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FILMES ESTRANGEIROS
FILMES ESTRANGEIROS

 

 

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O Professor Aloprado - 1996

Você reconhece o título porque é o mesmo do maior sucesso de bilheteria e crítica de Jerry Lewis, uma inteligente versão feita em 1963 do clássico ''O Médico e o Monstro''. Eddie Murphy refilmou a idéia com os recursos da moderna tecnologia e o resultado é seu primeiro êxito em muitos anos, marcando seu retorno ao sucesso depois de uma meia dúzia de filmes ruins.

Desta vez, Eddie fez tudo para acertar. Por vezes mirou baixo de mais. Se você é dos que se ofendem com piadas de banheiro, por vezes grosseiras, nem passe perto. Mas a garotada e pelo jeito os americanos também adoram esse tipo de humor, já que a fita rendeu por volta de US$100 milhões. Além disso, o trabalho de maquiagem de Eddie ganhou o Oscar. Ele é simplesmente espetacular, de tal forma que por vezes é difícil reconhecer o ator.

Curiosamente, Eddie faz o papel de um professor universitário obeso, simpático e trapalhão, sem sorte com as mulheres. É o professor Klump, que está trabalhando numa experiência que pode deixar as pessoas magras imediatamente. Quando experimenta a fórmula nele mesmo, emagrece como num passe de mágica e acaba virando o próprio Eddie (ou seja, aquele tipo pretensioso, arrogante e chato, que se acha irresistível e um presente para as mulheres).

Naturalmente o efeito da fórmula dura pouco tempo, o que provoca situações muito divertidas. Como uma espécie de bônus, Eddie ainda interpreta seis outros papéis, inclusive seu pai, tio e, travestido, a própria mãe. Todos completamente convincentes (claro que com a ajuda da impressionante maquiagem).

O engraçado mesmo é ver como Eddie consegue criar um personagem humano com toda aquela maquiagem e depois virar tão desagradável como si próprio. Mas isso não atrapalha o filme, que apesar de grosseiro e mal dirigido, é um extraordinário feito do progresso da maquiagem no cinema. Que, depois desta fita, nunca mais será a mesma.

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O Professor Aloprado 2: A Família Klump (2000)

Sei que a pergunta soará patética, mas não posso evitar: qual é a graça em ver alguém peidando? É o som? É a reação das demais pessoas na tela? Ou é um riso de constrangimento? E mesmo que a situação seja engraçada na primeira vez em que acontece, por que deveríamos rir na segunda, terceira ou quarta vezes em que a mesma coisa ocorre em um filme? Particularmente, não acho a menor graça quando vejo um personagem lidando com seus flatos (ou com os de outros). No entanto, os roteiristas desta continuação de O Professor Aloprado devem se divertir a valer com os próprios gases, pois o filme é infestado de piadas do gênero. Na verdade, o subtítulo desta produção não deveria ser A Família Klump, mas sim A Família Pum.

Dirigido por Peter Segal (do miseravelmente ruim Mong & Lóide, com Chris Farley e David Spade), O Professor Aloprado II foi concebido a partir do sucesso alcançado pela curta aparição da família Klump no filme original: se eles provocaram tantas risadas em apenas duas cenas, o que não poderiam fazer se aparecessem na história inteira? Infelizmente, o que funciona durante alguns minutos nem sempre atinge o mesmo resultado ao ser expandido para quase duas horas.

Lembremo-nos do que havia de tão divertido nos jantares promovidos pelos Klumps: a discussão entre Papai e Vovó Klump, a expansividade de Mamãe Klump, as referências sexuais feitas por Vovó e (para quem gosta) a guerra de gases promovida por Papai Klump. Mas se em O Professor Aloprado tínhamos a impressão de estar vendo comédia `concentrada` (muitas risadas em pouco espaço de tempo), desta vez os risos foram diluídos pela trama. É claro que Vovó Klump arranca nossas gargalhadas quando fala sobre sua vida sexual; porém, a piada deixa de ser engraçada depois de ser repetida algumas vezes. O mesmo ocorre com as constantes brigas da família, que nos cansam depois de um tempo (apesar de, vez por outra, ainda arrancarem risadas graças a alguma boa tirada - como no momento em que Papai Klump diz para a sogra que a fórmula de Sherman `não cura feiúra`). Seja como for, a interação entre os personagens é impressionante - principalmente se considerarmos que todos são interpretados por Eddie Murphy.

O ator, aliás, prova mais uma vez seu imenso talento ao criar sete personagens completamente diferentes entre si - chega a ser difícil lembrar que nenhuma daquelas pessoas existe de fato, e que elas possuem látex no lugar de pele (o veterano maquiador Rick Baker é realmente fantástico!). É uma pena que tanto trabalho seja desperdiçado por um roteiro sem imaginação.

O fato é que O Professor Aloprado II é um filme sem `coração`: enquanto a versão original (se não considerarmos aquela protagonizada por Jerry Lewis em 63) levava o espectador a simpatizar com o inseguro Sherman, esta continuação só se preocupa com as piadas. Na verdade, A Família Klump ainda tenta recriar este sentimento ao introduzir um monólogo óbvio através do qual o cientista explica seu desconforto - o que não funciona, é claro. Em compensação, a euforia e o jeito bondoso de Mamãe Klump conquistam a platéia. Resultado: particularmente, eu não dava a mínima para o romance entre Sherman e Denise, mas ficava ansioso para ver Papai e Mamãe Klump acertando suas diferenças (o que não deixa de ser um grave equívoco, já que o título deste filme é O Professor Aloprado, não A Mamãe Aloprada).

Por outro lado, o roteiro acerta em cheio ao fazer com que Buddy Love seja `reconstruído` a partir do DNA de um cachorro (sim, a `ciência` do filme é sofrível, mas não atrapalha em nada). Com isso, o alter-ego de Sherman não consegue evitar certas condutas, como espalhar jornais no chão sempre que precisa urinar ou colocar a cabeça para fora de um carro em movimento. Só lamento que este ângulo não tenha sido mais aproveitado ao longo do filme, já que rende boas gargalhadas sempre que aparece. Ao invés disso, os quatro roteiristas preferem acrescentar nada menos do que três seqüências de sonhos (sim, três!) completamente dispensáveis e que, além de servirem apenas para a inclusão de novas piadas escatológicas, copiam descaradamente a seqüência em que Sherman se `transforma` em King Kong, no filme de 96.

A conclusão da história também deixa muito a desejar, chegando a incluir elementos de Flubber e Rapunzel (depois que você assistir ao filme entenderá o que estou dizendo). Aliás, até mesmo os erros de gravação exibidos após o `The End` deixam a desejar com relação ao original.

O Professor Aloprado II oferece algumas boas gargalhadas, sim. Mas estas são poucas se considerarmos que devem preencher mais de 100 minutos de projeção. A verdade é que (com o perdão do trocadilho) faltou um roteiro de peso.

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Deadpool (2016)

A espera por Deadpool foi recompensada. O filme do mercenário tagarela é fruto da luta do ator Ryan Reynolds para realizar a adaptação da maneira correta, de forma fiel aos quadrinhos, e ainda com toda a violência e sexo que fazem sentido numa história do personagem. Ao lado do estreante diretor Tim Miller, os dois ouviram os fãs e criaram um grande filme que é um dos mais divertidos do universo X-Men.

Deadpool é basicamente uma comédia. Sim, é sobre um super-herói, mas é, principalmente, uma comédia e não tem medo de atirar para todos os lados, zoando ou citando tanto concorrentes quanto os próprios filmes da Fox. O longa se passa no mesmo universo dos X-Men, logo, as piadas com a franquia de Wolverine e companhia são mais comuns, assim como as referências e aparição de personagens, como Colossus (voz de Stefan Kapicic)– um dos mutantes preferidos dos leitores, que finalmente é representado da maneira certa na telona.

O longa conta uma história de origem, mas não em ordem cronológica, o que já é um grande avanço para os filmes de super-herói. Tudo começa com uma batalha numa ponte e, entre um tiroteio e outro, conhecemos melhor os eventos da vida de Wade Wilson (Ryan Reynolds) que o levaram até ali.

Basicamente, ele é um ex-militar que vive como mercenário. Quando conhece a prostituta Vanessa Carlysle (Morena Baccarin), passam a viver juntos intensamente, mas logo ele descobre que vai morrer de câncer. Para tentar ficar ao lado da amada, aceita participar de um experimento secreto.

A origem não é exatamente a mesma dos quadrinhos, mas está perto o suficiente para não incomodar os fãs mais rígidos. Além disso, o que importa é a atitude do personagem e o clima da produção, essa sim, muito fiel às HQs. Mas essa fidelidade não é o que faz o filme funcionar, afinal, mesmo quem não faz ideia de quem seja o personagem, ou o conheceu apenas graças à genial campanha de marketing dos últimos meses, terá motivos de sobra para gostar da produção.

O roteiro é simples, mas bem amarrado, as cenas de ação são muito bem filmadas e o humor é constante. Mesmo nos momentos mais tensos, Wade consegue nos fazer sorrir. A violência, nudez e cenas de sexo podem deixar algumas pessoas desconfortáveis, ainda mais se forem ao cinema esperando um filme comum de super-heróis, mas são esses toques que o diferenciam dos outros do gênero e são elementos importantes para qualquer história de Deadpool. Fazer um filme com classificação 12 anos seria um erro enorme, exatamente como vimos acontecer em X-Men Origens: Wolverine.

Além disso, as atuações estão convincentes, Morena está bem no papel de Vanessa, sempre confortável na pele da bem humorada garota. Ryan Reynolds então, nem se fala. Ele queria tanto esse papel que parece ter colocado tudo que podia nesse trabalho. Ele é Deadpool, simples assim. O longa ainda tem algumas boas cenas com coadjuvantes. Brianna Hildebrand é uma adolescente mutante blasé como Negasonic Teenage Warhead e Gina Carano manda bem como vilã carrancuda. Mas quem rouba a cena é Leslie Uggams como Al Cega, idosa viciada em cocaína tão maluca quando Wade.

Deadpool procura sair do comum ao misturar gêneros, apesar de ser, fundamentalmente, um filme de super-heróis, mas o longa poderia ter evitado o confronto final épico que vemos em todos os longas do tipo, sem exceção. Seria legal se a produção mantivesse o ritmo até então, sem momentos grandiosos. Mas não podemos realmente culpar a equipe por criar belas lutas e explosões, por mais fora de contexto que pareçam.

Divertido e violento, Deadpool é uma grande adaptação que realmente colocou os fãs em primeiro lugar, sem deixar o público em geral alienado. O longa abusa sim dos clichês, mas faz isso por um bom motivo: garantir piadas. Além disso, Miller foi inteligente ao seguir o exemplo de Guardiões Da Galáxia e usar músicas pop para dar um toque de humor. A participação de Stan Lee também é ótima e a cena pós-créditos vai arrancar ainda mais risos.

Se você está na dúvida se compensa ou não ir ao cinema conhecer esse maluco personagem, pode ficar tranquilo, o ingresso estará muito bem pago e a diversão garantida.

 

PRESOS NO GELO / DVD-r

" Fritt Vilt/Cold Prey" , de Roar Uthaug (2006)

Terror proveniente da Noruega, que tem se especializado no cinema de gênero (vide o recente e ótimo Dead Snow)
Presos no gelo é um filme que remete aos assassinos em série, estilo " Sexta-feira 13". Um slasher (terror com violência) menos explícito que " Jogos mortais", mas mesmo assim, tenso. O diretor Roar pegou a cartilha do bom cinema de terror e usa e abusa dos clichês.
Um grupo de 5 amigos resolve praticar snowboard numa região gelada em Jotunheimer, local de veraneio para turistas. Chegando numa montanha , ao praticar o esporte, um dos amigos se desequilibra e quebra a perna. Claro, os celulares pra pedir ajuda , não funcionam. Claro, ao invés deles carregarem o amigo até o carro e irem embora, eles vão preferir passar a noite em algum local coberto. Claro, eles vão achar um hotel abandonado, e finalmente, nesse hotel, um assassino impiedoso começa a matar um por um dos amigos.
O prólogo já deixa evidente a identidade do assassino: nos anos 70, o filho do dono do hotel é acuado na neve e se acidenta. Ele desaparece, o hotel fecha a seguir.
" Snowman" (assim é chamado pelos produtores do filme) faz uso de uma picareta para matar suas vítimas, e se veste por completo, cobrindo todo o seu rosto. Jason fazendo escola.
De interessante no filme, a ótima fotografia, aproveitando ao máximo o branco da região. Os atores estão ok, principalmente a protagonista, Ingrid Berdal.
A edição, som, tudo funciona bem. E os clichês vão se amontoando ao longo do filme. Como é que os protagonistas andam de um lado pro outro no hotel, sem dar de cara com o assassino? eu, heim..hehee
Vale como curiosidade, e o belo clima de tensão que o filme gera.

 

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Cover boy- A última revolução

"Cover boy- L'ultima rivoluzione", de Carmine Amoroso (2006)
Filmado em 2006, esse filme italiano foi todo rodado com a câmera Sony HDV. Um produto de baixo orçamento, foi filmado na Romênia e na Itália. O filme narra a história de Ioan, um jovem romeno, que perdeu seu pai no confronto do fim da ditadura de Ceaucescu na Romênia. os anos se passaram, e o fim do comunismo no sue país provocou uma onda enorme de desemprego. Um amigo o chama para irem até a Itália para procurar trabalho. Chegando lá, ele se desencanta com a atual situação do país: o mesmo desemprego que encontrou no sue lugar de origem. Ele conhece Michelle, um quarentão faxineiro, que aluga um canto em seu apartamento. Assim, acompanhamos a dura luta de ambos, em busca de um lugar ao sul. "Cover boy" é um filme melancólico, que fala sobre a falência da Europa. Desemprego, crise social, falta de perspectiva, prostituição. Seus personagens são tipos honestos que tentam honestamente encontrar um emprego, mas sempre esbarram na burocracia e acabam na sarjeta. O filme me lembrou muito a estrutura de "Perdidos na noite". O personagem de Michelle é quase uma cópia de Ratzo de Dustin Hoffman. Até o desfecho é semelhante. O filme é um típico produto da Europa globalizada, que mostra personagens sofridos em um mundo cinzento. Dessa leva, já tivemos o excelente "Import export", "Segredo de Lorna" e outros. O filme também trata de outro tema: o homossexualismo, através da prostituição masculina e do personagem de Michelle, platonicamente apaixonado por Ioan.

