vícios no personagem Prof. Pancrácio é, "sem duvidamente" a sua melhor realização.
Na carreira de Mazzaropi, podemos considerar Candinho um marco. Pois é nele que começa um esforço para a construção da identidade do "jeca", o caipira estilizado e imortalizado por Mazzaropi.

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Delírios de um Cinemaníaco (2013)

Esse filme é a cinebiografia do cineasta amador e artista plástico José de Oliveira, um Homem que desde a sua infância até a velhice, viu a morte levar seus familiares e maiores amigos. Mas encontrou no amor por Edna e na paixão pelo cinema, forças pra encarar as mazelas da vida, vivendo em um grande delírio cinematográfico.

Direção: Carlos Eduardo Magalhães e Felipe Leal Barquete

ELENCO
Daniel Marcondes
Eduardo Donizeti Vieira
Jeferson Fragoso
José de Oliveira
Marina de Nóbile 

 

 

400 CONTRA 1 - Uma História do Crime Organizado / MINHATECA

Dirigido por Caco Souza

Daniel de Oliveira - William da Silva Lima

Fabrício Boliveira - Cavanha

Daniela Escobar - Tereza

Branca Messina - Carmen

Negra Li - Geni

Lui Mendes - Maranhão

Felipe Kannenberg - Custódio

O cinema violência-favela acabou virando uma referência fora do país para o cinema brasileiro. 400 contra 1 – A história do Comando Vermelho (Brasil, 2010), de Caco Souza, é mais um filme para entrar nesta lista, só que provavelmente para o final dela.

Baseado na autobiografia de William da Silva Lima, um dos articuladores do Comando Vermelho, que é considerado a maior facção criminosa do país, 400 contra 1 tenta relatar os acontecimentos que levaram a criação do grupo. A locação principal é a prisão de Ilha Grande, onde William (Daniel de Oliveira) é levado preso pela segunda vez. Ao chegar lá percebe que muita coisa estava diferente, a principal mudança era que presos normais estavam separados dos presos políticos. O Comando Vermelho era inicialmente uma tentativa de melhorar as condições entre os presidiários, construindo principalmente uma união entre eles.

A história é contada de forma totalmente não linear, na maioria das vezes com trocas rápidas entre tomadas muito curtas representando anos diferentes, que geralmente tem a data anunciada (melhor seria se não tivesse, pois acaba ficando uma confusão para relacioná-las). 400 contra 1 também possui uma narração em off bem fraca, que se limita a repetir o que está sendo exibido nas telas, tornando ela muito monótona e desnecessária. Aliás, este é o sentimento que impera durante o filme inteiro, devido principalmente a falta de ritmo dele. Outro elemento que contribuiu para esse sentimento foram os dialogos pobres e distantes do que seria dito em uma conversa coloquial entre esses personagens.

Em algumas tomadas de 400 contra 1, foi utilizado vários elementos, como roupas e trilhas sonoras mais “descoladas”, para se criar um clima cult, estilo Quentin Tarantino, mas o resultado acabou ficando uma imitação barata e totalmente deslocada da maneira como o resto do filme foi produzido. Isso sem falar que as cenas de assalto, perseguição e até as de violência dentro da cadeia são tão vazias (mecânicas) que é difícil produzirem alguma emoção mais forte.

400 contra 1 acaba sendo muito cansativo e com difícil envolvimento. É uma pena que, de tão confuso, nem como apoio de um momento histórico ele poderia servir.

Para quem se interessa em filmes do gênero, recomendo O Grupo Baader Meinhof, de Uli Edel, que conta a história (baseada em fatos reais) do grupo “terrorista” RAF, que balançou toda a estrutura da Alemanha. Inclusive eles também utilizaram o livro do Carlos Marighella, Manual do Guerrilheiro Urbano, mostrado em 400 contra 1, como um elemento importante para a organização do grupo.

 

 

ALGUÉM QUALQUER (2012) / Minhateca

Direção: Tristan Aronovich. Com Tristan Aronovich, Amanda Maya

Zé (Tristan Aronovich) trabalha em um prédio de classe média e vive em uma casa simples na periferia. Zé fala pouco, quase nada, e parece até ter algum tipo de atraso mental, seja pela lentidão com que responde às pessoas, ou pela expressão sempre sofrida com que segue a vida. É aí que chega Jandira (Amanda Maya), sua prima distante que precisa de um lugar para ficar. Aos poucos, ela vai tentar mudando a vida de Zé, na tentativa de dar algum significado ao modo invisível com que ele vive, especialmente porque ele está com os dias contados devido a um problema no coração.

A proposta do filme “Alguém Qualquer” é falar sobre essas pessoas invisíveis, que trabalham nos diversos “serviços” espalhados por aí, de quem geralmente as pessoas não sabem sequer o nome. Roteirizado, dirigido e estrelado por Tristan Aronovich (que também assina a trilha sonora), o filme foi rodado com baixíssimo orçamento e sem qualquer apoio de patrocinadores ou leis de incentivo.

Zé bem que poderia ser um “Zé Ninguém”, mas esta expressão remete a alguém sem importância. E por isso o título “Alguém Qualquer” combina com o protagonista, que embora não tenha tido uma vida grandiosa, ainda assim é alguém.

Se questões técnicas podem ser deixadas de lado em função do baixo orçamento – e assim o foram, já que o longa conquistou importantes prêmios internacionais, como o do Festival de Beloit, cada vez mais importante – a atuação de Tristan merece aplausos pelo esforço, caracterização e intensidade com que ele deu vida ao Zé.

Na trama que acompanhamos, merece destaque a fotografia, principalmente nos momentos em que o protagonista segue de manhã, ainda escuro, sob uma luz fria da madrugada, para pegar o trem. E a repetição dos momentos em que ele acorda sob o barulho do despertador é importante para compreendermos a vida dele, embora o mesmo não se possa dizer dos excessivos fade outs e fade ins entre uma mudança de cenário e outra.

Mesmo que consiga emocionar o espectador disposto a compreender a vida do protagonista, bem como as dificuldades da sonhadora e falante Jandira, a trama não precisava explicar demais. Quando a sutileza poderia ser a chave para nos fazer pensar no quanto a vida de uma pessoa é válida ou visível, nos deparamos com explicações verbais que seriam solucionadas apenas em imagens. É como se, na ausência do protagonista, o roteiro se tornasse verborrágico como a Jandira, o que muda o ritmo e enfraquece a força narrativa.

No fim das contas, “Alguém Qualquer” ocupa um espaço no cinema tal qual o do próprio Zé, protagonista. Parece ser invisível, imperceptível em meio aos barulhentos blockbusters gringos e às espalhafatosas comédias. No entanto, é de forma quieta e simples que consegue tocar algumas “Jandiras” sonhadoras.

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PROIBIDO PROIBIR (2007)

Dirigido por Jorge Duran

Elenco:

Caio Blat .... Paulo
Maria Flor .... Letícia
Alexandre Rodrigues .... Leon
Edyr Duqui .... Rosalinda
Adriano de Jesus .... Cacazinho
Luciano Vidigal .... Mário
Raquel Pedras .... Rita

Há 20 anos, o chileno radicado no Brasil Jorge Duran não dirigia um filme. Nesse meio-tempo, ele se dedicou mais a roteiros de filmes, como Jogo Subterrâneo (2004). Eis que ele volta evocando o cinema francês em Proibido Proibir, que em momentos lembra Jules e Jim, Uma Mulher Para Dois (1961), de François Truffaut. O título é o maior lema na vida do estudante Paulo (Caio Blat) não vem de uma música de Caetano Veloso, mas sim numa das muitas frases de protestos escritas nos muros de Paris no fim dos anos 60 - conforme explica o próprio diretor.

Paulo é universitário, estudante de Medicina que faz residência num hospital público. Ele mora com Leon (Alexandre Rodrigues), estudante de Ciências Sociais, que, por sua vez, namora a futura arquiteta Letícia (Maria Flor). Este é o triângulo principal do filme e, pelas ruas da zona norte carioca, tomam contato com a pobreza e a crueldade da vida real e adulta na periferia.

Os três atores principais são bons. O roteiro também: mais do que um filme estritamente carioca, Proibido Proibir fala sobre os jovens e dialoga com esse público. O jogo que se forma na mente de um jovem adulto em meio à dura realidade brasileira é apresentada com clareza na tela na vontade de mudar o mundo versus o conforto do comodismo. No fim das contas, o triângulo amoroso que se desenvolve entre os personagens principais fica em segundo plano quando o diretor mostra como eles interagem nos ambientes nos quais vivem.

O final é cansativo e tem um quê de melodramático, mas não chega a comprometer o filme todo, mostrando-se mais interessante do que pode aparentar especialmente pela forma honesta como a produção retrata os jovens e como os personagens tentam se engajar socialmente em meio a uma série de fatores apresentados como obstáculo para tal.

SUPER NADA (2012)

O filme "Super Nada" mostra uma espécie de super-herói brasileiro num programa humorístico da televisão. Malandro descolado, parece um herdeiro de Macunaíma.

Apresentado pelo comediante Zeca (o cantor e compositor Jair Rodrigues), a longa sobrevivência do programa é um mistério. Talvez seu único espectador seja o ator Guto (Marat Descartes, premiado no Festival de Gramado 2012), que vive de trabalhos esporádicos, sem muitas expectativas na vida.

Escrito e dirigido por Rubens Rewald ("O Corpo"), "Super Nada" retrata o problemático encontro entre esses dois personagens. O longa começa com um retrato do cotidiano de Guto, que se esforça em pequenos trabalhos para conseguir se sustentar.

Ele ensaia com o parceiro, Dani (Cristiano Karnas), vive um romance com Lívia (Clarissa Kiste) e mantém encontros esporádicos com a filha Julia (Ligia Descartes), que é criada pela avó (Denise Weinberg).

Guto é um sujeito de bom coração. Quando vê um homem caído na rua, liga para a ambulância. Mas parece que não teve oportunidades na vida. Até que uma noite, apresentando um esquete de mímica com Dani, é visto por uma agente de elenco do seu programa favorito, Super Nada, e convidado para um teste.

Quando Guto conhece Zeca, o enredo toma caminhos mais tensos, transitando entre o drama e o humor negro. Zeca parece estar constantemente alcoolizado, gosta da figura de Guto e os dois acabam no apartamento do ator. Ali o aspirante a ator tem a chance de conhecer melhor seu ídolo.

A chegada da namorada de Guto rompe o equilíbrio e provoca uma drástica reviravolta na trama de "Super Nada". Guto mergulha num estado de culpa e autopunição, muito bem retratados por Descartes. Jair, em seu primeiro papel de destaque no cinema, também está bastante à vontade no papel do humorista cínico e canastrão.

Dirigido e roteirizado por Rubens Rewald e co-dirigido por Rossana Foglia

ELENCO:

Marat Descartes - Guto
Jair Rodrigues - Zeca
Clarissa Kiste - Lívia
Denise Weinberg - Ester
Cristiano Karnas – Dani
Iacov Hillel - Umberto
Rogério Brito - Edu
Débora Serretiello - Vera
Lucia Romano - Dora
Gisele Calazans - Biti
Larissa Salgado - Gi
Ligia Macedo Campos - Julia

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As Amorosas - 1968

Um filme de Walter Hugo Khouri com Jacqueline Myrna, Paulo José, Stenio Garcia, Júlia Lemmertz

Curioso registro de época, a São Paulo do fim dos anos 60 (trazendo até uma rara aparição de Rita Lee nos Mutantes).

Neste filme, Khouri ampliou seus horizontes, mostrando bastidores da televisão (um dos papéis principais é da estrelinha de TV Jacqueline Myrna, que tem uma cena imitando Marilyn Monroe, e outra de curra não muito bem realizada. Pouco tempo depois ela sumiria sem deixar vestígios.). Na verdade ele procurou buscar atores de origens diversas, todos competentes. Paulo José, que havia se revelado com "Todas as Mulheres do Mundo", Anecy Rocha, adorável irmã de Glauber Rocha, e Lílian Lemmertz,que seria sua musa (ela faz a irmã jornalista e compreensiva).

Muito influenciado por Antonioni, a quem Khouri admirava, o filme é discreto em cenas de sexo (a censura ainda era rigorosa) e não resistiu bem ao tempo. Os diálogos são empolados, a narrativa truncada e o drama existencial não funciona. Mas é dos filmes mais pessoais e com muitas citações. Khouri é quem operava a câmera (mas está creditado como Rupert Khouri). Faz parte da Coleção "Walter Hugo Khouri".

 

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997)

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DIREÇÃO: Bruno Barreto

Elenco:

Alan Arkin … Charles Burke Elbrick
Fernanda Torres … Maria
Pedro Cardoso … Fernando Gabeira / Paulo
Luiz Fernando Guimarães … Marcão
Cláudia Abreu … Reneé
Nelson Dantas … Toledo
Matheus Nachtergaele … Jonas
Marco Ricca … Henrique
Maurício Gonçalves … Brandão

É curioso constatar como fazer parte deste elenco impulsionou a carreira dos jovens atores escolhidos e quase todos se tornaram desde então cabeças de elenco. Mesmo que na época tenha sido discutido selecionar Pedro e Luis Fernando, famosos pela comédia, em papéis estritamente dramáticos (o público brasileiro por vezes ria nas horas erradas).

A história é bem conduzida, evitando várias armadilhas. Não é um filme com mensagem política excessiva, nem exageradamente fiel ao livro original, o que obviamente provocou críticas. Mas conta quase como um thriller o que foi uma ousada ação da esquerda brasileira, de tal forma que impressionou a Miramax - que comprou a fita para o mercado americano (ele teve indicação ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira). Saiu direto em edição de banca. Produção de Luiz e Lucy Barreto, pais do diretor.

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Sangue Mineiro (1929)

Depois que perdeu seu pai, a jovem Carmen vivia sob a proteção de seu tutor,
o capitalista Juliano Sampaio, dono de hotel em Belo Horizonte. Ambos viviam
felizes no solar da província. Juliano tinha uma filha, Neuza, que estudava
num colégio da capital. Numa noite de São João, Carmen, apaixonada por Roberto,
amigo da família, vê seu amado dispensar à Neuza os mesmos afagos que lhe dava.
Em pânico, desesperada, Carmen corre nos campos, com a única vontade de se matar.

Direção: Humberto Mauro

ELENCO

Maury Bueno
Pedro Fantol
Rosendo Franco
Carmen Santos
Adhemar Gonzaga
Nita Ney
Augusta Leal 

 

Todo Poderoso: O Filme - 100 Anos de Timão (2010)

MINHATECA / MEGA

No ano de comemoração dos 100 anos do Corinthians, o documentário resgata imagens de arquivo inéditas, como o primeiro registro em movimento do time de futebol paulista, datado de 1929, que foi restaurado e tratado, além de cenas das décadas de 40 e 50. O filme traz gols históricos, símbolos, mascotes, uniformes e torcedores ilustres que dedicaram sua vida ao Timão.

Direção: André Garolli, Ricardo Aidar

Elenco: Adhemir da Guia, Amilcar Barbuy Jr., Biro Biro, Casagrande, Chico Malfitani, entre outros, Mano Menezes, Roberto Carlos, Ronaldo, Sócrates, Wladimir, Zé Maria

NINFAS DIABOLICASNinfas Diabólicas (1978)

Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas DiabólicasAldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas DiabólicasAldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas Diabólicas Aldine Muller in Ninfas DiabólicasPatrícia Scalvi in Ninfas DiabólicasPatrícia Scalvi in Ninfas DiabólicasPatrícia Scalvi in Ninfas DiabólicasPatrícia Scalvi in Ninfas DiabólicasPatrícia Scalvi in Ninfas Diabólicas

Ninfas Diabólicas (1978) Mega  / DEPOSITFILES

Entre 2007, 2008, o famigerado episódio "O Pasteleiro", de "Aqui, Tarados!" (1981), andou sendo exibido em sessões no Rio e em São Paulo. Embaraçosa, chocante, pode-se dizer que a direção de David Cardoso, estrelada por John Doo, calou o público, domesticado pelas sociochanchadas e pelo ansiolítico cinema de hoje. A Boca, com sua estética selvagem, sua dialética amoral, era naquele instante um monolito de civilização rodeado por quem não tinha mais a mínima tradição em compreendê-lo.

Na recente mostra "Clássicos & Raros do Nosso Cinema", o longa de estréia de Doo, "Ninfas Diabólicas" (1978), foi recuperado, louvando que nem só da incrível performance em "O Pasteleiro" viverá para sempre este chinês de Chungking, nascido Chien Lien Tu -- desembarcado em São Paulo por volta de 1950 e, como tantos, um faz-tudono cinema, de continuísta a ator e diretor.

Tal como a obsessão salvadora de Oskar em "A Lista de Schindler", fascina e oprime pensarmos que, de onde saiu "Ninfas Diabólicas", há muito mais no holocausto das cinematecas esperando resgate.
Aldine Muller e Patrícia Scalvi, quase púberes, vivem Ursula e Circe, duas louquinhas de uniforme escolar que seduzem um velho, Rodrigo (Sergio Hingst), fascinado pela perspectiva de sexo fácil com a dupla. Nem Aldine nem Scalvi, apesar da juventude, estavam propriamente bonitas na trama. É terror brasileiro na veia: sorrisos careados, pele imperfeita, falta de maquiagem.

Acontece que tio Rodrigo guardava um atraso de dar dó. Amacia as pernocas de Aldine enquanto, no banco de trás, Circe pratica aquela espécie de voyeurismo que lembra antiquíssimos relatos da Revista Ele & Ela. Desviando Rodrigo de uma viagem para São José dos Campos, vão parar no litoral, em um clima meio trash-khouriano no qual a Anima insiste em ludibriar o macho idoso, de cuecão ridículo e barriga pantagruélica. Se o objetivo era assustar, vemos o interlúdio entre peitinhos e bumbum apetitosos de Aldine e a imensidão de pelancas do extasiado Hingst, cinqüenta e quatro anos de praia.

O tête-à-tête monta um desfecho que o vocativo ao mito grego -- Circe -- já entrega. Sinistros pratos de comida, turbinados por algum pó de pirlimpimpim, não surgem na mesa de Ursula e Rodrigo à toa. Circe, na mitologia, era uma deusa com poderes de feitiçaria, que envenenava os homens que visitavam sua ilha. Na versão Ody Fraga ela some, reaparece e tem um jeitinho sonso, de caipira deslumbrada.
John Doo, bem amparado pelo roteiro de Ody, a montagem de Máximo Barro e a fotografia de Ozualdo Candeias, filma com tosco capricho, absorvendo a estrada, o vagar da areia e mesmo a paisagem urbana de uma São Paulo setentista e adorável. No rádio, ouvimos sobre a perseguição aos algozes de Cláudia Lessin Rodrigues, tema quentíssimo do período.

Certos filmes da Boca, pela necessidade óbvia de agradarem ao público, equalizavam roteiro, fotografia e diálogos em uma espécie de didatismo que lembra Hollywood dos anos 40 e 50. Isso pode ser visto em produções tão díspares quanto "As Intimidades de Analu e Fernanda", de José Miziara, e "Os Desclassificados", de Clery Cunha. Um cinema às vezes de autor, mas não tanto quanto gostariam críticos franceses ou Andrew Sarris. "Ninfas Diabólicas" guarda este suspense linear, de anedota, oferecendo recheio permissivo nas longas cenas das moças nuas -- alisadas pelo sugar daddy aparvalhado -- emulando interpretações fantasmagóricas que não se sustentam e falando um dialeto provinciano de beira de rodovia.

O resultado final, menos pela forma e mais pelo conteúdo pitoresco, é sempre manancial de riqueza e surpresa inesgotáveis. Feita por chineses, italianos, lusos e até mesmo baianos e paulistanos, a maior indústria de cinema da América Latina está, aos poucos, reeguendo-se do pó e nos observando, cheia de ironia e volúpia, pronta para dar o bote. Qualquer semelhança com "Ninfas Diabólicas" não terá sido mera coincidência.

ELENCO

Patrícia Scalvi - Circe
Aldine Müller - Ursula
Sérgio Hingst - Rodrigo
Misaki Tanaka
Ewerton de Castro
Selma Egrei

Direção: John Doo

 

As Aventuras da Turma da Mônica (1982) Minhateca

Nesse filme são contadas quatro histórias. Entre cada episódio aparece Mauricio de Sousa sempre recebendo uma ligação da turma sobre um filme que ele pretende fazer, mas algum imprevisto ocorre para que a turma não apareça no filme.

As histórias contadas são:

O Plano Infalível: Lá vem Mônica, dançando e cantando, batendo nos meninos e fofocando com as meninas. Cebolinha e Cascão atacam, pintam bigode e chifrinho, implicam com a amiga. Como sempre, Mônica se vinga, dando uma surra nos dois. Mas Cebolinha e Cascão preparam um plano de vingança, o plano “Pizza a Jato”. Com a ajuda de Magali, companheira gulosa, tentam atirar uma pizza no rosto de Mônica, mas é o próprio Cebolinha que acaba todo lambuzado. Inconformado e incentivado por Cascão, ele concebe outro plano: “Mônica na Jaula”. Acompanhado de Bidu, tenta derrubar uma jaula em cima da amiga, mas erra a pontaria. Um novo plano talvez dê certo, com Franjinha e sua flor que esguicha água. Cascão, que tem medo de água, é convencido por Cebolinha a acionar o jato, mas se atrapalha, e Cebolinha molha-se todo. Quando se aproxima a amiga, o jato a atinge, mas uma jaula cai e prende os três juntos. Cebolinha e Cascão apanham mais uma vez.

Um Amor de Ratinho: Maurício de Sousa em seu estúdio, tem uma nova estória em mente. Telefona para Mônica, mas a menina vai a uma festa. Lá, Mônica é surpreendida pela última invenção de Franjinha: uma máquina que a faz muito pequena, do tamanho de um rato. Encontrando seus amigos, é obrigada a fugir, pois todos a pisoteiam e atacam, sem perceber que se trata de Mônica. No mundo das pequenas coisas, Mônica percorre o jardim da casa de Franjinha, deparando-se com uma briga de gato e rato. Aproxima-se e dá uma surra no gato, salvando o ratinho, que se comove e a leva à sua comunidade, onde todos vivem sob a pressão dos gatos. Uma enorme jaula e uma ratoeira ameaçando-nos constantemente. Mônica reúne os ratos e avança contra os invasores. Mãe, filha, avó, sobrinha, todos juntos arremessam tomates contra os felinos, que acabam derrotados. Mônica é aclamada grande heroína pela comunidade, e homenageada até pela corte. O ratinho, apaixonado, entrega-lhe um presente em nome de todos: o brinco que Mônica tanto queria. A festa da vitória continua, todos dançam rock’n’roll. Mônica e o ratinho escapolem na pista de dança e vão passear longe de todos; sentam-se lado a lado, mas, envergonhados, não sabem o que fazer. Completamente apaixonado, ele sonha com Mônica pelos céus e pelo mundo. Quando se volta para ela, cheio de amor, Mônica perdeu seu encanto e recupera o tamanho natural. O ratinho chora, inconformado, e foge pelo jardim, enquanto Mônica reencontra seus amigos. De repente, tudo se transforma em sonho: o ratinho encontra sua amada, outra Mônica do seu tamanho, e os dois se vão felizes.

A Ermitã: Novamente em seu estúdio, Maurício de Sousa busca desenvolver sua estória. Mas nada consegue. Cascão está ocupado, preparando com a turma uma surpresa para Mônica. Esta passeia pela rua, mas ninguém lhe dá atenção, todos fingem desprezo. Floquinho chega até a urinar no seu pé. Ela não se conforma, chora e, vendo algo na televisão sobre a vida de um ermitão das montanhas, resolve fugir de tudo e de todos. Arruma as roupas e vai em busca de sua solidão. Enquanto Mônica conhece os mistérios dos bichos e das plantas e montanhas, seus amigos preocupam-se com seu desaparecimento. O plano do aniversário, a surpresa, não dava certo: todos se entristecem, o aniversário da amiga não podia ser comemorado com tanta infelicidade. Mas Magali lembra a paixão de Mônica pelas montanhas, e saem todos, Cascão, Magali, Franjinha, Bidu e Cebolinha, em busca da desaparecida nas montanhas. Mônica dificulta o caminho com placas, procurando evitar que os outros se aproximem, e chora ante seu abandono. Ouvindo os soluços, seus amigos sobem montanha acima, e após ultrapassarem as placas os cinco sentem-se cansados e com fome. Abrem o lanche no chão, em frente a uma caverna, sem perceberem que lá está Mônica. Enraivecida com todos e faminta, ela veste sua máscara de monstro e assusta-os como homem das cavernas. Ao deter-se na toalha do piquenique, Mônica vê escrita no bolo a homenagem ao seu aniversário, descobrindo o porquê do abandono da turma. Enquanto todos se abraçam comemorando o retorno da amiga, um verdadeiro homem da caverna sai e devora o lanche.

O Império Empacota: Esta é a história principal do filme. Mais uma vez em seu estúdio, Maurício de Sousa traz nova ideia, mas Cebolinha está dormindo, e a coisa emperra. Em meio aos roncos de Cebolinha, vem do espaço um pequeno extra-terreno. Em sua tela surgem as ordens do chefe do Cosmos: atacar o planeta com todas as forças, para a criação de uma grande plantação de cenouras. O pequeno extra-terreno inicia seu trabalho, mas pouco consegue. O despertador, a água do chuveiro, o desentupidor de ralo nas mãos de Cebolinha nada permitem. Sem perceber a presença estranha, Cebolinha, no jardim da casa, confunde o ser espacial com o coelhinho querido da Mônica. Os dois brigam, puxam um de cada lado e acabam desmantelando o “imaginado coelhinho”. Reconstituído, enorme, ele recebe novas ordens do espaço, e captura Mônica e Cebolinha. Os dois prisioneiros caem dentro de uma nave, tomada por vários extra-terrenos. Mônica é empacotada e imobilizada, e o grande chefe Coelhão surge numa tela, anunciando seu objetivo de empacotar todos os seres humanos. Mas Cebolinha reage, foge das armadilhas com Mônica nos braços e assume uma pequena nave. Capaz de enfrentar a nave gigante, Cebolinha empacota milhares de obstáculos e derruba o Coelho chefe, enfiando-lhe uma cenoura enorme na boca. Vitorioso, Cebolinha continua triste, já que Mônica permanece imobilizada. Mas ao pegar o coelhinho querido da amiga, Cebolinha a vê voltar ao normal. Começam então a brigar e voltam à Terra.

Assim que voltam à Terra eles se encontram com Maurício, enquanto isso toda a turma entra no estúdio onde Maurício estava. Todos se apresentam e perguntam sobre o tal filme que o cartunista pretendia fazer, mas Maurício diz que a turma não precisa mais fazer o filme porque ele já está pronto.

 

Imagem

Barão Olavo, o Horrível (1970)

Neste trabalho experimental, não há uma história, apenas um artifício calcado nos clássicos filmes de
terror com diversos personagens.Um velho barão maníaco por cadáveres,assassinatos e violações sexuais,
duas garotas em relação lesbiânica, uma cigana esganada, um místico auxiliar do barão. Do campesino
ambiente local a movimentadas ruas de uma cidade.

Direção: Júlio Bressane


ELENCO

Rodolfo Arena
Helena Ignez
Lilian Lemmertz
Isabella
Otoniel Serra

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GOLPE DUPLO (Focus, 2015) Dublado / Minhateca

ELENCO

Will Smith como Nicky Spurgeon

Margot Robbie como Jess Barrett

Rodrigo Santoro como Garriga

Gerald McRaney como Owens

BD Wong como Liyuan

Robert Taylor (Ator Australiano) como McEwen

Dominic Fumusa como Jared

Brennan Brown como Horst

Griff Furst como Gareth

Adrián Martínez como Farhad

Direção: Glenn Ficarra e John Requa

Uma boa história de trapaça é aquela que coloca sua atenção em algo chamativo e, em seguida, te arremessa para outra coisa ainda mais surpreendente. O filme Golpe Duplo, estrelado por Will Smith (Depois Da Terra) e Margot Robbie (O Lobo De Wall Street), joga com esses elementos e desperta o interesse do público ao explorar os mistérios e os detalhes que cercam um grande golpe.

Com um tema interessante, o longa prende a atenção pelo fato de sempre gerar a expectativa de uma nova surpresa, ou seja, de que um golpe ainda maior está por vir. A direção de Glenn Ficarra e John Requa é segura nesse ponto, com cortes rápidos e uma trilha que conduz cada movimento da ação dos personagens. Sem dúvida, o ápice dela é quando surge Sympathy For The Devil, clássico dos Rolling Stones, na passagem em que os protagonistas estão em um estádio de futebol americano na cidade de Nova Orleans.

O filme só não ganha mais destaque porque não traz tanta profundidade nos golpes aplicados pelos personagens. E isso é uma pena, pois fica a sensação de que o longa não soube aproveitar o seu ponto mais forte, que são os mistérios por trás de cada trapaça. O que se vê na tela, na verdade, é um foco maior na relação entre Nicky e Jess, personagens de Smith e Robbie, respectivamente.

Não que isso comprometa a diversão, afinal, os dois atores seguram bem suas atuações com uma boa química, mas a trama acaba se perdendo em alguns momentos por causa de uma história de amor que não cativa. E o maior prejudicado com isso é Rodrigo Santoro.

Apesar de interpretar um personagem importante, mais uma vez o brasileiro é ofuscado. Com sua primeira cena apenas na segunda metade do filme, o roteiro não o favorece e traz pouca profundidade ao seu vilão. Por ser o principal rival do protagonista, esperava-se mais tempo de tela para o antagonista e, infelizmente, não é isso o que acontece.

Para compensar, a fotografia traz belas imagens e ótimos designs, que permitem o espectador desfrutar de lugares ricos e luxuosos. A edição também merece destaque, pois consegue aproveitar os elementos dos cenários propostos. E isso é bom, pois deixa a trama mais dinâmica e aproxima mais o público.

A história acompanha Nick (Smith), um golpista profissional que se contenta em roubar para ganhar enormes quantias de dinheiro. Ele aproveita os grandes eventos, como carnaval de rua e jogos esportivos, para tirar objetos de valor das pessoas da alta sociedade. Em uma noite, ele conhece Jess (Robbie), uma bela moça que é novata na arte de trapacear.

Vendo grande potencial na loira, Nick resolve treiná-la e a inclui em sua equipe. Juntos, eles passam aplicar vários furtos e começam a ter um relacionamento amoroso. No entanto, tudo começa a mudar quando o trapaceiro é contratado por Garriga (Santoro), chefe de uma equipe de corrida que deseja aplicar um golpe em um dos seus concorrentes.

Apesar de alguns problemas, Golpe Duplo é uma boa opção de entretenimento, pois traz uma história envolvente e consegue agradar com uma dupla de protagonistas carismática, que mantém o tom da trama do início ao fim. Smith e Robbie demonstram simpatia e bom entrosamento durante as cenas, o que é um bom sinal para Esquadrão Suicida, próximo filme em que os dois vão contracenar juntos.

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QUEM É BETA? (1972)

Após uma catástrofe que destruiu a sociedade civilizada, um casal começa uma nova vida em um abrigo. Sua missão é exterminar os seres “contaminados”, condenados a vagar como zumbis até a morte.

Dirigido por: Nelson Pereira dos Santos

ELENCO:

Ana Maria Magalhães

Ana Maria Miranda

Arduíno Colassanti

Cacá Versiani

Dominique Rhule

Frédéric de Pasquale

Isabel Ribeiro (I)

José Kléber

Luiz Carlos Lacerda

Manfredo Colassanti

Nildo Parente

Noëlle Adam

Regina Rosenburgo

Sylvie Fennec

 

É PROIBIDO FUMAR (2009) / Minhateca

Antes mesmo da imagem, vem o som: alguém tosse. Em seguida, vemos em primeiro plano um cinzeiro. A mulher que tosse (Glória Pires) vem até ele e pega o cigarro que ali está, enquanto fala ao celular com a irmã sobre o sofá deixado de herança por uma tia.
O que temos aí, nesses primeiros minutos, em que a câmera ainda nem se moveu? Temos não apenas a presença do cigarro, que pontuará todo o filme, mas uma exposição sumária da protagonista e de seu entorno: uma quarentona solitária e urbana que pertence a uma classe média decaída e que fuma compulsivamente.
O primeiro mérito de "É Proibido Fumar", portanto, é o de contar com a inteligência ativa do espectador, em vez de lhe entregar tudo mastigado recorrendo à irritante muleta da narração em off, tão comum em nosso cinema recente.
A história que o filme conta é simples: a professora particular de violão Baby conhece o músico e cantor Max (Paulo Miklos) quando este aluga o apartamento vizinho ao seu. Os dois passam a viver um relacionamento pautado por alguns pontos de atrito: o cigarro de Baby, a ex-mulher de Max, os gostos musicais (ela gosta de Chico Buarque, ele, de Jorge Ben Jor).
Haverá a certa altura um acidente, um crime involuntário, uma morte. O evento será mostrado de modo fragmentário e elíptico, como tudo nesse filme que elege a metonímia como figura de linguagem predominante (num cinema assolado pelo excesso de metáforas).
Mais do que uma comédia sobre a solidão e o afeto na grande cidade, como já foi definido, "É Proibido Fumar" é um estudo sobre a construção da imagem, seus usos e abusos na vida contemporânea.
Não por acaso, momentos importantes da ação são vistos por câmeras de vigilância, olhos mágicos, furos na parede.
O filme ganhou uma penca de prêmios, certamente merecidos, no Festival de Brasília.
Além da bela atuação do par central e de todo o elenco secundário, merecem destaque a montagem precisa (de Paulo Sacramento) e a trilha sonora, que transita com humor e fluência por toda a gama da música popular brasileira.

Dirigido por Anna Muylaert

ELENCO:

Glória Pires como Baby
Paulo Miklos, como Max
Marisa Orth
Paulo Cesar Peréio
Antonio Abujamra
Fernanda Concon
Marcelo Mansfield
André Abujamra
Lourenço Mutarelli
Pitty
Lucas Machado Candeias

 

PRIMEIRO AS DAMAS / Minhateca

 

ÓPERA DO MALANDRO (1986) / Minhateca

ELENCO:

Edson Celulari.... Max Overseas
Cláudia Ohana.... Ludmila Struedel
Elba Ramalho.... Margot
Fábio Sabag.... Otto Struedel
J.C. Violla.... Geni
Wilson Grey.... Sátiro
Maria Sílvia.... Victoria Struedel
Ney Latorraca.... Tigrão
Cláudia Jimenez.... Fiorella
Andréia Dantas.... Fichinha
Ilva Niño.... Dóris
Zenaide.... Dorinha Tubão
Djenane Machado.... Shirley Paquete
Katia Bronstein.... Mimi Bibelô
Lutero Luiz.... Porfírio
Bernard Seygnoux
Conceição Senna
John Doo
Paulo Henrique
Mauro Gorini
Carlos Loffler
Candido Damm
Angel Morsi.... Prostituta
Ângela de Castro.... Prostituta
Denise Telles.... Prostituta
Letícia B. de Mello.... Prostituta
Lia Rodrigues.... Prostituta
Valéria Rowena.... Prostituta

Dirigido por Ruy Guerra

Nos anos 40, malandro elegante e popular figura do boêmio bairro carioca da Lapa, explora cantora de cabaré e vive de pequenos truques enganadores. Até que surge Ludmila, a filha do dono do cabaré, que pretende tirar proveito da guerra fazendo contrabando.