"Coisa ruim", de Tiago Guedes e Frederico Serra (2006) / Legenda

Raro filme português do gênero suspense, foi o filme de abertura do Festival Fantasporto de 2006, dedicado a filmes do gênero. O filme segue o tema mais batido dos filmes de terror: uma família se muda de Lisboa e vai morar em uma casa recebida de herança pelo pai, no interior de Portugal. A casa fica do lado de uma floresta misteriosa e claustrofóbica. O pai, Xavier, é um biólogo, e se muda com esposa e 3 filhos, além de seu neto. Todos vão se acostumando com a vida do campo, menos o filho menor. A família descobre pelos moradores da região que o local está cercado de lendas, e uma delas diz respeito a uma família que morava na casa. A família foi toda assassinada e o pai promete vingança. Como se vê, o filme se apropria quase que 100% do mote de "Amytville". A única diferença aqui, é que os diretores trabalham com o filme de forma realista, sem efeitos. Assim, ficamos na dúvida se o que vemos é real ou não. É um filme com uma pegada artística: ritmo lento, mais puxado pro drama. Os atores atuam como em um drama e ignoram as convenções do gênero terror, sem histrionismos. Para quem tiver curiosidade de assistir a um filme de Portugal que procura brincar com o terror, vale assistir. Para quem quer novidades, o filme não vai acrescentar muita coisa.

 

Sniffer, de Bobbie Peers (2006)

Grande vencedor da Palma de Ouro de 2006 para curtas de ficção, "Sniffer" é uma delirante fantasia sobre um mundo distópico, repleto de humor negro. Nesse universo fantástico, a gravidade é zero. Por causa disso, as pessoas precisam calçar botas pesadas ( lembram da menina que calça boots pesados em "O lar das crianças peculiares", de Tim Burton? É igual). Um homem trabalha em uma fábrica de desodorantes, e sua missão é cheirar axilas suadas de homens que estão fazendo exercícios. Um dia, ele vê um pombo que morre ao tentar sair pela janela. Vislumbrado com o vôo do pássaro, o homem decide se livrar de suas botas. Criativo e inteligente, esse filme sem diálogos é um primor de realização. É simples, e com muita influência do cinema de Jean Pierre Jeunet ( com as grandes angulares e as personagens totalmente bizarras). Imperdível. 

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GRANDE COISA (Big Nothing) / Legenda

Uma ótima comédia de humor negro como há muito tempo não se via!
Charlie é um ex-professor, agora empregado num call-center de onde é despedido no primeiro dia. Transtornado por não poder sustentar a sua filha Emily e a mulher Penélope, é repentinamente contactado por Gus, um aspirante a artista que apresenta a Charlie um plano para fazer algum dinheiro: chantagear o Reverendo Smalls, que se tornou um visitante assíduo de sites pornográficos ilegais. Gus planeja extorquir o Reverendo com a intenção de expor publicamente seu segredo caso ele se recuse, destruindo com este escândalo a carreira do homem.
Uma direção nervosa e uma edição vertiginosa mas, antes de mais nada, um enredo extremamente inteligente, cheio de humor, diálogos afiadíssimos, elenco estupendo - destacando Simon Pegg- e uma trilha sonora matadora.
É um filme curto, algo em torno de 90 minutos, e altamente eletrizante. É trapalhada e confusão que não acaba mais. Humor negro do bom. E inteligente. Programa imperdível...

Poultrygeist: Noite das Galinhas Mortas / Legenda

A alusão a “Poltergeist” acontece quando um restaurante fast food (American Chicken Bunker – ACB) é construído sobre um cemitério indígena igual ao filme de Tobe Hooper, onde uma casa também é construída sobre um cemitério de índios.

 

Era uma vez uma lanchonete nada normal… 

O trash movie começa quando um casal de jovens está fazendo sexo em um cemitério indígena, na cidade de Tromaville.

São eles os jovens Arbie (Jason Yachanin) e Wendy (Kate Graham)

Arbie tem o propósito de cuidar de seus pais problemáticos e Wendy almeja ir para a faculdade, onde se apaixonará por uma outra bela menina Micki (Allyson Sereboff).

Arbie começa então a trabalhar em um caixa da recém inaugurada franquia de restaurantes fast-food (American Chicken Bunker- ACB) que vende lanches baratos à base de galinhas, para sustentar sua família.

Wendy e sua namorada Micki protestam contra a desenfreada matança de galinhas para a produção desses lanches, e são a favor da manutenção e preservação de patrimônios públicos culturais, como o cemitério indígena da cidade que foi destruído.

Crítica Social… 

“Poultrygeist” é uma produção que critica a dominação das grandes corporações em torno do mundo, como as próprias redes de fast food.

MC Donalds da vida para os leigos.

A ACB em “Poultrygeist” é o MC Donalds de Tromaville.

Maldição na ACB?

Será que espíritos indígenas podem interferir no funcionamento da lanchonete?

Pessoas, funcionários, e freqüentadores do restaurante, começam de repente a se comportar estranhamente em “Poultrygeist”, e se transformar em demônios, ops, isto é, em galinhas.

Galinhas Humanas? 

Isso mesmo, e galinhas que se alimentam de restos humanos…

Essas galinhas humanas andam que nem zumbis… o que nos liga diretamente ao filme “A noite dos mortos-vivos”.

E em certas cenas, parece que estamos assistindo zumbis vestidos de galinhas… Uma idéia genial da equipe de Lloyd Kaufman, que tem uma singela participação no filme.

O trashismo de “Poultrygeist”  está nas vestimentas e nas maquiagens das personagens, além de muito gore e gosmas verdes.

Vale a pena?

Claro que vale, pois além de estarmos assistindo a uma paródia e homenagem aos clássicos do cinema de horror, estamos assistindo também ao trash de primeira, de boa qualidade. Marca da produtora Troma.

Diversão e descontração na certa para o espectador, em uma produção sem muitas pretensões.

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Os Anjos Exterminadores / Legenda / DVD-r

Um cineasta (François) seleciona atrizes para um filme sobre o prazer feminino. Não devem ser experientes em filmes pornográficos: ele espera que tenham a sensação de transgressão, coisa que não existiria para atrizes habituadas a cenas pornôs.

As moças ficam fascinadas pela atitude passiva do diretor: ele não se aproveita da intimidade nos testes (somente ele e a candidata ao papel) embora chegue em casa muito excitado, procurando sua esposa com vigor sexual renovado. Ele poderia estar fazendo o papel de um psicanalista não-interferente, aberto às transferências eróticas das mulheres, sem partir para a prática sexual com elas. Elas se excitam imaginando-o excitado. Por outro lado, o que é estimulado é a relação sexual entre moças que não seriam lésbicas. As cenas são todas de soft pornô, entre elas algumas nem tão soft.

Paralelamente, dois anjos caídos (?) femininos acompanham e induzem algumas escolhas e intenções do cineasta. Isto, depois de uma aparição noturna da avó dele, já falecida, advertindo-o de que irá se arriscar muito, disparando “a máquina infernal”. Na trilha sonora, volta e meia escutamos advertências que talvez sejam como mensagens críticas de perigos em tempo de guerra (ou sabe-se lá o que estão falando certas vozes em off).

Esta salada com pretensões sérias de tentar perceber porque o sexo é frequentemente associado à hipocrisia e violência acaba por contradizer o que as atrizes selecionadas falam inicialmente sobre o personagem masculino e a forma pela qual ele se interessa pelo erotismo da mulher: uma tem ataques que ela atribui a possessão demoníaca (?) e fica uma fera quando é retirada do filme, assim como outra já havia se sentido usada por ter sido testada mas não incluída no projeto final. Por fim, todas se revelam perigosas para o macho, que já havia sido advertido pela avó-fantasma e pela esposa de carne e osso. Parece que o mistério sexual das mulheres acaba sendo mesmo algo perigoso para os homens.

Consta que o diretor deste filme (não o personagem François, mas o realizador Jean-Claude Brisseau) enfrentou contratempos em seu filme anterior por motivos semelhantes aos que colocou no seu novo roteiro. Com muito maior economia, David Mamet foi bem mais feliz ao caracterizar acusações de abuso sexual que não teria existido concretamente no antigo Oleanna. Como está, Anjos Exterminadores sugere mais uma vingança de Brisseau contra as atrizes que o processaram quando do filme precedente. “Vingança é um prato que se come frio”, reza um ditado. Brisseau parece pretender sua revanche temperada de pretensão e com uma elegância formal (fria) que contribuem ainda mais para tornar este filme em algo totalmente falso, do princípio ao fim.

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Guardiões do Dia

A antiga guerra entre as forças da Luz e da Escuridão está perto do fim. Cada lado ganhou um poderoso guardião, que se dirigem para um conflito decisivo. De um lado está o filho de Anton Gorodetsky (Konstantin Khabensky), Yegor (Dmitry Martynov), que se uniu às forças da Escuridão. Svetlana (Mariya Poroshina), o amor de Anton, é a esperança das forças da Luz. Paralelamente Anton precisa fugir, pois é acusado de assassinato.

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Uma Comédia Nada Romântica

A dupla de criadores desta balbúrdia cinematográfica é Jason Friedberg e Aaron Seltzer, dois dos roteiristas da não menos escatológica série Todo Mundo em Pânico. Ambos gostam de produzir um estilo de cinema que pode ser denominado pelo termo “risco de mercado”. Ou seja, apostam nas piadas mais gratuitas e grotescas para obter bons resultados e lucro.

Não há diferenças, então, entre Uma Comédia Nada Romântica e a franquia que satiriza filmes de terror. O resultado acaba dando no mesmo – raras sacadas inteligentes e muitas, muitas mesmo, completamente tenebrosas, dessas de beirar a vergonha alheia. A paródia, no caso, é transportada somente para o campo das comédias românticas.

No papel principal está a ruivinha Alyson Hannigan (de American Pie), entrando numa fria por ter aceitado o fardo de interpretar a romântica Julia Jones. Acima do peso e nada atraente, a personagem resolve procurar a ajuda de um conselheiro amoroso para dar luz a sua vida sentimental. Depois de uma recauchutagem completa, parte em busca do homem ideal, Grant (Adam Campbell), em um programa de TV.

Daí em diante não faltam sátiras a filmes como O Amor é Cego, Casamento Grego, Entrando Numa Fria, O Casamento dos Meus Sonhos, O Diário de Bridget Jones e Hitch – Conselheiro Amoroso, além de algumas outras referências que nada têm a ver com o objetivo proposto, como Sr. e Sra. Smith, Kill Bill e Com a Bola Toda, com todos os estereótipos de personagens e clichês imagináveis. Nem vale o argumento de assistir somente para brincar de descobrir as referências, pois chega um instante que você vê tantas junções de histórias ficarem sem nexo, que a produção beira ao patético.

Com a palavra aqui, os próprios realizadores: “Nós queríamos criar um romance que atraísse as mulheres e uma comédia hilariante para os homens na platéia”. Não conseguiram fazer nem uma coisa, nem outra. Não atrai, denigre. Ridiculariza e sobram piadas machistas. Também não se torna hilariante e ainda apela para piadas preconceituosas com mendigos, cenas de banheiro e outras situações desagradáveis.

Em outras palavras, Uma Comédia Nada Romântica não é romântica, não é cômica. É um desses programas de humor escandalosos e descerebrados que passam sábado à noite, porém feito para a geração MTV, com uma hora e meia de duração. Ficaria difícil imaginá-lo pior, nem mesmo nas mãos dos percussores do estilo, os irmãos Wayans.

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ROTA MORTAL

Sonhando seguir a carreira artística Nicole (Jaimie Alexander) abandona sua casa no Texas e segue para Los Angeles com o namorado Jess (Joey Mendicino). Os dois pegam a estrada, mas durante uma parada Jess desaparece misteriosamente. Nicole acaba nas mãos de um sádico e a tortura não terá fim.

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Perfume - A História de um Assassino

Com um orçamento estimado em € 50 milhões (algo em torno de US$ 65 milhões), Perfume - A História de um Assassino é a produção alemã mais cara da história, até o momento. Na verdade, trata-se de uma co-produção que envolveu não apenas Alemanha, como também França e Espanha, com belíssimas locações em Barcelona, Munique, Grasse e outras localidades de encher os olhos.

O filme era dos mais esperados, em primeiro lugar pelo sucesso do livro que o originou, traduzido para 45 idiomas, e que vendeu mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo. E em segundo lugar, pela insistente resistência que o seu autor, o excêntrico e recluso alemão Patrick Süskind, ofereceu durante anos contra todos os cineastas que se dispuseram a comprar os direitos autorais do livro. Tanto que a obra foi publicada em 1985 e os direitos só foram comercializados em 2001.

Valeu esperar? Nem tanto. A direção do também alemão Tom Twyker (consagrado por Corra, Lola, Corra) optou por conferir ao filme uma estilização visual exagerada, criando uma estética excessivamente publicitária. Os maneirismos de montagem e efeitos chegam a ser cansativos, tamanha a quantidade de câmeras lentas, tomadas rápidas, travellings neuróticos, ângulos supostamente inusitados e outros penduricalhos visuais que mais atrapalham que ajudam a narrativa. Mesmo considerando que a direção de arte e a fotografia são belíssimas.

O roteiro também deixa a desejar, usando e abusando da narração oral (feita por John Hurt), impedindo que o filme rompa com a linguagem verbal do livro que o originou e ganhe personalidade cinematográfica própria.

E para quem não foi um dos compradores dos 45 milhões de exemplares do livro, vale dizer que a história, ambientada no século 18, fala de Jean-Baptiste Grenouille (o inglês Ben Whishaw), um rapaz pobre que nasceu com um olfato megadesenvolvido, capaz de diferenciar os mais diferentes tipos de odores a quilômetros de distância. Ao se apaixonar pelo cheiro de uma bela jovem e depois a matar inadvertidamente, Grenouille passa a desenvolver uma obsessão doentia pela criação de novos perfumes, transformando seu dom em paranóia assassina.

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Superman - O Retorno

Não é tão ruim como parte da imprensa diz. Mas também não é tão bom quanto poderia ter ficado. Após anos e anos passando pelas mãos de diversos diretores, roteiristas e produtores, foi criada uma expectativa muito grande a respeito da tão esperada volta do Superman (na minha época de gibis chamava Super-Homem), gerando para os fãs um nível de ansiedade não correspondido. Mas o fato é que Superman - O Retorno pode ser visto como uma boa diversão. Basta não esperar demais do filme.

Logo na abertura, o público é brindado com uma bela homenagem ao filme de 1978: foram mantidos o mesmo tema musical e a mesma tipologia dos créditos iniciais da aventura estrelada por Christopher Reeve. Para os saudosistas, é arrepio garantido. A história começa mostrando a explosão de Krypton e incontáveis fragmentos do planeta se espalhando pelas galáxias. Um deles cai na Terra, mas... Surpresa! Não se trata de uma pequena nave carregando o bebê Kal-El, como poderia se supor, mas sim do Super-Homem já crescido, retornando à fazenda de sua mãe terrestre. Explica-se: Superman - O Retorno parte da premissa que o Homem de Aço teria abandonado nosso planeta, alguns anos atrás, em busca de suas origens, e estaria regressando agora. Ou seja, o subtítulo "O Retorno" refere-se não somente ao fato de estarmos completando quase 10 anos sem nenhum longa-metragem do personagem nos cinemas, como também à própria trama em si.

No período em que esteve fora, Superman abandonou sua grande paixão, Lois Lane (Kate Bosworth, de A Onda dos Sonhos), e a mítica Fortaleza da Solidão, seu lugar secreto de reflexões e aprendizado. Duplo prejuízo. Lois agora tem um filho e está vivendo com o sobrinho do dono do jornal Planeta Diário, enquanto o megavilão Lex Luthor (Kevin Spacey, de Beleza Americana) invadiu a Fortaleza e decifrou seus segredos. É hora de recuperar o tempo perdido.

O novato Brandon Routh no papel título não faz feio e o elenco todo funciona bem. Mesmo porque, na clara intenção do diretor Bryan Singer (o mesmo dos dois primeiros X-Men) em reverenciar o filme dos anos 70, tanto Brandon como Kevin Spacey copiam algumas expressões corporais e faciais de Christopher Reeve e Gene Hackman, respectivamente o Superman e o Lex Luthor de 1978. Como não poderia deixar de ser, há pequenas delícias para os fãs mais atentos. Por exemplo: a foto que um garoto anônimo tira de Superman carregando um automóvel reproduz a exata posição do corpo do herói na capa de seu primeiro gibi, em 1938. E, ao examinarem a pífia fotografia tirada por Jimmy Olsen, o editor Perry White e Lois Lane repetem a clássica abertura do seriado de 1952: "É um pássaro, um avião? Não, é o Superman!".

Superman - O Retorno é irregular. Por vezes, estica demais determinadas situações que poderiam ser mais eficientes na tela se "enxugadas" em alguns minutos. O acidente com o ônibus espacial logo no começo do filme, por exemplo, se enrola num excesso de detalhes que acabam diluindo a intensidade dramática que a cena poderia ter. Assim como o conceito do tal Continente que Lex Luthor quer criar em cima dos EUA soa bastante confuso. Idas e vindas no salvamento final também prejudicam o ritmo. Por outro lado - por incrível que pareça -, o filme rende muito mais quando explora o drama e o romance que a ação e a aventura. O relacionamento entre Clark Kent, Lois Lane e Superman tem consistência romântica e momentos visuais bens construídos, como o vôo noturno do casal apaixonado. Sem querer estragar surpresas, o roteiro também ganha em dramaticidade ao criar situações humanas envolvendo diferentes níveis de paternidades.

Sim, este novo Superman é uma boa história de amor. Pode não ser o filme dos sonhos da maioria dos fãs, mas é um bom recomeço para uma nova e duradoura franquia.

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DEU A LOUCA NA CINDERELA 

 Depois do sucesso de Deu a Louca na Chapeuzinho, a Europa Filmes lança nos cinemas brasileiros o desenho animado de longa-metragem Deu a Louca na Cinderela. Porém, atenção: as semelhanças entre os dois filmes ficam apenas nos seus títulos em português. Esta animação não é produzida pelas mesmas empresas, muito menos pelos mesmos profissionais do divertido Deu a Louca na Chapeuzinho. Trata-se apenas de uma tentativa de "enganchar" o sucesso anterior.

Deu a Louca na Cinderela é uma co-produção entre a produtora alemã Berlin Animation Film (BAF) e a norte-americana Vanguard Animation, uma das empresas responsáveis pelo desenho animado Valiant - Um Herói que Vale a Pena!, lançado no Brasil pela mesma dostribuidora. E fica claro no resultado final do filme que, infelizmente, nenhum dos roteiristas nem dos diretores deste filme esteve envolvido em Deu a Louca na Chapeuzinho, bem superior a esta estréia.

Agora, a trama imagina um mago que, do alto do seu castelo, comanda o destino de todos os contos de fadas tradicionais, mantendo o equilíbrio entre o bem e o mal, de maneira, é claro, que o bem sempre triunfe. Contudo, chega um dia em que o tal mágico decide tirar férias e deixa dois confusos ajudantes tomando conta desta verdadeira "central de histórias". Não poderia dar outra: os assistentes logo trocam os pés pelas mãos, bagunçam o equilíbrio e permitem que ninguém menos do que a madrasta malvada da Cinderela tenha acesso ao delicado mecanismo. É aí que começa a encrenca.

Tecnicamente, o filme não é ruim. Não é como nenhuma produção Pixar, mas dá conta do recado graças a uma satisfatoriamente bem resolvida animação em 3D. O problema - como quase sempre acontece - é a pouca criatividade do roteiro. Primeiro porque desde que Shrek, já há seis anos, teve como base de sua ação a subversão total dos clichês dos contos de fadas, ninguém mais conseguiu abordar o mesmo tema com tanta inventividade e bom humor. Nota-se até em Deu a Louca na Cinderela um mote muito parecido com o de Shrek Terceiro, que propõe uma conspiração de famosos vilões de contos infantis. Em segundo lugar, o filme não se sustenta nem como humor, nem como aventura. Até começa bem, com uma ou outra situação divertida, mas logo cai no lugar comum da falta de boas idéias.

Tentar iludir o público por meio da confusão dos títulos em português é no mínimo um ato de propaganda enganosa que só se justificaria se tivesse "dado a louca" na Europa Filmes. Um detalhe final: pelo menos na cópia exibida para a imprensa, não havia créditos para os (bons) dubladores em português.

Terror no Pântano 

Lançado em uma época em que a originalidade estava em falta, Terror no Pântano surpreendeu todos os amantes do gênero ao apresentar uma reformulação da velha fórmula de slashers na floresta (no caso, pântano). O filme se promoveu alegando que seguia as regras da velha escola do terror, o que era garantia de boas mortes usando apenas efeitos práticos. Junte todas essas promessas com alguns rostos conhecidos e veteranos do público - que, anos atrás, faziam sucesso em produções desse tipo -, e você terá uma produção que nasceu para se tornar um clássico moderno.

A história gira em torno da lenda de Victor Crowley, um menino deformado, que morre após uma brincadeira de mau gosto dar errada. Segundo a lenda, três meninos jogaram bombinhas dentro da casa para assustar o garoto, mas o resultado foi um incêndio, que acabou resultando em sua horrível morte. Acompanhamos então, um grupo de pessoas em um passeio "assombrado" de barco pelos pântanos da região. Não demora muito para o barco quebrar e os aventureiros perceberem que as águas são dominadas por crocodilos. Então não resta outra alternativa a não ser caminhar pela mata. Porém, eles não sabiam que algumas lendas são verdadeiras e que ninguém pisa no território de Crowley e consegue sair inteiro.

Já tive a oportunidade de assistir esse filme diversas vezes. Terror no Pântano é um dos meus grandes favoritos. Ele passa uma sensação de nostalgia incrível. É impressionante como o diretor,  Adam Green, consegue resgatar o clima dos velhos clássicos do terror. Todos os elementos estão presentes para alegrar os fãs de violência gratuita. Em tempos em que remakes são lançados aos montes, é bom ver que há algo aproveitável e original em desenvolvimento. São produções como essa que me tornam um apaixonado por esse gênero.

O primeiro detalhe que devo abordar são as mortes. Quem gosta de violência e sangue em abundância irá ficar de olhos brilhando. A mortes são extremamente violentas e exageradas e, o mais importante, sem nenhum efeito digital. Apesar de não ser contra o uso de efeitos em computação gráfica em algumas produções, confesso que é muito mais divertido ver uma produção preocupada em tornar toda a violência palpável. Fica bem mais convincente e o resultado final é sem igual. Dentre as mortes mais impressionantes, temos machadadas violentas (que acabam separando a pessoa em duas partes) e vários desmembramentos. O vilão tem uma força sobrenatural e consegue rasgar - literalmente - suas vítimas.

Outro ponto positivo do filme são os seus personagens. Obviamente, o maior destaque fica por conta do vilão, Victor Crowley. O vilão nasceu para se tornar um ícone. Desde sua caracterização até o seu trágico passado. Crowley certamente figura entre um dos vilões mais implacáveis do terror, não ficando nada atrás de Freddy ou Jason. Para reforçar ainda mais o elenco, as vítimas também se mostram bastante interessantes. A maioria deles é extremamente carismática. Há diversos personagens estereotipados que são repaginados no decorrer da trama. O roteiro usa o clichê ao seu favor e consegue inovar.

O mais legal é quando Victor Crowley faz sua primeira aparição na frente de todos. Logo no início. Diferente dos demais filmes do mesmo tipo, onde ocorrem algumas mortes e só depois de um tempo o pânico se instala, Terror no Pântano faz questão de deixar todos os seus personagens alertas da presença do vilão desde seu primeiro ataque, tornando o desenvolvimento ágil e com ritmo frenético. Por último, destaco os momentos hilários introduzidos pelo enredo. Apesar de ser um filme de terror, há espaço para diversas cenas e diálogos de humor negro. Certamente irá divertir a maioria. Se você ainda não assistiu, está esperando o quê? Não deve agradar a todos, mas é indicado especialmente para quem é fã de filmes antigos.

 

Cadáveres

Quatro estudantes do primeiro ano da faculdade de medicina têm seus limites testados enquanto trabalham em um laboratório dissecando cadáveres. Após algumas aulas de anatomia lideradas pelo professor Dr. Blackwell, Alison, uma das estudantes começa a apresentar um comportamento estranho e passa a ter visões assustadoras. Mas ela, determinada a tirar notas altas acredita em sua sanidade, e duvida do sobrenatural. Porém, o terror começa, quando um de seus colegas aparece morto de forma inexplicável no local. Enquanto autoridades afirmam que a morte do estudante foi por causa natural, Alison, que continua tendo as estranhas visões, começa a investigar o mistério e descobre que terá que enfrentar um espírito enfurecido para evitar outras mortes trágicas.

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AGENTE 117 - UM AGENTE NO CAIRO

Cairo, 1955. Conhecido por ser um ninho de espiões, a capital egípcia é locação para as aventuras do agente 117 (Jean Dujardin), um espião francês charmoso, bom de luta e mulherengo.

Lá, o agente 117 persegue bandidos, conquista mulheres e desmascara conspirações internacionais com charme, elegância e uma grande dose de patetice. Enquanto todos estão metidos em conspirações e desconfiam uns dos outros, o espião francês comete gafe atrás de gafe na tentativa de cumprir seu objetivo ao ser enviado ao país pelo presidente francês.

Agente 117 é uma paródia das aventuras de James Bond, principalmente as filmadas nos anos 50 e 60, no estilo e na narrativa. O senso de humor é infame, é preciso se desprender de qualquer tipo de julgamento ou senso crítico para embarcar de vez nas piadas do filme. Uma vez feito isso, até que ele funciona bem.

A comédia não permanece nos pensamentos do espectador; também não mudará a vida de ninguém. E nem pretende. Como puro entretenimento - vazio e descompromissado -, Agente 117 funciona muito melhor do que a maioria das comédias que vemos por aí. 

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Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América

É impressionante o sucesso de Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América num país como os EUA. Isso porque ele é politicamente incorreto do primeiro ao último fotograma. No formato "mocumentário" (um documentário falso, geralmente em tom de comédia), o longa-metragem trata com pesada ironia alguns temas delicados na sociedade moderna, como o racismo, o anti-semitismo e o nacionalismo exacerbado dos norte-americanos. O sucesso se reflete nas bilheterias - custando US$ 18 milhões, rendeu mais de RS$ 120 milhões nos cinemas do país - e também entre a crítica especializada, já que o protagonista Sacha Baron Cohen venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia. Será que o mercado norte-americano está mais liberal e aberto a piadas explicitamente infames?

O "mocumentário" é conduzido por Borat Sagdiyev (Cohen), o segundo melhor repórter do Cazaquistão. Nos primeiros momentos do filme, ele apresenta a vila onde mora. Extremamente pobre, não parece existir sinais da civilização moderna no local. Neste momento, o personagem já mostra ao público que não vê problemas com o incesto, falta de higiene ou mesmo ter uma vaca de estimação dentro de casa. Tudo é hilariamente miserável e o espectador percebe que deve se livrar de seus preconceitos, ou mesmo do que é certo ou errado na hora de se fazer uma piada, e se entregar.

Borat é recrutado pelo governo cazaque para produzir um documentário sobre os EUA com o objetivo de aprender melhor sobre a cultura da "nação mais gloriosa do mundo" e melhorar a situação do povo do Cazaquistão. Desembarcando nos EUA com toda a sua inocência, a cultura precária e cheio de preconceitos infundados, Borat espalha o terror entre os norte-americanos. Literalmente. Seja distribuindo beijos entre pessoas estranhas, chocando feministas dizendo que mulheres têm cérebro com tamanho similar ao de um esquilo ou fazendo piadas de cunho sexual sobre seu irmão deficiente mental a um homem que, supostamente, deveria lhe ensinar piadas, o personagem escancara os próprios preconceitos como uma forma de expô-los a uma sociedade hipócrita.

Por meio da inocência do personagem, Cohen encontra um canal para fazer um humor escancarado, muitas vezes constrangedor, que faz o público pensar em seus próprios preconceitos. É preciso admitir que algumas cenas são dispensáveis, funcionando somente para provocar o choque e o desconforto no espectador. Mesmo assim, Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América é uma comédia única e inteligente por usar o humor cínico para criticar não somente a sociedade norte-americana, mas, principalmente, as relações interraciais como um todo. Sacha Baron Cohen pode ser alvo de críticas de diversos setores, mas uma coisa deve ser admitida: ele teve coragem ao compor um personagem tão ignorante; mais ainda por escancarar seus preconceitos infundados.

O fato do filme partir de um formato documentário para "descobrir" a sociedade americana funciona. Mais do que fazer rir, Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América tenta mostrar o lado mais "caipira" da população dos EUA. Tanto que os momentos nos quais Borat brinca com o nacionalismo dos norte-americanos são os mais engraçados. Desta forma, é preciso se despir de qualquer julgamento para apreciar a comédia da forma que ela foi concebida. Algumas situações causadas pelo repórter são tão surreais que fica a dúvida sobre a honestidade da produção: será que os entrevistados não sabiam do que se tratava?

A melhor coisa em Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América é a atuação do comediante inglês. Ele compõe um sotaque hilário. Isso sem contar sua visão inocente, beirando a bizarrice, do mundo. Seus preconceitos são tão absurdos que não tem como levá-los a sério e é essa a idéia. Ria indiscriminadamente. 