 

 OSCARALHO

OSCARALHO... O OSCAR DO SEXO EXPLÍCITO (1986)

Numa boate paulista, o diretor/comediante José Miziara (A Praça é Nossa) reúne a nata da Boca do Lixo para a entrega do Oscaralho, o Oscar do Sexo Explícito (a estatueta é um membro alado). Para ilustrar as categorias (“Melhor Chupada”, “Melhor Orgia”, “Melhor Enrabada” e por aí vai), são mostrados clips de outros filmes de Miziara – que, embora não tão divulgado quanto Fauzi Mansur, Levi Salgado e Ody Fraga, faz fitas divertidas. Estranhamente, oculta-se o fato (e a evidência) de que Patricia Petri é um travesti.

 

 

Imagem

O Enterro da Cafetina (1971)

Betina, uma cafetina que povoou as noites cariocas de prazeres, determinou no testamento que seu enterro fosse festivo como as noites do Palácio de Cristal, outrora o prostíbulo mais alegre do Rio de Janeiro. Enquanto seus amigos cumprem a extravagante vontade da morta, Otávio se recorda dos momentos felizes vividos nos últimos anos: suas aventuras boêmias em companhia dos amigos Giannini (cantor lírico fracassado e 'guerrilheiro' urbano) e Rolando (jornalista policial formado na imprensa marrom). Para casar, Otávio exigia da namorada um requisito fundamental: ser donzela. Com Marlene, um tipo esportivo e de fisionomia cândida, teve uma experiência amarga: descobriu-a com o amante deputado. A vingança de Otávio foi explosiva e terrível. Em Rosa Maria também não encontrou sua cobiçada virgem.

Direção: Alberto Pieralisi

ELENCO
Jotta Barroso
Henriqueta Brieba
Jorge Chaia
Jorge Cherques
Eva Christian
Duarte de Moraes
Elizângela
Nadir Fernandes
Arthur Costa Filho
Paulo Fortes
Elza Gomes
Fernando José
Patrícia Lacerda
Hélio Oliveira
José Paulo 

 

 

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Eu Matei Lúcio Flávio (1979) / Mega

Direção: Antônio Calmon

ELENCO:

Jece Valadão, Anselmo Vasconcelos, Monique Lafond, Otávio Augusto

Paulo Ramos - Lúcio Flávio
Dary Reis - Detetive Le Cocq
Maria Lucia Dahl - Granfina
Maria Zilda - Balconista
Nildo Parente - Ramon
Luci Mafra - Vedete
Fernando José - Secretário de Segurança
André de Biase
Participações Especiais
Vera Gimenez - Marlene
Fábio Sabag - Excelência
Celso Faria - Delegado
Rodolfo Arena

Lembra daquele montão de críticas mal-humoradas acusando "Tropa de Elite" de fascista e racionário na época do seu lançamento? Pois os autores destas críticas certamente ficariam de cabelos em pé vendo EU MATEI LÚCIO FLÁVIO, um filme policial de 1979 (portanto quase 30 anos antes do Capitão Nascimento e sua trupe colocarem "suspeitos" no saco).

Dirigido por Antonio Calmon, que hoje comanda inofensivas novelas para a Globo, este provavelmente é o filme mais fascista e amoral da história do cinema brasileiro - e, ironicamente, também uma das nossas obras-primas esquecidas.

Duvida? Pois a coisa já começa nos créditos iniciais: enquanto os nomes dos atores se desenrolam sobre uma tela preta, ao fundo escutamos o som do que seria um dia de treinamento da polícia carioca. O comandante, exaltado, inicia um discurso de arrepiar defensores dos direitos humanos: "A primeira coisa que vocês têm que aprender é que isso aqui é uma guerra. A polícia é a protetora da sociedade! O marginal não existe. O marginal não é gente! Agora eu quero todos vocês repetindo comigo... E repitam com ódio!!! (som do batalhão berrando "O marginal não existe. O marginal não é gente!"). A nossa farda existe para acabar com eles, como vocês vão fazer aqui e agora: NA PORRADA... ATÉ MATAR!!!".

Ainda está em dúvida? Então saiba que EU MATEI LÚCIO FLÁVIO é a dramatização de uma história real: a vida do policial Mariel Mariscotte de Mattos, que no filme é interpretado por Jece Valadão (seguramente, o ator mais foda do cinema brasileiro de todos os tempos), e que teria sido o responsável direto pela morte de um bandido famoso na crônica policial carioca dos anos 60, o boa-pinta Lúcio Flávio Villar Lírio.

A vida deste criminoso já havia gerado um outro clássico em 1977, "Lúcio Flávio - O Passageiro da Agonia", de Hector Babenco, onde Lúcio foi interpretado por Reginaldo Faria. Entretanto, como 99% dos filmes policiais brasileiros, "Lúcio Flávio..." preferia dar destaque à trajetória do bandido.

Assim, EU MATEI LÚCIO FLÁVIO surgiu como um contraponto, uma resposta à obra de Babenco, focando os holofotes sobre os policiais que caçaram o criminoso, principalmente Mariel Mariscotte. Astro e também produtor do filme, Jece era amigo do verdadeiro Mariel, e assumiu a bronca de mostrar "o outro lado" do filme do Babenco. Pessoalmente, prefiro esta "resposta" ao original do que a dramatização da vida do bandido.

O roteiro de Alberto Magno e Leopoldo Serran começa contando a trajetória de Mariel, desde sua juventude como salva-vidas e leão de chácara num inferninho (ou "diretor de disciplina", como ele explica antes de surrar três caras que estavam passando dos limites), até sua entrada na polícia e o convite para atuar como guarda-costas de políticos corruptos.

Como o Rio de Janeiro da época estava completamente dominado pela alta criminalidade (não muito diferente de hoje, no caso), a polícia resolve criar uma tropa de elite formada por 12 policiais excepcionais, chamados "Homens de Ouro", com carta-branca para caçar e matar bandidos perigosos, escapando impunemente da burocracia dos tribunais.

Logo Mariel, que já vinha chamando a atenção pelo seu estilo truculento de não fazer prisioneiros, é chamado para integrar o grupo. E corpos crivados de balas começam a aparecer pelas ruas, com cartazes trazendo o desenho de uma caveira, o logotipo do Esquadrão da Morte e ameaças a outros bandidos. Finalmente, nosso "herói" declara guerra ao bandido que vem dominando as manchetes dos jornais: Lúcio Flávio (aqui interpretado por Paulo Ramos).

Talvez o grande problema de EU MATEI LÚCIO FLÁVIO seja o roteiro extremamente fragmentado e pouco explicativo. Na época do lançamento (1979), provavelmente os fatos da crônica policial ainda estavam fresquinhos na mente do espectador, e o próprio Mariel Mariscotte ainda estava vivo e, diz a lenda, aprovou a interpretação de Jece, inclusive presenteando-o com a medalhinha (com desenho de caveira!) que o ator usa no filme.

Hoje, entretanto, pouca gente lembra de Mariel e mesmo de Lúcio Flávio, e o filme não se preocupa em dar muitas explicações sobre aquela época, forçando o espectador a pesquisar por conta própria.

Só assim você descobre que a representação de Mariel no filme não é nada exagerada: durante seu período áureo, o policial linha-dura era exatamente como o herói personificado por Jece, sempre nas manchetes de jornais ou no noticiário da TV, acompanhado de atrizes, modelos e das mulheres mais bonitas daquela época.

Mariel seria assassinado numa emboscada apenas dois anos depois do lançamento do filme, em 1981, e logo caiu no esquecimento - ironicamente, como seu arquiinimigo Lúcio Flávio.

E embora o filme de Calmon mostre Mariel como um sujeito sangue-frio, que não hesita em encher bandidos de tiros ao invés de prendê-los, a caracterização de Jece é tão boa, cheia de frases antológicas e aquele ar de machão que só o ator conseguia fazer, que torna-se impossível não ficar do lado de Mariel - mesmo que o filme de Babenco, lançado anos antes, tenha tentado transformar Lúcio Flávio numa figura mais simpática que os policiais que o perseguiam.

É um fenômeno semelhante ao que ocorreu recentemente com o truculento Capitão Nascimento de "Tropa de Elite", que a platéia adotou como herói ao invés de repreender suas atitudes. A diferença é que Nascimento não ia durar cinco minutos num confronto com o Mariel de Jece: enquanto o capitão interpretado por Wagner Moura não pegava ninguém, e ainda era pau-mandado da esposa no filme de José Padilha, o policial de Jece come umas 10 mulheres ao longo do filme!!!

Curiosamente, embora tenha vários "casos" e até uma namorada oficial, Mariel vive uma relação de amor e ódio com Margarida Maria (a bela Monique Lafond), uma prostituta viciada em heroína. O policial prometeu ao pai suicida da moça que a salvaria da vida perdida que ela levava. Infelizmente, não consegue cumprir a promessa: quando Margarida Maria morre de overdose, e Mariel fica sabendo que irão enterrá-la como indigente por não ter outros familiares vivos, nosso herói intercepta a ambulância do IML e "rouba" o cadáver nu da amada, saindo com ele nos braços enquanto brada: "Vão enterrar como indigente a mãe de vocês!".

EU MATEI LÚCIO FLÁVIO mostra Mariel Mariscotte como um sujeito extremamente vaidoso, egocêntrico até, que anda sempre alinhado em terninhos brancos, duas vezes aparece transando com mulheres enquanto se olha no espelho (numa delas, chega a dizer para o próprio reflexo: "Mariel, você é o maior"!!!), e adorava os flashes e as manchetes dos jornais (em outra cena impagável, ele "ajeita" o cadáver de um bandido que acabou de fuzilar para que saia mais bonito nos jornais!). Logo fica claro que seu motivo para caçar e matar Lúcio Flávio é mais pelo "status" que isso representa à sua carreira do que por idealismo profissional.

É óbvio que o filme não pode nem deve ser visto com um olhar contemporâneo. Entretanto, para quem concorda com aquela máxima de que "bandido bom é bandido morto", EU MATEI LÚCIO FLÁVIO tem cenas lindas no seu exagero e brutalidade.

Uma delas é o assalto a uma farmácia, quando três marginais (liderados por um jovem André di Biasi, aquele da "Armação Ilimitada") provocam o caos em busca de anfetaminas. Um deles leva a balconista (uma jovem Maria Zilda) para os fundos da loja e a estupra violentamente, enfiando o revólver inteiro na vagina da moça!

Finalmente, surgem os defensores da lei e da ordem, Mariel e seu fiel companheiro interpretado pelo fantástico Anselmo Vasconcellos. Pois a dupla simplesmente entra no lugar dando tiro pra todo lado - é um verdadeiro milagre não matarem também os proprietários do estabelecimento.

Quando Anselmo dá o golpe de misericórdia em um dos criminosos, atirando à queima-roupa, o sujeito cospe sangue no rosto do policial. Mariel, sorrindo, ainda faz escárnio: "O malandro vomitou sangue, é?".

Por essas e por outras, EU MATEI LÚCIO FLÁVIO é, definitivamente, um filme para pessoas com estômago forte. O que nos leva à cena mais clássica e "politicamente incorreta", aquela que faz de "Tropa de Elite" uma produção dos Estúdios Disney: Vasconcellos coloca um disco de Roberto Carlos na vitrola e tortura um bandido no pau-de-arara, com choques elétricos, ao som do clássico "Lady Laura".

E enquanto o sujeito esperneia, a música cria um curioso contraponto às imagens brutais: "Tenho às vezes vontade de ser/Novamente um menino/E na hora do meu desespero/Gritar por você/Te pedir que me abrace/E me leve de volta pra casa". Finalmente, após enjoar da tortura, Anselmo se aproxima do sujeito todo quebrado, com marcas de tortura pelo corpo inteiro, e exclama sem qualquer emoção: "Marginal tem mais é que morrer...", antes de apunhalar o homem até a morte! Lindo.

Outra cena antológica coloca Mariel e Lúcio Flávio frente a frente, numa das muitas rápidas passagens do bandido pela cadeia. O diálogo entre os dois, repleto de raiva, me lembrou um encontro entre o Batman e o Coringa na HQ "A Piada Mortal" (escrita por Alan Moore), quando o Homem-Morcego tentava convencer seu inimigo de que, se continuassem duelando daquele jeito, mais cedo ou mais tarde um dos dois terminaria morto. Só que a conversa no filme é menos amena. Quando Lúcio provoca o policial, dizendo "O fato de eu estar aqui não significa que a luta acabou. Guerra é guerra!", Mariel responde seco: "Ô Lúcio, vai pra puta que te pariu!".

Como um daqueles raros filmes que defende (sem restrições) o trabalho da polícia, mesmo quando este é levado às últimas conseqüências, EU MATEI LÚCIO FLÁVIO retrata uma saudosa época em que, quando um policial matava um bandido, aparecia na capa dos jornais, era condecorado pelos seus superiores e elogiado pelos políticos na televisão (hoje, provavelmente, o mesmo policial seria processado por usar "força excessiva").

É claro que o Esquadrão da Morte que Mariel integrava passou bastante dos limites aceitáveis, o que fica evidente na cena que Vasconcellos pendura o cadáver de um bandido torturado em frente a uma estátua de São Sebastião (aquele com o corpo crivado de flechas), numa "cópia humana" da imagem. Quando Mariel vê o trabalho, ainda elogia: "Mas que obra-prima, hein?".

A dupla Jece/Vasconcellos brilha no filme, e o fato de Anselmo hoje ser mais lembrado como humorista do quadro fixo do "Zorra Total" do que como o grande ator que é soma-se à cada vez mais longa lista de injustiças do cinema brasileiro (lembrando sempre que Anselmo também interpretou a única múmia do nosso cinema, em "O Segredo da Múmia"!!!).

O filme tem ainda uma pequena participação de Otávio Augusto como instrutor dos cadetes na academia de polícia. Com seu jeito bonachão, ele tem um diálogo impagável em que orienta os policiais a atirarem na cabeça, no coração e no saco dos seus alvos! Jece e ele fariam dupla no filme posterior de Calmon, o impagável "O Torturador", já resenhado aqui.

Acabei me estendendo demais, mas é justamente porque EU MATEI LÚCIO FLÁVIO é uma daquelas muitas obras-primas esquecidas da nossa filmografia tupiniquim. Inclusive recomendo a todos que leiam a excelente resenha da Andrea Ormond no blog Estranho Encontro, pois praticamente tudo que eu queria dizer está escrito lá (e não foi fácil conseguir escrever um texto diferente do dela!).

Só sei que, depois de ter encarado "O Torturador" e EU MATEI LÚCIO FLÁVIO num curtíssimo espaço de tempo, estou começando a achar que o Antonio Calmon era o "Tarantino brasileiro", antes mesmo do Tarantino começar a fazer filmes!

Diálogos espirituosos? Confere. Atores "cool"? Confere. Violência e humor negro? Confere. Trilha sonora bizarra? Confere (com direito, além de Roberto Carlos, a "A Divina Comédia Humana", de Belchior, "As Rosas Não Falam", na voz de Fagner, e disco music). Citações à cultura pop em geral? Confere! Em EU MATEI LÚCIO FLÁVIO, por exemplo, a casa de Mariel tem um pôster de Clint Eastwood em "Três Homens em Conflito", Monique Lafond deita-se nua sobre um lençol vermelho imitando aquela clássica foto da Marilyn Monroe (veja abaixo), e a cena da tortura ao som de música pop lembra diretamente o posterior "Cães de Aluguel"!

Além disso, só mesmo num filme do Calmon (ou do Tarantino lá no norte...) você vai ver um policial, inspirado no personagem real Milton Le-Cocq, falar "Salve a Umbanda. Entrego minha alma aos homens da encruzilhada!", antes de cair fulminado com um tiro na cabeça. E ainda tem gente que acha que HOJE é que o cinema brasileiro está interessante... Povo sem memória e sem cultura é fogo!

PS: Outro filme que aborda o Esquadrão da Morte que limpou o crime do Rio de Janeiro dos anos 70 é "República dos Assassinos", de Miguel Faria Júnior, que ironicamente foi lançado no mesmo ano de EU MATEI LÚCIO FLÁVIO, e tem Tarcísio Meira, Sandra Bréa e, surpresa!, Anselmo Vasconcellos nos papéis principais. Ainda não consegui encontrar este para ver, mas quem já viu jura que é outro clássico.

A Rota Do Brilho (1990) / Mega / 4SHARED

Em 1990, exatos 17 anos antes do Capitão Nascimento e seus caveiras combaterem traficantes cariocas em "Tropa de Elite", dois policiais da Narcóticos paulista receberam missão parecida: desbaratar uma perigosa quadrilha que agia em São Paulo, trazendo cocaína pela rota ferroviária diretamente de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Falando assim parece até filme sério, mas na verdade este é o argumento de A ROTA DO BRILHO, um policial de quinta categoria que, hoje, só funciona como diversão trash. E das boas.

Afinal, quem em sã consciência engoliria uma dupla de policiais brasileiros durões chamados Tom e Nil (!!!), e interpretados, respectivamente, por Alexandre Frota (então na fase galã de novela e marido de Cláudia Raia) e Marcos Manzano (loiro platinado estilo He-Man, que na época era apresentador do famigerado Clube das Mulheres)?

A ROTA DO BRILHO foi dirigido por Deni Cavalcanti, o sujeito responsável por "clássicos" (ironia mode on) da cinematografia brasileira, como "Aluga-se Moças" (1982), filme erótico notório por tirar a roupa de várias chacretes, como Gretchen, Rita Cadillac e Índia Amazonense.

Com péssima distribuição, tanto nos cinemas como em vídeo, A ROTA DO BRILHO provavelmente ficaria esquecido no limbo das tralhas produzidas a toque de caixa na Boca do Lixo da época se não fosse por um detalhe curioso: quatro anos depois do seu lançamento, em 1994, uma modelo que faz participação minúscula no filme protagonizou um escândalo ao aparecer em fotografias carnavalescas ao lado do presidente da República vestindo apenas uma camiseta e mais nada, com a perereca à mostra para o mundo inteiro ver!

Claro que estou falando do famoso caso Lilian Ramos e presidente Itamar Franco. Ela, auto-proclamada sósia de Fafá de Belém por causa do tamanho dos seios, ganhou seus 15 minutos de fama com esse episódio do Carnaval. Para a sua sorte, pois jamais seria lembrada pela curta e ridícula carreira de "atriz" (além desse aqui, ela apareceu também em "Ritual of Death", horror dirigido por Fauzi Mansur para o mercado externo e nunca lançado no Brasil).

Foi graças ao episódio Lilian-Itamar que A ROTA DO BRILHO foi redescoberto. A fita do filme, originalmente lançada por uma tal "Sétima Arte Vídeo" (!!!), e com Alexandre Frota e Gretchen em destaque na capinha, já mofava nas locadoras à época. Semanas após o escândalo do Carnaval, a Sato Vídeo resolveu relançar a obra em vídeo com duas novas capinhas, ambas com fotos enormes da moça (apenas uma tirada do próprio filme, aquela do rala-e-rola) e a chamada enganosa "A polêmica Lilian Ramos em...". Só não avisaram o espectador que a participação de Lilian Ramos em A ROTA DO BRILHO não chega a somar cinco minutos!

O filme começa mostrando Tom e Nil chegando ao motel em que uma prostituta morreu de overdose; ali, há um montão de cocaína da boa ("brilho" era a gíria da época para cocaína, por isso o título hoje sem sentido). Segundo um colega da Homicídios, é o terceiro caso em poucas semanas.

De volta à delegacia, eles levam um esporro do seu chefe (o saudoso Felipe Levy, dos filmes dos Trapalhões), que pede urgência máxima na investigação da quadrilha de traficantes responsável por abastecer São Paulo de pó. Eventualmente, os dois casos vão se cruzar, já que o homem que vem matando prostitutas de overdose é um dos integrantes da tal organização.

A ROTA DO BRILHO é uma bagunça danada. Além da trama principal, com os policiais caçando os traficantes, e da trama secundária da investigação da morte das prostitutas (esquecida durante a maior parte do tempo, diga-se de passagem), há outras situações jogadas sem muito critério ao longo da narrativa, como a filha de um senador (Patrícia Salgado) que se diverte levando vida dupla e fazendo programas para uma cafetina.

Numa daquelas coincidências que não convencem nem em novela das sete da Globo, o tal senador (Edgard Franco) é o cabeça da quadrilha de traficantes, e um dos seus capangas, Roque (Raymundo de Souza), acaba se envolvendo com a patricinha-prostituta! Nem sei porque estou relatando isso, considerando que não faz diferença alguma na trama e quase todos os personagens citados são sumariamente esquecidos!

A "polêmica" Lilian Ramos interpreta Suzana, a conexão entre um cartel de drogas da Bolívia e os traficantes paulistas. Só que ela se dá mal logo no início: ao envolver-se com o namorado de Branca (Elizabeth Winkler), outra das integrantes da organização, é assassinada e sai de cena depois de meia dúzia de diálogos horríveis e uma cena de sexo rápida e rasteira.

Mas e afinal, onde entram nossos "heróis" Tom e Nil nessa história? A bem da verdade, os tiras só aparecem no filme porque são os protagonistas, já que não fazem absolutamente nada digno de nota. Ao invés de investigar o caso, os caras saem pela cidade sem muito critério, abordando informantes como Tigrão (Bim Bim, figura habitual dos filmes de Sady Baby) e Carlão.

Esse último é interpretado pelo excelente Anselmo Vasconcellos ("O Torturador", "Eu Matei Lúcio Flávio"), cuja voz aqui é ridiculamente dublada. Ele está a cara do John Turturro, e até hoje me pergunto o que o coitado faz nesse filme, já que sua expressão de descontentamento chega a ficar evidente em algumas cenas.

Como eu dizia, Tom e Nil não investigam porra nenhuma e descobrem tudo que precisam saber por pura sorte. Ou, no caso, torturando um dos informantes. A cena é hilária porque tenta fazer com que o espectador acredite que aquele é um procedimento policial perfeitamente normal, e que não há nada de errado no que acontece: Nil persegue o bandido e, no momento seguinte, vemos o sujeito amarrado pelado num pau-de-arara, tomando choques elétricos pelo corpo!

Ah, quase me esqueci: há uma participação especial hilária de ninguém menos que Gretchen (!!!), interpretando uma artista plástica (!!!) chamada Natália, que é namorada do personagem de Frota. Ambos protagonizam mais uma cena de sexo, cheia de caras e bocas exageradas, e é irônico lembrar que os dois acabaram fazendo pornô duas décadas depois.

A ROTA DO BRILHO apresenta mais algumas caras conhecidas: o guarda-costas de Mojica, Satã, interpreta um capanga dos traficantes (e o que mais Satã poderia "interpretar"?); o diretor José Miziara (de "Embalos Alucinantes" e "Rabo I") aparece na pele de um traficante boliviano que fala em hilário portunhol; e a envelhecida musa das pornochanchadas Neide Ribeiro faz uma cafetina de luxo.

Ninguém foi creditado pelo roteiro do filme, mas se bobear o responsável pela bagaça é o próprio Deni Cavalcanti. Caso o texto seja dele mesmo, o cara está de parabéns: sempre se inticando com frases como "Você está com cara de bundão!" e "Esse é meu parceiro, uma mala!", Tom e Nil são heróis fanfarrões impossíveis de levar a sério, ao estilo do cinema norte-americano.

A dupla tem um diálogo hilário com o chefe de polícia, que transcrevo aqui porque essa genialidade merece ser compartilhada:

Chefe (sério): Já te comeram o rabo, Tom?
Tom (surpreso): Eu? Que é isso, chefe?
Chefe: E você, Nilzinho?
Nil (rindo): Eu, chefe? Nem troca-troca eu fiz! Sou virgem ainda.
Chefe: Pois eu não sou mais. Acabaram de me enrabar! E sabe quem me enrabou? (bate na mesa) O secretário de Segurança Pública!
Tom: Bom, pelo menos foi alguém importante, chefe...

A ROTA DO BRILHO também tem um detalhe muito curioso: (SPOILER) com uma hora de filme, o personagem de Alexandre Frota é assassinado pelos bandidos, numa reviravolta surpreendente à la final de "Viver e Morrer em Los Angeles". Só que a cena é muito estranha: Frota é morto off-screen, apenas escutamos o grito dele. Será que o ator quebrou o pau com os realizadores e abandonou a filmagem, obrigando Cavalcanti a criar essa mirabolante saída de cena do herói? Ou foi mero amadorismo do diretor ao não mostrar justamente a morte de um dos protagonistas mais importantes? (FIM DO SPOILER)

Como a produção bagaceira nacional que é, A ROTA DO BRILHO tem um pouco de tudo: Frota e um galã do Clube das Mulheres como heróis, delegado desbocado, bandidos ridículos, Anselmo Vasconcelos pagando mico, uma carreirona de cocaína sendo feita nas costas de uma anônima nua, cena de tortura no pau-de-arara, um sujeito durão que aparece tomando leite (!!!) num bar, trilha sonora composta pelo Vangelis para "Blade Runner" sendo "reutilizada" em cenas de suspense...

Tem, também, aquela dose cavalar de nudez feminina que caracterizava o cinema brasileiro pré-Retomada: toda e qualquer mulher maior de idade que entra em cena acaba tirando a roupa mais cedo ou mais tarde. Inclusive Gretchen, a eterna "Rainha do Bumbum", que aqui mostra sua buzanfa ainda inteirona em close, o que ajudou a apagar da minha mente parte do trauma causado por aquele tenebroso filme pornô que ela protagonizaria quase duas décadas depois.

O que realmente faz falta no filme é aquilo que todo mundo espera: os socos e tiros que caracterizam o combate ao crime no cinema.

Pois, nesse quesito, Tom e Nil ficaram devendo. Praticamente não há cenas de luta, e a única troca de tiros ficou reservada para o final, quando um dos heróis despacha a maior parte da quadrilha que deveria prender com balas e até granadas (pois todos sabemos que granadas são ferramenta de trabalho comum da polícia de São Paulo). Com direito à tradicional cena do herói preparando as armas antes do confronto final com os marginais.

Vale destacar que, nesse confronto final, Satã protagoniza mais um momento hilário da película, quando leva um tiro no peito e começa a contorcer-se como se fosse epilético, em momento que rivaliza com a péssima saída de cena de Christopher George em "Ninja - A Máquina Assassina" pelo título de "pior cena de morte da história do cinema". 

"Morre logo, Satã, caralho!"

A verdade é que, ao contrário do "Tropa de Elite" citado no início da resenha (perdoe-me pela comparação, José Padilha!), A ROTA DO BRILHO é um filme policial de realismo zero.

Afinal, tudo que vemos na tela (personagens, situações e até diálogos) parece ter saído diretamente do cinema clássico hollywoodiano, e não das ruas das grandes capitais brasileiras. Temos desde a dupla de policiais estilo "Máquina Mortífera" até os bandidos que andam sempre de terninho e óculos escuros.

Os clichês se amontoam, ajudando na transformação do que deveria ser um filme policial sério em comédia. Até porque as interpretações com texto decoradinho, dignas de teatrinho de colégio, não ajudam em nada (Lilian Ramos e Elizabeth Winkler são os casos mais críticos).

O resultado é digno de figurar no panteão do FILMES PARA DOIDOS, e é realmente uma pena que não tenhamos novas aventuras trash (e quem sabe melhores) dos tiras paulistas Tom e Nil.

Confesso que seria muito divertido ver os dois outras vezes "investigando" novos casos e enfrentando a bandidagem com tiros e granadas enquanto ficam se chamando de mala e de bundão...

Direção: Deni Cavalcanti

ELENCO
Alexandre Frota (Tom)
Lilian Ramos (Suzana)
Marcos Manzano (Nil)
Neide Ribeiro (Lili)
Raimundo de Souza (Roque)
Elizabeth Winkler (Branca)
Patricia Salgado (Rose)
Edgar Franco (Senador)
Felipe Levi (Chefe)
Noeli Franquis (Ana)
Bim-Bim (Tigrão)
José Miziara (Hernandes)
Satã (Satã)
Foca (Foca)
Participações Especiais
Gretchen (Natália)
Anselmo Vasconcelos (Carlão)

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O CANGACEIRO (1997) / Minhateca

Dirigido por Aníbal Massaini Neto.

Elenco:

  • Paulo Gorgulho .... Galdino
  • Alexandre Paternost .... Teodoro
  • Luíza Thomé .... Maria Bonita
  • Ingra Liberato .... Olívia
  • Otávio Augusto .... Coronel Aniceto
  • Jece Valadão .... Joca Leitão
  • Joffre Soares .... Tico velho
  • Othon Bastos .... Raimundo
  • Aldo Bueno .... Zé Macaco
  • Roberto Bomtempo
  • Jonas Mello .... diretor do presídio
  • Dominguinhos .... Zé Domingues
  • Cláudio Mamberti .... padre
  • Paulo Borges .... Labareda
  • João Ferreira .... Quirino
  • Nilza Monteiro .... filha de Quirino
  • Tom do Cajueiro .... Tico jovem
  • Agnaldo Lopes
  • Kristhel Byancco
  • Lamartine Ferreira .... Feitiço
  • Moisés Neto .... repórter

Rodado inteiramente no Nordeste do Brasil, uma refilmagem de O Cangaceiro, produção da Companhia Cinematográfica Vera Cruzde 1953.

O filme narra a história dos cangaceiros liderados pelo Capitão Galdino (Paulo Gorgulho) e sua mulher, saqueando cidades e espalhando medo.

O cantor e compositor Dominguinhos participa da produção, cantando os sucessos de Zé do Norte que fizeram parte da primeira versão. Também foram trazidos para o remake o mesmo diretor de arte (Carybé) e de maquiagem (Victor Merinow).

 

TAPPED OUT - A REVANCHE (2014) Dublado  / MINHATECA / MEGA Senha: lendiniz-therebels

A trama acompanha um jovem problemático, Michael Shaw (o pentacampeão de caratê Cody Hackman), que é forçado a prestar serviços comunitários em uma escola de luta. Ele decide se inscrever em um torneio de MMA para enfrentar o homem que matou seus pais. O elenco ainda conta as participações especiais dos atletas de artes marciais mistas Anderson Silva, Lyoto Machida e Krzysztof Soszyznski.

 

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THOR (2011) DUBLADO

Ao iniciar seu projeto no cinema, a Marvel tomou uma iniciativa ousada. Pegou os herois que ainda não havia licenciado para outros estúdios e resolveu reuni-los em um mesmo universo. Desta forma, assim como acontece nos quadrinhos, personagens variados poderiam circular pelos filmes, visando a criação de uma continuidade entre eles. Se por um lado pesos pesados como Homem-Aranha e X-Men não estavam mais em suas mãos, ainda restavam herois do calibre de Homem de Ferro, Capitão América e Thor. Todos inéditos nas telonas e precisando de uma apresentação ao público. Thor, o filme, cumpre fielmente esta função. É um cartão de visitas do Deus do Trovão, de forma a contar sua origem e ambientar sua realidade dentro do universo planejado pela Marvel.

O filme começa com um divisor de águas para o personagem. Expulso por Odin (Anthony Hopkins), seu pai, Thor (Chris Hemsworth) é banido para a Terra. Desorientado, quase é atropelado pela cientista Jane Foster (Natalie Portman), ávida em pesquisar um estranho fenômeno nos céus. Pano rápido para um longo flashback, onde o passado do protagonista é revelado. Thor é o sucessor de Odin no trono de Asgard, a majestosa cidade que surge em cenários requintados. Egocêntrico e arrogante, ele acredita que pode tudo. Não pensa duas vezes ao partir com amigos rumo a um planeta pouco hospitaleiro, onde age como um típico pitboy, que precisa apenas de uma desculpa para brigar. Motivo dado, guerra à vista. Eis a causa da expulsão de sua terra natal, retratada logo nos primeiros minutos.

É apenas quando Thor chega à Terra que o restante do universo Marvel entra, de fato, em ação. A S.H.I.E.L.D. é peça fundamental neste sentido, representada não pelo habitual Nick Fury (Samuel L. Jackson) mas pelo agente Coulson (Clark Gregg). Várias citações surgem, aqui e ali, e provocam ligações de Thor com outros filmes e personagens da Marvel. Um deles, inédito até então, dá as caras em duas cenas breves e sem grande interação. Uma pequena prévia do que está por vir em Os Vingadores, filme que reunirá todos os herois da Marvel, e que com certeza agradará os fãs de quadrinhos.

Thor é um filme com vários méritos, todos relacionados à forma como sua história é apresentada. Há uma fidelidade nítida aos quadrinhos, tanto na personalidade de Thor quanto nas mudanças que sofre enquanto está na Terra. Chris Hemsworth convence, demonstrando força como o personagem título. Tim Hiddleston se sai bem ao compor um Loki dúbio e ardiloso, manipulando as pessoas à sua volta de forma a obter o melhor para si. Apesar dos 73 anos, Anthony Hopkins mantém sua presença marcante, seja pelo inconfundível tom de voz ou pela imponência de seu Odin. A direção de arte é belíssima, mostrando uma Asgard esplendorosa, e o filme conta com bons efeitos especiais. Ainda assim, Thor deixa a sensação de que falta algo.

Falta na verdade algo que o diferencie dos demais filmes de super-herois produzidos. O carisma explorado por Robert Downey Jr. ao compor seu Tony Stark ou o impacto de ver o Homem-Aranha balançando nas teias, por exemplo. Algo que faça com que o espectador se surpreenda e diga “uau” em sua poltrona. Isto, Thor não tem. É um filme bem produzido, dirigido com competência por Kenneth Branagh e com vários pontos positivos, mas que não empolga em momento algum. As melhores cenas surgem, quase sempre, devido a piadas ou aparições de personagens do universo Marvel, de forma que o espectador possa fazer ilações com outros filmes. A exceção fica por conta do uso do Mjolnir, em boas cenas de ação que dão bem a dimensão de seu poder.

Thor é um bom filme que cumpre de forma correta a função de apresentar seu personagem título ao grande público. Origem contada, realidade ambientada, ligações com o universo Marvel estabelecidos. Era o mínimo que se esperava e isto ele cumpre bem. É um filme importante dentro da cronologia que está sendo estabelecida, mas ao mesmo tempo possui um final bastante em aberto, que deixa muito a ser resolvido em Os Vingadores. E, como já virou tradição nos filmes da Marvel, conta com uma cena extra após os créditos finais. Ou seja, não saia correndo da sala tão logo os letreiros surjam em cena, pois ainda há filme por vir.

 

O CAIPIRA BOM DE FUMO / Minhateca / Depositfiles

Um filme de Francisco Cavalcanti com Francisco Cavalcanti, Marthus Mathias, Karina Miranda, Solange Dumont

Dois casais se unem para realizar um grande assalto a um carro-forte. Marcos e Lurdes, um dos casais, precisa guardar o dinheiro, que será dividido para os quatro no dia seguinte. Para isso, eles decidem aproveitar o tempo em um hotel barato, onde Lurdes é vítima de overdose e fica à beira da morte. Quando Marcos sai para buscar ajuda, a moça morre e é encontrada pelo gerente do hotel, que se desespera, achando que Marcos fugiu após assassiná-la. Por conta de seus problemas financeiros e apavorado com a situação, o gerente decide enterrar a moça com as próprias mãos e acaba, sem saber, também enterrando a mala com o dinheiro roubado. 

 Emoções Sexuais de um Jegue

EMOÇÕES SEXUAIS DE UM JEGUE (1986) / Depositfiles / Minhateca

Todas as obras de Sady Baby são repletas de cenas de dominação. Geralmente o próprio cineasta aparece em cena obrigando alguém a manter relações sexuais com outra pessoa ou até mesmo com um animal. A coerção sempre acontece sob a mira de alguma arma.

A satisfação com a morte alheia também está presente nos papéis interpretados por Sady em suas obras. E as seqüências mais criativas de homicídios podem ser vistas no filme “Emoções Sexuais de um Jegue” (1986).

Nesse filme, Sady é o presidiário aidético Gavião. Após fugir da prisão, Gavião encontra uma loira perambulando por uma mata. Para tirar o atraso, o fascínora arrasta a mulher para um local onde há um providencial caixão. “Esse é o caixão do amor. Estou com fome de sexo. Vou comer seu cu aqui dentro“, diz Gavião para a beldade, uma das duas mulheres que são infectadas pelo bandido com o vírus HIV durante o filme.