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PECADOS ÍNTIMOS

Praticamente seis anos após o drama Entre Quatro Paredes, Todd Field retorna à direção no inquietante Pecados Íntimos, voltando novamente sua câmera giratória contra a hipocrisia da família supostamente média e equilibrada norte-americana. O ponto de partida é a liberação, em condicional, de Ronnie (vivido por Jackie Early Haley, um coadjuvante sem muitas chances no cinema, mas que rouba a cena neste papel), um molestador de crianças que passa a morar num bairro tranqüilo, rico e familiar. O desconforto de todos é geral diante da potencial ameaça. Porém, logo se percebe que Ronnie é apenas o lado visível e midiático da podridão daquela sociedade que se sustenta sobre os tradicionais pilares das aparências e da riqueza. Cada um a seu jeito, todos os personagens têm perversões, vazios e profundas tristezas a esconder.

O roteiro foi escrito pelo próprio diretor, em parceria com Tom Perrota, autor do livro que originou o filme. Ele acaba se centralizando em Sarah (Kate Winslet) e Brad (Patrick Wilson, de O Fantasma da Ópera). Ela, mestre em Literatura, tem visão crítica da mediocridade do mundo que a rodeia, mas não tem a atitude suficiente para mudar o próprio destino. Ele, recém-formado em Direito, há quase três anos tenta, sem sucesso, passar no exame da Ordem dos Advogados. Ambos, insatisfeitos em seus respectivos casamentos, se conhecem casualmente num playground. A atração é imediata. A traição parece inevitável.

Aos poucos, novos personagens são adicionados à trama. Cada qual deles contribuindo com um lado fascinantemente perturbador à história. A narrativa de Field é envolvente, convidativa, silenciosamente sedutora, como quem cochicha segredos inconfessáveis nos ouvidos atentos da platéia. Na tentativa de condensar as idéias do vasto livro de Perrota, muitas vezes o roteiro recorre ao pouco cinematográfico recurso da narração em off, o que não chega a incomodar, diante da profundidade das idéias e dos sentimentos de cada um dos (sempre bem construídos) personagens.

A tensão é constante. A tragédia parece se anunciar a cada cena, causando uma sensação de sufocamento que, contrariamente aos filmes comerciais convencionais, não será desatada no final da projeção. Em Pecados Íntimos, o público não exorciza seus medos. Ao contrário: carrega-os consigo para casa, após a sessão.

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O LABIRINTO DO FAUNO

Dirigido por Guillermo del Toro (Hellboy), trata-se de uma bela fantasia com toques de suspense e sensibilidade impressionante.

A história se passa na Espanha em 1944. A protagonista, a pequena Ofelia (Ivana Baquero), muda-se para uma zona rural com sua mãe grávida, Carmen (Ariadna Gil), que acaba de se casar com o capitão Vidal (Sergi López, de Pintar Ou Fazer Amor), militar que está responsável pela perseguição de rebeldes que tentam acabar com o fascismo que se instaura no país. Lá, ela conhece de perto todo o turbilhão sócio-político pelo qual passa a Espanha, enquanto faz amizade e é ajudada por uma funcionária da casa (Maribel Verdú, de E Sua Mãe Também). Realidade e fantasia fundem-se na fértil imaginação de Ofelia que, inspirada nos contos de fadas que não pára de ler, cria um mundo imaginativo repleto de personagens assustadores e promessas de um mundo melhor. Em seu universo, o labirinto próximo à casa em que vive é ponto de partida para uma aventura mágica, num reino onde Ofelia é a princesa perdida. Guiada pela criatura conhecida como Fauno - parte bode, parte humana, parte árvore -, ela entra numa tensa aventura em busca de sua salvação e de sua mãe. O cenário real violento no qual a menina vive é refletida diretamente nos personagens e tarefas pelas quais passa em sua imaginação, envolvendo o espectador de forma sensível e encantadora.

O Labirinto do Fauno é um espetáculo visual. A direção madura de Del Toro é aliada a uma fotografia escura e sombria. A direção de arte, bem como os efeitos visuais, assustam e seduzem o espectador da mesma forma. O resultado é o hipnotismo total. A forma lúdica como Del Toro, diretor e roteirista, constrói essa fábula estritamente política é bela e triste ao mesmo tempo. Ofelia, com seu olhar inocente de criança, transforma a violência real a qual assiste todos os dias e a transforma na violência lúdica e fantasiosa da história que cria em sua própria mente.

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VÔO 93 - O FILME

11 de setembro de 2001 é uma data de significa muito não somente para os norte-americanos, mas para o mundo todo. Quando terroristas conseguiram derrubar um dos símbolos da hegemonia norte-americana, muitos morreram, muitos lamentaram, outros comemoraram. E todos ainda se lembram. Cinco anos após os ataques terroristas que derrubaram o World Trade Center, em Nova York, o cinema começa a encarar de frente essa história, exatamente como faz o digno drama Vôo United 93.

Muito se falou sobre o que aconteceu em torno das "Torres Gêmeas", atingidas por dois aviões seqüestrados por terroristas naquela fatídica manhã. Este filme, no entanto, joga as luzes sobre o drama que aconteceu em volta, nas torres de controle que identificaram os quatro aviões seqüestrados, nas companhias aéreas e até mesmo entre os militares. E, principalmente, dentro do vôo 93 da United Airlines, que estava a caminho de São Francisco até ser seqüestrado por três terroristas, cujo plano era jogar o avião comercial na Casa Branca, lar do presidente norte-americano e símbolo máximo do seu governo. Dos quatro aviões controlados por terroristas naquela manhã, somente este não conseguiu atingir seus alvos. Isso porque, durante o processo, os passageiros do avião fizeram um motim e tentaram tomar o controle da aeronave. É notório que a manobra não deu muito certo e o avião caiu na Pensilvânia, em acidente sem sobreviventes. E é essa a história de Vôo United 93.

O filme tinha tudo para ser mais um filme bobo que exalta o heroísmo de norte-americanos, cheio de situações-limite e finais felizes. Mas este não é o caso e a direção do inglês Paul Greengrass (A Supremacia Bourne) é chave para que a produção seja tão bem-sucedida. Sua câmera acompanha de perto o que acontece, o que ajuda a criar a tensão necessária. Por mais que já saibamos o que acontece, o filme envolve o espectador, que se pega torcendo por um final feliz, por mais que não há espaço para isso em Vôo United 93, nem para heróis ou vilões. O espectador não se apega a nenhum personagem do elenco formado por atores desconhecidos. Inclusive, eles são tão mal-informados em relação aos objetivos das ações, os alvos e a identidade dos terroristas quanto éramos na época. Só se sabe que os criminosos que tomam o avião são de origem muçulmana e suas ações são calcadas na fé. Fugindo do dramalhão fácil e do maniqueísmo, Greengrass não pretende apontar culpados, vítimas nem soluções e esse é um dos grandes méritos de Vôo United 93. Extremamente realista, o filme ainda usou controladores de vôo profissionais em algumas cenas, tanto os que trabalham em vôos comerciais quanto os militares. Filmado com câmeras portáteis, a direção aproxima-se da documental, o que imprime mais realismo ainda ao filme. Além disso, os familiares dos 40 passageiros e tripulantes mortos no vôo 93 deram consultoria ao filme para que o diretor e roteirista pudesse traçar retratos precisos sobre eles.

O que interessa a Greengrass, que também assina o roteiro, não é criar empatia junto ao espectador. Trata-se de um drama humano, mas seus personagens não são movidos pelo heroísmo, mas pela sobrevivência. O filme também enfatiza a falta de preparação tanto vinda dos operadores de vôo quanto dos militares, que simplesmente não sabem o que fazer ao perceber que seu país está sob ataque. Resta a eles, como ao resto do mundo, observar a fumaça pela TV.

Em tempo: US$ 1,5 milhão da renda de Vôo United 93 em seu fim de semana de abertura nos EUA foram doados ao memorial construído na Pensilvânia em homenagem aos mortos no acidente.

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Seres Rastejantes (2006)

Nos anos 50, quando um novo invento chamado televisão invadiu os lares americanos, o público que costumava freqüentar o escurinho do cinema se dividiu: os mais maduros preferiram ficar em casa apreciando a novidade, o que ocasionou o fechamento de milhares de salas de exibição em todo o país. E os mais jovens pegaram seus carrões rabo-de-peixe e passaram a curtir os drive-ins, enormes projeções ao ar livre onde o filme era o que menos importava. Nos bancos dos carros, muito hambúrguer, amassos e refrigerantes. Nas telas, monstros, zumbis e bolhas assassinas.

Tudo isso para dizer que Seres Rastejantes nada mais é do que uma homenagem aos divertidos trash movies dos drive-ins daquela época. A idéia é do diretor estreante e roteirista de Madrugada dos Mortos James Gunn, e a história vem - propositalmente - recheada de todos os clichês do gênero. Veja: um meteoro vindo de outro planeta cai numa cidadezinha provinciana do interior dos Estados Unidos, espalhando pelo lugar os embriões de nojentas lesmas alienígenas que precisam do corpo humano para se reproduzir. E tem mais: os terráqueos contaminados passam a se comportar como zumbis sedentos de sangue. Não faltam a clássica cena do chuveiro, o interruptor de luz que não acende, o carro sem a chave no contato, o prefeito corrupto, a pausa no meio da ação para explicar o que está acontecendo, enfim, pense em qualquer clichê dos "filmes de drive-in" que ele estará em Seres Rastejantes. Num momento nostálgico, chega-se até a citar que os invasores poderiam ser os russos, numa referência escrachada à Guerra Fria que começou nos anos 50.

Existe, porém, um grande problema: o humor é pouco. O filme é impossível de ser levado a sério (e nem esta era a intenção do diretor). Por outro lado, falta bom humor para que ele seja, pelo menos, apreciado como uma sátira ao gênero. Talvez funcione melhor em DVD, temperado com muita pipoca e refrigerante, num sábado à tarde. Com chuva.

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O Grito 2 (2006)

Takashi Shimizu está novamente no comando de O Grito 2, mantendo a mesma característica do primeiro, não só no visual, mas também na forma como desenvolve o roteiro. Uma coisa é certa: a seqüência é melhor que o anterior. Mesmo assim, ainda não é o suficiente para ser considerado um ótimo filme de terror. Seguindo o mesmo caminho de O Chamado 2, esta produção possui revelações importantes para compreender as maléficas intenções da assombração Kayako Saeki (Takako Fuji).

Em O Grito 2, três histórias acontecem ao mesmo tempo. Aubrey Davis (Amber Tamblyn) viaja para Tóquio para encontrar sua irmã, a sobrevivente Karen (Sarah Michelle Gellar) que está internada em um hospital, acusada de ter provocado o incêndio que resultou na morte de seu namorado. Aubrey conhece o jornalista Eason (Edison Chen), que lhe ajudará a revelar os mistérios que envolvem a casa mal-assombrada pelos espíritos de Kayako e do pequeno Toshio (Ohga Tanaka).

Allison (Arielle Kebbel) mora há seis meses em Tóquio, mas ainda não fez nenhuma amizade. Para entrar na turma de Vanessa (Teresa Palmer) e Miyuki (Misako Uno), ela está disposta a fazer qualquer coisa, até mesmo enfrentar os mistérios da casa. Trish (Jennifer Beals) acaba de se mudar para o apartamento do namorado e pai do pequeno introvertido Jake (Matthew Knight) e da adolescente Lacey (Sarah Roemer). O caçula começa a perceber que coisas estranhas acontecem no vizinho e parecem estar se espalhando pelo prédio inteiro. Inicialmente, essas três histórias parecem não ter ligação, mas mostram que as paredes da casa não são mais suficientes para isolar a maldição.

Já são muitos os fãs do cineasta Shimizu, que acompanham todos os seus trabalhos como Almas Reencarnadas. Essas pessoas podem ficar tranqüilas, pois não irão se decepcionar. O diretor continua usando os sustos e aparições sobrenaturais para criar o clima de tensão tão comuns nos filmes do gênero. Mesmo quem não gostou de O Grito, poderá saciar algumas curiosidades sobre a história, que vai muito além do assassinato cometido pelo marido ciumento de Kayako. Quem não assistiu ao primeiro, aconselho que vá até a locadora, pois O Grito 2 é seqüência direta e não volta a mencionar pontos importantes abordados no anterior.

O cenário está mais sombrio, os espíritos mais presentes, o roteiro tem mais conteúdo, o clima está mais tenso. Porém, novamente o terror foi deixado de lado. Assustar-se com uma cena não é o mesmo do que sentir medo e, nesse caso, nem mesmo uma criança ficaria aterrorizada com este filme.

Agora, uma boa notícia para os amantes de filmes de terror japoneses: mais uma vez, O Grito 2 deixa espaço para uma possível continuação.

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O Dono da Festa 2 (2006)

O Dono da Festa 2 chegou às locadoras como uma daquelas seqüências absolutamente gratuitas, que ninguém pediu e ninguém queria. Foi um fracasso imenso nos cinemas norte-americanos e um desastre de crítica por lá. Tudo isso, claro, era previsível antes de qualquer um ter visto o filme. Ao contrário de seu antecessor, que era engraçadinho e razoavelmente divertido (e fez um pouco de sucesso, tanto que por isso ganhou esta seqüência), esse é totalmente desinteressante e não faz rir.

O filme não é muito mais do que um monte de piadas escatológicas absolutamente batidas. Elas não são necessariamente de mau gosto (não são piores, por exemplo, que as da série American Pie), são simplesmente ruins. O sexo, obviamente, é utilizado como ingrediente apelativo, o que é previsível, até porque essa característica foi vendida desde o trailer do filme. Para os machistas, é um prato cheio ver um monte de mulheres serem utilizadas como decoração pura.

Sem Ryan Reynolds no papel principal, a responsabilidade de “zoar” as moças ficou com Kal Penn, que era coadjuvante no filme original. Infelizmente, Penn tem carisma mínimo para esse tipo de papel (embora tampouco Reynolds conseguisse salvar o filme). O par amoroso do mocinho, apesar de ser uma garota muito bonita, também não demonstra nada além de sua beleza. Obviamente o roteiro não a ajuda, pois mesmo nos momentos mais “sentimentais” os textos são fracos e óbvios. Enfim, não é um tipo de filme bom para julgar capacidades artísticas de seus atores – no máximo, para julgar o quanto seus empresários são burros.

Como geralmente acontece no subgênero “comédia adolescente”, os coadjuvantes do filme são absolutamente genéricos, com destaque [negativo] para o vilão burguês que compensa a falta de cérebro com dinheiro. Outros coadjuvantes se resumem aos típicos nerds e às típicas garotas vagabundas acéfalas. Há uma festa na fraternidade e o vilão vai se dar mal no final... ZZZZZ!

A impressão que se tem é de que o filme foi lançado com pelo menos três anos de atraso - se tivesse saído na época do auge desse subgênero hoje totalmente desgastado, teria se dado melhor. Isso, é claro, não faria dele um bom filme, mas talvez um filme mais suportável. Mesmo julgando O Dono da Festa 2 pelo que ele deveria ser – a velha "diversão descompromissada"  (porque devemos ser tão coniventes com esse chavão?) – o resultado é desastroso, pois deve-se ter muita boa vontade para tirar algo proveitoso além de risadas forçadas. Não há nada além disso aqui.

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Miami Vice (2006)

Me pergunto como deve ter sido a reação que muitos tiveram com esse pequeno filme já cult de Michael Mann em sua época de lançamento, já que este aparentemente sofreu uma certa rejeição por parte de ambos crítica e público, que continua bem divisiva até hoje. Será que deve ter sido por terem o encarado como um mero thriller policial “mal filmado” com desenvolvimento de personagem vazio e melodramaticamente falando ‘exagerado ou cafona’?! Enquanto no meio dos fãs do diretor vejo uma reação totalmente inversa e completamente calorosa, com alguns até o chamando do melhor filme do diretor ou um dos melhores da década passada, ou até o melhor filme policial em anos. Eu presumo que talvez venha a ser o típico caso ame ou odeie?! Mas por que deve ser assim? Talvez o filme seja exatamente tudo aquilo que se propôs ser e não deve ter falhado em tal.

Não é de hoje que se é conhecida a fama que Michael Mann tem de ser um diretor completamente meticuloso e talvez um perfeccionista por natureza. O comando dele de sua câmera enxotada nos cantos claustrofóbicos, perseguindo os personagens a todo o tempo já denota o quanto ele está em controle em cima de seus fantásticos atores e da narrativa que ele aqui se propõe. Sim talvez seja mesmo o caso de uma história de justiça vs crime envolvido com o amor criminoso e a violência brutal das ruas que já se viu incontáveis vezes, ainda mais abordadas por Mann. Os fãs podem vir a me crucificar por dizer isso, mas Michael Mann basicamente quase faz os mesmos filmes e as mesmas histórias de novo e de novo, com muitas diferenças claro, mas constantes leves semelhanças e certas repetições, mas isso não é algo negativo por assim dizer.

Ainda mais tendo em conta o quanto ele mostra como consegue morfar tecnicamente e narrativamente de filme pra filme, sempre usando novos estilos, jogadas de câmera diferentes, a forma que ele monta e filma seus icônicos e enervantes tiroteios sempre de forma diferente e SEMPRE de forma absolutamente precisa, assim como dirige seus pequenos momentos contidos e contemplativos entre os personagens e a maneira com que constrói a narrativa e história deles mesmo lidando com temas similares. Assim sempre mostrando uma evolução e modernização e seu tão fantástico estilo, mas sempre soando familiar e mantendo sua marca de autor.

E talvez tenha sido com Miami Vice que ele chegou o mais próximo em anos de se fazer um novo tipo de filme policial moderno, e até mesmo uma nova forma de cinema contemporâneo diferente. Que não segue os caminhos narrativos previsíveis, e que se constrói e remodela de forma coesa mas sempre diversificada, mostrando ter uma linguagem técnica totalmente autoral na forma que lida com a construção de trama e o desenvolvimento dos personagens.

Estes que aqui estão longe de serem algo vazio ou dramaticamente cafonas. Mann quer puxar as emoções e construir suas personalidades e relacionamentos através dos pequenos gestos, nas singelas trocadas de olhar, na forma que interagem no mundo violento em que vivem e o trabalho tão perigoso e tão apaixonante para eles mesmos. Onde simples toques e pequenas conversas tão naturais condensam anos de trabalho, respeito e amizade que o filme nem sequer mostra, mas pede para o público se investir e sentir tudo que tem a dizer através do silencio do ambiente. Como o amor e a amizade podem se aflorar na mentira, e a parceria e verdadeira lealdade não é nunca questionada entre os mocinhos e sim demonstrada nas violentas ações em que comentem em nome da justiça por que tanto lutam. Enquanto os criminosos são figuras do puro mal da natureza humana em seus olhares: nazistas, traficantes, estupradores, invasores da pátria onde palavras de lealdade e respeito não existem ou são sentidas, e só merecem que a morte caia sobre eles.

O uso do digital desde seu excelente Colateral em sua filmagem está mais apurado aqui do que nunca, Mann dá uma vitalidade e voracidade que poucos diretores ousam mexer em digital, ainda mais como ele o usa aqui conseguindo captar uma verdadeira imersão do inicio ao fim dando um deleite visual diferente, caloroso, claustrofóbico, sujo, mas ao mesmo tempo belo e, acima de tudo, moderno!  Com a câmera de Mann se tornando tão íntima ao ponto de sentirmos cada toque de carinho, excitação e amor entre os amantes, o calor da amizade entre os parceiros e o choque de violência que se instala nos ferozes tiroteios, onde a violência explode sem pudores e o verdadeiro banho de sangue que é na realidade explode na tela sem poupar em nada. E Mann como sempre captura essas suas FANTÁSTICAS cenas de ação com uma ferocidade, energia, movimentação e controle que quase nenhum diretor consegue emular, se tornando verdadeiros terremotos de caos e morte no mundo dos personagens.

Estes que tomam vida e forma cheios de profundidade com tanta naturalidade graças ao elenco em total sintonia perfeita e seu diretor sabendo comandar cada um. Com os foques centrais sendo claro na dupla de Colin Farrel e Jamie Fox, ambos se tornando os protagonistas Michael Mannianos, os homens que amam o seu trabalho e são extremamente bons nele, com Fox completamente a vontade no papel e mostrando sua clara química com Mann na direção e total imerso na personalidade empática quando o vemos no seu cotidiano de policial gente fina, e intimidadora quando o vemos infiltrado e totalmente investido em seu trabalho com uma sede de violência prestes a explodir nos seus olhar. Enquanto Farrel faz talvez o mesmo tipo que Al Pacino foi em Fogo Contra Fogo, o policial que ama tanto seu trabalho que não conhece outra vida se não essa, mas o amor de suas amantes se tornam o peso da realidade nas vidas de ambos os parceiros, com destaque para uma curta, porém ótima Naomie Harris e uma SOBERBA Li Gong, a mulher que nasceu no mundo do crime dominado pelos homens e sobrevive nele por toda sua vida, e só o amor é capaz de baixar sua guarda e também ser engolida pela realidade violenta que rodeia a todos.

Então como podem ver, é apenas outro filme de Michael Mann sendo 100% Michael Mann, um filme policial que passa longe de ser apenas um bom entretenimento de ação, com excelentíssimas cenas do mesmo, mas também é um drama auto-contemplativo e que só oferece uma linguagem cinematográfica tão original e moderna, e dramaticamente forte ao mesmo tempo em que é feroz e brutal. Um dos filmes mais especiais de Michael Mann e que merece muito mais atenção e respeito do que recebe!

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ELES (2006) / Legenda

O home invasion já deu o que tinha que dar. Todo ano sai aos montes produções que abordam esse subgênero. Podemos citar, por exemplo, Você é o PróximoQuarto do Pânico, A InvasoraOs Estranhos (que reza a lenda, é um remake de Eles), Violência GratuitaUma Noite de CrimeMischief Night... No entanto, são poucos que conseguem inovar ou pelo menos usar os clichês ao seu favor. Eles é uma mistura dos dois.
Lançado em 2006, um ano antes de Os Estranhos, Eles é um filme francês que se diz baseado em fatos reais. Claro que eu procurei saber se isso era verdade e bom, não achei muito. Apenas algo sobre um casal de austríacos que foram assassinados na República Tcheca. O filme na verdade parece ser mais inspirado em fatos reais do que baseado em um. Sim, há diferença. Se vocês forem inteligentes, irão entender.
Bom, vamos começar a falar do filme. Ele começa com uma mãe e sua filha adolescente na estrada, quando do nada, um homem aparece no meio e faz com que elas batam o carro, tentando desviar dele. Sem nenhum ferimento, a mãe tenta consertar o problema no capô, enquanto a filha fica tentando dar a partida do carro. É quando a mãe desaparece. Achei tensa essa cena, principalmente quando a garota fala Mãe! e escutamos um sussurro atrás do mato: Mãe... Enfim, a menina volta para o carro assustada mas não percebe que há alguém dentro. Aí já sabem né?
Conhecemos então os protagonistas. A professora Clemèntine e seu marido escritor Lucas, ambos franceses, mas que moram na Romênia, em uma grande casa afastada. A vida deles é normal e tranquila. Até uma certa noite em que eles acordam com um barulho. Ao ir checarem, Clemèntine percebe que seu carro não está estacionado no mesmo lugar no qual ela deixou. O carro então é ligado por alguém que quase atropela Lucas e foge do local com o carro. Assustados, eles ligam para a polícia, que não podem fazer nada a uma hora daquelas. É então que a luz acaba na casa inteira e eles se veem cercados por pessoas do lado de fora; pessoas essas que não demoram muito para invadir a casa. Não vou contar mais nada por que a partir daí é spoiler.
Primeiramente, o filme é tenso. Mas é tenso pra caralho. E olha que não tem nem trilha sonora - ponto que vou discutir mais afrente. Ele lentamente cria aquela atmosfera de insegurança que só fica mais pesada. Tem algumas cenas que te deixam bem aflitos, como a cena em que Lucas sai para verificar se os invasores haviam ido embora ou a cena em que Clemèntine vai ao sótão. Essa última para mim é a melhor do filme, depois da abertura.

Os personagens principais não são bem desenvolvidos, portanto não ficamos próximos deles o bastante para simpatizar, etc. Claro que há cenas em que torcemos para que eles consigam, como o final, mas ainda assim. O filme é curto (1h19min), portanto poderiam ter colocado uns 10 minutos a mais, desenvolvendo os personagens. No entanto, dá a impressão de que esse distanciamento de nós com os personagens foi proposital. Falando no final, ele é o mais pessimista e realista o possível. Gostei dele pois foge do normal em filmes desse tema.

Os sustos são previsíveis mas ineficazes, pois não há trilha sonora. Tudo bem, muitas vezes reclamamos do excesso de sonoplastia em filmes de terror, pois dá para prever os sustos por ela. Mas nesse filme, eles tentaram dar um visual cru e tiraram a trilha sonora. Por exemplo, a cena do sótão, quando o encapuzado aparece atrás de Clemèntine: tudo bem, deu uma aflição. Mas quando há a luta dos dois e ele cai, fica aquela coisa sem graça, sem emoção.

O filme é bom. Apesar de algumas falhas, é uma ótima experiência para se marcar como "Já vi" no Filmow. Fui esperando muito dele e, apesar de algumas coisas não supridas, ele se destacou em maior parte.

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Quando um Estranho Chama - 2006

Como filme de terror, o longa não causa medo algum; como suspense, não contém sustos e grandes mistérios. Quando um Estranho Chama é um filme fraco, com um roteiro gasto e cheio de falhas. O diretor Simon West não é um novato para justificar a precariedade da história. Ele já dirigiu filmes como Lara Croft: Tomb Raider (2001), com Angelina Jolie, e Con Air - A Rota de Fuga (1997), com Nicolas Cage.

Em uma tentativa de se aproximar do sucesso de Pânico e outros filmes que envolvem ameaças a adolescentes por meio do telefone, Quando um Estranho Chama conta a história de Jill Johnson (Camilla Belle), uma adolescente que fica de castigo por ter usado demais o celular. Para pagar a conta, os pais a obrigam a trabalhar como babá, em uma casa isolada e afastada da cidade. Ela começa a receber estranhas ligações que, no início, pensa ser trotes dos amigos que estão em uma festa da escola. Jill começa a ficar assustada ao perceber que o homem misterioso das ligações a está observando. Quando um policial rastreia as chamadas e descobre que estão sendo feitas de dentro da casa é que o terror de Jill começa para valer, ou pelo menos tenta começar.

O início do filme causa um certo suspense e uma expectativa para saber o que irá acontecer, mas não passa disso. No decorrer de Quando um Estranho Chama, esse suspense acaba e a única coisa que fica é a ansiedade do término do longa. O roteiro deixa o espectador cheio de dúvidas e sem causar terror. Os assassinatos são fracos e até as crianças conseguem enganar o "temido" serial killer.

A atuação de Camilla Belle (O Mundo de Jack e Rose) não convence, nem faz com que o público se envolva com a aflição da personagem e sua luta pela sobrevivência. Para uma adolescente que está sozinha com um assassino dentro de uma casa enorme, tendo de proteger duas crianças, ela não consegue transmitir sua angústia e, em certos momentos, parece até indiferente ao que está acontecendo a sua volta. Definitivamente, Jill Johnson não será a nova Sidney Prescott - interpretada por Neve Campbell, em Pânico.

O único destaque do longa-metragem é o cenário. Uma casa belíssima, cheia de controles remotos e equipamentos modernos, com direito a um viveiro com um lago repleto de carpas.

Os fãs de terror, que gostam de sentir medo e levar grandes sustos, vão se decepcionar com Quando um Estranho Chama. Mas se você quiser aumentar sua lista de filmes assistidos do gênero, espere o lançamento nas locadoras; o prejuízo será menor.

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O Hospedeiro (2006)

O Hospedeiro tem praticamente duas horas de duração e confesso que passei toda a primeira hora absolutamente pasmo, sem saber se estava vendo um drama, uma comédia ou um filme de horror. Passado este primeiro momento, como se dizia antigamente, "a ficha caiu" (sim, porque os telefones hoje são de cartão). Ou seja, em que lei está escrito que os filmes precisam necessariamente ser rotulados, como se estivessem prontos para serem colocados numa prateleira de videolocadora?

Pois O Hospedeiro quebra todas estas convenções. Ele começa como uma singela história familiar passada na beira do rio Han, em Seul. É ali que conhecemos uma simpática família proprietária de uma barraquinha de comida: o pai, o filho e a neta. Pela televisão desta família, ficamos sabendo também que existe uma outra filha, que é arqueira do time olímpico coreano.

De repente, surge dependurado numa ponte à beira deste rio uma imensa criatura gosmenta que, do nada, sem motivo aparente, passa a devorar as pessoas que tranqüilamente faziam piquenique nas verdejantes margens do Han. A cena é tão grotesca quanto inesperada. Esqueçam toda aquela estética asséptica do cinema hollywoodiano, que fica enviando mensagens cinematográficas cifradas pela antigas "bíblias" dos filmes de terror. O monstro coreano simplesmente ataca. Tranqüilo e infalível, como Bruce Lee. Feroz, insaciável e inexplicável. A capital coreana passa viver um clima de morte comparável às cenas que a mídia veiculou na época do Tsunami. E, acreditem, há espaço para cenas cômicas que lembram Os Trapalhões. A mistura proposta pelo diretor Bong Joon-ho é corajosa.