A grande saga de Gavião em “Emoções Sexuais…” é encontrar seu pai, o caquético “velho Paçoca”, para matá-lo. Isso porque o idoso engravidou a mulher do filho enquanto ele esteve em cana. Gavião faz de tudo para que a mulher perca o bebê: esmurra sua barriga da mulher, impede que ela coma, e no final ateia fogo no casebre – com ela dentro. E para garantir que a adúltera não fuja, trata de amarrá-la e colocar um saco em sua cabeça.

O criminoso fica sabendo que o pai também traçou a própria filha, ao ver o proeminente barrigão dela. O diálogo entre Gavião e a irmã é um dos momentos mais engraçados do filme.

“Quem é o pai da criança?”, pergunta o bandidão. “O pai”, responde a irmã. “Que pai?”, volta a questionar Gavião. “O nosso pai”, explica a irmã. “Velho fedido. Eu vou comer o cu daquele velho filho da puta“, resmunga o fugitivo, saindo no encalço do velho tarado.

Durante sua busca, Gavião obriga um médico a chupar uma ferida em seu braço, para infectá-lo com o vírus da Aids (a punição foi porque o médico prometeu uma cura para a doença e não cumpriu a promessa), e ainda mata um homossexual em uma boate, abrindo o tórax dele com uma motosserra. 

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O Cafetão - 1982

Duas poderosas quadrilhas, encabeçadas por Juarez (Ruy Leal) e Gaspar (João Paulo), disputam pontos de prostituição e venda de drogas e acabam entrando em guerra. Um grande ataque de Gaspar quase mata Juarez, que promete liquidar de vez seu adversário. Para financiar a operação, Juarez providencia uma enorme quantia de dinheiro. Gaspar é mais rápido, fica sabendo do plano do rival e manda seus capangas se apossarem do dinheiro. No meio do tiroteio entre as quadrilhas, a mala de dinheiro vai parar nas mãos de Pedro (Francisco Cavalcanti), um pobre engraxate que não faz ideia do que está acontecendo. 

 

 

12 HORAS ATÉ O AMANHECER (2006) / MINHATECA

Percorrendo uma única e fatídica noite, na gigantesca metrópole de São Paulo, JOURNEY TO THE END OF THE NIGHT é um duro thriller policial, sobre uma operação ilícita que deu para o torto...
Dois americanos no exílio, Rosso (Scott Glenn) e o seu filho Paul (Brendan Fraser) têm ganho a vida no Brasil a gerir um bordel, mas ambos sonham em abandonar aquele negócio de uma vez por todas. Uma noite, parece que as suas preces foram ouvidas, quando um cliente se esqueceu de uma mala cujo conteúdo lhes permitiria mudar o rumo das suas vidas. Rosso pensa levar a sua bela e jovem esposa, Angie (Catalina Sandino Moreno) e o filho de ambos de 5 anos, para uma outra cidade, o mais afastada possível. Paul deseja fugir às dívidas, à cada vez maior dependência da cocaína e finalmente do seu pai, que despreza e culpa por todos os seus problemas.
Tudo depende de uma única pessoa - um emigrante nigeriano chamado Wemba (Mos Def). Mas para isso este terá de sobreviver no meio da perigosa noite de São Paulo.

Direção: Eric Eason
Elenco:
Brendan Fraser
Mos Def
Scott Glenn
Alice Braga
Catalina Sandino Moreno
Ruy Polanah
Matheus Nachtergaele
Gilson Adalberto Gomes
Milhem Cortaz
Luke Denis Nolan
Antonio Pinto
Vadin Nikitin

Cabo do Medo (1991) Dublado / MINHATECA / Depositfiles  / GDrive SENHA: LeMMy

Martin Scorsese provou que remakes não são apenas trabalho de diretores de segundo escalão ao comandar com maestria esta refilmagem de Círculo do Medo, thriller de 1962. Robert DeNiro interpreta um ex-presidiário que acaba de ganhar a liberdade após 14 anos de sofrimento. Motivado a vingar-se do defensor público (Nick Nolte) responsável por sua condenação, o sujeito arquiteta um plano para causar desequilíbrio na harmoniosa vida familiar do advogado, onde a sedução de sua filha adolescente (Juliette Lewis) é apenas o princípio. Apesar de alguns tropeços e o exagerado final, ainda assim um filme tenso, repleto de atuações memoráveis.

 

Violento e profano / 1Fichier

"Nil by mouth", de Gary Oldman (1997)

"Violento e profano" é um filme obrigatório, uma mistura de "Trainspotting" e "Zona de conflito", esse também dirigido por um ator, Tim Roth. Os 3 filmes estão entre os melhores filmes ingleses dos anos 90, e falam sobre viciados em drogas e violência doméstica. Gary Oldman, ator mundialmente conhecido por tantas performances antológicas, dedicou esse filme ao seu pai. Sabe-se que Oldman teve uma infância difícil, e cresceu na periferia de Londres. Seu pai era violento, e ele procura mostrar no filme toda a memória emotiva que ele guardou dentro de si. Raymond (Ray Winstone) é um trabalhador alcoólatra. Ele mora com sua esposa grávida, Valerie (Kathy Burke) e uma filha pequena. Seu cunhado, Billy, é um viciado em drogas e vive roubando coisas para alimentar o seu vício. A mãe de Valerie e Billy, Janet (Laila Morse, irmã de Gary Oldman) é uma operária e precisa lidar com a violência vivida pelos seus filhos. Raymond é ciumento,e constantemente espanca sua esposa. Valerie decide sair de casa, mas Raymond vai atrás dela. A performance dos 4 atores principais é digna de nota e obrigatório para todos os atores assistirem. Nunca foi fácil interpretar bêbado, mas Ray Winstone faz com uma verdade impressionante. Kathy Burke comove com o seu silêncio doloroso, e suas cenas são fenomenais. A trilha sonora, de Eric Clapton, envolve o filme com muita melancolia, e a fotografia, em tons azulados, não dá nenhuma concessão a um momento de felicidade. Aliás, só lá pelo desfecho existe um momento de cor, em um pub karaokê. Só isso. A direção de Oldman é precisa, econômica, com a câmera sempre no lugar certo. Incrível como que, após realizar esse filme, ele não tenha dirigido mais nada. É um trabalho de profissional, ser Ator com certeza o ajudou na realização desse filme primoroso. Para os Atores, o filme é recheado de bons monólogos. 

ROBOCOP, O POLICIAL DO FUTURO (1987) Dublado / Minhateca / Mega

Depois de ter sido mortalmente ferido em cerco a marginais, policial (Peter Weller) transformado num misto de máquina e homem a serviço da justiça. quando tem que enfrentar uma gangue disposta a dominar a cidade, sob a custódia legal de poderoso executivo.

 

Os infelizes / Depositfiles

" De helaasheid der dingen/ The misfortunates" , de Felix Van Groeningen (2009)
Drama com tintas de comédia melancólica, participou do Festival de Cannes em 2009, na Quinzena dos Realizadores.
O filme narra a história de Gunther, menino de 13 anos, que mora em uma cidade ma Bélgica. De família pobre, ele mora com seu pai e 3 tios, além da avó. Tanto o pai quanto os 3 tios são alcóolatras, e passam seus dias bebendo em casa, nos bares, arranjando confusão e pegando mulheres. Inclusive levam as mulheres em casa, transando em tudo quanto é lugar, para desespero da mãe deles, que nada pode fazer para impedir. Gunther observa o cotidiano sem perspectiva alguma de melhora de sua família, e procura refletir se o seu futuro será o mesmo para ele. Seu sonho é se tornar um roteirista, e poder ser alguém na vida. O filme trabalha com 2 narrativas: o presente, que mostra Gunther já adulto, e desesperado, ao achar que a sua vida é tão ruim quanto a de seu pai e tios. Ele tenta ser roteirista, mas os roteiros são rejeitados pelas editoras. Está enamorado de uma garota, que engravida. Ele sente repulsa pelo filho que vai nascer, porquê repete exatamente a sua vida, já que ele também foi gerado por acidente.
O filme é vendido como comédia, mas ele está aquém disso. Pode ser comédia, mas é muito acre-doce. É um drama triste, disfarçado de fanfarronice. Os personagens são trágicos, dignos de piedade, porém bem realistas. Os atores são ótimos, e evitam o estereótipo do bêbado, apesar da caracterização dos tipos beirar a caricatura. A atriz que interpreta a avó de Gunther é excelente, assim como o garoto que interpreta Gunther.
O filme tem cenas memoráveis ( a corrida de bicicleta com todos os homens nus; a lição que o pai dá ao filho pequeno para aprender a andar de bicicleta...), e a direção privilegia o uso de câmera na mão, fazendo quase que um registro documental da vida dessa família bizarra. 

HOOLIGANS (Dublado) – 2005

Após ser expulso injustamente da Universidade de Harvard, Matt Bruckner (Elijah Wood) decide ir para a casa de sua irmã em Londres. Lá ele faz amizade com seu cunhado, Peter Dunham (Charlie Hunnam), que o apresenta ao submundo dos hooligans do futebol inglês. Logo Matt aprende a marcar seu território, através das amizades que desenvolve neste mundo secreto e violento.

 

PERDIDOS "Strayed", de Akan Satayev (2009)

Filme do Cazaquistão, foi indicado pelo seu país para ser o representante de filme estrangeiro no Oscar, mas não chegou à final. O filme é um ótimo drama de suspense psicológico, com uma trama mirabolante que percorre o realismo fantástico. Um homem viaja de carro com mulher e filho. Ao atravessarem o deserto, o carro quebra. A mulher fica estressada, o filho reclama de fome e sede. O homem passivamente escuta as reclamações. Eles passam a noite ali no carro. Ao acordar, o homem percebe que a mulher e o filho desapareceram. Ele vai até uma cabana abandonada e lá encontra um homem sua filha. Ao perguntar para eles do paradeiro da família, eles o instigam a tentar resolver o mistério. Com uma bela direção e uma trama de final surpreendente, o filme comprova que não é somente Hollywood que sabe fazer filmes com finais cheios de reviravoltas. O ator Andrei Mirzikilim está excelente no papel principal, alternando momento de loucura e angustia. Um filme que vale ser visto.

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Wet & Rope (1979) / Legenda

Após ser estuprada, Miki tenta cometer suicídio, porém, um amigável padre surge no momento e a impede. A partir daí, Miki resolve ser freira. Assim que entra no convento, ela se torna novamente uma vítima de abuso sexual.

 

EU (1987) / MEGA SENHA: cinebra

Walter Hugo Khouri em meados dos anos 80, em Dolby Stereo, sem uma peça-chave da equipe dos 70 (sai Rogério Duprat da direção musical, entra Júlio Medaglia) e a continuação da temática de Marcelo (Tarcísio Meira), desta vez focada no relacionamento pai/filha.

“Introduzindo Monique Evans” e um marketing agressivo na figura de Tarcísio – sucesso na época, galã da novela “Roda de Fogo” –, “Eu” (1986) deixa a desejar no sentido da densidade do personagem-chave (Marcelo), visto aqui como um maratonista sexual sem o mesmo esmero ou os subterfúgios de um “Eros, O Deus do Amor” (1981) ou de um “O Último Êxtase” (1973), para citarmos dois exemplos clássicos.

Aliás, ainda sobre “O Último Êxtase” vale a pena citá-lo até para se corrigir o erro comum de se classificar “Eu” como primeiro e único filme de Khouri rodado quase todo em externas. Ocorre que as externas são apenas mais “alegres”, ou menos pessimistas, do que as de “O Último Êxtase” – 13 anos mais velho –, que possui a mesma integração crucial com o cenário.

Em “Eu”, Marcelo deixa a garçonnière em São Paulo, herdada do pai – e que pode ser a mesma de “Eros”, já que em ambos os filmes o personagem regula a mesma idade – para passar o réveillon na casa de praia, acompanhado das gazelas Renata (Monique Lafond) e Liana (Nicole Puzzi). Duas scorts que circulam pelas rodas de senhores mais velhos, como o próprio Marcelo e Jeremias (Walter Forster, que também apareceu ao lado de Tarcísio em “Amor Estranho Amor”).

Para o azar de Marcelo, quando menos se espera aparecem a filha, Berenice (Bia Seidl), e a amiga da filha (Cristiane Torloni), separando-se os dois núcleos femininos que passam a competir entre si: Renata e Liana, vistas como forasteiras, alvo de vergonha particular; Berenice e Beatriz, encarnações da família respeitável, que inclui ainda a criadagem da mansão, que o acompanha há séculos.

As posturas opostas desses dois núcleos vão articulando a tensão que desagüará no final. Berenice fingindo naturalidade com as conquistas do pai; Renata defendendo seu métier e dominando Liana; Beatriz virando caça aos olhos de um Marcelo que avança sobre o território da filha – já que Beatriz e Berenice parecem ter uma amizade pra lá de carinhosa.

Cinqüentão, procurando engolir o feminino – closes das nucas das personagens são simbólicos neste sentido –, o empresário trafega naquela fase da vida que vai do crepúsculo da maturidade ao medo da morte. Tentando cobrir esse gap com hiper-atividade sexual, “Eu” revela sobretudo o desejo carnal por Berenice, encarada como uma promessa de amor duradouro, feliz.

Correndo por fora, como uma fuga para a impossibilidade desse desejo, está Liana, que procura um substituto para o pai morto. Lembrando uma das melhores fixações de Khouri, em alto estilo, o diretor-roteirista coloca-a falando sobre os preparativos do enterro – “eu que tive que lavar e limpar meu pai” – enquanto Marcelo tenta atinar o sentido da confissão – “por que ela está me contando isso?” –, antes de sonhar que a penetra como um simulacro da filha.

Por outro lado, também existe em “Eu” – a começar pelo título – outra frente de batalha do roteiro: a busca pelo individualismo profundo, que passa longe da superficialidade de pensar em Marcelo como um “egoísta” bobo, “que só pensa em si mesmo”.

O fato é que o estado de entranhamento do personagem vem do conflito central de precisar escolher entre ser um pai bom ou o conquistador que agarra todas que vê pela frente. “O que que eu vim fazer aqui?” se pergunta, abraçado a Renata e Liana.

E num desespero que não vai embora, que se aproxima da velhice e do ceticismo diante de tudo, surge o individualismo como escolha consciente, criteriosa: “Eu só acredito em pessoas, em gente que faz as coisas. Indivíduos. O mundo se tornou um horror [...].” Completando a seguir, com o sorriso canastra: “mas não é culpa minha”, como se quisesse dizer “ as coisas são assim, mas carpe diem!”, investindo novamente sobre a interlocutora (Beatriz), num ciclo interminável.

A chegada felliniana de Diana (Monique Evans) – em um helicóptero – degringola a situação após um faniquito da garota, que leva consigo Renata e Liana. Beatriz – que há pouco encarnava uma espécie de Geneviève Graad, olhando pensativa para um navio semelhante ao de “Palácio dos Anjos” (1970) – sai no mesmo dia, para rever o ex-namorado. Sozinhos os dois, Berenice e Marcelo concretizam o improvável. Mais adiante, deixa-se implícita a separação – a voracidade vence qualquer promessa de estabilidade.

Antonio Meliande assina a direção de fotografia, “Rupert” Khouri na câmera e Aníbal Massaini na produção executiva deste 22º. filme do diretor. Um pouco aquém do esperado, um pouco além das expectativas do público à cata de mulheres e delírios maliciosos. “Eu” pode não atingir a ascese propriamente dita, mas destaca-se como o capítulo de algo muito maior, conseguido antes e depois, em mais de uma dezena de filmes.

Direção: Valter Hugo Khoury

ELENCO
• Tarcísio Meira .... Marcelo
• Christiane Torloni .... Beatriz
• Bia Seidl .... Berenice
• Nicole Puzzi .... Lila
• Monique Lafond .... Renata
• Monique Evans .... Diana
• Sônia Clara .... Ada
• Walter Forster .... Jeremias
• Luciana Clark .... Ana
• Moacyr Deriquém .... Giovanni
• Analy Alvarez .... Clara

 

 Imagem

Uma Fêmea do Outro Mundo (1979) MEGA

Márcia conhece empresários com problemas na justiça, relacionados às mortes de funcionários deles, e os chantageia fazendo-os acreditar que as vítimas eram irmãos dela. Após encontros amorosos, Márcia desaparece deixando sua roupa e uma rosa vermelha sobre a cama. Aos empresários que vão procurá-la, a avó de Márcia conta sobre a morte da neta acontecida há anos. No cemitério, eles encontram o túmulo de Márcia. O que teria acontecido?

Direção: Jorge Figueira Gama

ELENCO

Kate Lyra
Milton Villar
Roberto Pirilo
Anilza Leone
Wilson Grey

BEM CASADOS (2015) / MEGA / Minhateca / Brupload / Uploaded

Elenco:

João Gabriel Vasconcellos, Bianca Comparato, Camila Morgado, Alexandre Borges, Luiza Mariani (Bruninha), Letícia Lima, Augusto Madeira, Christine Fernandes, Xuxa Lopes, Rosi Campos, Carlo Briani, Fernando São Thiago, Cora Zobaran, Fernanda Nizzato, Ingra Liberato, Juliana Luna

Dirigido por Aluizio Abranches (Um Copo De Cólera), Bem Casados é mais uma daquelas comédias que se apoia no bom elenco que tem para poder cair no gosto do público. Com uma narrativa cheia de altos e baixos, o maior destaque do longa realmente fica por conta das boas atuações do casal protagonista.

Com alguns trabalhos realizados juntos na TV, Alexandre Borges (Meus Dois Amores) e Camila Morgado (Olga) mais uma vez apresentam um bom entrosamento na hora de transmitir os conflitos vividos por seus personagens.

A atriz, por sinal, é a maior virtude do longa. Com um estilo a lá Audrey Hepburn, de Bonequinha De Luxo, e Jennifer Lawrence, de O Lado Bom Da Vida, Morgado cria empatia com o público ao trazer as nuances de uma mulher atrapalhada e com atitudes pouco convencionais. Destaque para a cena em que ela começa a discutir com uma garotinha durante a festa do casamento que deseja sabotar.

Outro fator positivo é que o filme consegue manter um tom engraçado sem cair no besteirol. Aqui, o riso se apoia nas próprias situações e não nas piadas forçadas, que sempre aparecem na tentativa de arrancar uma risada fora de hora. Felizmente, Bem Casados não faz deboche e não tenta ser agressivo.

Na história, Heitor (Borges) é um solteirão convicto de 40 anos que ganha a vida fotografando casamentos. Enquanto se prepara para um novo trabalho, ele conhece Penélope (Morgado), uma mulher sensual e independente que quer colocar um fim na alegria dos noivos Bruninha (Luiza Mariani) e Jaquinho (João Gabriel Vasconcellos).

Querendo executar o seu plano a todo custo, a moça se infiltra na equipe de filmagens de Heitor e junto com ele acaba se envolvendo em várias confusões.

Mesmo com algumas qualidades, infelizmente o filme tropeça em pontos importantes. Além de ter vários clichês, a história escorrega no excesso de personagens. A sensação é que todos os envolvidos com a trama, incluindo os com participações menores, precisam roubar a cena em algum momento.

Letícia Lima, conhecida por causa dos vídeos do grupo Porta dos Fundos, é um exemplo disso. Interpretando a amiga de Penélope, Lili, é verdade que a atriz se destaca com boas piadas, mas claramente é prejudicada pelo roteiro de Fernando São Thiago. É uma pena que sua personagem faça apenas pequenas participações.

Sem grandes pretensões, Bem Casados acaba sendo agradável graças as boas atuações dos protagonistas e por tentar sair do lugar comum ao trazer uma história leve e descontraída. No entanto, está longe de se tornar uma referência da comédia, principalmente por desenvolver mal e ofuscar alguns personagens importantes da trama.

CARLOTA JOAQUINA, A PRINCESA DO BRAZIL (1995) / MinhatecaLEGENDA

Dirigido por Carla Camurati

Elenco:

Marieta Severo - Carlota Joaquina de Bourbon

Marco Nanini - Dom João VI de Bragança

Ludmila Dayer - Yolanda / Carlota Joaquina de Bourbon (criança)

Maria Fernanda - Rainha D. Maria I

Marcos Palmeira - D. Pedro I

Beth Goulart - Princesa Maria Teresa de Bragança

Antônio Abujamra - Conde de Mata-Porcos

Eliana Fonseca - Custódia

Norton Nascimento - Fernando Leão

Romeu Evaristo - Felisbindo

Bel Kutner - Francisca

Aldo Leite - Lobato, o 1.° visconde de Vila Nova da Rainha

Chris Hieatt - Lorde Strangford

Maria Ceiça - Gertrudes

Carlota Joaquina, a Princesa do Brasil” foi o Primeiro filme da diretora Carla Camurati.É considerado o marco zero da Retomada do Cinema Brasileiro, que ocorreu na segunda metade dos anos 90.Produzido com baixo orçamento e distribuição artesanal feita pela própria diretora.Estreou com apenas 4 cópias, e teve reações mornas em sua pré-estréia (que foi pública, com expectadores comuns, além dos jornalistas). Mas cresceu, ganhou o gosto do público e e se tornou o primeiro filme nacional da era pós-Collor a superar a barreira de 1 milhão de expectadores.

Devido ao baixo orçamento, São Luiz do Maranhão se tornou Lisboa. Planos fechados transformavam os poucos figurantes que o orçamento permitia em uma falsa multidão.O filme faz uma sátira de personagens e acontecimentos históricos, ao retratar a vida da princesa espanhola, que se tornou rainha de Portugal, precisou fugir às pressas de Napoleão e viver durante 13 anos no Brasil. Cheio de absurdos históricos e lendas que podem (ou não) ter um fundo de verdade.Tal abordagem da família real portuguesa, foi apresentada novamente anos mais tarde na minissérie para TV, O Quinto dos Infernos. Desta vez com conteúdo mais “picante”, mas ainda assim com uma inevitável comparação.

A melhor abordagem do que acontece no filme da diretora Carla Camurati é um painel da vida de Carlota Joaquina (Marieta Severo), a infanta espanhola que conheceu o príncipe de Portugal (Marco Nanini) com apenas dez anos e se decepcionou com o futuro marido. Sempre mostrou disposição para seus amantes e pelo poder e se sentiu tremendamente contrariada quando a corte portuguesa veio para o Brasil, tendo uma grande sensação de alívio quando foi embora.

A atuação de Marieta Severno é perfeita no filme. Apesar de ser uma comédia, é bastante interessante. Um dos poucos filmes de nosso país que vale a pena ser assistido. Digo isso porque não vejo grandes produções cinematográficas aqui. Só vemos filmes que falam sobre violência ou sexo, e não relatos históricos. Mas trago esses materiais a fim de divulgar que o Brasil é capaz, e devemos refletir numa pátria cinematograficamente promissora, especialmente no futuro.

Continuando sobre o tema, com tantas atrizes vivendo Carlota em cinema e minisséries, a então atriz mirim, Ludimila Dayer que viveu Carlota Joaquina na infância, recebeu o prêmio de “Atriz Revelação” da Associação de Críticos de Arte de São Paulo.

Mazzaropi - Nadando em Dinheiro (1952) / Mega / Minhateca

Com o grande sucesso de Sai da Frente, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz aposta em Mazzaropi para fazer filmes a toque de caixa. Tanto é que, no mesmo ano de sua estreia, a Companhia lança mais uma vez o comediante na tela grande.

Nadando em Dinheiro traz novamente o ingênuo chofer de caminhão Isidoro Colepícula em mais uma de suas aventuras. Neste segundo filme, vemos tanto um Amácio Mazzaropi com maior desenvoltura frente às câmeras quanto um Abílio Pereira de Almeida um pouquinho só mais interessante como roteirista e como diretor (embora tenha o auxílio de um certo Carlos Thiré na direção).

Isidoro tem uma reviravolta em sua vida pacata quando, em um incidente de trânsito, acaba conhecendo um homem que o conduz... ao avô do chofer, milionário e às vésperas da morte. A vultosa herança cai em suas mãos, tornando-o riquíssimo da noite para o dia.

Tratando de um tema tão surrado, quanto de um homem simplório que recebe de repente uma quantidade tão inimaginável de dinheiro, e na sua dificuldade em inserir-se em um meio cheio de fineza e elegância, o filme também trata das relações hipócritas baseadas em status social e fortuna. Que é a razão de todo o humor da película.

O filme tem um humor solene demais para um espectador atual. A vida de Colepícula transforma-se numa tragicomédia de um Tio Patinhas na São Paulo dos anos 1950. O filme traz momentos antológicos, como a cena de Isidoro se banhando em cédulas, ou dele se vingando do clubinho high society que não o leva a sério, substituindo a champanhe por cerveja preta. É talvez um caso isolado na filmografia de Mazzaropi, em vê-lo defendendo um personagem... mulherengo. O filme, mesmo com um “erotismo cifrado” aqui e ali, é extremamente moralista em demonstrar como o dinheiro corrompe as pessoas.

“Tive um pesadelo. Sonhei que era milionário”, diz Colepícula, acordando no final.

Nadando em Dinheiro sempre foi lembrado pela crítica, menos por seu valor cinematográfico, e mais para atacar Amácio Mazzaropi, por ter se tornado riquíssimo com os filmes que produzia. Mas Nadando em Dinheiro começa a lançar fundamentos que Amácio Mazzaropi irá explorar na imensa maioria dos filmes de sua carreira.

 

MEU AMIGO CLÁUDIA (2009)

Documentário de Dácio Pinheiro

Ótimo documentário sobre a vida de Claudia Wonder, travesti brasileiro que agitou a vida cultural de São Paulo dos anos 70 a 2000.
Nascido Marco Antonio em 65, Claudia foi renegada pelos pais, e entregue para criação para seus tios-avós. Já criança, demonstrava sua inquietação, uma pessoa diferente. Adolescente, gostava de se vestir de mulher, brincar de boneca. Até que um dia, foi vestido de mulher para uma boite, foi encaminhado preso e lá ficou por 15 dias. Depois descobriu que foi seu pai de criação quem o mandou ficar lá.
Começa aí a saga de Claudia Wonder, que teve esse seu apelido porque todos os seus amigos e amigas a chamavam de Claudia maravilha. E Ela achou chique mudar pro inglês.
Essa figura arredia e improvável, cresceu artisticamente durante o período da ditadura no país. Acompanhou tudo desde os anos 70, 80, 90 e 2000. Foi uma voz a favor das diretas já, lutou contra o preconceito.
Artista, performático, cantor de banda punk-rock, michê, ativista político, assistente social, atriz, atriz pornô. Claudia foi de tudo um pouco, daí a emoção de se acompanhar esse filme, que tecnicamente é pobre (a maioria das imagens são em VHS), mas tem um material de arquivo excelente que acompanha os anos de ferro no Brasil. Nos anos 80, criou uma banda punk, chamada "Vômito do mito", e se apresentava na lendária "Madama satã", antro de artistas e intelectuais paulistas, misturados a putas, travestis. Como eles mesmos diziam, a anarquia cultural se encontrava lá. Foi atriz de uma peça de Zé Celso, substituindo Sonia Braga, Ficou nua no palco. Protagonizou o primeiro filme explícito com travestis no país, "Sexo dos anormais", nos anos 80.
No período Collor, ela acabou indo pra Europa. Como Claudia diz, Collor acabou com a efervescência cultural, acabou com tudo o que era vanguarda e original. O seu governo deu lugar a artistas populares: lambada, sertanejos, axé, pagode, etc
Amiga de intelectuais e artistas, Claudia foi abraçada por todos. Militou a favor dos travestis e da diversidade, isso em plena ditadura. Jamais baixou a crista para nada.
Daí a importância desse documentário registrar a voz muito particular dessa artista inquietante. Vários artistas dão depoimentos: Sergio Mamberti, Kid Vinil, Graice Gianoukas, Leão Lobo, Caio Fernando Abreu, Zé Celso.
Claudia morreu em 2010, vítima de complicações da AIDS (a quem ela tanto combateu e ajudou a espalhar a campanha entre travestis , michês e putas), aos 55 anos.  

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Cazuza - O Tempo Não Para (2004)/ MINHATECA

Dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho

Elenco:

Daniel de Oliveira .... Cazuza

Marieta Severo .... Lucinha Araújo

Débora Falabella .... Dani

Reginaldo Faria .... João Araújo

Emílio de Mello .... Ezequiel Neves

Cadu Fávero .... Frejat

Arlindo Lopes .... Dé

Dudu Azevedo .... Guto

André Pfefer .... Mauricio

Leandra Leal .... Bebel Gilberto

Andréa Beltrão .... Malu

André Gonçalves .... Maneco

Eduardo Pires .... Serginho

Pierre Santos .... Tonico

Victor Hugo .... Bené

Maria Mariana .... Talita

Maria Flor .... Garota de Bauru

Fernanda Boechat .... Garota da Ponte

Laura de Vison .... Transformista da Boate

Sempre achei Val Kilmer - interpretando o astro do rock Jim Morrison, no filme The Doors - a melhor encarnação de um personagem do meio musical por um ator. Quem assistiu ao filme, sabe do que estou falando. Kilmer não interpreta, ele incorpora Morrinson. Hoje, já não falo da melhor atuação, mas das melhores. Depois de assistir a Cazuza - O Tempo Não Pára, , passei a considerar o impressionante trabalho do ator Daniel de Oliveira tão bom quanto.

Dirigido por Sandra Werneck, realizadora de Pequeno Dicionário Amoroso e Amores Possíveis, em parceria de Walter Carvalho, o premiado fotógrafo de Central do Brasil e Carandiru, Cazuza - O Tempo Não Pára é inspirado nos depoimentos do livro Só As Mães São Felizes, de Lucinha Araújo, mãe do cantor - interpretada no filme por Marieta Severo. O longa abarca pouco mais de 10 anos da vida do poeta, do início da sua carreira nos palcos do Circo Voador, em 1981, passando pelo sucesso alcançado junto com o Barão Vermelho e, depois, na carreira solo, até a morte prematura em 1990 vítima da Aids.

Quando recebeu o convite para dirigir o filme, Sandra Werneck pensou em fazer um misto de documentário e ficção sobre a vida do cantor. Durante os testes para escolher o protagonista, dos quais participaram 60 candidatos, a diretora conheceu Oliveira e seu potencial e decidiu-se definitivamente pela ficção. Além de muito parecido com o cantor, o jovem ator - que faz o mocinho conquistador da novela Cabloca - tinha uma "atitude Cazuza", como bem definiu a diretora.

Atitude é pouco. Oliveira, assim como Kilmer em The Doors, incorpora Cazuza nos mínimos detalhes. O gestual, a maneira de falar e até a voz são idênticos. No filme, parte das músicas é dublada pela voz de Cazuza e parte é cantada pelo ator. Apure os ouvidos e tente descobrir quem é quem. É quase impossível. Para se ter uma idéia, Ezequiel Neves, o Zeca, produtor musical e melhor amigo de Cazuza, não conseguiu discernir.

Cazuza - O Tempo não Pára tem produção caprichada, boas atuações, roteiro bem-amarrado e uma excelente direção de arte, conduzida por Cláudio Amaral Peixoto, de cujo currículo constam trabalhos como Dois Perdidos Numa Noite Suja e Lisbela e o Prisioneiro. Mas o maior mérito do filme é resgatar este personagem marcante e singular do cenário pop dos anos 80 e apresentá-lo às novas gerações. Num País de memória curta como o nosso, produções como esta são mais que bem-vindas.

Em tempo: completam o elenco os atores Reginaldo Faria (como João Araújo, pai de Cazuza), Emílio de Mello (como Ezequiel Neves), Leandra Leal e Andréa Beltrão (as amiga Bebel e Malu), André Gonçalves (como Maneco) e Débora Falabella numa participação especial.

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Amor, Plástico e Barulho (2013) / Minhateca

Dirigido por: Renata Pinheiro

ELENCO:

Jennyfer Caldas

Leo Pyrata

Maeve Jinkings Jaqueline

Nash Laila Shelly

Rodrigo García Rubi

Samuel Vieira

Shelly, uma jovem que sonha em se tornar cantora de brega, inicia sua carreira como dançarina de uma banda se apresentando em casas noturnas e programas de TV locais do Recife. Jaqueline, a cantora veterana da banda, é a sua inspiração e um possível espelho do seu destino. Inseridas em um mundo onde tudo é descartável, como o sucesso, o amor e a própria cidade na qual habitam, elas vivem a difícil trajetória em busca da sobrevivência pela arte que parece ser seu último recurso na vida.

 

CHUVAS DE VERÃO (1977)

"A vida não é como as águas do rio que passam sem descanso, nem como o sol que vai e volta sempre. A vida é uma chuva de verão, súbita e passageira, que se evapora ao cair."

Quando Isaura (Miriam Pires) lê para Afonso (Jofre Soares) a citação acima, o espectador já está completamente entregue a "Chuvas de Verão" (1978), obra-prima do diretor Carlos Diegues. Não utilizo a palavra "obra-prima" de forma leviana: aula de roteiro, direção, fotografia, e principalmente esforço interpretativo da própria Miriam, Jofre Soares, Rodolfo Arena e Loudes Mayer, transformaram -- passados trinta anos -- "Chuvas de Verão" em um dos melhores filmes do cinema brasileiro.

Ao revê-lo, muito impressiona como a arte fílmica nacional desaprendeu de lá pra cá, brutalizando o olhar atento e individualizado sobre o povo e a vida cotidiana em um arremedo de hipocrisia coletiva, superficialidade sociológica e terror bélico. Dói concluir que, apesar do salto no tempo, aquele subúrbio onírico de "Chuvas de Verão" ainda existe em algum lugar. Os personagens idem. Extinguiu-se, apenas, a vontade de retratá-los novamente.

Isso porque em "Chuvas de Verão" ninguém morre em nome do fetiche estético, a pobreza não busca expiações e a periferia não é tratada por um olhar infantilizante. No entanto, que bela crítica social é a figura de Afonso, um homem que dedicou toda vida à repartição, para em troca ser aposentado e receber como troféu uma caneta dourada. Obediente às normas, ciente dos seus deveres, Afonso jogou a vida fora. Está na hora de substituí-lo e devolvê-lo de pijama para uma casa pobre, onde como tantos esperará sozinho e resignado a morte.

Emulando um personagem qualquer do neo-realismo italiano, o homem velho sabe que viveu para nada. A partir dele fica claro que todos em volta habitam o mesmo dilema: a pianista fracassada, Dona Helô (Loudes Mayer), mãe de um inútil de 32 anos que nunca lhe dará netos; um ex-ponta esquerda do Bangu, que quase jogou no Vasco; o palhaço Guaraná (Rodolfo Arena), amigo de Afonso, que oculta um segredo terrível; e o x9 da polícia, Juracy (Paulo César Peréio), atuante na vizinhança como uma espécie de coringa.

É Juracy, conhecido como Pereba, quem dá as boas-vindas ao funcionário público depois da aposentadoria; é ele também que ajuda a filha de Seu Afonso, Dodora (Marieta Severo), a desmascarar a traição conjugal do marido; e será ele a apontar o dedo para o velho, que escondia em casa o bandido Lacraia (Luis Antonio), namorado da empregada Lurdinha (Cristina Aché). O drama do bandido Lacraia e o crime cometido pelo Palhaço Guaraná servem de informação ao público de que o roteiro não ignorava a violência urbana, tema já presente nos noticiários da época.

A vida futura de Afonso, depois da aposentadoria, resume-se a quatro dias. É cerceada imediatamente por funcionários da prefeitura, que derrubarão sua casa -- e o bairro tradicional -- para construírem um viaduto. O viaduto, metáfora da morte, da temporalidade, mas aceito de bom grado por Seu Afonso depois que concretiza a paixão reprimida por Isaura. Em um filme sobre a mediocridade, o sexo voluntarioso e libertário entre os dois velhos que bebem cerveja e escutam Francisco Alves não é chuva de verão: são águas de março, promessa de vida em resignados corações.

Cacá Diegues passou quase três anos escrevendo o roteiro, talvez para evitar que seu olhar de morador da zona sul -- alagoano de nascimento, foi criado em Botafogo -- contaminasse o espírito suburbano. De fato, chama atenção nos curtos 87 minutos de "Chuvas de Verão" a total ausência de estereótipos, e o despertar natural de uma empatia entre narrativa e público.

Sem qualquer julgamento por parte do diretor, a câmera apenas os observa. Somente Juracy, com suas frases de efeito ( "Eu tenho a cabeça boa, o que atrapalha é os pensamentos"), potencializado pelo tom excessivo e cativante de Paulo César Pereio, força a barra em um confronto. Os outros existem -- imperfeitos e observáveis.

A equipe passou semanas filmando em Marechal Hermes, zona norte do Rio, e em algumas outras locações da região, inclusive no Conjunto Habitacional Presidente Getúlio Vargas, Guadalupe, onde dez anos depois Cacá fez "Um Trem Para as Estrelas".

Moradia de Vina em "Um Trem Para as Estrelas" o popular Conjunto Deodoro aparece em "Chuvas de Verão" na cena da fuga de Lacraia, quando o motorista do táxi (Procópio Mariano) despeja um monólogo amargo, ilustrando em um desfile de impropérios a inutilidade da própria vida. O gordo Procópio, ator intuitivo e fabuloso, rouba a cena em entreato que deprime e exaspera.

"Chuvas de Verão" estaria no direito de ser, guardadas as ricas circunstâncias, uma experiência soturna, pesada. Pelo contrário, Cacá Diegues a conduz com tanta maestria e suavidade que terminamos o filme quase leves, felizes.

À verdade íntima de Seu Afonso, dos vizinhos, de cada um de nós, não importa a transitoriedade da vida e dos acontecimentos. Importa o que fazemos com eles, o almoço que preparamos para saciar nossa fome. Enquanto Dona Isaura após o sexo passa a usar vestidos claros,Carpe Diem, o aforismo do romano Horácio, cairia bem como resumo poético deste imperativo.

Dirigido por Cacá Diegues

ELENCO:

Jofre Soares.... Afonso

Miriam Pires.... Isaura

Paulo César Pereio...Juraci

Rodolfo Arena.... Lourenço

Daniel Filho.... Geraldinho

Marieta Severo.... Dodora

Sady Cabral.... Abelardo

Lourdes Mayer...Dona Helô

Gracinda Freire...Judith

Cristina Aché.... Lurdinha

Luís Antonio...Honório, o Lacraia

Roberto Bonfim...Delegado

Emmanuel Cavalcanti...Cardoso

Jorge Coutinho...Sanhaço

Carlos Gregório...Paulinho

Procópio Mariano...chófer de táxi

Zaira Zambelli...moça da repartição

Regina Casé...moça da repartição   

 

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TENDA DOS MILAGRES (1977)

Direção: Nelson Pereira dos Santos

Adaptação do romance de Jorge Amado publicado em 1969 na Bahia que descreve cenas do início do século XX, onde Pedro Archanjo, o ojuobá (olhos de Xangô) do Candomblé, mulato, capoeirista, tocador de violão e bedel da Faculdade de Medicina da Bahia, defende os direitos dos negros e mestiços afrodescendentes.

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Até que o Casamento nos Separe - 1968

Um filme de Flávio R. Tambellini com Mario Benvenutti, Ary Fontoura, Monique Lafond, Flávio R. Tambellini.

Depois de 16 anos casado, com dois filhos e esbanjador de uma vida cheia de luxo e riqueza, Danilo Ribeiro (Mário Benvenutti) fica cansado de viver à sombra de seu sogro milionário e de sua esposa Renata (Vera Barreto Leite). O ex-jurista começa a lembrar do quanto era sonhador e cheio de planos aos 16 anos e se vê em uma situação de conflito existencial, tendo em sua amante Denise (Anna Christie) a única forma de amenizar seu drama. Ao mesmo tempo em que sequer entende o que faz em seu trabalho como "genrocrata" e prefere largar tudo, não quer abrir mão de toda riqueza e conforto. 

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Junho - O Mês que Abalou o Brasil / Minhateca

Direção: João Wainer

O documentário mostra as manifestações que tomaram diversas cidades do Brasil em junho de 2013. A revolta de proporção nacional ganhou expressão em São Paulo, quando uma passeata contra o aumento das tarifas do transporte público foi duramente reprimida pelas forças policiais. As reivindicações aumentaram, havendo protestos contra a corrupção, falta de serviços públicos e gastos excessivos com a Copa do Mundo. O movimento evoluiu, ganhou o país e mais de um milhão de pessoas foram às ruas.

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CASAMENTO BLINDADO (2013)

Casamento Blindado é um especial que conta a história de três casais (Antonio Carlos e Clarinha, Alan e Pillar e Diogo e Amanda). Através deles, o telespectador vai conhecer alegrias, batalhas e frustrações de seus relacionamentos. Roteirizado por Bosco Brasil. A direção é de Del Rangel.

Elenco:

Guilherme Berenguer
Renata Dominguez
Roger Gobeth
Adriana Garambone
Ricky Tavares
Pérola Faria

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1981 - O Ano Rubro-Negro /  MINHATECA

O canal de TV por assinatura ESPN Brasil exibiu o documentário 1981, o Ano Rubro-Negro, que também é o título do livro de Dudu Monsanto jornalista da ESPN Brasil.

O documentário é uma coprodução da ESPN no Brasil com a produtora Gullane Entretenimento e foi dirigido por Dudu Monsanto, apresentador e narrador dos canais ESPN.

O documentário conta a história da maior conquista da história do Flamengo: o título mundial de clubes de 1981, que completou 30 anos no dia 13 de dezembro.

"A final contra o Liverpool, campeão europeu, foi disputada em Tóquio, e os japoneses acompanharam uma exibição sublime dos rubro-negros. O placar de 3×0 foi construído em apenas 41 minutos, e o time brasileiro virou sinônimo de futebol-arte, arrancando aplausos até das torcidas adversárias", conta Monsanto.

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Luar do Sertão (1971) / Minhateca / Mega senha: fromking

Numa cidadezinha do interior paulista, todos vivem felizes: Tinoco e sua noiva Joana, 
Pirulito e Nhá Barbina. Um dia chegam os homens encarregados de abrir uma estrada de 
ferro e, com eles, os aborrecimentos. Paulo, um dos engenheiros, tenta afastar Joana 
de Tinoco. Este é acusado do roubo do dinheiro dos operários e vai preso. 
Tonico pressiona o delegado a investigar o caso, para que Tinoco prove sua inocência.

Direção: Oswaldo de Oliveira

ELENCO

Tonico
Tinoco
Petrus Bakker
Nhá Barbina
Marlene Costa
Wilson Louzada
Pirolito  

Matadouro Parte 2: Prelúdio (2014) / MEGA

Direção: Carlos Junior

Elenco: Fabíola Antico, Thiago dos Santos, Ana Carolina, Carlos Cesar Gonçalves, Cammila Sanches, Leandro Martins, Brunno Alexandre, Kelly Andrade, DW Douglas, Maicon Amaral, Bruno Henrique Gordon, Ricardo Araújo, Fernando Novaes, Ailton Ricardo, Stephanie Berlini, Laura Marafante, Bruno Diego, Lucas Zanata

Um grupo de amigos indo para uma festa de natal em uma casa afastada da cidade. O cenário perfeito para uma tragédia começar. Durante vários minutos, somos apresentados a vários jovens em meio a muita bebedeira e curtição, sem dar a minima pra mais nada. Se divertindo muito, eles se filmam curtindo a noitada até desmaiarem de bêbados e cansados. Afinal de contas, nunca esperamos uma tragédia. E é nessa hora que o horror começa. E um dos assassinos é o responsável por documentar todo o cenário de tortura, sangue e sofrimento das vítimas, que, uma a uma, são exterminadas de forma impiedosa, porém este também não perde a oportunidade de gozar de alguns momentos oportunos. Gritos e mais gritos, abafados pela impotência das próprias vítimas, que nada podem fazer perante a sua morte iminente.

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MATADOURO (2012) / Minhateca

Dirigido por: Carlos Junior

ELENCO:

Bruno Diego

Carlos Junior

Daisy Cris

Fabíola Antico

Juliano Pires

Kauane dos Santos

Mylena Vendramini

Robson Mosquim

Cinco Jovens, com o único objetivo de voltar para casa, param com o carro na estrada por um motivo banal e, um a um, desaparecem, alguns sem deixar rastro, outros, deixando um traço de sangue que os leva a procurar os amigos, levando-os ao meio do nada, caindo nas mãos de um maníaco que tem como único objetivo, torturá-los, mata-los e se divertir um pouco com seu sofrimento. A câmera que eles carregam na viagem registra tudo. Do início, ao fim.

 

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A DESPEDIDA (2015)

O que você faria se descobrisse que sua vida está acabando? Antes de imaginar uma série de coisas incríveis, difíceis até de realizar, pense que algumas que parecem pequenas, talvez, possam ter um grande significado. Tudo depende do ponto de vista. E é assim, só que através da câmera (e do som!), que o espectador embarca na jornada de um dia em A Despedida, grande vencedor do Festival de Gramado 2014.

Um Almirante aposentado (Nelson Xavier), de 92 anos, já não comanda mais seu corpo, que revela seu extrato na forma de rugas, tremedeiras, falta de audição e no uso de fraldas. Em uma manhã, como se percebesse o chegar “da hora”, surpreende a família, dizendo que tomará café no bar de sempre. Mais do que isso, ele quer acertar uma “pendura” antiga com o dono do estabelecimento, primeira missão de um dia intenso que reserva, entre outros, um pedido de desculpas a um amigo de longa data e um aguardado reencontro com uma amante (Juliana Paes) 55 anos mais nova.

Novamente inspirado em experiências pessoais, dessa vez na vida do avô, o cineasta Marcelo Galvão (Colegas) apresenta com muita delicadeza um drama que faz o espectador, já nos primeiros minutos, vivenciar o momento. Seja pela estranheza nos minutos iniciais que a qualidade do som (uma grande sacada) irá causar, ou pela câmera, que acompanha no ritmo de um andador, ali passinho a passinho, as dificuldades enfrentadas pelo protagonista. É o que se percebe também na cena inicial com dois relógios, mais precisamente despertadores, deixando claro que o fator tempo e com ele um tema caro, a velhice, serão motivos para a reflexão dali por diante. “O problema não é ficar velho. É ter sido jovem”, dirá o protagonista.

Famoso por personagens memoráveis, Xavier surpreende logo de cara e, sem pudor, encara a nudez com absoluta naturalidade. Sua parceira de cena, famosa por suas curvas e trabalhos em novelas, aqui mergulha com a devida intensidade que a trama exige. Entre as curiosidades, na linha do “recordar é viver”, a trilha reserva uma audição de “Esses Moços, Pobres Moços”, de Lupicínio Rodrigues.

Com pequenas doses de humor, de suspense, e diálogos inspirados, o roteiro de Galvão é provocativo, nas palavras (“Na vida você pode ter várias mulheres, mas só uma pode ter você”) e nas imagens. É o que acontece na sensorial viagem do personagem, em preto e branco, ao som do piano de Ed Cortes, ou numa linda e sensual cena na banheira, capaz de fazer um incrível paralelo entre os dedos “enrugados” pelo tempo e pela exposição excessiva na água. E como a velhice chega para todos, A Despedida não é somente uma história de morte, mas um belo recado para valorizar a vida.

 

O MENINO E O MUNDO (2013) / 1Fichier / Minhateca

Alê Abreu já dirigiu vários curtas de animação e trabalha como artista plástico e publicitário. Tendo trabalhado para Cinema, Tevê e revistas, ele é um artista completo. Aqui, através da história de um menino pequeno, Cuca, Alê faz a sua visão crítica sobre a modernidade e de como ela destrói a individualidade e os sonhos. Desemprego, mídia massiva, máquinas substituindo o trabalho humano, desmatamento. São muitos os alertas descritos no filme. Talvez esse excesso torne o filme com um discurso panfletário demais, mas a trilha sonora nos preenche com tanto lirismo que nos deixamos levar pela narrativa. Cuca mora no campo com seus pais. Um dia, seu pai se despede para ir trabalhar na cidade grande. Cuca passa seus dias triste com saudades do pai, até que um dia, magicamente, ele é levado pelo vento e vai seguindo o caminho do campo até a cidade grande, tendo assim, a oportunidade de encontrar o seu pai. Mas no caminho ele encontra vários percalços que futuramente irão refletir em sua vida adulta. Curioso como na essência o filme tem algo semelhante a "Shaun, o carneiro", que também está na disputa do Oscar. Campo X Cidade grande, a ausência de fala nos personagens (nos 2 filmes os adultos falam uma língua própria), o uso da trilha sonora como forma de encantamento e a crítica ao homem da cidade grande e ao mundo dos adultos. São filmes que enaltecem o lirismo e a inocência (criança X carneiros). Visualmente o filme é sensacional, recheado de cores e de magia através de amostragem de grupos folclóricos que surgem no filme. No final, senti até uma breve homenagem a "Noites de Cabíria", de Fellini, com um grupo meio cigano entoando flautas e seguindo a estrada, felizes. Fico na dúvida se esse filme atinge o público infantil. Ele tem um ritmo bem lento e a mensagem um pouco complexa para os pequeninos. Vale assistir pela beleza e pela magia. 

 

 

FILME DE AMOR (2003)

Direção: Júlio Bressane

Elenco:

Bel García ... Hilda
Josi Antello ... Matilda
Fernando Eiras ... Gaspar

Em seu filme 25° de uma vida dedicada ao cinema, Júlio Bressane afia a faca e dilacera meticulosamente sua própria cabeça. O cineasta, um dos poucos nomes que assina um cinema experimental no país, faz seu trabalho com a urgência da improvisação. Apesar do planejamento prévio, Bressane gosta de falar que seus filmes nascem e se transformam no vivo momento de sua produção. É ali, no calor do set, que os fantasmas dos filmes - conseqüentemente os fantasmas que habitam a cabeça de seu criador - aparecem e tomam conta do lugar.

Sem maiores introduções, e como numa encruzilhada, Filme de amor pode ser encarado de duas formas iniciais, mas não únicas: uma parábola sobre o sentimento explícito no título e (ou) uma autópsia de toda a obra pregressa de seu dono.

Assim como em todo o cinema de Bressane, e mais escancaradamente neste Filme de amor, a experiência com a película não acaba ali, no momento em que as imagens terminam e os créditos dão um respiro ao espectador. Nada de papinha batida: uma longuíssima e pesada digestão se segue, começando ironicamente no fim de tudo.

Seguindo sua tradição de inspirações literário-filosóficas, desta vez, Bressane se apossa declaradamente do mito grego das Três Graças: três mulheres que representam o amor, a beleza e o prazer - uma delas aqui substituída por um homem. E é aqui que ele fundamenta, em parte, esta produção.

Como num breve prólogo, o primeiro plano retrata com afinco o movimento do mar nas pedras. O enquadramento fechado já é suficiente para causar náuseas: a certo momento, não se sabe mais precisar o tamanho do que se vê - se são ondas batendo em rochedos ou a marola preguiçosa lambendo um pequeno pedaço de chão em pedra. E é ali, no ambiente alienígena da orla, que os personagens se apresentam.

O filme gira em torno de três amigos, moradores banais do subúrbio carioca, que levam uma vida medíocre e desinteressante. Encontramo-nos com eles quando, num fim de semana, um quase irritante movimento de câmera mostra que os três vão se encontrar no quarto-e-sala alugado pelo rapaz.

O encontro começa com sussurros quase inaudíveis entre eles, dando uma falsa idéia da vulgaridade cotidiana que poderia se seguir daí. A impressão é quebrada quando os três começam sua jornada em busca de um intervalo prazeroso dentro de suas vidas estúpidas.

Acompanhando a peregrinação dos personagens, o diretor inicia sua análise das facetas do amor, transformando tudo num espetáculo para os sentidos. O filme enjoa, excita, abusa, assusta, entedia, segue por aí - e é de se imaginar que essa sinestesia seja totalmente proposital.

Filme de amor é também um exagero de simbologias. Da lâmpada cambaleante no canto da cena ao vôo dos personagens, passando por uma tigela de leite e um inusitado ferro de passar roupas transformado numa frigideira, tudo ali tem seu significado particular.

A pornografia, tão cara a Bressane, é ponto presente em todo o filme, provando que nada é mais belo do que o sexo, em todos os sentidos além do banal presente na cabeça de qualquer adolescente. Bressane despedaça o amor no sexo literato, nas celebrações da palavra falada. Há sim também o sexo puro e carnal, a felação nas sombras e a ejaculação explícita na tela. Mas mesmo nessas, a frieza e a ironia com que os personagens tratam torna tudo de um simbolismo ímpar. Nada ali é puro sexo. Nem mesmo a vulva depilada, longamente mostrada em close, é simplesmente uma vulva.

A fragmentação dos papéis ajuda a confundir, para o bem, a cabeça de quem está assistindo. Em teoria, cada personagem representaria um aspecto da mitologia ali aplicada. Mas não demora para que os três aspectos se confundam em cada um - como acontece em qualquer estereótipo da vida real. Em alguns momentos, os personagens mantêm uma distância tão grande entre si, que é difícil absorver o que eles realmente são. Como semideuses neuróticos, cada um tem uma personalidade única a cada cena, que vai e volta e se mistura com outra. A teatralidade aplicada às interpretações dos três atores também poderia atrapalhar a identificação dos personagens. Algumas declamações soam tão literais que destroem a verossimilhança suburbana que num certo momento se esboçou em construir. Mas então já se está tão absorvido na coisa toda que nem é preciso ligar mais pra isso.

Ao final, sem concluir se tudo já foi experimentado ou estudado, é hora de voltar à tona. O império dos prazeres vai para dentro do baú e os três voltam à rotina do começo do filme, encarando a segunda-feira como os três colegas anônimos que trabalham num decadente prédio comercial do Rio de Janeiro. E é assustador pensar como na última cena, que deveria ser a mais banal de todas, Bressane consegue construir o ponto alto.

Ao longo do filme é que se pode perceber a fina reflexão de Bressane sobre sua própria obra. Personagens declamam falas de outros filmes, diálogos estranhos à cena aparecem aqui e ali, vindos também de outros trabalhos. No seu filme mais cru e mais produzido (segundo ele mesmo) Bressane olha para dentro de si mesmo e mostra o que enxerga.

Filme de amor é uma obra multifacetada, como é toda a filmografia do diretor. Quando apresentou seu filme no Festival de Brasília, no ano passado, Bressane pediu: "tenham tolerância". Parte do público vaiou, mas o filme saiu consagrado do festival.

Tolerância é, sim, necessária para enfrentar Filme de amor. Mas a viagem compensa.

 

ROOKIE: UM PROFISSIONAL DO PERIGO (Dublado) – 1990

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Diretor: Clint Eastwood

Elenco:

Clint Eastwood — Nick Pulovski

Charlie Sheen — David Ackerman

Raul Julia — Strom

Sonia Braga — Liesl

Tom Skerritt — Eugene Ackerman

Lara Flynn Boyle — Sarah

Pepe Serna — Tenente Ray Garcia

Marco Rodríguez — Loco

Pete Randall — Cruz

Donna Mitchell — Laura Ackerman

Xander Berkeley — Blackwell

Hal Williams — Powel

Explosiva aventura policial que marcou o retorno do astro Clint Eastwood (Perseguidor Implacável) aos filmes de pura ação. Além de dirigir, é de Clint o papel do tira veterano e durão, Nick Pulocski, que se une a um novato e jovem parceiro, David Ackerman (Charlie Sheen, de Platoon e Wall Street ), para combater uma perigosa quadrilha especializada em furtos de automóveis. Raul Julia (Acima de Qualquer Suspeita) e a brasileira Sonia Braga (O Beijo da Mulher Aranha) encarnam os implacáveis líderes da tal quadrilha, também responsável pela morte do melhor amigo de Pulovski. Prepare-se para explosões, perseguições, tiroteios e muita ação! 

Laços de Sangue - 2013 (Dublado)

"Blood ties", de Guillaume Canet (2013)

Refilmagem de um filme francês de mesmo título, essa primeira incursão do Cineasta e ator francês Guillaume Canet em Hollywood impressiona pelo elenco multi-estelar. Clive Owen, Marion Cotillard, Mila Kunis, James Caan, Matthias Schoenaerts, Lili Taylor, Zoe Saldana, entre outros. Porém, assim como outro filme recente que assisti,"Tudo por justiça", também com super-elenco, não empolga nem emociona. Curioso é que ambos tem Zoe Saldana fazendo o papel da mulher em conflito entre dois amores. Chris (Owen) sai da prisão, e reencontra seu irmão policial, Frank (Billy Crudup) e sua esposa prostituta, Vanessa (Cotillard). Chris tenta um emprego decente, mas acaba voltando ao mundo do crime. Seu irmão Frank tenta demovê-lo da idéia, mas a lei do mais forte fala mais alto. Uma fotografia fenomenal de Christophe Offenstein, que também assinou "Não conte a ninguém", de Canet, todo em tons lavados. A trilha sonora, recheada de pérolas pops dos anos 70, como "Sugar baby love". A direção de arte impressionante, recriando a Nova York do ano de 1974. A maquiagem e cabelo estão de parabéns, mostrando um visual mais natural e nada daquele universo fake fashion do filme "A trapaça", que só me fez passar o filme inteiro vendo as perucas dos personagens. Uma pena que esse épico, tão cheio de boas intenções, tenha ficado no meio do caminho. Melodramático, com citações a dramas familiares a la "O poderoso Chefão", o filme vai deixar mais marcas pelo seu potencial técnico do que pelo filme em si. Algumas boas cenas, como a da execução de um crime em um bar, e o final, numa estação de trem. A da perseguição de carros no desfecho também impressiona pela produção, que fechou ruas e pontes em NY.

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PSICOPATA AMERICANO (2000) Dublado

 A violência gratuita e a competição feroz do mundo atual são os temas principais de Psicopata Americano, um filme que critica, satiriza e ataca frontalmente o estilo de vida vazio e sem sentido dos jovens executivos.

O personagem principal é Patrick Bateman, um yuppie nova-iorquino que tem as melhores roupas, os melhores carros e os mais cobiçados objetos de consumo, mas parece nunca estar satisfeito. Retratando a loucura do próprio ambiente em que vive, ele é capaz de matar pelos motivos mais fúteis. Misturando suspense com humor negro, o filme não poupa críticas à sociedade ocidental, que prega o acúmulo indiscriminado de riquezas levado até as últimas conseqüências. O argumento original é do livro homônimo escrito por Easton Ellis há quase dez anos.

Este segundo longa-metragem da diretora Mary Harron (o primeiro foi Um Tiro para Andy Wharol) foi beneficiado pelo marketing gratuito que obteve antes mesmo do início das filmagens, logo após a recusa de Leonardo Di Caprio em interpretar o papel título. Psicopata Americano seria o primeiro filme estrelado por Di Caprio depois do megasucesso Titanic, mas o astro pulou fora do projeto. Em seu lugar ficou Christian Bale, o ex-garoto do drama de guerra O Império do Sol, que se saiu muito bem no papel.

Com visual requintado e alto nível de produção, Psicopata Americano segue a trilha aberta por O Clube da Luta, isto é, se utiliza de muita violência exatamente para criticar a própria violência.

 

OLGA (2004) / Minhateca / MEGA

Decididamente o cinema brasileiro não é mais o mesmo. Apesar dos pesares, as produções recentes revelam uma nova perspectiva para os amantes da sétima arte. Mas engana-se aquele que pensa que Olga é uma obra-prima do cinema nacional. Mais para telinha do que para telona, essa produção milionária (fala-se em R$ 12 milhões) tem um ranço de televisão que incomoda os mais sensíveis. Closes em excesso, exploração demasiada dos olhos azuis da protagonista (mais um pouco era a novela "Terra Nostra") e diálogos muito pobres marcarão a produção para sempre.

É fato que a contribuição para o grande público pode até ser interessante, mas o aspecto histórico - de verdade - passa ao largo dos longos minutos de exibição e o que se vê é uma sofrida história de amor. Ok! O objetivo alarmado pela produção era esse mesmo. Que pena. Poderia ter sido muito mais do que isso. A contribuição para o brasileiro seria maior se os fatos fossem revelados com mais clareza e sem tantos floreios. Aí sim teríamos um "serviço" de verdade: cultura para o povo.

O longa é até coerente com alguns dos personagens, mas do jeito que ficou, assistimos um filme de bandido e mocinho nos moldes de tantos outros já exibidos nas sessões da tarde da vida. A sensação que se tem é que, agora, todas as produções nacionais irão bem de público porque basta estar com a chancela da Globo e com seus atores. Mas a verdade é que a campanha maciça na TV e também em outros meios são ações poucas vezes vistas em nossa história cinematográfica. Basta um longa estar entrando em cartaz e até diálogo em novela é inserido disfarcaçado de merchandising social. Qual nada! É propaganda da braba.

O único problema com este formato de fazer filmes é o risco do famigerado "padrão" tomar conta também da tela grande, o que será uma grande perda para o cinema nacional, que ficará sem identidade própria. Basta ver as produções de Renato Aragão, Xuxa e companhia. Sucesso absoluto sem ter um mínimo de mensagem relevante. Mas Olga não está totalmente inserido neste contexto. A produção tem conteúdo e alguns pontos positivos. A fotografia é bacana, os efeitos caíram bem (salvo os fogos no navio, que ficaram falsos demais) e o som estava bom. O troca-troca de idiomas nos diálogos acabaram confundindo mais do que qualquer outra coisa. Seria melhor ter optado por apenas um.

Outro ponto que chama a atenção são os créditos / legendas para situar o espectador. As letras são tão pequenas que quando estiver sendo exibido numa televisão pequena (14 polegadas) vai ficar difícil de ler. Por que essa timidez toda na hora de inserir informações escritas na tela? É a televisão fazendo escola no cinema, e de maneira errada, porque a emissora do Jardim Botânico continua achando que ninguém sabe ler. Felizmente, esse cenário já mudou. E para melhor.

Que venham mais Cidade de Deus e a tal exploração da miséria. Aquilo sim foi cinema de verdade, e do Brasil.

Diretor Jayme Monjardim

Elenco:

Camila Morgado .... Olga Benário Prestes
Renata Jesion .... Elise Ewert Sabo
Caco Ciocler .... Luís Carlos Prestes
Osmar Prado .... Getúlio Vargas
Floriano Peixoto ... Filinto Muller
Fernanda Montenegro .... Dona Leocádia Prestes
Luís Melo .... Léo Benário
Anderson Müller .... Paul Gruber
Murilo Rosa .... Estevan
Werner Schünemann .... Arthur Ewert
Guilherme Weber .... Otto Braun
Mariana Lima .... Lígia Prestes
Eliane Giardini .... Eugénie Benário
Jandira Martini .... Sarah
Milena Toscano .... Hannah
Klaus Couto .... Adolf Hitler
Odilon Wagner .... Capitão do navio
Eliana Guttman .... Enfermeira-Chefe
Ranieri Gonzalez .... Miranda
Raul Sr .... Rodolfo Ghioldi
Bruno Dayrrel .... Victor Barron
Gilles Gwizdek .... Leon Julles Valee
Hélio Ribeiro .... Padre Leopoldo
Edgard Amorim .... Agildo Barata
Zé Carlos Machado .... Ministro da Guerra
José Dumont .... Manuel
Pascoal da Conceição .... Dimitri Manuilski
Sabrina Greve .... Elvira Colônio
Maria Clara Fernandes .... Carmem
Leona Cavalli .... Maria
Eduardo Semerjian .... Galvão
Thelmo Fernandes .... Bangu
Tadeu di Pietro .... Juiz
Ricardo Rathsam .... Jovem Alemão
Isabela Coimbra .... Olga Benário Criança

ODEIO O DIA DOS NAMORADOS (2012) / Minhateca

Dirigido por Roberto Santucci

Elenco:

Heloísa Périssé como Débora
Daniel Boaventura como Heitor
Marcelo Saback como Gilberto
Daniele Valente como Carol
André Mattos como Marcos
Danielle Winits como Marina
MV Bill como Tonhão
Toni Tornado
Fernando Caruso como Fred
Malu Valle
Marcela Barrozo como Débora (jovem)
Lucas Salles como Heitor(jovem)
Renan Ribeiro como Batata
David Lucas
Júlia Rabello como Gilda

“A Christmas Carol”, de Charles Dickens, é uma das histórias mais conhecidas da atualidade. Você pode até não reconhecê-la pelo título original, mas provavelmente já viu alguma de suas adaptações no cinema, como Os Fantasmas Contra-atacam e Os Fantasmas de Scrooge. Trata-se da clássica saga de um homem de mal com a vida e sem amigos que recebe a visita de três fantasmas, que o acompanham em comemorações de Natal ocorridas no passado, no presente e no futuro. A partir destas experiências, ele revê seus conceitos e seu modo de vida. Odeio o Dia dos Namorados, nova comédia dirigida por Roberto Santucci, explora esta mesma história, mas com uma mudança importante: ao invés do Natal, o passeio é por comemorações – ou a ausência delas – em vários dias dos namorados.

Dito isto, o longa-metragem acompanha a intragável Débora (Heloísa Périssé), que não perdoa quem vê pela frente. De olho única e exclusivamente na carreira, ela passa por cima de todos aqueles que a cercam com um intenso mal humor – que, obviamente, traz consequências indesejadas. Entretanto, não é este seu maior problema – na verdade ela nem considera um problema, pois pouco se importa com o outro. Débora precisa criar uma nova campanha publicitária que tenha por base o amor, este mesmo sentimento que tanto ridiculariza. Para piorar ainda mais, a negociação será feita com Heitor (Daniel Boaventura), um ex-namorado que foi humilhado por ela no passado. Ou seja, cheiro de desastre no ar.

Mas, como Dickens bem ensinou, para todos há a possibilidade de redenção, especialmente quando há um fantasma amigo por perto. É o caso de Gilberto (Marcelo Saback), ex-colega de escritório de Débora que ressurge em sua vida após ela sofrer um grave acidente automobilístico. À beira da morte, é hora dela rever sua vida e compreender o que pensam dela. Nesta jornada Débora passa por vários dias dos namorados, acompanhando o que aconteceu, acontece e acontecerá à sua volta. O desfecho, é claro, você pode imaginar sem grande esforço.

Apesar de ser claramente inspirado no clássico de Dickens, Odeio o Dia dos Namorados traz algumas peculiaridades tipicamente brasileiras. A começar pela influência musical, marcante nas sequências de abertura e de encerramento, que até divertem graças ao formato e as coreografias apresentadas (a última cena é no melhor estilo Amizade Colorida). No decorrer do filme há ainda várias referências aos anos 1980, não apenas em relação às canções que faziam sucesso na época mas também ao comportamento típico do período. Por outro lado, a visão do futuro traz algumas boas piadas envolvendo ícones dos dias atuais, como a ameaça de caos climático e a música “Ai, Se Eu Te Pego”, de Michel Teló (que surge algumas vezes ao longo do filme).

Entretanto, é no estilo de comédia que a marca nacional surge mais forte. Afinal de contas, o personagem escolhido para acompanhar Débora em sua jornada é um velho clichê do humor brasileiro: o homossexual espalhafatoso, daqueles que desmunhecam à vontade e soltam diversas piadas de duplo sentido – algumas bem grosseiras, por sinal. Fácil de identificar - e até de rir, para quem gosta da proposta -, o objetivo é explorar um humor repleto de frases de efeito no melhor estilo Zorra Total. Trata-se de uma aposta escancaradamente popularesca, assim como foi o trabalho anterior de Santucci, Até que a Sorte nos Separe. Para quem curte, é um prato cheio.

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O HOMEM DO FUTURO (2011) / Minhateca / MEGA

Zero (Wagner Moura) é professor de física em uma Universidade. Trabalha também como cientista em uma empresa de alta tecnologia, administrada por Sandra (Maria Luisa Mendonça), sua amiga de longa data. Seu amigo Otávio (Fernando Ceylão), também companheiro da juventude, constrói juntamente com Zero uma máquina que descobrem depois ser uma máquina do tempo. Zero, que se faz de cobaia, se teletransporta até o ano de 1991, ano em que era estudante de física e que se apaixonou perdidamente por Helena (Alinne Moraes), também estudante de física. Numa noite, na festa de fantasia da Faculdade, Helena prega uma peça contra Zero, auxiliada por Ricardo (Gabriel Braga Nunes). Zero procura então, com sua chance de poder mudar o passado, refazer a sua história e reconstruir seu amor por Helena. O que ele não esperava é que, mexendo no passado, tudo a seguir tomará outros rumos.
Impossível não associar "O Homem do futuro" a "Efeito borboleta" e "De volta para o futuro". O filme toma emprestado praticamente todos os motes desses 2 filmes, trazendo no caso, um humor mais chanchadesco. O roteiro é curioso, apesar de uma certa sensação de deja vu. A novidade fica por conta de termos vários personagens (no caso, 3) iguais, contracenando com os seus próprios, cada um de sua época. As piadas são ingênuas, mas como o filme tem um clima meio sessão da tarde, está tudo bem. Wagner Moura como sempre arrasando, apesar de em alguns momentos caprichar na caricatura, tornando o seu personagem fora do tom e da realidade. Alguns efeitos não convencem, como os cromas em cenas de carro em movimento. Mas o efeito de teletransporte é bem feito. A trilha sonora é uma delícia, com pérolas pop rock dos anos 80, que estranhamente, no filme ganham um anacronismo, uma vez que o filme, em seu passado, se ambienta em 1991.
De uma forma geral, o filme pode provocar certo desentendimento no seu início. Eu mesmo fiquei um pouco confuso com o desenrolar da ação. Mas depois tudo vai ficando claro, mas mesmo assim, exigindo atenção do espectador.

Mato-sem-Cachorro

Mato sem Cachorro (2013) / Minhateca

A sequência de abertura de Mato Sem Cachorro é emblemática: uma família perfeita, passeando por uma praia carioca, apresentada como se fosse uma grande ilusão publicitária. Por trás da aparente tranquilidade há brigas, ciúmes e todo tipo de problemas que afetam a vida como ela realmente é. Esta desconstrução é o principal mote aplicado pelo diretor Pedro Amorim, que em seu primeiro longa-metragem opta por jogar por água abaixo certos mitos, seja com personalidades ou com o próprio gênero da comédia romântica. A começar pelo próprio casal protagonista, interpretado com competência por Leandra Leal e Bruno Gagliasso.

Logo de início o público tem a chance de acompanhar como o introvertido Deco conheceu e se apaixonou pela despachada Zoé, tendo como inusitado intermediário o cachorro Guto. São cenas típicas de comédia romântica estreladas por um casal jovem, bonito e simpático, auxiliadas ainda pela fofura do bichinho de estimação querido por ambos, tudo isto apresentado em uma história simples, mas que funciona. Ou seja, o cenário está armado para que Mato Sem Cachorro siga a trilha convencional do gênero até entrar em cena um fator importantíssimo: Danilo Gentili. Ou melhor, o humor típico de Danilo Gentili. A partir deste momento, o filme passa por uma brutal transformação: de uma história leve ganha contornos mais pesados, não no sentido da tragédia mas no de grosseria. E, infelizmente, perde boa parte da diversão prometida pelos 15 minutos iniciais, quando o foco principal ainda era a comédia romântica.