Após o ataque do monstro, tem início a saga desta família pelo resgate de um de seus membros, supostamente devorado. Irônico. Quem tirava o sustento da comida sai agora em busca de um ente querido devorado. São várias as leituras. Que Coréia é esta? O que busca este país tão dividido? E mais: o povo coreano é obrigado a passar por esta tragédia em função de descaso e arbitrariedade ocidental de uma autoridade que fala inglês.

Perturbador, O Hospedeiro é impossível de ser assistido com indiferença. Seguidores da cartilha de Hollywood certamente vão estranhar e provavelmente regurgitar a proposta (como o próprio monstro, aliás, faz com suas presas). Os cinéfilos apreciadores de inovações devem gostar e os donos de videolocadoras vão ter muito trabalho em encontrar em qual prateleira ele deve ficar quando o filme sair em DVD.

O Hospedeiro vendeu mais de 13 milhões de ingressos na Coréia do Sul, o que corresponde a aproximadamente 20% da população. É como se um filme brasileiro vendesse 36 milhões de ingressos por aqui. Ele foi indicado aos Prêmios de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator Revelação (Ah-sung Ko) de 2007 pela Academia de Filmes Ficção Científica, Fantasia e Horror dos EUA.

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Instinto Selvagem 2 (2006)

 A primeira cena de Instinto Selvagem 2 faz pensar que será um bom filme de ação, mas não se engane. Esta seqüência do filme de 1992 é parada, repleta de diálogos enfadonhos que tentam criar um ambiente inteligente, sem êxito. O diretor Michael Caton-Jones (O Último Suspeito) não conseguiu manter o dinamismo e o clima de mistério envolvente do primeiro filme, mesmo por que o roteiro não ajuda nem um pouco. Depois de passado o encantamento diante da forma escultural de Sharon Stone aos 48 anos, torna-se cansativo e o único desejo que permanece é de que o filme termine logo.

A escritora de suspenses policiais Catherine Tramell (Sharon Stone) agora está em Londres e, mais uma vez, sendo investigada pela polícia. A trama de Instinto Selvagem 2 começa com um acidente de carro que vitimou um de seus amantes. Ao que tudo indica, Catherine está sempre à procura de formas cada vez mais perigosas de diversão e isso a leva a ser analisada pelo psiquiatra londrino dr. Michael Glass (David Morrissey).

O enredo principal do filme original praticamente se repete aqui. Vários assassinatos acontecem e todos possuem uma ligação com a escritora, mas nenhuma prova concreta de sua autoria. O psiquiatra envolve-se com Catherine e sua carreira começa a desmoronar. O jogo de sedução cria conflitos em sua mente e o dr. Glass não consegue mais definir a verdade, nem em quem confiar.

Fazer uma seqüência depois de 14 anos parece mais uma maneira desesperada de promover a atriz Sharon Stone, em posições e cenas sensuais, mostrando que continua em ótima forma, apesar da idade. É difícil distinguir o que é pior: uma senhora querendo mostrar que ainda pode interpretar personagens jovialmente voluptuosas ou a tentativa de criar um filme lascivo, porém inteligente, com diálogos monótonos entre psicólogos arrogantes.

No meio de tanta confusão psicológica criada pelo enredo, nem tudo está perdido em Instinto Selvagem 2. Há eficientes interpretações, como a de David Morrissey (Fora de Rumo) na pele do psiquiatra e David Thewlis (Sete Anos no Tibete) como o detetive da Scotland Yard, Roy Washburn.

A curiosidade poderá levar muita gente às salas de cinema, mas aqueles que assistiram ao primeiro filme, com certeza, se decepcionarão. Definitivamente, Instinto Selvagem 2 foi um passo em falso na carreira de Sharon Stone. Como ela mesma disse, "um vexame".

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X-Men - O Confronto Final - 2006

Novamente está provado: não é necessário nivelar por baixo para fazer um grande filmão estilo comercial. X-Men: O Confronto Final é um dos grandes arrasa-quarteirões da temporada, vem cercado de muita expectativa e é puramente comercial. Nem por isso faz o seu público de tolo. Pelo contrário.
Temia-se que a saída do diretor Brian Singer do projeto (que havia comandado com sucesso os dois primeiros episódios) pudesse baixar a bola do filme, o que acabou não acontecendo. Bratt Ratner, o novo diretor, carregou para X-Men: O Confronto Final toda a experiência que acumulou com dois primeiros A Hora do Rush e o resultado agrada. Além disso, o roteiro deste terceiro capítulo também mantém o bom nível dos anteriores. Ele é de responsabilidade de Simon Kimberg (roteirista de Sr. e Sra. Smith e Triplo X) e Zak Penn, que havia colaborado no argumento de X-Men 2 e roteirizado Elektra.

X-Men: O Confronto Final mostra a extrema reação de mutantes e não-mutantes quando o governo dos EUA anuncia que encontrou a "cura" para o código genético "X". Ou seja, a partir de agora, os mutantes já podem ser "curados" de suas mutações. O simples anúncio da nova droga coloca todos em polvorosa: ser mutante, então, seria uma "doença"? Nunca foi segredo para ninguém que a condição de mutante, nos quadrinhos da Marvel, é uma simbologia para os "diferenciais" - positivos e negativos - que o adolescente enfrenta na entrada para o mundo adulto. Inclusive, as cenas iniciais deste terceiro episódio reforçam bem este conceito. Espinhas, mudanças de vozes, jeitão desengonçado (asas?), enfim os "terríveis fantasmas" pré-adolescentes. Por extensão, ser mutante é ser diferente da maioria. Ao anunciar uma "cura", o governo norte-americano incorre num grave erro de julgamento preconceituoso. O próximo passo então seria "curar" o homossexualismo, a hispanidade e a cor negra? Não seria de se estranhar, num país comandado por um presidente que manda construir um muro gigantesco na fronteira com o México. Não por acaso, a certa altura do filme Tempestade (Halle Berry) diz: "Vivemos épocas de trevas e de medo". Esta parte não é ficção.

Instala-se, então, uma poderosa guerra entre os Mutantes do "bem", comandados pelo Professor Xavier (Patrick Stewart), e os do "mal", capitaneados por Magneto (Ian McKellen). Não bastasse a gigantesca confusão, emerge das profundezas da morte a bela Dra. Jean (Famke Janssen, lindíssima), que havia "morrido" no filme anterior. O circo está armado. E Bratt Ratner comanda tudo com firmeza e talento. X-Men: O Confronto Final alia um roteiro vibrante - repleto de crítica social e ótimos diálogos (sim, o humor continua em alta) - a cenas de ação de prender nas poltronas tanto os fãs como os não-fãs da franquia. O que mais pode se esperar de um arrasa-quarteirão?

Um último detalhe: só não acredite no subtítulo "O Confronto Final". Tenha um pouco de paciência, veja os créditos até o finalzinho e saiba por quê.

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O Código da Vinci (2006)

O Código Da Vinci é adaptação de livro homônimo escrito por Dan Brown. Traduzido e lançado em 40 países, a obra vendeu mais de um milhão de exemplares somente no Brasil e, ainda hoje, figura em listas de "mais vendidos" nas maiores livrarias brasileiras. Se considerarmos que sucessos literários tendem a atrair multidões de espectadores às salas de cinema, esta produção é uma das mais aguardadas de 2006. Não somente por isso, mas também porque uma das melhores propagandas é a polêmica. E disso O Código Da Vinci está cercado. Afinal, a produção aborda mitos religiosos e sujos jogos de interesse dentro da Igreja, mais poderosa instituição católica. Está bem claro que é uma obra de ficção, também envolvendo o mundo das artes. Mesmo assim, o livro (e, conseqüentemente, o filme) não deixa de atiçar os religiosos mais fervorosos, que pedem (sem sucesso) pela proibição de sua exibição.

O professor norte-americano Robert Langdon (Tom Hanks) está em Paris para fazer uma palestra e lançar seu mais novo livro, um estudo sobre a simbologia feminina na história mundial. No meio de um evento, é requisitado a comparecer no notório Museu do Louvre, onde aconteceu o assassinato de seu curador, Jacques Saunière (Jean-Pierre Marielle). As pistas para o crime parecem estar escondidas em quadros de Leonardo Da Vinci. Com a ajuda da criptógrafa francesa Sophie Neveu (Audrey Tautou), ele descobre que o curador estava envolvido em uma misteriosa sociedade secreta, os Templários, que, desde a morte de Jesus Cristo, protegem o segredo do Santo Graal. Como numa caça ao tesouro, que não deixa nada a dever aos filmes como os de Indiana Jones (mas sem tanta aventura), eles seguem as pistas deixadas por Saunière - o último dos quatro protetores do segredo assassinados - em busca do lendário objeto, também contando com a ajuda de Sir Leigh Teabing (Ian McKellen), amigo de longa data de Langdon e estudioso do Santo Graal.

Mas a caça não é nada tranqüila: enquanto decifram as pistas, fogem do investigador Bezu Fache (Jean Reno) - crente que Langdon é o assassino do Louvre - e do assustador monge Silas (Paul Bettany), seguidor do Opus Dei (braço da Igreja Católica) com a missão de recuperar a pedra-chave que protege o mapa que leva ao Santo Graal. Enquanto o interesse dos Templários é proteger o segredo, o Opus Dei está interessado em destruí-lo, uma vez que as informações podem abalar todos os alicerces que dão base à Igreja, podendo acabar com todo o seu poder mundial.

Um dos maiores destaques em O Código Da Vinci (o livro) é a forma como Dan Brown é capaz de envolver o leitor nessa aventura conduzida por Langdon e Sophie. Aos milhares de fãs da obra literária, a boa notícia é que a adaptação dirigida por Ron Howard (A Luta Pela Esperança) não decepciona. Mesmo tendo sido vaiado por jornalistas no Festival de Cannes, onde foi exibido pela primeira vez. Assim como no livro, há muita falação, o que não deixa nenhum mistério em aberto, ao mesmo tempo em que pode cansar o espectador, assim como a saturada trilha sonora de Hans Zimmer. Afinal, são duas horas e meia de filme e poucos minutos de silêncio.

Mesmo assim, a aventura prende a atenção do espectador e o envolve da mesma forma que o livro faz. A direção de Ron Howard aproveita muito bem as belíssimas locações européias - a última cena, no Museu do Louvre, é de deixar qualquer um boquiaberto de tão bela. Usando muitas gruas - equipamento capaz de dar elevação à câmera -, filmagens aéreas e um desfile de obras plásticas clássicas - afinal, o mistério é completamente envolvido com as artes -, Howard mistura imagens filmadas a efeitos visuais para unir passado e presente, tão interligados nessa complicada trama. Destaque, também, à feliz escolha do elenco estrelado, em especial ao casal protagonista. Tom Hanks é, incontestavelmente, um dos atores mais poderosos de Hollywood e seu poder tende a crescer após a produção. O mesmo pode ser dito da francesa Audrey Tautou que, após chamar a atenção do mundo cinematográfico como a protagonista do adorável O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), consegue o papel que marca seu estrelato. Existe química entre os dois personagens, mas o diretor preferiu cortar qualquer resquício de romance no longa-metragem - o que acontece no livro. Escolha ousada que mostra o objetivo do filme: ater-se ao mistério criado por Brown em torno do Santo Graal e da religiosidade na história mundial.

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BABEL (2006)

Babel é o filme que encerra uma trilogia idealizada pelo cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu. Um acidente é ponto de congruência entre histórias paralelas: em Amores Brutos (2000), elas envolviam amores trágicos; em 21 Gramas (2003), o desejo de vingança; nesta produção, a incomunicabilidade. Por isso o nome do filme: a história da Torre de Babel descrita na Bíblia mostra como a incomunicabilidade entre os homens os impede de chegar aos reinos dos céus, como neste longa-metragem.

Além da incomunicabilidade, as histórias em Babel têm um ponto mais sutil de ligação, revelado aos poucos pelas tramas desenvolvidas paralelamente. O casal de norte-americanos Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett) está de férias no deserto do Marrocos, onde dois garotos, Yussef (Boubker Ait El Caid) e Ahmed (Said Tarchani), aprendem a atirar com uma arma recém-adquirida pelo pai. Richard e Suzan deixam seus filhos pequenos - Debbie (Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning) e Mike (Nathan Gamble) - nos EUA sob os cuidados de Amelia (Adriana Barraza), que trabalha na família há bastante tempo. Imigrante mexicana, precisa atravessar a fronteira de volta ao seu país para o casamento do filho, mas não consegue ninguém para cuidar das crianças em sua viagem. Ela resolve, então, levá-las à festa ao lado de seu sobrinho Santiago (Gael García Bernal). No Japão, a bela adolescente Chieko (Rinko Kikuchi) tem deficiências auditivas e vive numa Tóquio repleta de estímulos sensoriais e, principalmente, sexuais. Ela tenta lidar com essas descobertas (e a vontade de passar por elas, principalmente) e também com os cuidados excessivos do pai (Kôji Yakusho, de Eureka), especialmente após a morte da mãe. Os destinos dessas quatro famílias se cruzam a partir de um trágico incidente.

Em Babel, Iñárritu mostra maturidade na direção, provando ainda ser capaz de tocar o espectador numa trama complexa e triste. Apesar de contar com atores do calibre de Brad Pitt (indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante), Cate Blanchett e Gael Garcia Bernal, quem mais se destaca são as menos conhecidas Rinko Kikuchi e Adriana Barraza (que volta a trabalhar com o diretor depois de Amores Brutos). Especialmente a jovem atriz japonesa Rinko, que tem o desafio de interpretar uma adolescente surda e muda que quer, a todo custo, viver como as pessoas de sua idade que não possuem essa deficiência. Nos momentos em que ela passeia por uma Tóquio caótica, cheia de luzes e sons, Iñarritu usa a trilha sonora e o próprio silêncio para passar a idéia da incomunicabilidade referente à personagem, em belos e inspirados momentos. Não à toa, ambas foram indicadas ao Globo de Ouro de Atriz Coadjuvante.

Marrocos, México, EUA e Japão são os cenários explorados pelo cineasta e em todas é capaz de captar o caos que surge a partir de pequenas decisões. Na relação entre pais e filhos, empregador e empregado, lei e cidadão e, porque não, entre países. E todas caminham para a tragédia graças à incapacidade de comunicação, seja política, a verbal ou mesmo a relacionada à deficiência. Iñárritu sabe como poucos tocar o espectador, que não deixa de ficar desesperado na maioria dos aflitivos 142 minutos de filme. Em Babel, o cineasta consegue tocá-lo de uma forma mais intensa ainda se compararmos com seus filmes anteriores. O resultado também seduziu os votantes do Globo de Ouro, um dos principais prêmios do cinema norte-americano: Babel foi escolhido o Melhor Filme (Drama) de 2006. O filme também fez sucesso do festival francês de Cannes, onde foi indicado à Palma de Ouro e recebeu o prêmio do júri ecumênico, o Grande Prêmio Técnico e Alejandro González Iñárritu foi o Melhor Diretor.