Não que o Leléo de Gentili não tenha seus bons momentos. É bem verdade que o personagem faz rir em situações como a da perseguição pelo anão e até pela rivalidade entre paulistas e cariocas aplicada em provocações ambíguas trocadas com o primo Deco, mas em compensação há um punhado de piadas e diálogos que, ao invés de provocarem o riso, causam constrangimento. E este peso não deve ser aplicado unicamente a Gentili, pois está também presente em outros personagens – Enrique Díaz que o diga, com seu visual canino como roupa de baixo.

Por outro lado, há alguns aspectos bastante interessantes em Mato Sem Cachorro, boa parte deles relacionados à própria ideia da desconstrução. Por exemplo, tanto Gabriela Duarte quanto a cantora Sandy surgem em cena como personagens completamente diferentes da imagem que criaram em torno de si ao longo da carreira, o que causa uma surpresa positiva. Mais ainda devido à boa sacada do hobbie de Deco em misturar sons para criar algo novo, o que gera vídeos divertidos envolvendo a própria Sandy e ainda um “dueto” entre John Lennon e Michel Teló, apresentado logo no início do filme. A desconstrução, quando bem aplicada, acaba sendo uma força criativa que serve ao filme e também lhe traz um frescor de algo diferente do que tem sido feito nas comédias mais recentes do cinema brasileiro.

Como um todo, Mato Sem Cachorro não é um filme ruim. Seu lado comédia romântica é bem feito e merecia até mais espaço dentro da trama, o filme conta com algumas brincadeiras divertidas tanto em cima de ícones quanto com diálogos pop – as citações vão de “Caverna do Dragão” às novelas de Manoel Carlos. Por outro lado, peca por ser um pouco longo demais e pelo exagero nas grosserias, que em várias cenas ameaçam jogar tudo por água abaixo. Ainda assim, Bruno Gagliasso e Leandra Leal conseguem segurar o filme, contando com o auxílio espirituoso de Letícia Isnard e Felipe Rocha. Fosse mais comédia romântica e menos humor grosseiro, o filme seria melhor.

Dirigido por Pedro Amorim

Bruno Gagliasso
Leandra Leal
Danilo Gentili
Gabriela Duarte
Rafinha Bastos
Simone Mazzer

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HERMANOTEU NA TERRA DE GODAH (2009) / Minhateca

Quando o homem enfrentava a ira de um deus menos complacente, Hermanoteu, irmão de Micalatéia e típico hebreu do ano zero – camarada, bom pastor e obediente –, recebe uma missão divina: guiar Seu povo à Terra de Godah. Num cenário que representa um imenso deserto, o ator Ricardo Pipo interpreta Hermanoteu que encontra desde Cleópatra até mesmo o Filho do Todo Poderoso.
Os atores Adriana Nunes, Adriano Siri, Jovane Nunes, Victor Leal e Welder Rodrigues revezam-se nos outros papéis, fazendo com que a jornada do protagonista seja uma turnê de humor por caricatos personagens épicos. Um espetáculo reverenciado pelo público, onde a Cia. orgulhosamente recebe o humorista Chico Anysio, interpretando Deus (com textos em off).
Seguindo a linha de sátiras do grupo, "Hermanoteu na Terra de Godah" visita a diversidade fantástica do Livro dos livros. Entre as densas páginas do Antigo Testamento, encontramos nosso pacato protagonista, perambulando por domínios romanos, entre pestes, bárbaros e deuses pagãos. Uma comédia que, apesar de épica, faz inúmeras citações da atualidade e aproxima o passado do presente pela comicidade.

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CRÔ, O FILME (2013) MEGA HD / Minhateca

Aproveitar sucessos da televisão e levar para o cinema já deixou de ser novidade há muito tempo. Esse filme não é o primeiro e nem será o último. Algumas questões sempre levantadas dizem respeito ao momento em que isso acontece, se na hora certa ou não, e se o objetivo é só pegar a onda e faturar nas bilheterias. Crô - O Filme chega com um relativo atraso, corre um risco de parecer datado para alguns, mas se o que interessa para o público é saber se vale a pena levantar do sofá de casa para encarar uma poltrona na sala escura, essa aventura do serviçal mais querido do Brasil tem potencial para ser um bafo!

Depois de herdar uma fortuna de sua rainha do Nilo (a diva Tereza Cristina da novela Fina Estampa), Crô (Marcelo Serrado) não sabe mais o que fazer. Acumulando fracassos, um lado místico da biba o ajuda a (re)descobrir que seu destino é voltar a ser mordomo. Para isso, parte para um inusitado recrutamento e seleção, de patroas. É quando uma exploradora de imigrantes bolivianas (Carolina Ferraz), um pouco cafona, mas durona (do jeito que ele gosta) resolve que Crodoaldo Valério deveria ser o seu criado. Sem saber que estaria prestes a trabalhar para uma mulher metida na exploração de crianças e também no trabalho escravo, ele acaba se envolvendo num perigosa e inesperada aventura.

Conhecedor do estilo de humor que o brasileiro gosta, leve, fácil de entender e com ritmo, o novelista Aguinaldo Silva usou sua experiência e fez um roteiro malando, no melhor dos sentidos. Bancou citações da ex-patroa, mas deixou de lado a novela, importando somente algumas "peças" do original, como o zóiudo Baltazar (Alexandre Nero) e a Miss Bonsai Marilda (Kátia Moraes). Feito isso, criou novos personagens, adaptou atores da obra anterior (Carlos Machado) em novos papéis, trouxe nomes conhecidos da música (Ivete Sangalo e Gaby Amarantos), e ofereceu ao público um filme leve, cujo único compromisso é divertir. Incomoda, porém, o merchandising agressivo de marcas de bebida a base da erva mate e de um canal da tv por assinatura. O raciocínio já não vale para a frase "pega o bilhete único e vai ser feliz", que dita de maneira mais inspirada passa batido. Será merchan também?

Não há dúvida que muitos vão torcer o nariz para o longa dirigido por Bruno Barreto, por conta de um ou outro detalhe que poderiam ser melhor resolvidos, mas quando isso não compromete o resultado final, na boa, abafa. Até porque é quase certo que outros tantos vão curtir os diálogos divertidos, o efeito especial tosco, as sequências de ação, além do clima de suspense e aventura que toma conta da comédia. Entre as curiosidades, uma trilha que mistura poetinha ("A Tonga da Mironga do Kabuletê"), "El Condor Pasa" e Luiz Caldas ("Haja Amor"), citações de Amarcord, Gilda, e uma animação nos créditos finais, com direito a historinha própria e tudo. Falando em final, ele é feliz (#prontofalei), e vai realizar um sonho dos fãs do personagem. Mas como diria a Filha de Osíris, vai ter que assistir para saber, bebê. ;)

Diretor: Bruno Barreto

ELENCO:

Marcelo Serrado como Crodoaldo Valério
Ivete Sangalo como Alzira Valério
Kátia Moraes como Marilda
Alexandre Nero como Baltazar
Carlos Machado como Jean-Jacques
Urzula Canaviri como Paloma
Carolina Ferraz como Vanusa
Milhem Cortaz como Riquelme
Mari Nogueira como Juana
Tiago Abravanel como Juiz de Paz
Karin Rodrigues como Francisca
Luciana Paes como Ariadne Fontura
Alice Assef como Gilda
Ana Maria Braga como ela mesma
Gaby Amarantos como ela mesma

Cine Holliúdy (2013) / Minhateca

Tive o prazer de assistir à comédia Cine Holliúdy no cinema. Como dizem por aí, pense num público rindo a valer com o humor tipicamente regional que o diretor Halder Gomes soube explorar muito bem. Pense! Não pude deixar de notar na ocasião, que mesmos os "estrangeiros" como eu, pouco conhecedores do idioma "cearensês", também embarcaram na história. Fiz o prognóstico ali, na hora, que o filme ultrapassaria fácil as fronteiras do Estado do Ceará por sua universalidade inconteste.

E foi, de fato, o que ocorreu. Cine Holliúdy ganhou o circuito dos festivais nacionais e internacionais e, por onde passou, divertiu o público. A história do sonhador Francisgleydisson e sua luta para manter um cineminha de interior frente ao avanço da TV arrancou risos improváveis de plateias no sul do país e até mesmo na Tailândia. Não à toa estreia agora em circuito nacional levando ao espectador brasileiro a riqueza da diversidade cultural de seu país.

O filme é ambientado na década de 70. Francisgleydisson (Edmilson Filho) é um abnegado exibidor que luta para manter sua sala aberta, mas que enfrenta a chegada implacável da TV. Mostrando-se inabalável em suas convicções, muda-se com a família para o pequeno município de Pacatuba atrás de público para seus filmes de artes marciais. É acompanhado pela esposa Maria das Graças (Miriam Freeland) e o pequeno filho do casal. O trio é a alma do filme e os atores conseguem dar verdade a uma família que conquista rápido o público.

Em se tratando de comédia, Halder consegue o essencial: mostra domínio do tempo cômico e faz o humor de seu longa funcionar a contento, mesmo que a montagem não ajude em certos momentos. Algumas cenas, a despeito de funcionarem bem, parecem descoladas da trama principal. A edição também prejudica o ritmo e dinamismo do longa. O desfecho da trama, por sua vez e a despeito das boas intenções do realizador, não é dos melhores.

Os problemas técnicos, no entanto, não conseguem abalar a experiência de se assistir a esse filme autêntico, espécie de reflexão sobre o próprio cinema brasileiro, de grandes aspirações, dificuldades atrozes, e espírito inabalável de um Francisgleydisson. Uma produção, para usar um termo do cearensês, "Ispilicute". Não faz ideia do que isso significa? Vai aqui a tradução para ir se preparando  e curtir o filme: "Ispilicute": adjetivo originário da expressão inglesa "She's pretty cute", que significa bonitinha, atraente.

Assim é Cine Holliúdy, um convite irrecusável ao riso como toda boa comédia deve ser.

Direção: Halder Gomes

Elenco:

Edmilson Filho como Francisgleydisson
Miriam Freeland como Maria Das Graças
Joel Gomes como o filho de Francisgleydisson
Roberto Bomtempo como Olegário Elpídio
Angeles Woo como o apresentador de TV
Fiorella Mattheis como a Garota dos Sonhos
Rainer Cadete como Shaolin
Karla Karenina como a fã de futebol
Marcio Greyck como o comprador de carros
Jorge Ritchie como Padre Mesquita
Fernanda Callou como Whelbaneyde
Falcão como o cego Isaías
Haroldo Guimarães como Ling, Orilaudo Lécio e Munízio
João Neto como o Bebinho
Renato Fontenele o Africio ou chiclete de baleia

A BUSCA (2013) / MINHATECA

O longa-metragem de estreia de Luciano Moura carece de emoção e o paroxismo disso se dá em sua sequência final, na qual temos dois grandes atores, Moura e Lima Duarte, esbanjando talento dramático sem que o espectador esteja envolvido com o momento. O motivo: o frágil arco dramático desenvolvido ao longo do filme, que não se decide por qual caminho seguir.

Começa como um drama familiar tenso. Temos um pai, Theo (Moura), em conflito com a mulher, Branca (Mariana Lima), de quem está se separando, e com o filho adolescente, Pedro (Brás Moreau Antunes). O menino desaparece de casa e empreende uma viagem de fuga do universo familiar que desmorona. Ato-contínuo, Theo parte em busca do jovem e, neste momento, o filme ganha ares de thriller psicológico e suspense com os pais atrás de pistas que indiquem o paradeiro do rapaz.

Daí em diante, A Busca transforma-se num tradicional road movie de autodescoberta, no qual Theo vai rever seus conflitos internos e seu afastamento do próprio pai enquanto segue os passos do filho. O misto de gêneros não é o problema, mas a forma como a trama é conduzida. O arco dramático do filme é mal desenvolvido e o ponto de ebulição da trama, seu desfecho, não condiz com o que vimos progredir até então na tela. Isso decorre muito provavelmente das origens de Luciano Moura, diretor egresso da publicidade, que valoriza a estética e força das cenas em particular sem pensar no todo do filme. Existem várias sequências isoladas na produção que têm pouca força por apresentarem uma ligação muito débil com o conjunto.

Um exemplo: em determinado momento do filme, Theo chega a um acampamento por onde seu filho passou e se depara com uma jovem prestes a dar à luz - ela teve um rápido affair com o jovem. Ele faz seu parto às margens de um rio numa cena bonita, idílica, mas vazia nela mesma. Pouco diz sobre Pedro, o menino fugitivo, ou sobre Theo, o pai que se descobre. E assim são outras muitas sequências: vazias, fúteis. Wagner Moura se esforça, mas não há nada que possa fazer diante do roteiro problemático. O transtorno do sumiço do filho, assim como as descobertas que faz ao longo do caminho, perdem força dramática graças ao mal desenvolvimento da história .

A montagem não ajuda. Lucas Gonzaga, que fez um razoável trabalho em 2 Coelhos, não consegue salvar a pátria, talvez nem tenha tentado. A sequência do atropelamento de Wagner Moura, com fades desnecessários, simulando os apagões do impacto e volta à consciência de Theo, parecem trabalho primário. Ao longo do filme existem mais dois fades longos e mal inseridos que denotam ou falta de possibilidades do editor diante das cenas disponíveis ou desapego ao trabalho.

A Busca sofre ainda com a construção dos coadjuvantes que cruzam o caminho de Theo. O personagem de Ruy Resende, por exemplo, o homem que o atropela, é bem emblemático dos problemas de composição narrativa do filme. Ele entra em cena por um motivo: depois de socorrer o personagem de Moura, o leva para sua casa. Quando Theo pede a ele um lençol ou atadura para enrolar o tórax por causa de uma costela quebrada, este se vê obrigado a abrir um quarto da casa fechado há anos para atender o pedido.

O porquê disso não se sustenta. Era realmente preciso? Momentos depois, ao deixar Theo num posto de gasolina, diz: “Quando achar seu filho, o leve para casa. Não diga nada, apenas o leve para casa”. O problema é que o breve convívio entre os dois não justifica essa aproximação emocional, o que acaba gerando um efeito dramático nulo. O mesmo acontece com o personagem de Leandro Firmino (o Zé Pequeno de Cidade de Deus), borracheiro que trocou um prato de comida por um desenho feito pelo filho de Theo. Coadjuvante inserido na trama sem nenhuma razão de ser. Nada acrescenta, nada contribui.

E nessa trajetória insípida chegamos ao fim de A Busca: Wagner Moura e Lima Duarte em cena, olhos rasos d'água, tensão construída na face e a emoção perdida em algum lugar da estrada.

Direção: Luciano Moura

Elenco: 

Wagner Moura como Theo Gadelha
Mariana Lima como Branca
Lima Duarte como Sal Gadelha
Brás Antunes como Pedro
Abrahão Farc como Sr. Custódio

 

No Coração dos Deuses (1999)

 Dirigido por Geraldo Moraes

Elenco:

Antônio Fagundes — Gaspar Correia / Fernão Dias
Roberto Bonfim — Mestre Gabriel
Bruno Torres — Pedrinho
Mauri de Castro — capelão
Cosme dos Santos — Simão
Ângelo Antônio — Curupira
Mallu Moraes — Catarina
Cristina Prochaska — mãe de Pedrinho
Edney Giovenazzi — Anhangüera
Iara Jamra — cozinheira
Regina Dourado
André Gonçalves — José Dias
Denise Milfont —
Tonico Pereira — Cirineu

  Seguindo as pistas de um mapa, um garoto e alguns aventureiros embrenham-se na mata em busca de tesouros dos bandeirantes, e acabam voltando dois séculos no tempo, em busca das lendárias Minas dos Martírios.

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OS MELHORES DO MUNDO - NOTÍCIAS POPULARES (2007) / Minhateca

 "Notícias Populares" é o título do primeiro DVD que a companhia de comédia Os Melhores do Mundo lança pela Warner. Mais que isso, este trabalho celebra também a primeira vez que um grupo de teatro é contratado por uma gravadora. "Notícias Populares" apresenta uma visão bem-humorada e crítica desta entidade que faz parte de nosso cotidiano e direciona nossas opiniões, a notícia. O espetáculo soma ao todo 8 cenas, entre elas "Assalto( Erros de Português)", um assaltante que não tolera erros gramaticais, "10 de Setembro", que especula sobre o dia anterior aos ataques de Bin Laden, e, como não poderia faltar, o famoso Joseph Klimber.

FAIXAS:

1. Assalto (Erros de Português)
2. Banda de Rap Repetentes
3. Sargento Deny, o Militar Brasileiro
4. Debate Político
5. Dupla de Policiais (Saraiva!)
6. Hilton Verdun, o Carnavalesco
7. 10 de Setembro
8. Joseph Klimber

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Cobra Verde - 1987

O diretor Werner Herzog é um dos maiores representantes do novo cinema alemão, movimento que surgiu nos anos 70, integrado por outro talento precoce, Rainer Werner Fassbinder, e Win Wenders. Herzog é conhecido por dividir-se entre os dois gêneros: ficção e documentário. Tem como algumas de suas principais obras Aguirre, Fitzcarraldo e Coração de Cristal. Apesar da maioria de seus documentários nunca terem passado no Brasil Cobra Verde (1987, lançado nos EUA como "Slave Coast"), foi rodado parcialmente no Brasil (litoral da Bahia).

O filme conta a história de Francisco Manoel da Silva (Klaus Kinski), um bandido brasileiro conhecido como "Cobra Verde", convidado a trabalhar nas terras de um importante latifundiário baiano (José Lewgoy), que desconhece seu passado. Ao engravidar as filhas do patrão, Cobra Verde tem como castigo a função de liderar um antigo entreposto de escravos na África, que estava desativado por ordem de um poderoso chefe local. A missão é tida como bem suicida e Cobra Verde consegue atingir seu objetivo.

Herzog retoma no filme alguns de seus temas prediletos, o homem contra a natureza e os elementos primitivos do mundo revelando toda sua violência, incapacidade de compreensão e seu próprio primitivismo, protagonistas ensandecidos cuja insanidade empalidece frente à loucura dos fatos, um ambient

PRESIDIO DE MULHERES VIOLENTADAS

PRESÍDIO DE MULHERES VIOLENTADAS (1977)

Dirigido por: Antonio Polo Galante

Elenco:

Cinira Camargo

Esmeralda Barros Nadir

Eudósia Acuña

Evelyn Erika Mercedes

Glaucia Maria

Hugo Bidet Dr. Antunes

Meiry Vieira Rafaela

Patrícia Scalvi Tininha

Shirley Steck

Turíbio Ruiz

Zilda Mayo Joana

Condenada injustamente pela morte de um guarda, durante um assalto, Tininha chega ao presídio feminino, sendo logo alvo de disputa entre Rafaela, diretora cruel e corrupta e Nadir, líder das detentas, que organiza um plano de fuga em massa. O projeto conta com o apoio de Ângela, vice-diretora que, auxiliada pelo amante Antunes, médico da casa, ambiciona ocupar o posto de Rafaela. A punição de Nadir, provocada por uma briga no refeitório, e a morte de Marilda, planejada por Ângela com a ajuda da louca Mercedes, ocasionam um motim no qual são massacradas duas presas, Mercedes e Marta. Tininha aproveita para fugir, sob as vistas de Rafaela, que tenta segui-la pulando um muro coberto de cacos de vidros, sofrendo uma hemorragia fatal. Com os acontecimentos, a fiscalização policial toma conhecimento do regime brutal que Rafaela exercia no presídio.  

 

MISS CLOSE (1985)

Uma boate gay resolve escolher uma “miss” muito especial. O título aproveita-se da fama de Roberta Close, um dos mais famosos transsexuais brasileiros, hoje transformado em mulher.

Dirigido por: Carlos Nascimento, Silas Bueno

Elenco

Chumbinho

Eliane Gabarron

Lia Soul

Walter Gabarron 

  

 TROPA DE ELITE (2007) / Mega / Minhateca

Dirigido por José Padilha

ELENCO:

Wagner Moura Capitão Nascimento

Alexandre Mofatti Sub-Comandante Carvalho

André Di Mauro Pedro Rodrigues

André Ramiro André Matias

André Santinho Tenente Renan

Bernardo Jablonsky Law teacher

Bruno Delia Capitão Azevedo

Caio Junqueira Neto

Cintia Rosa Helen

Daniel Lentini Rapaz 3 da Festa

Emerson Gomes Xaveco

Erick Oliveira Marcinho

Fábio Lago Claudio Mendes de Lima 'Baiano'

Fernanda de Freitas Roberta

Fernanda Machado Maria

Juliano Cazarré Soldado Tatu

Luiz Gonzaga de Almeida

Marcelo Escorel Coronel Otávio

Marcelo Valle Capitão Oliveira

Maria Ribeiro Rosane

Milhem Cortaz Capitão Fábio

Nathalia Dill Aluna & Moça 1 Festa

Otto Jr. Major Gouveia

Patrick Santos Tinho

Paulo Hamilton Soldado Paulo

Paulo Vilela Edu

Ricardo Sodré Cabo Bocão

Thelmo Fernandes Sargento Alves

Thiago Mendonça

Thogun Teixeira Cabo Tião

Rio de Janeiro, 1997. Roberto Nascimento, capitão da Tropa de Elite do Rio de Janeiro, é designado para chefiar uma das equipes que tem como missão “apaziguar” o morro do Turano por um motivo que ele considera insensato. Mas ele tem que cumprir as ordens enquanto procura por um substituto. Sua esposa, Rosane, está no final de sua gravidez e todos os dias lhe pede para sair da linha de frente do batalhão. Pressionado, o capitão sente os efeitos do estresse. Nesse clima, ele é chamado para mais uma emergência num morro. Em meio a um tiroteio em um baile funk, Nascimento e sua equipe têm que resgatar dois aspirantes a oficiais da PM: Neto Gouveia e André Mathias. Ansiosos para entrar em ação e impressionados com a eficiência de seus salvadores, os dois se candidatam ao curso de formação da Tropa de Elite.

Tropa de Elite 2: o Inimigo agora É Outro (2010) / Minhateca

Um TAPA na CARA! Essa é a descrição para o novo filme de José Padilha, Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro. O filme se passa 10 anos depois do primeiro, e Capitão Nascimento cresce na carreira, ele passa a ser comandante geral do BOPE e depois Sub Secretário de Inteligência. Com isso o BOPE cresce e Capitão Nascimento coloca o tráfico abaixo, porém ele não percebe que o buraco é bem mais embaixo, e que na realidade algumas de suas causas não são exatamente como ele imaginava.

Tropa de Elite 2 mostra de maneira direta e sem medo, todas as malandragens na polícia e política, passando aos expectadores a triste realidade do nosso país. São chacinas, mortes, armas, vale tudo na briga da política para conseguir mais votos.

O filme foi muito bem feito, com cenas de ação com um realismo impressionante, e mais uma vez Wagner Moura encarna muito bem no papel de Capitão Nascimento. O filme conta também com a participação especial de Seu Jorge.

Em tropa de elite 2 estão presentes muita violência, palavrões e tudo mais que farão lembrar cenas marcantes do primeiro filme. O filme traz grandes frases que marcarão pra sempre as pessoas, como por exemplo:

O nome dessa operação deveria ser: Operação Iraque

Quer me foder, então me beija

É na hora da morte que a gente entende a vida

Cada cachorro que lamba a sua caceta

Filme mais do que recomendado, talvez uma das melhores obras realizadas pelo Brasil, mas que serão criticadas por muitos por mostrar ao mundo a nossa verdadeira realidade. Não são todos cineastas que tem a coragem de mostrar a verdade sobre os policiais e os políticos corruptos que submetem a segurança pública a interesses pessoais. Enfim, descobrimos que os inimigos de Nascimento são bem mais perigosos.

Dirigido por José Padilha

Elenco:

Wagner Moura como Roberto Nascimento, agora Tenente-Coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro e Subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Irandhir Santos como Diogo Fraga, professor de História, depois deputado estadual.

André Ramiro como Capitão André Mathias.

Milhem Cortaz como Coronel Fábio Barbosa, comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar (PMERJ).

Maria Ribeiro como Rosane, ex-esposa de Nascimento e agora casada com Fraga.

Sandro Rocha como Major Rocha, líder da milícia retratada no filme.

Tainá Müller como Clara Vidal, jornalista do "Na Hora"

Seu Jorge como Beirada, líder do Comando Vermelho em Bangu I.

André Mattos como Fortunato, Deputado Estadual e apresentador de programa de televisão.

Adriano Garib como Guaracy, Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Pedro Van-Held como Rafa aos quinze anos, filho de Nascimento.

Emílio Orciollo Neto como Valmir Magalhães, coordenador da Subsecretaria de Inteligência, auxiliar de Nascimento.

Julio Adrião como Gelino, governador do Rio de Janeiro.

Rodrigo Candelot como Formoso, Coronel da PM e Secretário de Inteligência.

Charles Fricks como Vermont, assessor do Governador.

Marcello Gonçalves como Gonçalves, comparsa de Rocha na milícia.

Pierre Santos como Santos, comparsa de Rocha na milícia.

Fabrício Boliveira como Marreco, comparsa de Rocha na milícia.

Francisco Chao como Nunes, comparsa de Rocha na milícia.

William Vita como Aranha, responsável pela financeira da milícia.

André Santinho como Major Renan (Bope).

Zé Mario Farias como Felpa, traficante do bairro Tanque.

Chico Mello como Qualé, líder do A.D.A em Bangu I.

Ricardo Pavão como Valcir Cunha, Presidente da Alerj.

Paulo Giardini como Camelo, chefe do jornal "Na Hora".

Juliana Schalch como Julia, amiga de Rafa.

Alexandre Akerman como delegado do bairro Tanque.

Roney Villela como comerciante espancado.

Dudu Nobre como soldado do Bope.

Samantha Mendes como apresentadora de telejornal.

 

Coca: O Preço de uma Vida - 1991

Dirigido por: Rubens da Silva Prado

Elenco:

  • Armando Ghioldi
  • Orlando Lurial Sargento Carlos
  • Renalto Alves
  • Roberto Torres

Um policial corajoso, enfrenta com bravura uma poderosa quadrilha de traficantes de cocaína e apreende milhões em drogas. O preço a pagar por tal audácia é muito grande. O poderoso Lombardi precisa recuperar a cocaína e, para isso, usará os meios de que dispõe: a violência. É o começo de um drama sórdido e violento, onde vítimas totalmente inocentes são massacradas cruelmente. Sargento Carlos, ao desenrolar o drama, encontra-se totalmente em dúvida quanto à posição de policial honrado, e à posição do Sargento Carlos homem, pois sua mulher é assassinada e seu filho sequestrado, e, como resgate, é pedida a mala de coca. Tenente Marcelo, mesmo sabendo o drama que Carlos vive, é obrigado a negar apoio policial para não infringir os regulamentos. Porém, o Tenente Marcelo é amigo de Carlos.

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O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro - 1969

Direção: Glauber Rocha

Elenco: Maurício do Valle, Odete Lara, Othon Bastos, Hugo Carvana, Joffre Soares, Lorival Pariz, Rosa Maria Penna, Emmanuel Cavalcanti, Vinícius Salvatori.

Certamente não irá pegar de surpresa, a quem assistiu Deus e o Diabo na Terra do Sol, a presença de Antônio das Mortes nessa retratação do sertão nordestino e os resquícios do cangaço – O Dragão da Maldade se passa vinte e nove anos após a queda de corisco nas mãos de Antônio. Podemos considerar, portanto, este como uma continuação. O filme, contudo, vai muito além disso, nos mostrando, através de uma linguagem única, a história de um homem que desesperadamente (e silenciosamente) tenta recuperar seu propósito.

A morte de Corisco significou o fim do cangaço, ao menos é isso que Antonio das Mortes acreditava. Ao descobrir que um suposto cangaceiro apareceu pela região do Jardim das Piranhas, o jagunço, que agora vive sem motivo, sem ânimo, vai em busca desse homem, em busca dos velhos tempos. Somente pela sua trama, o filme de Glauber Rocha poderia ser visto como simples, pois está na forma como ela é contada o grande diferencial de Dragão da Maldade. Sua narrativa se desenvolve através de uma mistura de opera e cordel. Ora temos imagens paradas e uma música sendo cantada por uma única pessoa, mostrando-nos a história, ora vemos verdadeiras e potentes mostras da cultura brasileira, através da cantoria, dança e diversos elementos do folclore e religião. Em ambas é impossível não se deixar levar pela composição de cena que não só conta com uma direção de arte detalhista, como uma direção meticulosa.

Tal trabalho do diretor, em conjunto com a fotografia de Affonso Beato, compõem verdadeiros quadros cinematográficos que captam cada centelha de atenção do espectador, forçando-nos a contemplar em detalhes tais imagens. É a montagem não convencional que nos trás de volta à realidade, como uma vontade de Glauber de pedir dedicação do espectador que também. Deve trabalhar para entender este conto do nordeste.

O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro certamente é um filme que pede a atenção de quem assiste, porém que recompensa quem o faz. Conta com inesquecíveis imagens ao som da cultura brasileira que, como um quebra cabeça, monta este epílogo da história de Antônio das Mortes. É mais uma singular visão de Glauber Rocha de nossa história.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) / Minhateca

Dirigido por Glauber Rocha

Elenco:

Geraldo Del Rey .... Manoel

Yoná Magalhães .... Rosa

Maurício do Valle .... Antônio das Mortes

Othon Bastos .... Corisco

Lidio Silva .... Sebastião

Sonia dos Humildes .... Dadá

João Gama .... padre

Antonio Pinto .... coronel

Milton Rosa ....Moraes

Roque Santos

Cravando a tese de que o sertão possui traços míticos, entes imaginários, fábulas acima do realismo, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) solapou um gosto diferente no cinema acostumado a Graciliano Ramos e Euclides da Cunha. A contenção do primeiro – mot juste dos trópicos – e o rigor obsessivo-compulsivo do segundo – complexo de informações para um tratado – são modificadas a favor de uma linha supra-fantástica, que ao mesmo tempo desse conta da onipresente busca pela “brasilidade”.

Afinal, Glauber Rocha não escreveu, dirigiu e reorganizou diversas vezes a obra – desde fins dos anos 50 – impunemente. Queria um atestado em que coubesse toda sua geração, em que se deflagrasse a releitura da produção fílmica brasileira, em que lhe consolidasse posição de liderança e, num estampido, tornasse o movimento suprassumo internacional.

No esquema de grandiosidade, as Bachianas de Villa-Lobos são douradas pela canção de Sérgio Ricardo em acento de cordel, letra de Glauber. O primeiro instantâneo de Manoel (Geraldo Del Rey), com feições da era silenciosa, remete-se à amplidão do John Ford clássico – subvertido pela absoluta ausência de virilidade do caubói. Se tomarmos o western enquanto narrativa espetacular, fundante, a nesga de semelhança retorna. Especialmente no momento da morte da mãe por capangas – o rapaz assassinara o chefe. Enterra-a sem jurar qualquer justiça pragmática – a similitude aqui se afasta –, preferindo, não sem resistência da esposa Rosa (Yoná Magalhães), entregar-se ao protótipo de Antônio Conselheiro, o nordestiníssimo Santo Sebastião (Lídio Silva, carpinteiro que trabalhara em “Barravento”, filme anterior e estréia de Glauber). Após Sebastião, juntam-se ao bando de Corisco/Cristino (Othon Bastos, substituindo Adriano Lisboa, que não comparecera às filmagens).

Finalmente livres, não se dão conta do que fazer, correm a desembestada – à semelhança dos relatos sobre Lampião, que fascinavam Glauber: durante a matança do Corisco verídico, um casal de sobreviventes foragira. Na tela, a corrida e a aparição balsâmica do mar deixam a metáfora de o "povo" tomar a rédea da situação pela unha, desprezando os delírios alheios. Corisco, a violência anárquica; Sebastião, o excesso religioso. O filme conclama à ação prática, à tomada de posição ultra-materialista, contrariando a entourage simbólica que norteia o enredo.

Curioso notar que, por um achado das circunstâncias, Othon Bastos dublou o Beato – a falta de formação profissional de Lídio criou peso inevitável. A situação joga sutileza extra na composição dos personagens, como se a ressaltar que Corisco e Sebastião, mesma voz, fossem espectros da mesma moeda, um imbuído do outro. Guardariam igual semente de irracionalidade, punem o destino flagelado.

A homilia de Sebastião usa cânticos, preleções messiânicas, promessas da ilha “onde tudo é verde”, “tem água e comida”, “fartura do céu”. O extremismo chega à histeria na grande cena em que Manoel oferta o filho ao Beato, este o sangra, junta o líquido na faca, passa-o depois na testa de Rosa, sinal da cruz. A mulher o golpeia em seguida, aproveitando a desilusão de Manoel, mesmo instante em que os fiéis são dizimados por Antônio das Mortes (Maurício do Valle) – capanga eleito pelo Padre e pelo Latifundiário. O som desconcatenado, massa em desordem, a fotografia e a câmera de Waldemar Lima – criando jogos propositais de sombras em todo o filme – são especialmente felizes nesse entrecho.

Iniciada a segunda parte da história, Corisco surge entre citações de Padim Ciço e Lampião. Batiza Manoel de Satanás, nome másculo de cangaceiro. Pilham, saqueiam, atordoam. Entronizado por São Jorge, Corisco impõe a espada em êxtase, contra o "dragão da maldade" – expressão que, noutros termos, significa a própria miséria. O cartaz antológico – ícone pop dos anos 60 –, desenhado pelo tropicalista Rogério Duarte dá a dimensão do ato.

Corisco traz consigo Dadá (Sonia dos Humildes), que forma com Rosa um núcleo feminino. Chegam a se acariciarem, sensibilidade do roteiro ao demonstrar que a euforia de Corisco e Sebastião – para qual Manoel correu, ouvindo o soluçar da sereia – deixara Rosa como resíduo, a ponto de beijar Corisco ou, acima disto, entregar-se à solidez que representa.

Eisenstein tangenciou essa desintegração típica de Novo Mundo – pobreza, religiosidade, folclore – em “Que Viva Mexico!”. Também encontram-se em “Deus e o Diabo” reminiscências do ancestral “Encouraçado Potemkin”, além da dramaticidade que Glauber assumidamente vira em “Rocco e Seus Irmãos”, de Luchino Visconti. Além dos citados, note-se que o Cego Júlio traz uma onisciência bem mais próxima da estrutura nordestina do que de teatro grego.

Certamente o rol de influências pulula, mas temperadas por injeções do jovem GR, que concluiu o filme aos 25 anos. Alçou vôo grande, condoreiro, como a tal reencarnação de Castro Alves, idéia que defendia – faleceu aos 42, idade que previu por ser o reverso dos 24, em que o conterrâneo evanesceu. No caldo “Deus e o Diabo” percebe-se o culto ao sebastianismo, a São Jorge, além da onipresente dobradinha Igreja-Latifúndio – estes um tanto estanques, sem a relativização moral que o filme joga sobre demais personagens. Manoel, por exemplo, mente a Corisco imputando a Antônio das Mortes o extermínio de Sebastião. O bom selvagem é, antes de tudo, fraco.

A propósito da amoralidade, o corpulento Antônio das Mortes encarna uma das maiores personas do cinema nacional. O que deveria ter de monstruoso se refaz – literalmente, pois a participação de Antônio foi reescrita à última hora, construindo-o como ente dúbio. Jagunço de idéias progressistas, aniquila, espingarda em punho, com olhos na recompensa prometida e igualmente por se oprimir perante a miséria. Mexendo nos tabus retrógrados, na visão dicotômica sobre o papel da vanguarda popular – jagunço mau versus jagunço humanizado –, Antônio beijou as telas numa complexidade que escapa aos slogans míopes. Quase revolucionário, não é o vilão destrambelhado – o latifundiário o é –; antes um híbrido, vulto que dada sua magnitude retorna em “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969).