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ADRENALINA (2006)

Seria óbvio dizer que Adrenalina é um filme repleto de ação e emoção, porém cabe reforçar essa afirmação. A produção é intensamente marcada pelo dinamismo do enredo, dos atores, da direção e de todos os elementos que possam compor um longa-metragem. Mesmo assim, o humor negro dá o tempo necessário para o público retomar o fôlego e relaxar entre uma cena e outra, tirando aquela sensação desconfortável de sufoco causada por muitos filmes do gênero. Adrenalina marca a estréia de uma dupla promissora na direção, Mark Neveldine e Brian Taylor, que também assina o roteiro.

A criativa história traz Chev Chelios (Jason Stathan) no centro das atenções. Ele é um assassino profissional que foi envenenado com uma substância química chinesa por seu rival, que quer vingar a morte de um chefão do crime organizado. Para conseguir algumas horas de vida, Chelios não pode deixar a taxa de adrenalina em seu organismo baixar e, seguindo as orientações de seu médico, ele inicia uma busca alucinante para se manter altamente ativo e se vingar de seus assassinos.

Por ser um filme com um personagem principal bem marcante, presente em todas as cenas, a atuação de Jason Stathan - acostumado a filmes que tendem ao humor negro como em Snatch - Porcos e Diamantes e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes - arca com o peso da responsabilidade e cria uma personalidade única para Chev Chelios, um assassino frio e azarado, mas que, ao mesmo tempo, é doce e apaixonado ao lado da distraída namorada Eve, interpretada com louvor por Amy Smart (Efeito Borboleta).

Em um filme como Adrenalina, que utiliza uma linguagem visual semelhante à de clipes musicais, a trilha sonora precisa ser escolhida cuidadosamente, fazendo parte do enredo e ditando o ritmo acelerado do filme. O resultado é surpreendente e ousado em optar por uma variedade de ritmos, que, aparentemente, não combinam entre si como o clássico country Achy Breaky Heart, interpretado por Jarrett & Long, e o punk rock nervoso da banda NOFX, sobrando espaço para pitadas de músicas latinas e uma forte influência do hip hop.

A montagem ganha ritmo frenético com quadros rápidos e cortes bruscos, resultando em uma edição cheia de recortes e velocidade, assim como os enquadramentos e movimentos de câmera, que propagam energia para além da telona. O nome do editor de Adrenalina pode não ser nenhuma referência ao espectador, porém Brian Berdan é o responsável pela edição de Assassinos por Natureza, de Oliver Stone. A violência e as piadas sarcásticas de Adrenalina também são resultado de uma influência nítida e bem-sucedida do estilo Quentin Tarantino (Pulp Fiction) de dirigir.

Um longa-metragem inovador, desde o roteiro até a finalização da produção, com uma linguagem visual bem particular, Adrenalina mostra que é um ótimo entretenimento; inteligente sem ser politicamente correto e desgastante, um meio termo entre os comerciais hollywoodianos e os introspectivos filmes de arte.

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A Profecia (2006)

Há exatos 30 anos, foi lançado nos cinemas um dos maiores clássicos do terror: A Profecia. Dirigido por Richard Donner, o filme marcou o gênero de horror também por render mais de US$ 60 milhões somente nos EUA (cifra bastante polpuda se pensarmos nos padrões monetários da época). Esta introdução pode parecer inútil se você já conhece o genial filme que deu origem a esta refilmagem. Mas existe toda uma geração que não o conhece e é especialmente para esse público que A Profecia é destinado.

A profecia do título está relacionada ao nascimento do anti-Cristo, conforme prevista na Bíblia. Sua ascensão deve acontecer em uma data bastante cabalística: 6 de junho de 2006. Ou 06/06/06. E, como Iron Maiden já disse, 666 é o número da Besta. A ação acontece cinco anos antes, em Roma, onde nasce o filho de Robert (Liev Schreiber) e Katherine Thorn (Julia Stiles). Norte-americanos, estão na cidade porque Robert é assistente do embaixador dos EUA. Só que o filho dos dois morre logo após o parto e o padre do hospital propõe que Robert adote um bebê que nascera na mesma hora cuja mãe morreu. Com medo da reação de Katherine ao saber que perdeu o filho e, possivelmente, a possibilidade de engravidar novamente, Robert concorda com a adoção, mas não conta à esposa. A bela criança cresce, mas, em sua festa de cinco anos, coisas estranhas começam a acontecer. A babá de Damien (o estreante e assustador Seamus Davey-Fitzpatrick) comete suicídio no meio da festinha, na frente de todos os convidados. Drama? É só o começo. Ao mesmo tempo em que situações bizarras acontecem cada vez mais, o padre Brennan (Pete Postlethwaite) passa a perseguir Robert a fim de alertá-lo em relação à profecia. É quando começa uma verdadeira saga pela Europa. Robert, convencido de que a história que o padre Brennan contou é verdade, após algumas confirmações, une-se ao fotógrafo Keith (David Thewlis) numa jornada em busca das adagas que podem acabar com o anti-Cristo, mesmo ele sendo apenas uma criança. Um fato que agrava a situação é a contratação de uma nova babá. A senhorita Baylock (Mia Farrow) é enviada pelo demônio para proteger o menino. Literalmente.

Nessa verdadeira moda de se produzir refilmagens, A Profecia cai como uma luva. A direção de John Moore é segura, cheia de classe e estilo. O roteiro, escrito por David Seltzer (que também assina o texto do primeiro filme) é muito parecido com o de 1976. Claro que há algumas adaptações para contextualizá-lo em nossa época - como os sinais do Apocalipse descritos na Bíblia e interpretados em acontecimentos atuais. Mas os fatos da história são os mesmos. Por isso, a produção pode não funcionar muito bem com quem já conhece o longa original. Os sustos são previsíveis para esse público. Mesmo assim, Moore é capaz de envolver o espectador de uma forma soberba. Apesar de usar de alguns clichês do gênero - como a chuva intermitente pontuando os momentos mais tensos -, o diretor chega a algumas conclusões na direção de arte que fazem com que esta refilmagem seja especial. Vale destacar, também, a escolha de Seamus Davey-Fitzpatrick para o papel de Damien. Apesar de entrar mudo e sair calado - seria generosidade dizer que o menino fala mais do que cinco frases durante o filme -, ele é capaz de ser assustador. Bastante assustador. Isso trabalhando somente o olhar ambíguo, ao mesmo tempo doce e diabólico. Para os fãs do cinema de terror dos anos 60 e 70, a presença de Mia Farrow causa um sorriso no rosto. Afinal, foi em O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski, que ela se tornou conhecida.

A Profecia não decepciona tanto os fãs do original quanto os de terror em geral. É um filme de terror elegante, como os feitos antigamente, na época em que o anterior foi lançado. Nada de centenas de litros de sangue (só algumas dezenas, na verdade), nem assassinos em série esquartejando pessoas. O assassino em série aqui é o Diabo. Tem algo mais assustador e cheio de classe do que isso?

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A CONQUISTA DA HONRA (2006)

Se há alguém em Hollywood que podemos considerar incansável - além, obviamente, de Meryl Streep, que conta com NOVE filmes em produção para 2008 - é Clint Eastwood. Ator, diretor, compositor, produtor: o homem simplesmente não pára! Depois da consagração de Menina de Ouro, que em 2005 ganhou 4 Oscars, inclusive os de Filme e Direção, ele voltou à tona em 2006 com dois novos trabalhos, visões distintas sobre a batalha de Iwo Jima, uma das mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. O primeiro filme, Flags of our Fathers, ou Bandeiras dos Nossos Pais, finalmente entrou em cartaz nos cinemas brasileiros com o equivocado título A Conquista de Honra. Esta é a versão norte-americana do episódio. O olhar dos inimigos, os japoneses, é exposto em Cartas de Iwo Jima, lançado quase simultaneamente nos Estados Unidos e muito melhor recebido pela crítica: falado todo em japonês, recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira, além de somar quatro indicações ao Oscar: Filme, Direção, Edição de Som e Roteiro Original.

Não que A Conquista da Honra seja ruim. Não. Só não é grande coisa. Além de ser mais um filme de guerra, como tantos outros já vistos anteriormente, sem nenhum destaque. As cenas de batalha são absurdamente bem filmadas, mas nada diferentes do que já foi visto em O Resgate do Soldado Ryan, lá no distante 1998. E a trama, a princípio interessante, termina por se revelar numa sucessão de clichês sentimentais e não relevantes, ali colocados justamente para tentar arrancar alguma emoção barata de um espectador em busca de atos heróicos pouco significativos, porém visualmente belos - algo, aliás, discutido no próprio enredo.

A foto do cartaz do filme, bastante conhecida, é o ponto de partida de A Conquista da Honra. Lá num distante 1945, com o povo norteamericano já cansado da guerra e exausto financeiramente, ver aquela imagem de soldados esforçados em levantar a bandeira pátria numa nova conquista funcionou como um catalizador de esperanças e ânimos. Três dos envolvidos naquela imagem - os que ainda restavam vivos - são chamados de volta ao lar para servirem como 'heróis da ocasião', ou seja, para despertar a atenção do público no sentido de levantar fundos para a manutenção da guerra - que, ironicamente, iria ter seu fim poucos meses depois.

Como o batalhão militar chegou até aquele momento do hasteamento da bandeira, e toda a simplicidade por trás daquele ato até então banal, é narrado simultaneamente à jornada dos três colegas pelos Estados Unidos, já não mais soldados anônimos e sim ídolos nacionais. A posição incômoda que eles enfrentam naquela realidade inesperada e indesejada e como cada um reage é o mais pertinente de toda a trama.

Encabeçado por Ryan Phillippe (Crash), Jesse Bradford (Finais Felizes) e Adam Beach (Códigos de Guerra) dando vida aos personagens reais John Bradley, Rene Gagnon e Ira Hayes, os três em performances corretas e seguras, Flags apresenta ainda um bom elenco de apoio, que conta com nomes como Jaime Bell (Billy Elliot), Paul Walker (Velozes e Furiosos), Barry Pepper (Três Enterros), Robert Patrick (O Exterminador do Futuro 2) e Melanie Lynskey (Almas Gêmeas). O que se percebe, no entanto, é que este não é um filme de grandes atuações, e sim de um conjunto de interpretações à altura da história que pretendem contar.

Se há algum astro envolvido, este é Eastwood, responsável por conseguir fazer, praticamente ao mesmo tempo, dois filmes tão marcantes. Provavelmente Cartas para Iwo Jima seja mesmo superior, mas para isso teremos que esperar mais alguns dias. A Conquista da Honra já demonstra, porém, que a dedicação do realizador - ele não participa como ator - foi intensa, mesmo não proporcional ao resultado final. Inferior aos seus últimos trabalhos e desprovido de um olhar mais cruelmente crítico, o filme tenta uma reflexão até válida, mas vazia diante um contexto global, onde enfrentamentos são necessários, imagens são supervalorizadas e mentiras, de tão repetidas, se tornam verdades. Clint tentou fazer um alerta, e seu pecado foi ter sucumbido à própria mensagem de certa forma. Seu trabalho é lindo e impressionante, mas assim como a fotografia original, não consegue ir muito adiante de uma bela superfície, desprovida de conteúdo.

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Uma Garota Irresistível - 2006 / Legenda

Esta cinebiografia mostra o drama vivido pela modelo e atriz Edie Sedgwick (Sienna Miller), uma das preferidas da famosa Factory, de Andy Warhol (Guy Pearce). Após o rompimento do romance com Billy Quinn (Hayden Christensen), a modelo entrou em uma profunda depressão e morreu de overdose de heroína, em 1971.

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Todo Mundo em Pânico 4 (2006)

Acho que todo mundo tem ou já teve um amigo assim: um sujeito que gosta de contar piadas, até sabe contá-las, mas a piada acaba e ele continua tentando explicar aquilo que contou. Chato, né? Pois é mais ou menos por este caminho que segue a comédia Todo Mundo em Pânico 4, franquia cinematográfica especializada em satirizar filmes de terror.

Neste quarto episódio, o diretor David Zucker coloca no seu liquidificador de referências cômicas, entre outros, os filmes Guerra dos Mundos, A Vila, Jogos Mortais, O Grito, Espíritos - A Morte Está ao seu Lado e Água Negra. Ou seja, nem adianta ver Todo Mundo em Pânico 4 se você não viu estes sucessos antes, pois tudo ficará muito sem graça. Não vou me preocupar em contar a história do filme, mesmo porque nem os próprios roteiristas se preocuparam em escrever uma. Tudo é apenas um alinhavo de situações comicamente escrachadas, na mesma linha de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu, ou Corra Que a Polícia vem Aí. Porém, com duas grandes diferenças. Primeira: Todo Mundo em Pânico 4 parte do pressuposto que o público médio não tem a percepção necessária para compreender a brincadeira da primeira vez que ela surge, insistindo, assim, em reprisar o que já foi dito, causando redundâncias que só prejudicam o ritmo da comédia. Segunda: como tem acontecido na maior parte das comédias americanas pós-Irmãos Farrelly, usar a escatologia como provocador do riso virou praticamente uma obrigação. É difícil ver uma cena na qual os protagonistas não estejam, vamos dizer assim, fazendo cocô, xixi, pum ou vomitando, isso para usar a mesma linguagem infantil que o filme usa com o espectador.

O resultado é que as boas piadas do roteiro (sim, elas existem) acabam se perdendo num mar de baixaria que até pode fazer a cabeça do adolescente médio americano "QI de batata doce", mas que causam tédio a quem já passou dos 12 anos.

Se você já viu todos os outros filmes em cartaz na sua cidade, já alugou todos os DVDs da sua locadora e a TV saiu do ar, vá conferir.

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Os Infiltrados (2006)

Martin Scorsese é o tipo de cineasta que gosta de filmar histórias tipicamente norte-americanas. Os Infiltrados é uma delas, apesar de seu roteiro ser inspirado em Conflitos Internos (2002), de Hong Kong. Trata-se de um filme inteligente, complexo e repleto de reviravoltas. Aqui, nada é o que parecer ser e esse é o maior encanto da produção. A bandeira norte-americana está em todos os lugares avisando: isto é a América. Acostume-se.

Os "infiltrados" do filme são Colin (Matt Damon) e Bill (Leonardo Di Caprio). Apesar de terem crescido no subúrbio de Boston, num bairro dominado por descendente de irlandeses (como eles mesmos), os dois não se conhecem. Cada um está do seu "lado" da história: Colin é membro de uma gangue infiltrado na polícia local; Bill é o policial trabalhando secretamente entre os bandidos. A trama tem mocinhos e bandidos, mas não é maniqueísta. O mocinho parece bandido, o bandido parece um mocinho. As coisas não são tão simples quando aparentam ser e esse é o grande trunfo de Os Infiltrados: o espectador é desafiado a pensar o tempo inteiro e seduzido a acompanhar atentamente esta violenta e fascinante trama.