Monte Santo, Cocorobó, Canudos foram locações escolhidas por Glauber. Associou-se ao Banco Nacional de Minas Gerais – de José Magalhães Lins – e às mãos eclesiásticas – agradecimentos, nos créditos, ao Monsenhor Francisco Berenguer. Produção, ainda, de Luiz Augusto Mendes, aliado ao dínamo Jarbas Barbosa. Montagem de Rafael Valverde, presença constante na filmografia cinemanovista – esta, em "Deus e o Diabo" aproveitou a assistência de direção de Paulo Gil Soares e Walter Lima Jr. Equipe mínima, multifuncional, à moda do conveniente cooperativismo.

Competindo em Cannes no ano em que Baleia e "Vidas Secas" flanavam pelo balneário, volta sem o prêmio, sequer o coadjuvante arrebatado pelo "O Cangaceiro" em 1953. Sabe-se que entre o autor e Lima Barreto existem quilômetros de distância – não em termos "evolutivos", por óbvio. Máscara ilusória, o nordestinismo pouco faz para os unirem – o que em Barreto é estruturante, em Glauber provoca bocejos e ira. Barreto deixou irrealizado "O Sertanejo", projeto que poderia avançar na temática e iluminar o ponto de vista com mais calma. Os destinos de ambos se cruzariam, mesmo tênues, depois de mortos: Walter Lima Jr. – colaborador reiterado de Glauber, membro da família – dirigiu o roteiro de "Inocência" (1983), escrito pelo totem da Vera Cruz.

Os rastilhos de pólvora em que Glauber se envolveu – o rechaço a "O Cangaceiro" é apenas fração – confirmam a trajetória colonizadora que tanto o empolgava. Entradas e bandeiras, repovoar uma Panamérica estilística, borrifar especiarias, como o mascate que impõe valores mas sobe à montanha por algum destino inebriado, guardando as tábuas da lei. Caiu no ostracismo, desfrutou de uma segunda volta, redimido pelo além. Apesar dos equívocos posteriores, a serem colocados em perspectiva, neste "Deus e o Diabo na Terra do Sol" construiu a obra fulminante, que os próximos e os afastados da "onda nova" devem conhecer com fôlego. Cogitar do contrário, fechando-se no puro preconceito ou no endeusamento leviano, implica em autofagia, esse crime déspota que o anseio crítico não deixa mais persistir.

 

KICKBOXER 3 – A ARTE DA GUERRA (Dublado) – 1992 / 4Shared

ELENCO:

Alethea Miranda Isabella

Bernardo Jablonsky Padre Bozano

Dennis Chan Xian Chow

Fábio Junqueira Brumado

Gracindo Júnior Pete

Ian Jacklin Martine

Kate Lyra Mulher de Branco

Leonor Gottlieb Margarida

Miguel Oniga Marcelo

Milton Gonçalves Sargento

Monique Lafond Flávia

Nildo Parente Vargas

Noah Verduzco Marcos

Renato Coutinho Branco

Ricardo Petráglia Alberto

Richard Comar Lane

Sasha Mitchell David Sloan

DIREÇÃO: Rick King

Na terceira seqüência da série “Kickboxer”, o lutador David Sloan e seu treinador Xian Chow viajam ao Brasil para participar de uma luta no Rio de Janeiro. Quando a irmã do herói é seqüestrada por uma gangue local, ele precisará de todas as suas habilidades de luta para salvá-la.

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Até o Último Homem

"Hacksaw ridge", de Mel Gibson (2016)

Nunca duvidei das qualidades de Mel Gibson como Diretor. Ousado, catártico, vibrante e ótimo manipulador das emoções do espectador, através de cenas de tensão e de suspense psicológico. Foi assim em "Paixão de Cristo", "Apocalypto" e "Coração valente". Todos filmes que abusam da hiper violência e do sadismo que corrói a plateia. Em " Até o último homem" não é diferente. O filme se baseia na história real de Desmond Doss, que se alistou no exército durante a segunda guerra com a condição de não pegar em armas e nem matar ninguém, pois ele era um religioso da Igreja adventista. Os soldados e seus superiores faziam chacota dele, a ponto dele ter sido levado até a corte marcial pela recusa em pegar armas, visto como um capricho. Porém na tomada da cordilheira de Hicksaw, em Okinawa, em abril de 1945, ele foi responsável por salvar 75 soldados do seu batalhão, que haviam sido abandonados para morrer. Por esse ato heroico, ele recebeu a medalha de honra. Longo, o filme tem quase 2:30 de duração e lembra bastante a estrutura narrativa de "Nascidos para matar", de Stanley Kubrick. Começa com a apresentação do herói, depois bem o treinamento abusivo e por ultimo a guerra. Impossível também não se lembrar de "O resgate do soldado Ryan" e de suas cenas hiperrealistas da guerra e as suas tragédia. Quem não gosta de ver cenas de corpos explodindo ou mutilados, melhor nem assistir ao filme. Andrew Garfield apresenta uma performance emocionante e poderosa, quebrando de vez a imagem do garoto nerd. Ponto para Gibson, que além de tudo, é ótimo diretor de atores ( Hugo Weaving está antológico no papel do pai bêbado de Desmond). Gibson da do protagonista uma figura messiânica, quase um Jesus que surge para salvar os seus discípulos. 

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ROUBANDO VIDAS (2004) Dublado

 Sabe aquela impressão de dèjá vu que a gente tem ao ver alguns filmes? Parece que desde a trilha sonora até o roteiro, passando pela fotografia e montagem, beberam da mesma fonte de outros produções do gênero. O longa pode até ser bem-feito, mas não traz absolutamente nada de novo, apenas um certo incômodo nos que conhecem um pouco de cinema e percebem tudo isso que eu digo. O thriller Roubando Vidas é mais ou menos isso: uma reciclagem de tudo que já foi feito na área.

Neste filme, Angelina Jolie é Illeana, uma agente do FBI que vai ao Canadá a fim de investigar um caso de assassinatos em série. Apesar de trabalhar com policiais que não acreditam muito em seus métodos pouco ortodoxos de investigação, ela começa a entrar na trilha do assassino e descobre que ele rouba a vida de suas vítimas depois de matá-las - vem daí o título do filme. Quando conhece Costa (Ethan Hawke), um negociador de obras de arte que tentou salvar uma das vítimas do serial killer e viu o rosto do procurado, Illeana passa a se concentrar cada vez menos do caso. Ela começa a se apaixonar pela testemunha, o que não é nada bom.

Uma das características dos thrillers é a reviravolta no roteiro: nada é o que parece ser e a verdade só é explicada no final. Isso é uma regra em filmes do gênero, de Scooby-Doo a O Sexto Sentido. Agora, parece que o diretor D.J. Caruso (mais famoso por seus trabalhos na TV) levou a premissa tão a sério que Roubando Vidas acaba sem pé nem cabeça, praticamente. As reviravoltas no roteiro, baseado em romance de Michael Pye, são tantas que deixam o espectador um pouco perdido. Algumas cenas e situações são tão mal explicadas que nem dá ânimo para pensar nelas depois que o mistério é revelado. Por exemplo, que raios de método é esse que Illeana usa? Ela é uma espécie de Carrie - A Estranha do FBI? Ou está mais para Frank Black, protagonista da extinta série Millennium? Quando ela é quase morta pelo assassino, como foi possível sua identidade permanecer desconhecida à investigadora perspicaz? Só não farei mais perguntas por que estragariam as "surpresas" do roteiro e, ao contrário de Caruso, eu não quero estragar qualquer surpresa que o leitor possa ter - se é que isso é possível.

Se você é fã de thrillers, saiba que Roubando Vidas não vai te surpreender de forma alguma. Mas, como sempre tento ver alguma coisa boa em todos os filmes, posso dizer que, pelo menos, as atuações não são tão ruins assim. E só.

O Homem Elefante

O HOMEM ELEFANTE (Dublado) – 1980 / MINHATECA

O hoje consagrado diretor David Lynch dirigiu O Homem Elefante (The Elephant Man, 1980) no início de sua carreira. Com o filme indicado a oito prêmios Oscar, Lynch já se destacara desde então como um cineasta diferenciado. Filmada em preto-e-branco, a história real do homem de rosto e corpo desfigurados, que é usado como atração principal pelo dono de um circo na Inglaterra vitoriana, é uma bela lição sobre humanidade.

A trama é desenhada com clareza e a narrativa, simples e objetiva, contrasta com o Lynch de tramas complexas como o de Cidade dos Sonhos (Mullholand Drive, 2001). Contido, sem maneirismos inovadores, o diretor segue à risca a cartilha de filmagem do cinema clássico e se sai muito bem – anos mais tarde, pôde se arriscar com o abstrato que o consagrou entre os cinéfilos.

Logo de início, o circo apresenta seu show de bizarrices, no qual o homem elefante, interpretado por John Hurt, é a atração principal. Tratado como se fosse de fato um animal em razão de sua rara doença, o homem que posteriormente se apresenta como John Merrick sente-se coagido e parece não conseguir enxergar em si próprio um ser humano. Apenas quando o Dr. Frederick Treves (Anthony Hopkins) se revolta com a exploração que é feita de John e resolve tentar ajudá-lo de alguma forma, é que o próprio homem elefante começa a se descobrir com alguém tão normal como qualquer outro.

John Merrick pode parecer, a princípio, uma exceção em razão de seu físico, mas, na verdade, é a representação de algo/alguém que foge da normalidade cotidiana, daquilo que é classificado como comum, e por isso sente na pele o preconceito, já que tudo o que é diferente tende a ser visto com receio e medo pela sociedade. A situação enfrentada pelo homem elefante não difere de problemas pelos quais outras muitas pessoas com alguma deficiência ou diferença passam.

É assim, ao realizar essa identificação com o espectador, que a história se estabelece como uma narrativa atemporal – e faz sua mensagem ser compreendida e, acima de tudo, sentida. Sensível na construção do enredo, O Homem Elefante mostra a jornada de autodescobrimento de um homem que, por ser diferente, aceitava de forma passiva ser considerado uma aberração. O desenvolvimento do personagem e suas novas percepções de mundo emocionam.

Explorado durante muito tempo pelo responsável pelo circo, John sente-se sempre na defensiva e é incapaz de cometer um ato de maldade contra aqueles que ainda se aproveitam de sua imagem e o maltratam, justamente por ser, no fim das contas, um ser humano, expondo, ao mesmo tempo, o lado animal - e desumano - daqueles que se consideram normais. E é quando o próprio médico reflete sobre seu caráter, ao ponderar a hipótese de ter se tornado aquilo que condenava por ter alcançado fama e prestígio ao acolher e auxiliar John, que ele se diferencia dos demais. Esta é uma questão que o diretor entrega ao público, mas ao se questionar, o médico acaba mostrando que em seu ato nunca houve a intenção de se beneficiar da doença de John. A exposição que um dia foi maléfica para o homem passa a ser o que lhe garante o apoio da aristocracia inglesa e o resgata da condição de animal para a de um artista sensível sem condições físicas de demonstrar seu talento – e até por isso os minutos finais são tão emblemáticos. 

O Homem Elefante marca o espectador com a construção de seu desfecho.  A cena da estação de trem, por exemplo, na qual John se sente acuado e intimado pelo olhar reprovador dos demais, proporciona frases clássicas que, pelo contexto, tornam-se emocionantes: “não sou um elefante”, “não sou um animal”, “sou um ser humano”, “sou...um homem”. John Merrick foi um homem que conviveu boa parte de sua vida cercado por animais.

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Má Conduta - 2016 (DUBLADO)

Um jovem e ambicioso advogado (Josh Duhamel) assume um grande caso contra um poderoso e corrupto executivo (Anthony Hopkins) de uma extensa companhia farmacêutica e seu principal sócio (Al Pacino). Quando o caso toma direções perigosas, ele se vê envolvido com chantagens e corrupção, tendo que descobrir a verdade antes que perca tudo.
Desde criança aprendemos o que é certo e errado, o que podemos e não podemos fazer. Aprendemos que passar o outro para trás é errado, mas logo nos vem a velha frase de Máquiavel a mente: Os fins justificam os meios.
Ao assistir Má Conduta, você entende muito bem – mesmo que de maneira difícil para alguns – sua mensagem, deixando claro que, a lei não é correta e os “chefões” não são alvo da polícia. 

Por se tratar do primeiro filme de Shintaro Shimosawa (O Grito), ele acaba nos mostrando situações na qual nunca paramos para pensar, ou já paramos e não chegamos a uma conclusão de rápido entendimento. Seu jogo de câmeras é exagerado, ele tenta nos mostrar uma realidade, na qual muitas pessoas não conseguem entender, é o velho jogo da política.

No elenco, temos nomes mais do que pesados. Ao ver Hopkins entrando em cena, com bastante idade, conseguimos nos arrepiar até a alma, ele é o canastrão. Ele nos coloca ao lado de um dos “chefões”, mesmo que com poucas aparições, ele consegue superar a sua promessa dentro do filme, o que é um ponto positivo para ele. Al Pacino eu nem preciso falar, ele é um advogado renomado, inimigo de Hopkins, mas ao mesmo tempo é amigo. Ele brinca com nossas cabeças, coisa que somente Al Pacino conseguiria fazer com naturalidade. Expressão vazia, tom firme em sua voz, uma atuação como sempre, impecável. E por último, mas não menos merecedor de aplausos, temos Josh, que dá vida a um jovem ambicioso advogado, parabéns rapaz, você cumpriu seu papel dentro do filme e nos colocou lado a lado sua dor e aflição. Pontos positivos!

Sua trilha sonora é mais do que marcante, ela segue em um ritimo bom de se ouvir, nada exagerado e nem vazio. Cumpre com seu papel.

Sua fotografia é muito boa, jogo de luz na medida, cenas externas e internas no momento certo. Pontos positivos!

Mas, assim como em todo filme renomado, Má Conduta pode parecer tedioso e chato para os olhos de quem quer ver muita luta, sangue e perseguição policial, esta não é a promessa que ele nos quer dar. Ele nos quer colocar o outro lado da moeda. Ele quer fazer com que nós, fiquemos próximo de cada personagem e passamos a entender o quebra cabeça que ele nos apresenta.

No meio de um jovem advogado, um empresário e um advogado de renome, ainda somos supreendidos com duas mulheres fantásticas! Uma é secretária, a outra é enfermeira e logo acontece um assassinato.

Quem morreu? Quem matou? Por que de ter acontecido aquela morte?

Seu final nos surpreende e nos mostra, que a má conduta está onde menos esperamos. Nos mostra que um sorriso bonito e uma expressão carinhosa, não significa muita coisa para quem está em busca de poder. Poder. Essa é a palavra que pode definir este filme.

Muitos não conseguiram e nem tentaram entender a profundidade dele, já que diziam: o filme não cumpre com sua promessa; ele não é bom; não vale a pena ser visto. Mas, talvez digam isso, porque não querem ver um filme de dificil entendimento, mas sim, um filme da sessão da tarde.

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VÔO 7500 (Dublado)

"7500", de Takashi Shimizu (2014)

Quando um diretor em início de carreira nos entrega um produto de qualidade ruim ou regular, não ficamos surpresos, inclusive tendemos a exaltá-lo no segundo caso. Já quando o nome por trás da produção tem um grande currículo, incluindo sucessos como O Grito, até a decepção de, no final das contas, vermos mais do mesmo tem um peso extra.

É o que acontece em Voo 7500, com direção do japonês Takashi Shimizu. Na trama, o referido voo deixa Los Angeles rumo a Tóquio com 273 passageiros e com previsão de dez horas de duração. Mesmo durante o embarque, começamos a perceber vestígios de um problema recorrente em histórias focadas em um grande número de pessoas, principalmente em um espaço limitado, como num avião.

O problema é: qual é o argumento que leva a história a concentrar seu foco em figuras específicas em meio às 273 e deixar todas as demais de fora, como meros figurantes? Claro, uma coisa é a impossibilidade óbvia de se dar o devido foco a tanta gente, outra totalmente diferente é justificar devidamente a escolha daqueles que desempenharão um papel relevante. Voo 7500 só deixa esse argumento mais ou menos claro na sua conclusão. Até lá, conflitos como o vivido pelo casal Brad e Pia Martin (Ryan Kwanten e Amy Smart, respectivamente) poderiam acontecer em um barco, em um carro ou em inúmeros outros veículos e ambientes, sem tanta gente injustificada ao redor, e são conflitos totalmente desconectados do problema central na maior parte do longa.

Sim, o problema central começa com a morte súbita e inexplicável de um dos passageiros, após uma aparente crise asmática. A partir de então, iniciam-se estranhos eventos dentro da aeronave. Sem dúvida, essa tensão crescente, fruto de uma força, ou de forças que desconhecemos, em um ambiente claustrofóbico, é o ponto alto do filme. A trama constrói essa atmosfera aos poucos, sem pressa, nos engajando em uma complicação após a outra. A trilha sonora, embora conte com poucos momentos marcantes, também contribui, alternando com precisão entre a discrição e a ênfase de suas faixas – destaque para o seu uso durante uma sequência de turbulência.

Apesar do elenco, que também cumpre bem o seu papel, o roteiro cai na familiar pressa em seu último ato, nos forçando a engolir uma mitologia que, tal como é mencionada, parece ter simplesmente saído da manga de alguém. Aleatória, embora verdadeira, que mais uma vez poderia ser tão facilmente substituída por qualquer outra entidade ou demônio, visto que não foi construída aos poucos, acompanhando a narrativa, mas simplesmente é atirada no nosso colo nos instantes finais.

Terminado o longa, fica a experiência de um trabalho interessante em seu desenvolvimento, mas pouco firme em sua base, mais um trabalho que vende um peixe sem tê-lo no estoque. Com um final que também peca pela falta de originalidade – a ideia da conclusão já é um clichê sem tamanho -, é mais um filme regular e decepcionante.

 

Imagem 

A Dança dos Bonecos (1986)

Direção: Helvécio Ratton

ELENCO

Wilson Grey (Mr. Kapa)
Kimura Schettino (Geleia)
Cintia Vieira (Ritinha)
Ezequias Marques (J. Domina)
Cláudia Jimenez (Almerinda)
Divana Brandão (Iara)

Geleia e Mr. Kapa são dois artistas mambembando pelo interior das Gerais. Chegando à vila de Beleléu, Geleia conhece a menina Ritinha e seus bonecos, e a presenteia com uma água violeta dada a ele pela mãe d'água Iara. A água mágica dá vida aos bonecos. Ao mesmo tempo, o empresário J. Domina, com o apoio da assessora Almerinda, obriga seus vendedores a apresentar "um novo brinquedo". Mr. Kapa sequestra os bonecos, ao mesmo tempo em que os vendedores querem tirar proveito das situação. No final, vence quem acredita na magia...

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Quando o Carnaval Chegar (1972) Senha: cinebra

MINHATECA

Lourival empresaria Paulo, Mimi e Rosa, cantores mambembes viajando pelo Brasil no ônibus Sheila, dirigido por Cuíca. A turma é contratada, por Anjo, um chefão do crime, para se apresentar em um show em homenagem a um rei que está chegando para os festejos carnavalescos. Os romances inesperados de Paulo com Virgínia e de Cuíca com uma atriz francesa põem em risco o cumprimento do contrato.

Direção: Cacá Diegues

ELENCO

Chico Buarque - Paulo
Nara Leão - Mimi
Maria Bethânia - Rosa
Hugo Carvana - Lourival
Antonio Pitanga - Cuíca
Ana Maria Magalhães - Virgínia
José Lewgoy – Anjo
Wilson Grey - Capanga
Elke Maravilha - Atriz francesa
Zeni Pereira - Mãe de Cuíca

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Amante Latino (1979) Senha: cinebra

A área verde onde está a escola onde estudou Sidney Magal está hipotecada a um industrial que pretende montar uma indústria de plásticos. A professora se une aos ciganos que moram por lá para organizar um show, arrecadar fundos e pagar a hipoteca. O empresário, porém, faz de tudo pra atrapalhar, inclusive colocando sua filha Bárbara para seduzir Magal. Mas, Sandra Rosa, a namorada cigana do cantor, e seu amigo Maquininha tudo farão para combater a vilania. E, no final, pra quem Magal entregará seu coração?

Direção: Pedro Carlos Rovai

ELENCO

Angelina Muniz, Monique Lafond, Anselmo Vasconcelos e Fregolente

Augusto Olímpio (Maquininha)
Ida Gomes (Professora)
Felipe Wagner (Papa)
Catalina de Petrusco (Nona)
Banzo (Capanga)
Regina Dourado (Cigana)
Elke Maravilha (Elke)
Teobaldo (Presidente do Club)

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O Grande Palhaço (1980) Senha: cinebra

O palhaço Carrapicho, sua mulher, a trapezista Irma, e Jonas, filho do casal e aprendiz do ofício materno, integram o elenco de um grande circo. Após o assédio do aramista Ramon, Irma sofre a queda fatal ao tentar realizar o arriscado número do salto triplo. A partir de então, Carrapicho abandona o picadeiro e sofre profunda depressão, até que Jonas torna-se trapezista de um grande circo, e estimula o pai a retomar a carreira.

Direção: William Cobbett

ELENCO

Maria Pompeu (Cigana)
Ney Sroulevich (Empresário circense)
Marco Palmeira (Flautista)
Fernando Reski (Apresentador)
Tony Ferreira (Apresentador)
Renato Coutinho

MENINAS DE PROGRAMA (PORNÔ GIRLS, 1984) / Minhateca / Depositfiles

Direção: Mauri de Oliveira Queiroz

Elenco:
Teka Lanza, (Cristiane)
Anita Calabrez, (Karina)
Greze Calmon, (Roberto)
Rajá de Aragão, (Kalil)
Luiz Dias, (Rogério)
Michele Drumond, (Nina)
Arnaldo Fernandes, (Delegado)
José Lopes, (Dilú)
Francisco A. Soares, (Homem de Chicago)
Amauri Pimenta, (Criado)
Orizabel Portes, (Tia) 

Kalil, editor de revistas e livros pornográficos, ligado a editoras estrangeiras do mesmo gênero, emprega dois rapazes inconseqüentes para que filmem e fotografem garotas mais ou menos ingênuas, que pensam estar exercendo atividades de atriz, quando em verdade, estão enverdecendo pelo caminho da prostituição e do vício. Cristiane vem do interior, pensando encontrar em sua amiga Karina um apoio já que se encontrava num período de divergências com seus pais. Karina apresenta Roberto à Cristiane, este convencendo a moça a fazer uso de drogas, tornando-se ela, mais facilmente corrompível. Fazendo uso de drogas, Cristiane é levada por Karina e Roberto a posar para filmes pornográficos e revistas do mesmo gênero. Nina, outra garota como Cristiane, já se encontra em estado avançado de dependência da droga, exigindo dos marginais do sexo cada vez mais. Pelo uso demasiado, Nina vai parar num hospital quando, convencida por um investigador, delata os implicados no tráfico de material pornográfico, que tem conexão com o exterior, entrando na estória uma estranha confraria, chamada Homens de Chicago. O investigador consegue desbaratar toda a quadrilha do sexo, com Cristiano indo de volta à sua família. Nina consegue ser aceita por uma tia bondosa e toda a quadrilha é destruída. No entanto, Kalil, o todo poderoso chefão do crime gargalha, sabendo que nunca poderá ser punido, pois, como todos os marginais de alta escala, continuará impune, corrompendo moças inocentes.

 

ME LEVA PRA CAMA

ME LEVA PRA CAMA (1989) / Depositfiles / Minhateca

Elenco:

Chumbinho

Karine Gabrielli

Vanessa Garbo

Dirigido por: Mário Vaz Filho

3 colegas de uma empresa saem juntos o tempo todo e vivem inventando história de pescador um para o outro sobre suas aventuras sexuais e de como são valentes contra outros caras. O filme percorre uma comum noite de sexta feira dos 3.

 

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Colegiais e Lições de Sexo (1979) / Depositfiles

O diretor de uma escola que é também proprietário de uma rede de motéis, transforma a sala de aula em estúdio, onde exibe filmes pornográficos para seus alunos. Na escola, o diretor vende notas e diplomas, não se interessando com o aproveitamento escolar.

OS MERCENÁRIOS (2011) / MEGA

Antes de qualquer coisa é importante destacar que a análise de uma produção não pode ser influenciada por fatores externos. Julgamentos pessoais jamais serão bem vistos em um texto crítico, que tem como objeto de estudo o que aquela pessoa produziu e não o que ela é. A fama de serem absolutamente desagradáveis fora de cena não afasta o fato de Russell Crowe e Christian Bale, por exemplo, serem excepcionais atores.

E o que dizer de Elia Kazan, um dos maiores cineastas da história que ficou marcado por denunciar colegas do partido comunista ao Comitê de Investigações de Atividades Anti-Americanas? O diretor chegou a ser vaiado ao receber um Oscar honorário da Academia, mas nada disso faz de A Luz é para Todos, Uma Rua Chamada Pecado e Sindicato de Ladrões filmes menos geniais.

Tudo isso para destacar que este texto não tem a intenção de debater os comentários de Sylvester Stallone sobre as filmagens realizadas no Brasil, mas tão somente o que faz de Os Mercenários um filme divertido. Se o ator/diretor foi ignorante, idiota, sem noção ou todas as alternativas acima, nada disso interessa para análise do longa.

Funcionando como um divertido resgate dos filmes de ação da década de 80, a produção não é nada além de entretenimento vazio. Se você espera perseguições eletrizantes ou quebra-cabeças elaborados vá assistir um filme de Jason Bourne. Aqui, você encontrará apenas a boa e velha porrada.

Infelizmente o filme não alcança o patamar dos longas que pretende resgatar, como Comando Para Matar, Rambo 2 - A Missão e muitos outros. Mas não deixa de agradar como cinema de ação.

Reunindo ícones do gênero como Stallone, Jet Li, Dolph Lundgren, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis, com aquele que talvez seja o grande expoente da ação no século XXI, Jason Statham, o filme é bem sucedido. Mickey Rourke, Randy Couture, Steve Austin e Eric Roberts completam o elenco.

Com cenas rodadas no Brasil e com a mexicana radicada no país Giselle Itiê, o longa é eficaz na construção dos personagens a na ambientação deles na história. É também mais eficiente no desfecho da trama do que Rambo 4, por exemplo. Aqui, Sylvester Stallone tem mais trabalho (mas não muito) para desimar todo um exército.

Se você é fã do cinema de ação dos anos 80 é bem provável que vá gostar de Os Mercenários, inclusive relevando alguns problemas de iluminação, mas se já não gostava daquele tipo de cinema também não vai gostar deste aqui. Simples assim.

 

Eu Vi o Diabo (2010) / MEGA

“Eu vi o Diabo” (I Saw The Devil ou, no original, Akmareul boatda) é um filme que apela para a vingança à moda antiga: olho por olho! No longa, Kim Soo-hyeon é um agente especial que entra em desespero quando sua noiva é assassinada por um serial killer. O rapaz decide caçar o psicopata, mas logo se vê perdido entre o bem o mal numa busca desenfreada por vingança.

Muitas pessoas têm certo preconceito com filmes orientais. Talvez por conta dos idiomas aos quais não estão habituadas ou, quem sabe, por pensarem que as atuações são exageradas. Eu sempre gostei de diferentes culturas — principalmente da japonesa, chinesa e coreana —, um dos motivos que sempre me levou a conhecer filmes surpreendentes.

O longa dirigido por Kim Jee-Woon (o mesmo de O Último Desafio) é um filme que abusa de cenas ousadas. Evitando cortes, Jee-Woon abusa de ângulos e cria sequências que parecem impossíveis. É o caso de uma cena de assassinato dentro de um carro. A câmera simplesmente navega pelos espaços disponíveis e a ação acontece sem pausas. Claro, o sangue rola sem parar, o que é bom!

Parte do ótimo trabalho realizado em “Eu vi o Diabo” se deve ao elenco que se esforça para convencer o público. Quem está habituado com filmes americanos pode até se espantar, pois não se trata de carinhas já conhecidas. É bom notar que o excesso de violência exige atuações convincentes, por isso estou dizendo que os atores fazem um trabalho excepcional.

Entre os tantos envolvidos, vale destaque para Min-sik Choi — conhecido por seu excelente trabalho em Oldboy. Aqui, Choi interpreta o vilão. Um homem fora de si. Um sujeito que busca aterrorizar as pessoas e cometer atrocidades. A mente do personagem é tão confusa, que me lembra muito do Coringa. Até as roupagens, caras e cabelo sugerem alguma semelhança.

Assim como outros filmes coreanos, esta película consegue se destacar pela bela fotografia. Os cenários fogem do padrão de longas americanos. A maioria das cenas é executada em ambientes isolados, afastado de centros urbanos. Isso ajuda muito a construir os ambientes para a atuação do vilão e para ótimas situações de perseguição e combate.

Por fim, quero elogiar a trilha sonora que dá um ritmo constante ao filme. Os combates são muito bem coreografados e, ao contrário do que muitos pensam, ninguém voa ou realiza peripécias impossíveis. Enfim, “Eu vi o Diabo” não é um filme totalmente perfeito, mas é uma obra que consegue ser diferente e ter excelente execução.

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Trainspotting - Sem Limites (1996) Dublado / MEGA

Danny Boyle certamente é um daqueles diretores que merecem ser observados de perto. Com uma filmografia bastante variada, que vai do apocalipse zumbi até cinebiografias, como é o caso do recente Steve Jobs, o realizador busca sempre manter o foco no psicológico de seus personagens e, no processo, acaba dando destaque para o talento de inúmeros atores ainda em ascensão – vide Ewan McGregor ou Cillian Murphy. Trainspotting – Sem Limites não é exceção, e nos mergulha no mundo das drogas de forma tão desconcertante quanto Réquiem para um Sonho, que seria lançado quatro anos após.

A trama gira em torno de Renton (Ewan McGregor), um jovem escocês que desde cedo se entregou ao vício da heroína. Similarmente ao filme já citado de Aronofsky, a história já se inicia com esse estado do personagem estabelecido. O curioso é que, mesmo assim, o que vemos é o auge dessa fase de sua vida. Conforme tudo vai por água abaixo, o protagonista é obrigado a lutar contra a substância, mesmo que com grande relutância. Podemos dizer que a obra é, portanto, um alerta do quão difícil pode ser largar esse hábito e como a pessoa sempre é puxada de volta pela droga. Mas limitar Trainspotting somente a isso seria um equívoco, visto que, acima de um longa que busca apresentar uma moral, ele se traduz como uma verdadeira experiência sensorial.

Há um toque de rebeldia na narração em off que logo nos apresenta aos personagens centrais da obra. Desde cedo já entendemos a necessidade de Renton em fugir da mesmice, desse sistema tão clichê que tira qualquer esperança de individualidade. Entendemos que ele busca sentir a vida e não apenas passar por ela tendo sua personalidade apagada e entregue à rotina do dia-a-dia. Com isso já sentimos uma imediata proximidade ao protagonista, ao passo que a estrutura narrativa segue aos moldes de Os Bons Companheiros, por exemplo, que primeiro nos mostra os atrativos dessa vida, para depois desconstruí-los.

É interessante observar como essa voz fora da tela do personagem consegue não se caracterizar como algo excessivamente didático. Muito pelo contrário, ela atua em conjunto com os elementos diegéticos para construir a cena, não busca explicar algo que já é mostrado. Através dela entendemos o que se passa na cabeça do jovem, grande mérito para o roteiro adaptado de John Hodge, que, merecidamente, recebeu uma indicação ao Oscar pelo seu trabalho. McGregor ainda consegue, em sua voz, transmitir uma grande dose de sentimentos que perfeitamente condizem com o que assistimos, como se efetivamente sua mente estivesse sendo transcrita pelo áudio.

Evidentemente que não é somente nesse quesito que o ator principal se destaca. Ewan consegue explicitar um misto de emoções, dúvidas e anseios que apenas tornam seu personagem ainda mais fascinante. Ele é imprevisível e ora parece ter controle de sua vida, ora parece estar sendo apenas levado pela maré, o que gera um delicioso antagonismo com sua ideia de libertação através das drogas, sua válvula de escape, que, na realidade, apenas o leva para outro compartimento fechado, somente mais uma prisão física e psicológica.

Com uma direção precisa, que sabe exatamente quando trazer planos mais fechados e abertos, a fim de mimetizar o efeito da heroína, Boyle nos joga para dentro da cabeça de seu personagem principal. Os efeitos práticos utilizados também são impressionantes e conseguem nos trazer uma imersão sem precedentes, que mantém nossa atenção totalmente fixada na tela. Sua loucura, suas viagens se tornam as nossas e uma curta projeção de apenas 94 minutos se dilata, nos trazendo a impressão que estamos acompanhando Renton por horas a fio. E isso não é um ponto negativo, é essencial para a apresentação da necessidade de mudança do protagonista, visto que precisa nos trazer a percepção do cansaço dessa vida repleta de inconstâncias, que, obviamente, conta com um prazo de validade bem próximo.

Mas nem tudo são flores e, como já dito antes, o filme mostra a desconstrução dessa vida utópica que Renton criara em sua mente e o roteiro de Hodge atua com bastante parcimônia, nos trazendo pequenas doses, à priori, do lado sombrio dessa vida, para, aos poucos, nos mostrar somente os aspectos negativos. Com algumas cenas e acontecimentos fortes ao longo da trama, o texto consegue trazer a perfeita transição da mentalidade do protagonista e a forma como ele pensa se torna a nossa, trazendo até um grande alívio quando, de fato, ele consegue se afastar de seu vício. Sabiamente, Boyle constrói seu filme quase que na totalidade com um tempo subjetivo, nos transmitindo toda a euforia de seus personagens e nos deixando, na dose certa, perdidos em relação a quanto tempo se passou desde que a história teve início.

Infelizmente, essa subjetividade cria uma pequena quebra de ritmo na segunda metade do longa, quando Renton passa a atuar como agente imobiliário. Nossa percepção é de que um novo capítulo se iniciou e somos forçados a nos habituar a ele novamente. Felizmente, a narrativa consegue rapidamente nos fisgar e nos traz um clímax simples, mas com bastante força ao retomar a cena inicial através, novamente, da narração em off, nos trazendo um ar cíclico, que funciona como uma brincadeira do roteiro, visto que, de fato, o protagonista conseguiu escapar desse seu ciclo vicioso que dominara grande parte de sua juventude.

Trainspotting – Sem Limites, ao término de sua projeção, nos deixa verdadeiramente cansados, mas verdadeiramente satisfeitos com o que acabamos de assistir. Trata-se de um longa-metragem pesado que consegue nos divertir ao mesmo tempo que nos traz náuseas em virtude de sua retratação realista desse mundo. Danny Boyle, em sua segunda obra para a tela grande nos mostra que veio para ficar, nos entregando uma obra que é tão perturbadora quanto educativa.

 CARRIE, A ESTRANHA (1976) Dublado / MEGA

Carrie foi o primeiro romance escrito pelo lendário Stephen King, lançado em 1974 e tido até hoje como um dos melhores livros do autor. Utilizando documentos ficcionais, no objetivo de trazer veracidade à história de Carrie White, a primeira adaptação da obra veio apenas dois anos depois sob a tutela de Brian De Palma, que mais tarde viria a ser considerado um dos grandes diretores da década de 70/80 e um dos principais sucessores do mestre Alfred Hitchcock.

E De Palma (na época em que ainda fazia bons filmes) faz jus à obra de Stephen King ao transformar a adaptação num estudo extremamente profundo e complexo sobre temas que, ainda hoje, permanecem atuais, tal como o bullyng, a descoberta da sexualidade e o fanatismo religioso. E na imagem de Carrie White, uma garota tímida, isolada e fragilizada, tais temas encontram o reflexo perfeito.

Carry White (Sissy Spacek) é uma jovem que não faz amigos em virtude de morar em quase total isolamento com Margareth (Piper Laurie), sua mãe e uma pregadora religiosa cada vez mais ensandecida. Carrie foi menosprezada pelas colegas num incidente, sua professora fica espantada pela sua falta de informação e Sue Snell (Amy Irving), uma das alunas que zombaram dela, fica arrependida e pede a Tommy Ross (William Katt), seu namorado e um aluno muito popular, para que convide Carrie para um baile no colégio. Mas Chris Hargenson (Nancy Allen), uma aluna que foi proibida de ir festa, prepara uma terrível armadilha para deixar Carrie ridicularizada em público…

Apesar de ter envelhecido com o tempo (há algumas cenas que hoje acabam gerando risadas involuntárias), Carrie, A Estranha ainda permanece como uma das grandes brincadeiras visuais de De Palma, um mestre em trabalhar com sua câmera em prol de adicionar novas camadas em sua narrativa. De fato, a famosa sequência de abertura, onde Carrie acaba tendo sua primeira menstruação durante um banho, é lindamente desenhada pelo diretor que faz uso da câmera lenta como uma forma de ressaltar a sensualidade do momento, onde diversas garotas se arrumam no vestiário, enquanto Carrie toma um banho calmo, mas logo é vitíma da humilhação de suas colegas.

Não seria errado afirmar que Carrie, do início ao fim, é uma gigantesca metáfora sobre o prazer e o desprazer do sexo, algo que pode ser visto principalmente na loucura da mãe de Carrie, uma católica fervorosa que, em determinado momento, nos revela que fora casa durante anos sem nunca tocar em seu marido com algum objetivo sexual, o que o levou a “tomá-la” em determinada noite, e foi deste ato movido pelo desejo incontrolável que Carrie acabou sendo concebida, e Margareth ainda ressalta que gostou do ato, o que imediatamente nos remete aos tempos da criação, onde segundo a Bíblia, homem e mulher pecaram ao comer o fruto proibido, onde o homem culpa a mulher por ter lhe oferecido tal fruto, e a mulher acaba recebendo o castigo da dor durante o parto e a maldição do sangramento, a menstruação. Tudo está ligado ao sexo e suas consequências.

Assim sendo, Carrie sofre de uma enorme pressão por todos os lados, transformando-a numa garota repleta de desejos justamente pela vida que a impede de realizá-los. Quando Carrie é convidada para ir ao baile pelo namorado de uma das meninas que a humilharam (a pedido da própria), sua resposta pode ser vista como a entrega definitiva da garota às coisas satisfatórias da vida, coisas que vão além do desejo sexual, mas que envolvem o desejo de inclusão e aceitação, algo que Carrie nunca teve.

Trabalhando estas nuances com calma, sem pressa de chegar ao clímax, De Palma cria uma narrativa de tensão crescente, sem muitas surpresas (de fato, o filme até sofre de uma certa previsibilidade), mas sempre ressaltando a claustrofobia constantemente presente na vida de Carrie. O diretor demonstra toda a sua força visual no desfecho, onde Carrie é humilhada perante toda a escola ao ser eleita rainha do baile e receber um banho de sangue de porco, o que traz à tona toda a sua fúria acumulada durante todos os anos em que foi vítima do preconceito, o que acaba levando-a a cometer um massacre, assassinando todos os alunos do colégio. Através de diversos planos e ângulos, De Palma captura o momento com maestria, explorando cada detalhe do massacre ao criar uma tela divida que exibe uma visão dupla do caos emocional que reina sobre Carrie. Neste momento, Sissy Spacek faz jus a sua escolha para o papel, transformando a fragilidade de Carrie num ataque de dor, sofrimento e vingança.

Com uma cena final de concepção um tanto duvidosa, Carrie, A Estranha permanece como uma das grandes adaptações de uma obra de Stephen King, assim como também segue sendo uma das grandes realizações de Brian De Palma, que transformou seu filme numa obra de terror atemporal.

 

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Alabama Monroe / MEGA

"The broken circle breakdown", de Felix Van Groeningen (2012)
Filme belga falado em Flemish, dialeto alemão do norte da Bélgica. Dirigido por Felix Van Groeningen, mesmo diretor do ótimo "Os infelizes", "O circulo quebrado" é um filme devastador, no mesmo nível de "Amor", de Michael Haneke. Ao falar de amor e morte, o filme não poupa os atores de protagonizarem cenas de forte apelo emocional, indo completamente ao fundo do poço. Didier é vocalista de uma banda country, e um dia, conhece a tatuadora Elise. Ele é ateu, ela religiosa, apesar de sua aparência punk e o corpo todo tatuado. Ela fica grávida, a menina cresce, mas com 6 anos, descobrem que ela tem um câncer. As diferenças do casal começam a surgir a partir de um desenlace trágico. O próprio ator Johan Heldenbergh (Didier) escreveu a peça na qual o filme se baseou. A atriz e cantora Veerle Baetens interpreta Elise, e caralho, as duas performances são algo de explosivas. Que atores! Junte-se a eles a pequena Nell Cattrysse, e você terá um filme onde os atores se entregam ao desafio de trazer muita dor para os seus personagens. O filme é um mix de "Johhny e June"(pela relação do casal e pela música country", "Uma prova de amor" (pela emoção e tristeza de um casal que tem uma filha com leucemia) e de "Amor em cinco tempos"(pela montagem que vai e volta no tempo). Aliás, a montagem do filme é um caso à parte: um trabalho espetacular do editor, que mistura os tempos no filme de forma orgânica e emocionam muito mais no contraste das cenas. Você pode odiar música country, pode odiar filmes que têm pacientes terminais como tema, pode odiar filmes depressivos... mas não tem como negar a excelência da direção e da atuação dos atores. Espertamente, com um tema desses, o diretor evita excesso de sentimentalismo, indo investir no drama e na melancolia. Mesmo assim, difícil evitar lágrimas. Preparem os corações.

 

QUANDO UM ESTRANHO CHAMA (Dublado) – 2006

Remake. Pronto, metade do público corre. Nos dias de hoje, após vários êxitos e flops, os fãs do gênero acabaram adquirindo certa repulsa pelos remakes, pois, em maioria, não ficam bons. E poucos sabem que esse filme aqui é um remake de um filme de 1979 (leia a crítica no link acima). Muitos não gostam dele, mas sinceramente, eu gosto desse filme. E ele é melhor do que original.
No filme, acompanhamos Jill (Camilla Belle), uma adolescente que vai trabalhar de babá para os filhos do casal Mandrakis. Localizada em uma parte distinta da cidade, sem vizinhos, a luxuosa casa dos Mandrakis é cheia de proteção, passando uma ilusão de segurança para Jill, que logo começa a receber ligações ameaçadoras. Após ligar para polícia, a mesma rastreia as chamadas, descobrindo que elas vem de dentro da casa.
No filme original, a trama é dividida em duas, diferente desse. Quando um Estranho Chama pega somente a melhor parte do original e a prolonga para uma hora. Porém, não fica cansativo, como uma série que continua sendo renovada, deixando sua história desleixada. Há, a todo momento, o suspense, a tensão, aquela verdadeira sensação que algo acontecerá se você piscar.
O filme começa indicando que o vilão do filme já vinha fazendo vítimas antes da protagonista, mas parece tudo desnecessário, pois nada ajuda na história. Somente um prólogo avisando o que estaria por vir. Após isso, conhecemos nossa protagonista, que é logo levada para à casa gigante que me fez lembrar A Casa de Vidro (2002). A trama apesar de enrolar um pouco até ganhar ação, não cansa. Faz com que você, como disse acima, fique à expectativa que algo aconteça, até isso acontecer.
Porém, o filme é fraco. Ele fica no mais do mesmo até ter a perseguição final, que achei muito boa. O filme erra exatamente no que está na sua premissa e no que ela apresenta. A história base do filme explora o medo provocado pelo desconhecido, no caso, pelo estranho. E o roteiro até tenta desenvolver isso na história, porém, os "retoques" hollywoodianos, repletos de clichês, dados pelo diretor Simon West (Os Mercenários 2) acabam deixando a história fraca, limitada de apenas alguns sustos e pronto.
Se o filme ficasse mais realista, poderia até cair na graça do público. Até por que, é tão normal você ser uma adolescente que vai trabalhar de babá em uma mansão-de-vidro no meio-do-nada, onde não há vizinhos e um estranho aparece te vigiando e ameaçando pelo telefone. A história poderia ter ficado mais realista se levasse à uma vida normal americana, como no filme original. Digo isso, por que filmes que se parecem realistas acabam levando o público a uma certa tensão, como o desconhecido Megan Is Missing (2009) e o novo The Den (2014).
Por fim, Quando um Estranho Chama acaba por ser mais um filme normal, com uma história que se fosse melhor trabalhada poderia ter rendido um bom filme. Garante alguns sustos, mas não é muita coisa, uma vez que o filme acaba sendo fútil, com um final desnecessário com uma alucinação da protagonista.

 

SHOWGIRLS (1996)

"Showgirls" chegou ao Brasil com a fama de "pior filme do ano" estabelecida nos EUA. A fama pegou e o estigma difundiu-se.
Nesses casos, qualquer argumento serve: há excesso de erotismo ou falta dele, a atriz é péssima, a história é cafona etc.
Não é tão simples assim. "Showgirls" é um "A Malvada" de tanga, um "Robocop" de topless.
Mas o essencial vem provavelmente de "Robocop", filme dirigido pelo próprio Paul Verhoeven em 1987. Ali, como se sabe, um policial morto é recuperado, dotado de uma armadura, recheado de chips e colocado de novo a serviço da polícia, só que agora com poderes quase sobrenaturais.
"Showgirls" retoma essa idéia de armadura. A diferença -sensível- é que desta vez a nudez será a couraça das garotas que batalham, no palco, pelo estrelato.
É claro que ninguém se lembrou de considerar ridícula a atuação de Peter Weller em "Robocop", ou de reprovar-lhe a imobilidade facial.
No caso de "Showgirls", não faltou quem enfatizasse a incompetência, ou suposta incompetência, de Elizabeth Berkley.
Ora, Berkley (aliás, Nomi Malone, sua personagem) é mesmo de uma inexpressividade inquietante -por nascença ou virtude. Só não se pode dizer que essa inexpressividade não seja funcional.
Nomi Malone é de um vazio atroz. É um Robocop com o rosto mascarado por quilos de purpurina, onde não se vê sinal de humanidade. Seus movimentos, mesmo quando dança, são robóticos, de um autômato.
É estranho que esse filme tenha sido condenado por "erotismo". Seu parti pris é notoriamente anti-erótico (o inverso de "Instinto Selvagem", do mesmo diretor).
A bailarina pode estar no mais sórdido palco de Las Vegas, ou no mais triunfal dos grandes hotéis: não há sensualidade nos gestos, nem nos propósitos. Tudo que ela quer é vencer na vida.
Em relação a "A Malvada", "Showgirls" opera um ressecamento dos personagens a dimensões mínimas. No filme de Mankiewicz, Anne Baxter era alguém de uma ambição desmedida. No de Verhoeven, Berkley tem a mesma ambição, mas não é certo que seja "alguém", ou que possua outros atributos de humanidade.
"Showgirls" é um filme crítico a um estado de coisas em que o interesse mínimo e máximo das pessoas se equivale: triunfar. Em vez da armadura do Robocop, Nomi Malone arma-se renunciando à alma, ostentando um corpo de boneca, puro artefato de indústria (de diversão).
"Showgirls" é um filme inquietante, nada acomodatício, na contra-corrente, a quilômetros da insignificância.

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DOOM – GERAÇÃO MALDITA (DUAL AUDIO) – 1995

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Segunda parte da “trilogia adolescente apocalíptica” – que também inclui “Totally F***d Up” (1993) e “Nowhere” (1997) – concebida pelo diretor e roteirista Greg Araki, “Doom – Geração Maldita” (1995) é um filme que tem tudo para agradar fãs de Robert Rodriguez (“Sin City” e “Planeta Terror”) e quem gosta de assistir tramas repletas de violência, sexo e um certo grau de psicodelia.

O longa-metragem não precisa de muito tempo e de um roteiro convencional para chamar a atenção. Pois já começa dando um chute na porta e chocando mentes puritanas, com um início repleto de palavrões, para depois alternar altas sequências de sexo (incluindo o famoso “ménage à trois”) do jovem Jordan White (James Duval), da garota Amy Blue (Rose McGowan, de “Planeta Terror”, cuja atuação lhe rendeu uma indicação ao Independent Spirit Awards de Revelação) e do desocupado Xavier Red (Johnathon Schaech), e assassinatos.

Os caminhos dos três se cruzam quando Jordan e Amy decidem apanhar Xavier no caminho em direção a uma boate. Depois que entram em uma loja de conveniência, acontece um grande desastre. Acidentalmente, eles matam o proprietário oriental do estabelecimento e em seguida fogem para um motel. A partir daí, se desenrolam todas as relações conturbadas e violentas que vão permear a vida do trio, criando inclusive, um triângulo amoroso completamente atípico.

O filme trata-se de uma derivação das obras de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, repleto de “gore”, sexo, mortes, membros decepados, escatologia e tons psicodélicos, que ironiza a geração 90, e tem cenas que remetem a “Assassinos Por Natureza” (cujo roteiro era de Tarantino, mas a influência aqui é dissipada pela ausência de citações pop e diálogos interessantes), que mesmo treze anos depois de lançado, deve chocar mentes conservadoras. Mas o filme soa altamente divertido para quem não o levar a sério. E claro, a presença de Rose McGowan (que trabalharia com Rodriguez e Tarantino em no projeto “Grindhouse”) novinha, exibindo muitas de suas curvas, é um grande atrativo.

Assim, se encarado como diversão trash, o espectador talvez não ligue tanto para os excessivos “666” que surgem frequentemente na trama, a cabeça decepada que continua falando, os quartos de motel coloridos ou as pessoas que aparecem pelo caminho dos três, dizendo-se lembrar de Amy e, em seguida, tentando matá-la – quem não encarar a produção assim, deverá achá-la completamente “sem pé nem cabeça”.

Os atores encarnam com perfeição seus personagens, com aquele estilo um pouco “junkie”, largado, de rebelde sem causa autodestrutivo. E a direção de Araki (sem trocadilhos) não poupa closes nos miolos estourados, jorros de sangue e cenas tórridas de sexo.

Destaque para a trilha sonora, com músicas de artistas comemorados da década passada como Nine Inch Nails, Porno For Pyros, Jesus & Mary Chain, Aphex Twin, Pizzicato Five e The Verve, entre outros.

 

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Pra Quem Fica, Tchau! - 1971

Não sei a opinião dos leitores, mas acredito que a exibição de certos filmes brasileiros deveria constar na grade curricular de universidades, colégios e cursos, não apenas como ilustração para métodos educacionais, mas também por joie de vivre, aquela espécie de lição que nossos avós nos deixam, que se resume em "aproveite a vida enquanto é tempo".

O cinema comercial do final dos anos 60 e início dos 70 estava repleto desse mandamento, que no fundo refletia a chamada "revolução jovem" -- a nova ordem mundial que fazia acreditar que era proibido proibir e que todo mundo com mais de trinta anos era digno de desconfiança. Ato contínuo, ganhar dinheiro no cinema também passou a significar vender não doença, estados mórbidos ou desgraças, mas liberdade, curtição e sexo: pulsões de vida, ou Eros, como diria Freud.

O cenário, forjado na Zona Sul do Estado da Guanabara (a atual cidade do Rio de Janeiro) e os protagonistas (a juventude dourada e abastada) estavam lá, à espera de quem quisesse vê-los. Foi assim que a chamada "pornochanchada" carioca nasceu e vingou, sendo exportada para os quatro cantos do país e, posteriormente, para a América do Sul e muitos países da Europa.

Filmes com rapazes e moças hypados, festas inacreditáveis, trilhas-sonoras pra frentex e Copacabana ao fundo acabaram sendo produzidos até o esgotamento, a ponto de, ainda na metade da década de 70, a maioria dos diretores e produtores que se dedicavam ao gênero terem começado a explorar o avesso disso na pobreza, nos subúrbios e periferias, algumas vezes com resultados também interessantíssimos.

Dentre os filmes iniciais da época de ouro das comédias urbanas cariocas as dirigidas e produzidas pelos irmãos Faria -- Reginaldo, Roberto, Rogério e Riva -- criaram uma espécie de modelo, a partir de "Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera", de 1966, e indo até "O Flagrante" de 75, quando a abordagem já trafegava para homens casados, não mais jovens em eternas férias. De fato, Reginaldo Faria já era um respeitável balzaquiano quando dirigiu seu filme de estréia "Os Paqueras" em 69, o que talvez tenha facilitado sua visão de um desfrute urgente e pleno.

"Pra Quem Fica, Tchau!" (1970) , segunda tentativa de Reginaldo na direção, explora uma recorrência do tema. Jovem chegado do interior, Lui (Stepan Nercessian) vai morar com o primo boa-vida em Ipanema, Didi (o próprio Reginaldo), que tem amigos da "estirpe" de Flávio Migliaccio e Hugo Bidet, com quem passa a se divertir e realizar importantíssima atividade: cantar o maior número de mulheres nas ruas de Ipanema e Copacabana.

Claro, não demora Lui se apaixona por uma das paqueras, a deslumbrante Maria (Rosana Tapajós), e, no esquema de qualquer trama romântica, a coisa evolui entre tropeços e acertos, festas psicodélicas e bodes homéricos. O minúsculo apartamento de Didi é um santuário da perdição; no entra e sai de garotas de minissaia e blusas coloridas fica claro que se a vida é só uma, aqueles meninos já tinham descoberto o que fazer de bom com ela.

Stepan Nercessian, que vinha de "Marcelo Zona Sul" e aos 16 anos crescia rápido, não só em tamanho mas em competência profissional, encontra no papel de mineiro deslumbrado uma proximidade com sua realidade de garoto criado no interior de Goiás. Reginaldo Faria e Flávio Migliaccio, rapazes mais crescidos, faziam ali uma espécie de transição para a idade adulta, enquanto Hugo Bidet se limitava a ser apenas Hugo Bidet.

Este último, quase sempre visto como personagem ao invés de ator, trabalhou em mais de duas dezenas de filmes, ainda que fazendo papéis parecidos. Figura folclórica de Ipanema, malandro até dizer chega, Bidet deve ter antecipado o fim daquela era no dia 11 de abril de 1977, quando no seu apartamento ipanemense, na rua Jangadeiros, deu um tiro na cabeça, limitando aos filmes e livros o prazer que proporcionava ao mundo com sua presença.

Odes à felicidade, com data certa para acabar mas vivida plenamente, os filmes de Reginaldo Faria precisam ser apreciados por gente de todas as idades. E se exibidos em clubes, escolas, motéis ou associação de moradores, fariam pessoas mais alegres, sociedades mais saudáveis e arrancariam tantos sorrisos nos rostos quanto em 1971. Assim como feriado prolongado e pipoca com guaraná, impossível que alguém em sã consciência desgoste-os, senão por motivos alheios ao bem-estar humano.

 

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PERDIDA EM SODOMA (1982) Minhateca / MEGA / DEPOSITFILES

Direção: Nilton Nascimento

ELENCO
Nicole Puzzi
Juca de Oliveira
Tania Gomide
Andrés Camargo
Silvia Gless
Maristela Moreno
Marthus Mathias
Maria Alba
Lia Furlin
Sérgio Hingst
Carmem Ortega
Noelle Fine
Alcione Mazzeo
Aldine Muller
José Lewgoy
Roberto Battaglin
Zilda Mayo
Nelci Martins

Marlene chega a São Paulo vinda do interior, onde foi criada por um casal amigo, querendo conhecer seus pais e contando apenas com um endereço onde recebe regularmente um mesada. Lá descobre que seu pai vai todas as noites a uma boate e é maltratada por ele ao perguntar por Giovana, sua mãe. Com a ajuda de Nassif, um gigolô, passa a procurá-la insistentemente. O pai, sentindo-se próximo da morte, reúne todas as filhas e indica pistas sobre o paradeiro da mãe no Rio de Janeiro. Nassif morre, e Giovana é acusada do crime. Na prisão, reencontra a filha. Com a ajuda de um advogado, descobre que Nassif morreu, na realidade, de ataque cardíaco. Inocente, Giovana é solta e Marlene retorna com a mãe ao interior. 

Excitação

EXCITAÇÃO (1977) / Minhateca

Dirigido por: Jean Garrett

ELENCO:

Betty Saady

Flávio Galvão Renato

João Paulo Ramalho

Kate Hansen Helena

Liana Duval

Zilda Mayo

Sabe-se que Jean Garrett tinha por hábito começar a polir os filmes desde os primeiros insights do argumento. Com base nessa linha-mestra, nesse esqueleto do que pretendia ver na tela, combinava então alguém para escrever o roteiro propriamente dito. A estratégia fusionou Garrett a tal ponto com sua obra que é preciso cuidado para não se colocar todos os trunfos – ou todos os erros – a favor do roteirista esquecendo-se do diretor, e vice-versa.

Assim foi o caso deste “Excitação” (1976), argumento e roteiro de Jean e Ody Fraga. Quarto filme do menino prodígio, logo em seguida de “Possuídas pelo Pecado” (1976) e imediatamente anterior ao factóide “Noite em Chamas” (1976). “Excitação” parte do pressuposto de se fazer cinema de “suspense”, permeado por cenas picantes que bancassem a bilheteria, além de aproveitar a fíbia tese de racionalismo versus “o grande além”.

O mundo dos espíritos se materializaria de sobra na cultura pop dos futuros anos 80, aproveitando, por sinal, o mesmo achado de “Excitação”: o poltergeist. Ectoplasmas que aterrorizam, olhos revirados, gritos, sustos e, no caso do exemplar nacional, eletrodomésticos que avançam na direção da mocinha ex-interna de sanatório, Helena (Kate Hansen).

Casada com o frio-calculista-cerebral-empresário responsável por triplicar a fortuna deixada pelo falecido pai, Helena tem em Renato (Flávio Galvão) o mal intencionado clássico. O tipo de homem com quem se divide os paninhos, sem saber que por trás existe um mundo de intrigas que a leva até ali.

Ao invés de um cemitério indígena – lenda urbana que costuma explicar tragédias das grossas –, a mansão para a qual se mudam foi palco de um suicídio que amaldiçoou o lugar. Paulo, ex-marido de Arlete (Betty Saddy), atual vizinha, se enforcou em um dos cômodos – impactante cena inicial, em que se nota a dobradinha entre Garrett e o fotógrafo, Carlos Reichenbach.

O set lembra o de “Karina, Objeto do Prazer” (1981) ou de “Mulher, Mulher” (1979). À beira-mar, o oceano grunhindo do lado de fora, a solidão para ser de um extremo que ajudasse a deteriorar cada vez mais a condição de Helena. Como a casa de “O Anjo da Noite” (1974), obra-prima de Walter Hugo Khouri – marco no cinema de horror brasileiro.

Em “Excitação”, porém, o choque entre sentidos exacerbados – excitados, dementes, de Helena – e cientificidade – rigor lógico, hipocondria, busca de controle, por parte de Renato – não alcança resultados de peso, deixando na superfície as patologias que em outros filmes de Garrett teriam caráter bem mais substancial. “A Mulher Que Inventou o Amor” (1979) é o exemplo fulminante, neste sentido.

Com os olhos fixos nos computadores pré-históricos da marca Burroughs – sim, da mesma família do escritor Sir William Burroughs –, Renato toma pílulas entre goles d´água, e à noite, ao chegar triunfante para a esposa, solta pérolas sobre construir uma das maiores “organizações de computadores [sic] da América Latina”.

O fetiche da modernidade também se instala em meio à decoração high-tech, mas se dilui de modo interessante na estratégia de chamar benzedeiros – da “Tenda Espírita Mãe das Águas” – para limpar os caminhos do local. Na casa ao lado, a prima de Arlete, Lu (Zilda Mayo) dança um roquenrou, em outro contraponto óbvio ao clima de misticismo.

A montagem por vezes incomoda, didática, esquemática; sonoplastia, idem. O clima de bossa nova, por exemplo, entre Renato e Lu – porque a praia e o instante pediam algo supostamente solar – quebra a fluidez em uma película na qual a tensão deveria ser o nó central.

Kate Hansen parece ter entendido a senha para sua personagem ensandecida, levada à loucura pelo marido e pela vizinha – que mantinham um caso desde antes da morte de Paulo. A atriz tenta o pulo do gato de uma grande performance, algo que chega a arranhar por nanossegundos na sua reaparição ocre, transfigurada, ao final.

“Excitação” não concretiza o apuro que poderia ter tido; somente abre uma passagem para o melhor na obra do diretor. Imerso no ceticismo e na voragem feminina, Jean Garrett alcançaria o lirismo em outros marcos – além do citado “A Mulher...”, confira-se “Tchau, Amor” (1982). Estes são os pontos que se interligam e deixam o testemunho de algo autoral, ainda que não compreendido plenamente por todas as hordas da intelligentsia.

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A Noite da Fêmeas (Ensaio Geral, 1976) / Minhateca

Durante o ensaio de uma peça teatral, quatro atrizes são envenenadas. Um censor chama a polícia e um inspetor para dar início às investigações. No interrogatório, todos os depoentes demonstram ter motivos para o assassinato.

Diretor: Fauzi Mansur

ELENCO

Kate Hansen, Nádia Lippi, Marlene França, Maria Isabel de Lizandra, Antônio Fagundes, Ewerton de Castro, Dionísio Azevedo, Elizabeth Hartmann, Sérgio Hingst, Lola Brah, Liza Vieira, Kadu Moliterno (como Carlos Eduardo)

 

Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel (2014) /Minhateca / MEGA

 Dirigido por Felipe Joffily

Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel tem sido “vendido” pelos realizadores da obra como um filme d´Os Trapalhões, no sentido da tentativa de recuperar a tradição da franquia de férias para a família – e sem legendas. As crianças podem até rir, mas será difícil para o papai, a mamãe e o vovô apreciarem da mesma forma o humor infantil – físico, bobo mesmo – da dupla Jorginho (Leandro Hassum) e Pedrão (Marcius Melhem), que salta agora do programa da TV Globo para a tela do cinema.

Trata-se de um projeto ambicioso de produção caprichada, recheado de cenas de lutas e referências a outros filmes – a começar pela cinematografia de Os Trapalhões, é claro, passando por Missão Impossível, A Dama e o Vagabundo, além dos personagens O Gordo e O Magro e os de Jerry Lewis, influências da dupla. São pontos positivos do longa-metragem dirigido por Felipe Joffily (Muita Calma Nessa Hora), bem como o apoio do roteiro em situações do tipo nonsense, como na cena em que os “heróis” fogem dos bandidos cruzando um corredor de portas ao estilo Scooby-Doo.

Mas prevalecem os clichês: cenas de sexo simulado “inocentemente”; mordomo francês "afrescalhado", briga com cachorro tipo Quem Vai Ficar Com Mary?; e já já não vai mais ser possível fazer piada com a gordura de Leandro Hassum, que passou recentemente pela cirurgia de redução do estômago (e esse dia há de chegar!).

Na trama, a socialite Gracinha de Medeiros (Christine Fernandes) contrata os atrapalhados seguranças Pedrão e Jorginho para tomarem conta do anel Tatu Tatuado de Topázio, uma herança de família, enquanto o objeto fica em exposição em um museu. Acontece que a jóia é roubada por uma quadrilha de ninjas e a dupla é acusada pelo furto e tem que provar sua inocência.

Uma sinopse, até, redonda – apesar de previsível e inverossímil na execução –, que ganha tons apelativos com o surgimento de uma quadrilha de portugueses comandada por Manuel Capone (André Mattos), interessada na relíquia. Em nada o bando contribui para a fluência do roteiro (assinado por Mauro Wilson e pelo próprio Melhem). Pelo contrário: o grupo só serve para inserir uma série de piadas preconceituosas a respeito dos lusitanos (da “burrice” ao bacalhau).

No fim, Os Caras de Pau resulta explicado demais: para que as crianças ainda sem muito repertório tenham ferramentas para compreender a história, ou uma forma de subestimar a inteligência do espectador?

 

DE PERNAS PRO AR 2 (2012)  / Minhateca / MEGA

Direção: Roberto Santucci

Elenco:

Ingrid Guimarães como Alice Segretto
Bruno Garcia como João
Maria Paula Fidalgo como Marcela
Eriberto Leão como Ricardo
Denise Weinberg como Marion
Cristina Pereira como Rosa
Christine Fernandes como Vitória Prattes
Eduardo Mello como Paulinho

Atrizes Convidadas
Tatá Werneck como Juliana Tavares
Alice Borges como Regina
Pia Manfroni como Valéria

Participação Especial
Luís Miranda como Mano Love
Rodrigo Sant'Anna como Garçom Geraldo
Wagner Santisteban como Leozinho
Edmilson Barros como Peão

Elenco Secundário
Kiria Malheiros como Alice pequena
Mabelle Louise como filha de Marcela
Dudu Sandroni como Dr. Rafael
Gil Hernandez como Marcão
Ignacio Aldunate como Estevão
Carlos Sato como Sr. Hiró
David Meyer como Mr. Gordon
Billy Blanco Jr. como Investidor americano
Bruno Bebianno como Investidor
Diego Kelman Ajuz como Investidor
Kate Lyra como Madre Mary
Jaime Leibovitch como Garçom
Emmanuel Pasqualini como Antoine

Dessa vez, a empresária Alice (Ingrid Guimarães) decide ampliar o prazer, quer dizer, negócio das sexies shops. Sua ideia é abrir uma filial na desejada cidade de Nova York, mas o maridão (Bruno Garcia) anda preocupado com o excesso de trabalho da esposa e, após um piripaque durante a inauguração da 100ª loja, ela acaba internada num SPA. Só que ninguém imaginava que até lá ela iria aprontar e, muito menos, que conheceria um cara que poderia mexer no seu futuro comercial e amoroso.

Quem viu aí um flerte com a comédia romântica (sim ele existe) é importante deixar claro que é pura azaração e fogo de palha, não servindo para convencer os amantes do gênero. Melhor ficar com a ideia de que a comédia, pura e simples, funcionou. Escrito por Paulo Cursino, Marcelo Saback e pela própria protagonista, o roteiro explora a conhecida "química" do binômio sexo/humor e não prentede oferecer um conteúdo mais profundo, mas é menos raso que o primeiro filme e, portanto, se distancia um pouco mais do humorístico (?) Zorra Total.

Com essa comicidade melhor elaborada, algumas situações tem potencial para provocar o riso e boa parte delas com Alice, como aquela sob efeitos de remédios numa reunião de negócios ou a trapalhada no restaurante, típica de comédias americanas bem aceitas pelos brasileiros. Boas também são as participações de Rodrigo Sant'anna (a Valéria do citado humorístico "global") e de Luis Miranda. Outros momentos já se aproximam mais das "bobeirites" comuns em programas de TV populares, como as cenas com a empregada vivida pela experiente Cristina Pereira, mas nada que afunde a produção.

De resto, para quem viu a primeira vez e não esqueceu, sai o coelho e entra o polvo (com duplo sentido). O resultado? Um filme com potencial para agradar uma camada substancial da sociedade. E ponto. Dirigida novamente por Roberto Santucci, se eles vão repetir (ou melhorar) o êxito de De Pernas pro Ar, que fez mais de 3.3 milhões de espectadores em 2011, só o tempo dirá. Mas dá para dizer que essa "segunda vez" foi melhor e muita gente vai achar o filme gozado. Cabe a você saber se estará nessa lista ou não.

 

De Pernas Pro Ar (2010) / Minhateca

Direção: Roberto Santucci

 ELENCO:

Ingrid Guimarães
Maria Paula
Bruno Garcia

A pornochanchada foi símbolo do cinema brasileiro durante várias décadas. Era comum ver algumas das maiores estrelas da época tirando a roupa no cinema, em cenas ousadas que podiam até ser dispensáveis, levando-se em conta o roteiro, mas faziam a alegria de boa parte do público. Reflexo do estilo caliente do brasileiro, que costuma falar abertamente sobre sexo. Por outro lado, a pornochanchada serviu também para criar um forte estereótipo sobre o cinema nacional, que aos poucos afastou o público. Na retomada do cinema brasileiro o sexo foi tratado como tabu, com poucos filmes explorando-o abertamente. Entretanto nunca deixou de existir, só que ficou mais pudico e menos explícito. De Pernas pro Ar fica no meio deste caminho. Não há cenas de nudez, mas há um forte apelo sexual graças aos brinquedos eróticos e suas utilidades, presentes ao longo de todo o filme.

A história é, de certa forma, simples. Alice (Ingrid Guimarães) é uma empresária de enorme sucesso no trabalho e um fracasso estrondoso em casa, não dando atenção ao marido e filho. Resultado: ele pede um tempo. Uma troca de encomendas faz com que acabe sendo também demitida, o que significa a ruína completa de seu mundo. Ao se aproximar de uma vizinha (Maria Paula), ela conhece uma nova realidade: a do prazer. Tanto no âmbito pessoal como no lado empresarial. Logo se tornam sócias em uma sex shop e investem na popularização do negócio, apostando firme no batido conceito consagrado pela Avon: a da venda de porta em porta.

De Pernas pro Ar fala de questões delicadas, que não costumam vir a público, como a do orgasmo feminino. Sempre em ritmo de piada, é claro, para amenizar o clima. Por este lado é um filme interessante, que toca mais fundo no público feminino por se reconhecer na história. Afinal de contas, é o relacionamento da mulher com o sexo que está em jogo, em um mundo onde é também cobrada para ser uma boa profissional, uma boa dona de casa, uma boa esposa e uma boa mãe. E, ainda por cima, diante de um universo machista, onde muitas vezes o prazer masculino surge como necessidade primária. Os primeiros 30 minutos do filme, no qual o mundo de Alice desaba e ela é apresentada ao país das maravilhas, ou seja, o orgasmo, dá bem esta ideia. É a mulher valorizando a si mesma, descobrindo o prazer e o amor próprio. Só que, apesar de jamais abandonar este conceito, o filme o deixa de lado.

A ladeira abaixo começa quando Alice tenta reatar o casamento com João (Bruno Garcia). Apesar do bom truque de esconder o rosto do marido, o que se vê é uma profusão de brincadeiras envolvendo os apetrechos eróticos. Tudo porque Alice, temerosa com a reação de João, não conta que agora trabalha em uma sex shop. O prazer feminino torna-se então comércio, sem maior aprofundamento na questão pessoal. A divisão entre trabalho e família volta à tona, de forma que não seja possível a coexistência pacifica entre ambos. Ou seja, Alice volta ao reduto que estava até então, agora consciente de sua situação. Só muda de endereço - comercial, no caso.

É claro que há várias situações envolvendo o inusitado e, em certos casos, a vergonha pela exposição de questões tão íntimas quanto o sexo. Algumas cenas até são boas, como a da partida de futebol, mas em muitos casos apelam para frases de duplo sentido, estereótipos e uma suposta ingenuidade em relação ao tema. Há também Maria Paula, a vizinha, com sua voz supostamente sedutora e o exagero na maquiagem. Por outro lado, Ingrid Guimarães segura bem o ritmo, graças ao seu timing cômico.

De Pernas pro Ar é um filme que trata de questões importantes, mas procura sempre o caminho fácil. Prega a descoberta do prazer feminino, mas também defende que as mulheres precisam se decidir entre a vida pessoal e o trabalho, lidar com ambos ao mesmo tempo não dá. Ou seja, há uma aura de modernidade usada para reforçar velhos preceitos. Como comédia, para fazer rir sem pensar muito, até funciona em alguns momentos. Mais do que isso, não. É uma bobagem travestida de uma falsa profundidade.

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Mate-me Mais Uma Vez (Kill Me Three Times, 2015) Dublado Mega / Minhateca

Diretor: Kriv Stenders

Elenco:

Simon Pegg as Charlie Wolfe

Alice Braga as Alice Taylor

Sullivan Stapleton as Nathan Webb, a dental surgeon with a gambling debt

Teresa Palmer as Lucy Webb, Nathan's wife and receptionist

Luke Hemsworth as Dylan Smith

Callan Mulvey as Jack Taylor

Bryan Brown as Bruce Jones, a corrupt cop

Matando com estilo. Originalidade! Talvez esta seja uma das qualidades mais escassas no cinema da atualidade, principalmente por conta dos reboots e continuações que, em tese, já são garantia de sucesso. Porém, ainda somos agraciados com produções que concedem frescor ao cinema devido a forma interessante como que é conduzido, tanto na narrativa quanto nas interpretações. O obra que poderia receber um título nesse quesito vem da Austrália e tem o curioso título de MATE-ME MAIS UM VEZ (Kill Me Three Times, no original). Aqui, Simon Pegg interpreta o assassino de aluguel Charlie Wolfe, que é contratado por Jack Taylor (Callan Mulvey) para matar a infiel esposa Alice Taylor (Alice Braga), entretanto, durante suas buscas para execução do contrato, ele descobre que existem mais pessoas interessadas no assassinato. A partir daí somos surpreendidos com diversas situações que vão moldando o enredo de forma pouco tradicional, juntando elementos e variando entre o presente e passado, mas sempre criando sentido na narrativa. Essa estratégia da montagem lembra o estilo de filmes de Tarantino, pois não são explicados de forma linear. O interessante que isso ainda vai apresentando outros personagens de forma pontual e não invasiva, fazendo com que todos tenham sua devida importância na história. Nitidamente orçado sem muitas verdinhas para gastar, o diretor Kriv Stenders foi competente o suficiente para unir um ótimo elenco em uma histórica cuja simplicidade ganha ares amplos e repleto de reviravoltas, isso ainda fazendo uso de elementos como comédia, ação e suspense, sempre bem dosados para que o filme não seja puramente caracterizado como um deles. Ainda chama atenção a presença de Luke Hemsworth (irmão de Chris e Liam Hemsworth), do carismático Bryan Brown interpretando um policial corrupto e caricato ao extremo e, evidentemente, do hilário Simon Pegg que consegue ser engraçado só com o olhar. Liberdade criativa e inventividade fizeram desta produção uma pequena obra prima do cinema. Além do elenco bem entrosado, uma montagem inteligente, violência na medida (as vezes explícita em excesso) e uma história cheia de reviravoltas fizeram de MATE-ME MAIS UMA VEZ um exemplo de produção que merece ser assistida e tem potencial bem acima da média.

 

VIPs (2010) / Minhateca

Quem pretende ver o filme ligado no trabalho do ator Wagner Moura ou, mais especificamente, conectado com o sucesso de Tropa de Elite 2 deve ficar alerta porque nessa nova produção não existe o menor resquício de Capitão Nascimento e é justamente isso que a transforma VIPs num programa interessante. Na história, Marcelo (Moura) é um jovem criado pela mãe (Gisele Fróes) e demonstra, com a ausência da figura do pai, dificuldades de se encontrar na vida. Personagem de um mundo só seu, mas povoado pelos outros, ele reina absoluto em sua busca por uma identidade, nem que para isso tenha que inventar uma ou, pior, roubar a de alguém. 

Inspirado nas experiências do criminoso real condenado por tráfico de drogas que enganou um monte de gente, como a célebre gafe cometida pelo apresentador de televisão Amaury Jr, o longa tem começo, meio e fim bem definidos. E nele você vai conhecer o perfil de um cara que resolveu tomar as rédeas do destino e com a ajuda do acaso, que conspirou a favor, acabou vivendo uma intensa aventura. É quando Marcelo vira Dumont no Mato Grosso do Sul para depois tornar-se Carrera no Paraguai, transformando-se mais tarde em Henrique Constantino, em pleno carnaval de Recife. Explorando de maneira hábil o constante conflito do personagem, a pergunta que fica é: Quem ele pensa que é? 

Dirigido por Toniko Melo, publicitário com experiência em documentários, mas debutante na ficção, o filme foi produzido pelo brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e bancado pelos gringos do estúdio Universal. O resultado é um produto com apuro técnico na captura das imagens, som e na edição, envolvendo você facilmente na trama ilustrada por boa trilha sonora regada a saudosa banda Legião Urbana. Destaque, inclusive, para a divertida passagem em que Carrera solta os bichos interpretando Renato Russo no Paraguai. Das referências sapecadas no roteiro, a forte ligação de Marcelo com a aviação se faz presente no simples confeccionar de uma gaivota de papel, quando preso pela Polícia Federal ou na sua vibração durante a primeira decolagem, gritando "Tora! Tora! Tora!", provável (?) alusão ao clássico de 1970 sobre o ataque de Pearl Harbor. Curiosamente, uma pequena mancada do longa está numa sequência em que o personagem diz para os amigos traficantes não entender bem o significado de um voo kamikaze. Logo ele que sabe tudo sobre o tema?  

De qualquer forma, prepare-se para encarar um roteiro que explora o efeito dominó com um pouco de humor, suspense, drama e apresenta muito daquele cinema de qualidade, cujo objetivo principal é o entretenimento, mas sem deixar de lado a reflexão numa crônica social recheada de metáforas e salpicada de valores rasos típicos da sociedade brasileira. Virulento, intrigante, pertinente e sarcástico. VIPs.

 DIREÇÃO: Toniko Melo

ELENCO

Wagner Moura ... Marcelo Nascimento da Rocha
Gisele Fróes ... Silvia
Jorge D'Elía ... Patrão
Emiliano Ruschel ... Fausto
Roger Gobeth ... Renato Jacques
Juliano Cazarré ... Baña
Arieta Corrêa ... Sandra
Norival Rizzo ... Pai de Marcelo
João Francisco Tottene ... Marcelo Nascimento da Rocha (criança)
Amaury Jr. ... Amaury Jr.
Marisol Ribeiro ... Moça no resort

VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso (2010)

Direção: Mariana Caltabiano

Marcelo Nascimento da Rocha levou uma vida repleta de mentiras e golpes aplicados nas mais diversas pessoas. Fingindo ser sobrinho do diretor de uma companhia rodoviária ele conseguiu viajar várias vezes sem pagar. Aprendeu a pilotar aviões ao trabalhar para contrabandistas, que atuavam na fronteira do Brasil com o Paraguai. Seu golpe mais conhecido foi quando fingiu ser Henrique Constantino, filho do dono da companhia de aviação Gol, em um evento patrocinado por ela em Recife. Entrevistado pela diretora Mariana Caltabiano, Marcelo conta seus feitos diretamente da prisão. 

 

 

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Também Somos Irmãos - 1949

Um filme de José Carlos Burle com Vera Nunes, Grande Otelo, Aguinaldo Camargo, Ruth De Souza

Um viúvo cinquentão, que não pode ter filhos, adota quatro crianças: duas brancas e duas negras. Na infância tudo correu bem, mas com o correr do tempo as coisas foram se modificando. As limitações aos negros vão se acentuando e chegam a tal ponto que se transformam em verdadeiras humilhações. 

TRAMPOLIM DO FORTE (2010)

Primeiro longa de João Rodrigo Mattos, "Trampolim do Forte" tem protagonistas que transitam no mesmo universo dos "Capitães da Areia", de Jorge Amado, atualizado para a Salvador contemporânea. Os meninos Déo (Lúcio Lima) e Felizardo (Adailson dos Santos) se alternam entre suas casas e a rua.

Déo sai de casa depois que sua mãe, Generosa (Cláudia Di Moura), briga com o marido alcoólatra e violento e desaparece. Já Felizardo está em permanente conflito com a mãe, Dona do Céu (Marcélia Cartaxo), que recolhe o dinheiro da venda de picolés para pagar dízimo à igreja.

Déo e Felizardo fazem parte de uma turma que se encontra em um trampolim na praia do Porto da Barra. Os saltos, filmados com beleza, são os momentos em que o filme respira poesia.

Vários personagens e tramas se somam ao núcleo principal. Se, em momentos, Mattos consegue imprimir um colorido interessante ao painel social, em outros, cai num esquematismo barato, principalmente quando toca em religião e exploração da prostituição infantil.

Os momentos mais bem resolvidos são aqueles em que o filme se desfaz da obrigação de "transmitir uma mensagem". Alcança, assim, alguns instantes de beleza verdadeira, que se impõem mesmo diante da interpretação às vezes titubeante dos atores mirins.

Os momentos menos bem resolvidos são aqueles em que João Rodrigo Mattos se esquiva de enfrentar os problemas que o próprio roteiro, de sua autoria, criou.

Isso ocorre principalmente com o mistério em torno de Tadeu, "o rei das criancinhas", um estuprador assassino, narrado de forma frouxa e com um desfecho

MINHATECA  Parte01 / Parte02

MORTE E VIDA SEVERINA (2010) / MEGA

Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.

CARANDIRU (2003) / Minhateca

Fotografia impecável, cortes precisos, trilha sonora envolvente, um tema fascinante, uma produção de primeiríssima linha. Mas mesmo assim Carandiru não emociona. Por que? Talvez porque entre o projeto inicial e a sua estréia nos cinemas, o Brasil tenha conhecido um fenômeno cinematográfico muito mais empolgante chamado Cidade de Deus. No filme de Fernando Meirelles, o realismo explode na tela. Perde-se o limite entre o documental e a ficção. Os atores mais experientes se mesclam perfeitamente com os mais novatos dos estreantes. Cidade de Deus é câmera na mão, é sabor de improviso bem realizado, é coração batendo forte e emoção presa na garganta. Carandiru, por outro lado, permite que a técnica precisa e o capricho em todos os detalhes falem mais alto e mais forte que a emoção que o tema deveria transpirar em todos os seus poros.

Em Carandiru, fica sempre muito claro que, sim, são atores interpretando marginais. Rodrigo Santoro pode estar ótimo, mas continua sendo Rodrigo Santoro interpretando Lady Di. A verdadeira Lady jamais sai da bidimensionalidade da tela para ganhar a tridimensionalidade da emoção da platéia. Em Cidade de Deus, Zé Pequeno é Zé Pequeno e ninguém mais. Ele sai da tela diretamente para assaltar nosso carro na esquina. E o público até se esquece que está vendo um filme. Este, aliás, é o principal problema de Carandiru: em nenhum momento a platéia se esquece que está vendo um filme. Tudo é frio, distante, marcadamente interpretado. O que certamente é uma pena para um filme tão aguardado, baseado num livro de tanto sucesso, e retratando um assunto que poderia estar gerando tanta polêmica.

Para quem não acompanhou, Carandiru é baseado no livro "Estação Carandiru", best-seller de Drauzio Varella, que durante vários anos foi médico da famosa penitenciária que dá nome ao filme. Varella transformou-se em amigo e confidente de centenas de detentos. Ouviu suas histórias e as relatou por escrito sem tomar partidos, e com o cuidado de trocar os nomes. Um de seus famosos pacientes - o cineasta Hector Babenco - o convenceu a transformar sua experiência em livro. Varella aceitou a idéia e acabou escrevendo um fenômeno de vendas da literatura brasileira.

Coube ao próprio mentor da idéia sua transposição para o cinema.

DIREÇÃO: Hector Babenco

ELENCO:

Luiz Carlos Vasconcelos
Milton Gonçalves
Ailton Graça
Rodrigo Santoro
Maria Luisa Mendonça
Wagner Moura
Lázaro Ramos
Caio Blat
Milhem Cortaz
Ivan de Almeida

 

JANGO (1984) / Minhateca

Dirigido por Sílvio Tendler

O filme refaz a trajetória política de João Goulart, o 24° presidente brasileiro, que foi deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. Goulart era popularmente chamado de "Jango", daí o título do filme, lançado exatos vinte anos após o golpe. A reconstituição da trajetória de Goulart é feita através da utilização de imagens de arquivo e de entrevistas com importantes personalidades políticas como Afonso Arinos, Leonel Brizola, Celso Furtado, Frei Betto e Magalhães Pinto, entre outros. O sugestivo slogan do filme foi "Como, quando e por que se derruba um presidente".

O documentário captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 sob o contexto histórico da Guerra Fria.Jango narra exaustivamente os detalhes do golpe e se estende até os movimentos de resistências à ditadura, terminando com a morte do presidente no exílio e imagens de seu funeral, cuja divulgação foi censurada pelo regime militar.

DUAS VEZES COM HELENA (2001)

A relação entre o professor Alberto e seu aluno favorito Polydoro é perturbada pelo casamento de Alberto com Helena, com a mudança de vida e de longa duração que traz consequências para todos eles.

Dirigido por Mauro Farias

Elenco:

Fábio Assunção .... Polydoro
Christine Fernandes .... Helena
Carlos Gregório .... Prof. Alberto
Cláudio Corrêa e Castro .... Padre
Duda Mamberti .... Médico

Flamengo: Penta Tri - A Hegemonia / Minhateca

O campeonato parecia perdido. Resultados ruins, salários atrasados e brigas internas. Em meio a este temporal, Fábio Luciano anuncia que vai pendurar as chuteiras e pede aos jogadores que lhe ajudem a ser campeão pela última vez. Mobilizado pelo poder de liderança do capitão, o time se transforma e não perde mais nenhum jogo.
O Fla é Tri de novo, desta vez com um sabor especial.
Ao conquistar seu 31° título estadual, derruba o domínio de 103 anos do rival das Laranjeiras e alcança a hegemonia absoluta do futebol carioca.
Com todos os gols da campanha, entrevistas inéditas, imagens de bastidores e da torcida rubro-negra, PENTA TRI – A Hegemonia registra este capítulo inesquecível da história do Mengão. Traz ainda um show de imagens da finalíssima, com cinco câmeras exclusivas e novas músicas compostas pelo cantor Rogê. 

 

Garotas e Samba (1957)

Minhateca Parte01 / Parte02

Uma das mais divertidas comédias musicais da Atlântida, nos conta às aventuras e desventuras de duas moças do interior em busca de uma oportunidade no rádio e nas badaladas boites do Rio. Adelaide Chiozzo e Sônia Mamede fazem as interioranas que se hospedam na tradicional pensão para moças, contrlada a mão de ferro por uma solteirona, puritana e complexada - Zezé Macedo.

Direção: Carlos Manga

ELENCO
Renata Fronzi
Adelaide Chiozzo
Sonia Mamede
Francisco Carlos
Zé Trindade
Jece Valadão
Zezé Macedo
Pituca
César Ladeira
Terezinha Morango
Ivon Cury
Emilinha Borba
César de Alencar
Cyl Farney
Isaurinha Garcia
Jorge Goulart
Berta Loran

 

A Estranha Hospedaria dos Prazeres (1976) Mega / Minhateca

O roteiro do filme segue uma linha no qual o Rubens Francisco Luchetti é conhecido, que remete também aos seus trabalhos em quadrinhos de horror, no qual há uma mistura de sobrenatural com fantasia e mistério. O prólogo de “A Estranha Hospedaria dos Prazeres” é desnecessariamente longo e é ali onde vemos o personagem Zé do Caixão pela única vez no filme, proferindo frases sobre vida e morte que são típicos do personagem. Apesar do longo prólogo, a ambientação da cena é muito bem feita, com tambores e um cenário que remete as loucuras de “O Despertar da Besta” (1970).

Após os créditos iniciais entramos de fato na trama do filme, um grupo de pessoas vai até a Hospedaria dos Prazeres para se candidatarem a vagas de empregos, é nesse instante que no meio de falatórios das pessoas surge o personagem de José Mojica, que se revela como o dono da hospedaria. Ele é um senhor de poucas palavras, bastante calmo e enigmático. Assim, ele seleciona duas pessoas para se juntarem a hospedaria, de uma maneira um tanto quanto estranha.

A medida que o filme caminha mais pessoas vão surgindo para se hospedar nessa estranha hospedaria, todos são recebidos por Mojica, que com algumas frases enigmáticas e de filosofia barata diz quem vai ou não se hospedar ali. No fim temos vários núcleos em diferentes quartos, desde um casal a um grupo de vários jovens que estranhamente se amontoam no mesmo quarto.

O filme, infelizmente, possui vários problemas, ele está muito longe de chegar perto de grandes obras de Mojica, como o já citado aqui “O Despertar da Besta“. Os personagens (e são muitos) não sou aprofundados e eles acabam sendo jogados a um nível absurdo de simplicidade. O protagonista (Mojica) também não possui carisma para se sustentar no filme todo, apesar de ser um personagem interessante, ele acaba se tornando muito repetitivo com suas frases enigmáticas sobre a vida. E dessa forma o filme vai caminhando, bem truncado por sinal, parece que ele se segura muito para chegar aos seus 80 minutos de projeção e vai se desenrolando de uma forma quase imperceptível.

A trama ganha uma pequena força quando se aproxima do final, mas infelizmente o final que era pra ser surpreendente acaba ficando óbvio antes mesmo da metade do filme. Mas é interessante ver como os personagens vão reagindo ao se depararem com seus destinos e algumas cenas com flashbacks que mostram como eles chegaram até a hospedaria dão um certo gás à obra.

O final do filme, que é o seu grande trunfo, só não é mais impactante, pois com tantas repetições de cenas, o filme te explicita aonde ele quer chegar, o tornando previsível como já disse, o que é uma pena. Mas, apesar de alguns furos no roteiro, personagens rasos e caricatos, a ambientação de “A Estranha Hospedaria dos Prazeres” é muito boa, a cenografia é ótima e algumas cenas criam um clima perfeito de terror fantástico, pena que essas cenas não são muitas.

A Estranha Hospedaria dos Prazeres” é um filme que fica muito abaixo do nível da filmografia de horror do Mojica, serve ‘apenas‘ como uma curiosidade para quem busca ver os trabalhos ‘menores‘ que o Mojica realizou. Mas mesmo assim é uma produção de horror nacional muito inventiva e que tinha ótimas ideias, pena que a maioria delas não funcionaram muito bem.

Falar sobre esse filme num dia de comemoração para o Mojica pode não ser muito coerente, mas é interessante sempre resgatar outras obras do diretor, que não possuam um grande nome como seus outros clássicos, mas que servem como um estudo mais aprofundado em sua filmografia. Enfim, vida longa ao nosso grande nome do cinema de horror: o eterno Zé do Caixão, o eterno José Mojica Marins!

Diretor: Marcelo Motta

ELENCO
José Mojica Marins
David Hungaro
Alfredo de Almeida
Giulio Aurichio
Elza Fereira
Caçador Guerreiro
Marizeth Baumgarten
Jorge Peres
Vincenzo Colella 

Patati Patatá 4 - No Mundo Encantado (2010)

Neste DVD, Patati Patatá faz a festa com a garotada cantando e dançando 15 músicas de grande sucesso, intercaladas a números de mágica.

Patati Patatá 5 - Os Grandes Sucessos (2010)

 Desde a década de 80 Patati e Patatá vem animando crianças e adultos, com seu carisma e alegria contagiantes. Uma história de sucesso que confirma o apelido de ‘a dupla de palhaços mais amada do Brasil’, com milhares de fãs no país inteiro. Eles têm inúmeras músicas de sucesso, fazem muitas palhaçadas e sabem como divertir as crianças. Em “Os Grandes Sucessos de Patati Patatá” estão reunidos os melhores vídeos já gravados pelos palhaços e algumas das suas mais animadas canções, como Se você quer sorrir e A dança do macaco. A supercompilação ainda traz nos seus extras e karaokê, desenhos animados e histórias engraçadas. Este é, sem dúvida, um presentaço para o Dia das Crianças.

Patati Patatá 6 - Volta ao Mundo (2010)

Neste trabalho, Patati Patatá convida as crianças para dar a volta ao mundo num tapete mágico de sonho e alegria. Além disso, este produto mostra as diferenças culturais entre as nações, valoriza a paz mundial e a amizade.

 

Patati Patatá - A Vida É Bela (2014)

São 14 músicas INÉDITAS, cantadas pelo Patati Patatá sendo uma delas, uma nova composição da música “Luzes da Ribalta” com a participação especial de Heidi Maria.

 

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Filme Demência (1986)

Depois que a indústria de cigarros que herdou da família vai à falência, Fausto entra em crise e passa a confrontar-se com suas utopias, desejos e pesadelos. Ele rompe com Doris, sua esposa infiel, rouba um revólver, e vaga pela noite de São Paulo em busca de Mira-Celi, seu paraíso imaginário. Ao longo do trajeto, Fausto encontra personagens emblemáticos de sua existência: o amigo de infância Wagner, a amante suburbana Mércia, o visionário guru Honduras, e, sobretudo, Mefisto, que surge transvestido de várias formas. Impulsionado por iluminações, o protagonista ruma a um caminho de profunda autodescoberta.

Diretor: Carlos Reichenbach

ELENCO
Ênio Gonçalves ... Fausto
Emílio de Biasi... Mefisto entre tantos outros
Imara Reis ... Doris
Fernando Benini ... Wagner
Rosa Maria Pestana ... Mércia
Kátia Lopes ... Prostituta
Júlio Calasso Júnior ... Bandido
Cláudio Willer ... Poeta de boteco
Benjamin Cattan ... Dr. Stroheim
Alvamar Taddei ... Prostituta
Carina Cooper ... Prostituta
Liana Duval ... Senhora da mesa
Valeska Canoletti ... Menina do sonho
Renato Máster ... Dr. Gildo Lobo
Roberto Miranda ... Dr. José Carlos Barata
Orlando Parolini ... Honduras
John Doo ... Vendedor de carros
Benê Silva ... Bandido
Jairo Ferreira ... Professor de lógica
Carlos Reichenbach ... Mensageiro
Wilson Sampson ... Isidoro
Vanessa Alves ... Caronista
Norberto Fayon ... Nevermore
Nelo De Rossi ... Perito da falência  

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OS MATADORES (1997) / Minhateca

Dirigido por: Beto Brant

Elenco:

Adriano Stuart Chefão

Chico Díaz Múcio

Jason Verga Supporting Actor

Maria Padilha Helena

Murilo Benício Toninho

Stênio Garcia Duão

Wolney de Assis Alfredão

Estréia na direção do curta-metragista paulista Beto Brant, numa fita muito elogiada pela crítica mas de restrito acesso popular. É realmente acima da média. Tem uma direção de atores competente, um linguajar fluente, uma narrativa curiosa, mas também tem a mania de se demorar demais em certas cenas (em particular, quando atores ficam se exibindo, como Murilo com o revólver à la ''Taxi Driver'', Chico esperando o ônibus ou a amante no motel). O mais grave é a falta de um final de maior impacto, concluindo em baixa.

O diretor tem talento, como fica aparente ao cruzar duas histórias - um carioca (Murilo Benicio, um ator adepto a compor personagens) que vai para o interior virar matador profissional com ajuda de um veterano (Volney), ambos trabalhando para um coronelão (Adriano, sempre bom).

Explica-se muito pouco sobre a psicologia dos personagens e não se aprofunda nada. De qualquer forma, paralelamente, vai se contando a história de outro matador chamado de paraguaio (Chico Diaz, que fala o tempo todo em castelhano razoável), que é implacável, mas que foi morto de maneira suspeita (quem o matou e como foi a morte é o suspense do roteiro). Até as duas histórias se cruzarem. O diretor Brant fez depois ''Ação Entre Amigos'' e ''O Invasor''.

 

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Manôushe (1992)

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SENHA PARA DESCOMPACTAR: cinecult

Na escuridão de uma noite rural, um clã de ciganos se junta para honrar seu amado patriarca em um ritual de música e dança. Nesta festividade, a idosa viúva começa a se lembrar, através de uma série de flashbacks, do início de seu romance repleto de aventuras.

Direção: Luiz Begazo

ELENCO
Breno Moroni
Drica Moraes
Telma Reston
Alfredo Murphy
Luyza Fevhuime
Julio Levy
Mabel Martin
Los Romeros
Lélia Abramo
Candido Pires 

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Louco Por Cinema - 1994

Um filme de André Luiz Oliveira com Nuno Leal Maia, Denise Bandeira, Roberto Bonfim, Jairo Mattos

Nos anos 70, um diretor de cinema é encontrado morto nas filmagens de sua nova obra. Ao lado do corpo de Eugênio, o jovem Lula, que apresentando sinais de insanidade, é preso em um manicômio judiciário. 20 anos depois, Lula detém as pessoas do manicômio e revela que só vai liberar os reféns quando tiver o direito de terminar o filme que Eugênio não conseguiu.

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Fruto do Amor - 1980

Dois cientistas malucos desenvolvem um projeto "revolucionário": dois soros capazes de reverterem as "piores patologias sociais" que eles conhecem - um dos produtos transformaria bandidos em pessoas dóceis, e o outro esterilizaria mulheres e as deixaria com medo da procriação.

Um filme de Milton Alencar com Paulo Cesar Pereio, Ruth De Souza, Claudioney Penedo, Rodolfo Arena

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O Cego Que Gritava Luz - 1996

Direção: João Batista de Andrade

Elenco: Tonico Pereira, Roberto Bomtempo, Carmem Moretsohn, Luciano Porto, Guilherme Reis, Rafael Schenini

Às margens do lago Paranoá, em Brasília, um contador de histórias entretém todos os dias os freqüentadores de um bar com suas narrativas. Mas ele reluta em levar até o fim uma de suas histórias: a do assassinato de duas meninas, que teve como única testemunha um rapaz cego, que tateou o rosto de um dos assassinos.
Pressionado por seus ouvintes, Dimas finalmente concorda em revelar o final da história. Antes, porém, volta ao seu início. Fala da luta entre dois poderosos agentes imobiliários pela posse do lago e do conflito que se instalou entre eles e um grupo de posseiros, liderados por Pedro, um homem esperto, que soube explorar as desavenças entre os agentes, mantendo seu povo na área disputada. O relato vai surpreendendo os freqüentadores do bar e um deles abandona a passividade para assumir papel importante na solução do mistério e na revelação de por que o contador de histórias evitava chegar ao final de sua narrativa.

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Os Senhores Da Terra - 1970

Um jagunço é contratado para matar um coronel. Enquanto trama o crime, apaixona-se pela enteada de sua vítima e fica sem ação. O contratante se une então ao delegado da cidade e a um engenheiro, que representa o poder tecnocrático. O coronel morre, um novo poder se constitui e o jagunço foge com a amada para as serras.

Dirigido por Paulo Thiago

Elenco:

  • Rodolfo Arena...Coronel Floro
  • Milton Moraes...Delegado
  • Paulo Villaça...Engenheiro
  • Roberto Bonfim...Judas
  • Ausonia Bernardes...Rosa Viviana
  • Angelito Mello...Coronel Mendes Medeiros
  • Waldir Onofre
  • Jorge Gomes
  • Noemi de Andrade

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"Zootopia", de Byron Howard e Rich Moore

Animação da Disney vencedora de vários prêmios em Festivais de animação, inclusive indicada ao Oscar da categoria, é uma deliciosa aventura sobre um mundo utópico onde animais convivem em harmonia. Nessa grande Metrópole chamada Zootopia, animais predadores e presas vivem pacificamente, contrariando o instinto animal que perdurou por milénios. Judy é uma coelhinha que veio da cidade Toca do coelho com a determinação de ser uma policial. Seus pais desaprovam, pois acham que o destino dela é trabalhar na fazenda deles e que policial é função para homens. Mas Judy é determinada. Ao chegar na cidade ela sofre bullying no trabalho, um ambiente predominantemente masculino. Mas aos poucos ela vai conseguindo almejar o seu espaço, principalmente quando ela resolve investigar o porque de vários predadores voltarem a se tornar animais violentos. Para isso, ela conta com a ajuda da raposa Nick, um tipo trapaceiro e malandro. Com um excelente time de dubladores americanos, liderados por um Jason Bateman alucinado de bom no papel de Nick, " Zootopia" me surpreendeu positivamente em todos os aspectos. O roteiro é excelente, ao falar sobre preconceitos, feminismo e bullying. A direção é dinâmica e os personagens , muito carismáticos. Várias cenas antológicas, onde destaco duas: a homenagem a " O poderoso chefão", na figura de um ratinho gangster, e a hilária cena na repartição pública, com bichos preguiça representando os funcionários burocratas. Muito bom. Shakira interpreta Gazelle, uma pop star amada pela população. Altamente recomendável, talvez mais para adultos do que para as crianças.

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O HOMEM DO CORPO FECHADO

Elenco:

  • Roberto Bonfim como João de Deus
  • Esther Mellinger como Dinorá
  • Milton Ribeiro como Cansanção
  • Angelito Mello como Coronel Trajano
  • Lorival Pariz como Turibio
  • Jorge Karan
  • Ruy Polanah
  • Emanuel Cavalcanti
  • Jota Dângelo
  • Renato Andrade
  • Ivan de Souza
  • Miro Reis
  • Álvaro Cordeiro
  • Ernesto Moura
  • Sérgio Ricci
  • Aloysio Vianna

 

Em 1972, Minas Gerais viu nascer, por entre suas montanhas, o longa-metragem que foi considerado o primeiro faroeste brasileiro autêntico, "um filme com herói e vilão, plantado numa realidade histórica e sem nenhuma afinidade com os filmes de cangaço", como está descrito nos créditos do cartaz de lançamento.

Estréia de Schubert Magalhães em longas-metragens, "O Homem do Corpo Fechado" conta a história do vaqueiro João de Deus, que tem seu corpo "fechado" pelo avô Cansanção.

Depois de empregar-se e fazer um "serviço" para o coronel Trajano, vivido por Angelito Mello, o protagonista apaixona-se por Dinorá, interpretada por Esther Mellinger, que é mantida prisioneira por seu patrão.

Ele a sequestra e os dois passam a ser perseguidos por jagunços designados pelo coronel pelos chapadões do sertão das regiões Central e Norte de Minas.

A Viúva Virgem - 1972

Direção: Pedro Carlos Rovai

ELENCO:
Adriana Prieto
Jardel Filho
Carlos Imperial
Marcelo Marcello
Darlene Glória
Sônia Clara
Henriqueta Brieba
Álvaro Aguiar
Ibanez Filho
Meiry Vieira
Carlos Prieto
Neneu
Otávio Augusto
Flávio Chaves
José Milfont
Samuel Gassman
Janete Blati
Mário Telles
Jota Gomes
Júlia Lima
José Lewgoy
André José Adler
José Augusto Branco
Wilson Grey

Carlos Imperial é o nome do homem. Carioca do Espírito Santo, criado em Copacabana, de Imperial há muita coisa boa a se falar e apenas um ou outro deslize em sua rocambolesca “carreira”. Produtor e diretor musical e cinematográfico, compositor, jornalista, escritor, apresentador de programas de auditório, e, em certa época da vida, ator bufo dos melhores, Carlos Imperial foi um destes loucos que não existem mais, por quem o Brasil deveria babar de orgulho.

Mas pelo contrário, antes das trevas do esquecimento onde mergulharam sua memória hoje em dia, imprimiu-se a versão de um Imperial aproveitador, canalha, sem cultura e salafrário. Nada mais injusto para alguém que dedicou sua vida a criar. Com um décimo da versatilidade e da grandeza cultural de um Carlos Imperial, a maioria dos intelectuais brasileiros teria conduzido uma revolução positiva no país da segunda metade do século XX, ao invés de se enclausurarem nas cátedras medíocres de nossas universidades públicas deficitárias.

Existe, portanto, um ramo da cultura brasileira onde o malandro, o gordo cafajeste, o terror da Rua Miguel Lemos, Carlos Imperial, é sinônimo de história e selo de qualidade. Junto com Adriana Prieto, Jardel Filho e Darlene Glória, é ele quem dá a tônica em “A Viúva Virgem” (1972), intrincada comédia de situação, campeã de bilheteria naquele ano, contando a história de Cristina (Prieto), moça do interior de Minas, recém-casada com o ogro barbudo, Coronel Alexandrão (Imperial).

Desleixado e oleoso, o Coronel ganha na música do próprio Imperial – embebida dos hits rurais de Tim Maia, na fase “Coroné Antônio Bento” – sua melhor definição: “Uai, uai, coroné, coroné Alexandrão, deitou forte, bicho macho, povoou a região”. Pai de mais de setenta filhos, Alexandrão vai ao altar novamente, interrompe o padre (José Lewgoy) ao pedir para que se apresse, mas logo após os comes e bebes da recepção, enfarta sobre Cristina sem consumar o casamento.

A “viúva virgem” Prieto, que repetidas vezes ora diverte-se em cena – um vago sorriso no canto da boca, principalmente nas cenas com o endemoniado Imperial – ora parece perguntar-se aonde foi parar o estilo seríssimo de “Memória de Helena” (1969), estrelado por ela três anos antes – o momento em que hesita ao aceitar o Coronel na cama transparece um requinte interpretativo que não combina lá muito bem com os gracejos do filme.

A partir do enterro do morto, tem-se início a guinada em direção à cidade grande, quando acompanhada pela tia (Henriquieta Brieba), Cristina cumpre orientações médicas e pretende relaxar. Encontra, porém, Constantino Gonçalves (Jardel Filho), falsário que apresenta-se como industrial, dono da revendedora de sucos “Meu Limão, Meu Limoeiro” – na realidade, uma oficina mecânica caindo aos pedaços, especializada em lanternagem. A intenção, como não poderia deixar de ser, é a de aplicar-lhe um sonoro golpe do baú.

Constantino tem a idéia de criar o “Empreendimento Matrimonial Constantino Gonçalves”, vendendo pequenas cotas resgatáveis financeiramente após o enlace matrimonial com a pobre viúva. Quem o auxilia é a trupe formada por sua irmã Tamara (Darlene Glória), que namora o raquítico bicho-grilo Paulinho (Marcelo, astro de “Minha Namorada”, já resenhado neste blog) e é amiga de Janete (Sônia Clara) – garota no estilo certinha do Lalau, mas ensandecida, que vive dando pulos e cometendo gestos esdrúxulos, no contraponto à autoridade risonha de Tamara.

O imbróglio central, porém, está na hilária volta do Coronel, que vaga em espírito atormentando ex-mulher, Constatino e tia – que acaba servindo de “cavalo” ocasional para a incorporação do rotundo fazendeiro. Flutuando sobre os cômodos, indo à praia, aparecendo atrás de árvores ou de quatro, andando em gatinhas, Imperial é um show deslumbrante à parte, comanda o enredo e conspira de modo sobrenatural contra o estelionato do sr. Gonçalves.

Aumentando a população nas telas, muitos personagens seguem no encalço da virgem em ritmo de screwball comedy. Carlos Prieto, falecido irmão de Adriana, faz o amigo de trejeitos duvidosos. Otávio Augusto, de bigodinho, dirige um comercial. Wilson Grey, é bom que se diga, marca presença quando menos se espera, feliz que só, trocando olhares com Henriquieta Brieba.

Frustrado o golpe do baú, Cristina encontra o amor nos braços de Paulinho e é vista pela última vez ao seu lado, no carro cujo capô é tomado pelo vulto de Alexandrão. Sem mortos e sem feridos – apenas presos, por uma série de confusões num motel –, um comboio policial leva todos os atores, à exceção daquele trio, em clima de encontro de final de ano, sorridentes para um último passeio pela câmera do diretor Pedro Carlos Rovai. A cena final, como em filme brasileiro dos anos 70 que se preza, congela na imagem de Imperial mandando o espectador para aquele lugar.

Ninguém se importa, porque somos todos – espectadores, atores e diretor – convidados para a festa que, afinal, são os filmes e a vida deste monstro sagrado brasileiro. Treze anos depois do Coronel Alexandrão, Imperial seria candidato a prefeito do Rio pedindo voto para as crianças (“Eu sou a zebra, peça ao seu papai para votar na zebrinha!”), assumiu a função de apresentador fixo da apuração das notas do Carnaval carioca (“Beija-Flor de Nilópolis, dez, nota dez!”), até falecer e ir diretamente para o céu, sem escalas, em Novembro de 1992. Um tributo ao gênio.