Seus personagens cheios de duplicidades, de construção complexa e boas interpretações. Jack Nicholson, como sempre, dá um espetáculo na atuação do personagem que exerce o importante papel de ser o mais forte elo de ligação entre os dois infiltrados. Nos primeiros momentos que ele aparece, a fotografia - de influência noir ao trabalhar luzes e sombras - o esconde, existe uma aura de mistério em seu personagem, aos poucos revelada.

Há muita complexidade nesta história que, em muitos momentos, lembra o "clássico dos clássicos" em se tratando de filmes de gângsteres: O Poderoso Chefão (1972). O filme também remete a um dos melhores momentos de Scorsese como cineasta, em Os Bons Companheiros (1990). São filmes complexos, com personagens repletos de profundidade envolvidos em tramas que sofrem reviravoltas e envolvem o espectador de forma fascinante. Por isso, se o filme de Coppola é um dos maiores clássicos de sua época, Os Infiltrados tem tudo parar marcar o cinema norte-americano atual.

Em tempo: a trilha sonora também merece destaque. Afinal, Martin Scorsese é um cineasta que dá atenção à música. Produziu a série The Blues e dirigiu o documentário No Direction Home, sobre Bob Dylan, só para citar alguns exemplos. Em Os Infiltrados, logo na primeira cena, Scorsese mostra Jack Nicholson caminhando vagarosamente ao som de Gimme Shelter, do Rolling Stones, numa cena primorosa também por causa da música. The Beach Boys, Allman Brothers e John Lennon também dão o ar da graça nesta trilha, que apresenta a pouco conhecida banda punk Dropkick Murphys. Formada em Boston - onde é situada a trama do longa -, mistura riffs pesados à gaita de fole (referência à origem irlandesa dos personagens).

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Terror em Silent Hill (2006)

  Os espectadores que se interessariam em assistir a Terror em Silent Hill podem ser divididos em dois grupos distintos: quem já jogou e quem não teve acesso ao jogo de videogame Silent Hill, que deu origem a este longa-metragem. Eu faço parte do segundo grupo. Sei que vários elementos deste filme, como personagens e ambientes, são fiéis em relação ao game, mas devo confessar que sou incapaz de me aprofundar nessa comparação porque não conheço a obra que originou o filme. No entanto, toda produção deve conseguir dialogar independentemente da qual é originária. E, quanto a isso, posso dizer que Terror em Silent Hill até que funciona bem como filme de terror, impressionando principalmente no sentido visual.

A história gira em torno de Rose Da Silva (Radha Mitchell). Casada com Christopher (Sean Bean), cria uma filha com ele, Sharon (Jodelle Ferland). No entanto, a menina tem problemas de sonambulismo e, em seus ataques, sempre fala que quer voltar para casa, em Silent Hill. O problema é que seus pais não conhecem essa cidade. É quando descobrimos que Sharon é adotada e, provavelmente, nasceu nessa cidade. Para desvendar o mistério, Rose e sua filha vão ao local. O problema é que ele está inabitado há um bom tempo por causa de uma série de incêndios subterrâneos, que seguem acontecendo por alguns anos. E, após um acidente, Sharon some. Sob uma chuva de cinzas, Rose explora Silent Hill em busca da filha, sendo vigiada pela policial Cybil (Laurie Holden), que a persegue ao perceber que algo está errado.

Na cidade fantasma, elas começam a perceber que há coisas mais sinistras do que incêndios subterrâneos. Criaturas rastejantes que se desfazem em cinzas, uma mendiga assustadora que só fala em sua filha perdida, enfermeiras sem rosto, um monstro que tem uma máscara de metal em forma de pirâmide e fanáticos religiosos são algumas das figuras que Rose e Cybil encaram para encontrar a menina e sair de lá.

A estrutura do roteiro é bem parecida com a de um videogame e esse é o problema de Terror em Silent Hill. Por mais que se trate da adaptação de um game, a narrativa fica presa demais a esse formato. É possível até identificar as "dicas" que as levam para mais perto de Sharon, enquanto a dupla passa por "fases" na cidade de Silent Hill. Rose, inclusive, é tão destemida como qualquer personagem virtual de um jogo. Às vezes, de forma um tanto quanto burra, o que irrita. Para não dizer que o roteiro é um equívoco, é justo dizer que o final é compensador e inteligente. Por não ser hermético, dá vazão para continuações - o próprio game, hoje, encontra-se em seu quarto episódio.

Também vale destacar a direção bastante segura do francês Christophe Gans (O Pacto dos Lobos). É evidente que ele sabe o que está fazendo. Sua câmera é fluída, passeia naturalmente pelos mesmos ambientes da protagonista e mostra ao espectador o terror de forma inusitada em soluções visuais bastante felizes. A direção de arte é incrivelmente assustadora e os efeitos visuais são excelentes. Por ter imagens tão aflitivas de uma forma que beira o belo, num contexto gótico, Terror em Silent Hill merece ser visto pelos que apreciam uma produção de terror. Não é genial, mas pode apostar que é melhor do que muita coisa que vemos.Resultado de imagem para não conte a ninguém critica

Não Conte a Ninguém (2006)

Normalmente pensamos em filme francês como aquele filme lento e que faz uma análise profunda sobre o homem e seus relacionamentos, porém o que temos em Não Conte à Ninguém, do diretor e ator Guillaume Canet, é um Thriller de ótima qualidade com grandes momentos, muita perseguição e uma trama bastante interessante, apesar do final um pouco novelesco demais.

O ótimo François Cluzet é um pacato médico que 8 anos após perder a esposa, em um assassinato brutal, recebe mensagens alegando que ela ainda está viva, tudo acontece ao mesmo tempo em que ele volta a ser suspeito do assassinato, já que algumas lacunas sempre ficaram em aberto em toda a investigação.

O filme segue a luta de François Cluzet de provar sua inocência e de tentar achar a sua esposa, ao mesmo tempo que tenta fugir de alguns assassinos e da polícia. O filme é muito bem dirigido e muito bem montado, a cena em que François Cluzet foge a pé da polícia é impressionante, principalmente a cena em que ele precisa atravessar uma estrada. É daquelas cenas de tirar o fôlego!

Aliás o filme é muito bem editado e montado mesmo, pois consegue combinar drama, suspense e ação na medida certa, podendo fazer o telespectador pular do sofá logo após deixar o filme em águas calmas, sem dizer que tudo isso é muito bem embalado com uma excelente e moderna trilha sonora.

O problema do filme, que vem atingindo a maioria dos suspenses faz um tempo, é o seu desfecho que é bem inferior ao resto do filme, uma vez que Não Conte à Ninguém é um filme intrigante, envolvente e que segura o espectador durante seus 131 minutos e que nos faz usar a cabeça para tentar desvendar o mistério, mesmo que o roteiro até dê algumas amostras do que seria o seu final, ele é bem abaixo das expectativas.

Não Conte à Ninguém é um ótimo filme, apesar do final é um dos bons suspenses que vi nos últimos tempos, sem dizer que foi um dos grandes destaques no César de 2007, levando para casa as estatuetas de Melhor Ator, Melhor Diretor, Melhor Edição e Melhor Canção Original.

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Cartas de Iwo Jima - 2006

Antes de mais nada, é importante falar um pouco sobre o projeto ao qual pertence Cartas de Iwo Jima. Idealizado por Clint Eastwood, que também assina a direção, tratam-se de dois filmes - este e A Conquista da Honra - que mostram lados opostos de um mesmo conflito. Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha de Iwo Jima, no Japão, foi de extremo significado estratégico para ambos os países. O local era ponto de partida para a campanha norte-americana em território japonês. Portanto, último forte do território japonês antes da ilha principal ser invadida. Os dois filmes formam um panorama abrangente e extremamente humano desta passagem na história mundial, mostrando a visão de soldados de ambos os lados. Complementares, formam um painel completo, que passa longe do maniqueísmo comum na maioria dos filmes que relatam conflitos bélicos.

O roteiro é baseado no livro Pictures Letters From Commander In Chief, com cartas do general Tadamichi Kuribayashi, compiladas na publicação por Tsuyoko Yoshida. Juntas, revelam características pessoais de alguns dos envolvidos no conflito em Iwo Jima, especialmente o general, interpretado por Ken Watanabe (O Último Samurai). A história do filme, portanto, é contada principalmente pelo ponto de vista do militar, destacado para comandar os soldados que defenderiam a ilha japonesa da invasão norte-americana. Ele revela em sua correspondência suas ansiedades e um pouco dos acontecimentos durante o mês que esteve no local defendendo sua pátria.

A ilha de Iwo Jima, cujo terreno infértil fez com que ela fosse quase que desabitada por japoneses, foi bastante importante estrategicamente para definir os rumos do conflito. A história de Cartas de Iwo Jima começa alguns dias antes da chegada dos soldados norte-americanos na fétida terra. Lá, recebem a função de explorar as cavernas do local, trabalhando o terreno para a recepção do inimigo. Dentre os soldados japoneses, é destacada pelo roteiro a figura de Saigo (Kazunari Ninomiya), um jovem padeiro recrutado para a guerra que está prestes a ter o primeiro filho. Em suas cartas, revela seu maior desejo: sobreviver para voltar à família. O mesmo de tantos outros cidadãos que participam da campanha na ilha.

Os personagens de Cartas de Iwo Jima são compostos de forma extremamente humana. É exatamente este o lado do conflito que Clint Eastwood pretende mostrar: mais do que homens de capacete que carregam uma arma e têm como objetivo eliminar inimigos, são pessoas com desejos, traumas, enfim, uma história. Por isso, esta produção foge do convencional em se tratando de filmes de guerra. Além de ter belas imagens relacionadas ao embate entre os dois lados do conflito, é capaz de envolver o espectador por conta da força da história conduzida pelos personagens. Principalmente em se tratando do general e o soldado, dois lados tão extremos dentro da hierarquia da guerra e tão unidos por conceitos universais, como o medo, a honra e o amor pela família.

Afinal, independente da hierarquia, todos são os mesmos numa guerra. Se Saigo não sabe muito bem por que está ali no começo do filme, defendendo aquela terra fedida e infértil, ele aprende que tipo de interesses está em jogo. Mais do que uma ilha, Iwo Jima e sua defesa estão relacionadas ao futuro do império japonês. Culturalmente, a figura do imperador entre os cidadãos do Japão é idolatrada quase que cegamente, numa relação que beira a religiosa, o que Saigo aprende na medida em que o filme é concluído. O personagem de Kuribayashi apresenta uma evolução contrária à do padeiro: na medida em que a guerra caminha, ele é capaz de aceitar a vitória mais num âmbito pessoal do que como seu dever enquanto general do exército imperial.

A honra e a família começam a ganhar um papel maior em suas motivações, ao mesmo tempo em que o fato dele conhecer a cultura norte-americana por ter vivido nos EUA é essencial para guiar seus atos. Por isso, na medida em que o filme evolui, outra importante questão é fragilizada no duelo entre nações: a nacionalidade em si, já que os personagens humanizam-se durante o mês de conflito na ilha, questão vidente não somente em Cartas de Iwo Jima, mas também em A Conquista da Honra.

Por isso, as duas produções são complementares e essenciais para que haja o entendimento completo do tipo de narrativa que Eastwood desenvolve. O diretor demonstra ter a sensibilidade ideal para mostrar esses valores na tela. A fotografia apagada, que só ganha vida, ironicamente, no vermelho do sangue derramado e da bandeira japonesa, reforça a visão em relação ao conflito: são mínimos os momentos de vida numa guerra. Mas eles existem e é esse o foco principal do filme.

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Sentinela (2006)

Os bastidores da Casa Branca - lar dos presidentes norte-americanos - já renderam muitos filmes a Hollywood. Especialmente em se tratando do corpo de seguranças que protege uma das pessoas mais visadas do planeta. Assim como Perigo Real e Imediato (1992), entre tantos outros, Sentinela foca a luta dos seguranças pela proteção do presidente dos EUA.

A trama é focada no segurança Pete Garrison (Michael Douglas) que, depois de ter salvado a vida do presidente Richard Nixon nos anos 80, segue trabalhando na Casa Branca, agora sendo responsável pela proteção da primeira-dama (Kim Basinger). Por meio de um antigo informante, ele fica sabendo que pode existir alguém dentro de sua equipe que, junto a terroristas russos, planeja um atentado contra o presidente Ballentine (David Rasche). Mas, quando ele mesmo começa a ser envolvido no mistério, deve provar sua inocência antes que seja tarde demais. Especialmente junto ao agente David Breckinridge (Kiefer Sutherland), que, ao lado de sua nova assistente, a bela Jill Marin (Eva Longoria, do seriado Desperate Housewives), faz parte de um departamento que investiga possíveis ameaças à vida do presidente.

Sentinela é um filme que enfoca estritamente os bastidores da Casa Branca. Tanto que o presidente dos EUA tem menos destaque do que sua esposa, até. A câmera é tremida, observando algumas ações de longe, como se o próprio espectador tivesse o mesmo ponto de vista de um segurança. A forma como o diretor Clark Johnson (S.W.A.T.) conduz a ação é convincente, bem mais do que assistir a um Michael Douglas cheio de vigor físico após ter ultrapassado os 60 anos.

A trama, confusa e repleta de lugares-comuns, também não é das melhores, mas o filme acaba saindo melhor do que a encomenda por prender a atenção do espectador até o fim. A dinâmica entre os dois protagonistas, Michael Douglas e Kiefer Sutherland, é atraente e a presença de Sutherland deve atrair, também, os fãs do seriado 24 Horas. Como um suspense de ação sem pretensão alguma, Sentinela funciona, mas não oferece mais do que um pouco de diversão.

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Cashback (2006) / Legenda

Ben Willis é um estudante de arte no último da faculdade e acabou de terminar com sua namorada. Desde o fim do relacionamento ele não consegue pensar em outra coisa, e a preocupação é tanta que ele não consegue mais dormir. E esse quadro se mantém por dias e dias seguidos, até que ele percebe que, na verdade, sua vida foi aumentada em um terço – correspondente às 8 horas de sono.

Depois de ter entendido o que o término do namoro havia feito com sua vida, Ben tenta aproveitar esse tempo trocando suas horas de sono por leitura, pintura. Até que arranja um emprego no turno da madrugada num supermercado, onde conhece os demais personagens de Cashback, inclusive a atendente de caixa Sharon.

Apesar do aspecto adolescente que as piadinhas bobas passam no filme, o tema central é um pouco mais complexo. O diretor Sean Ellis se utiliza da insônia de Ben para discutir a influência do tempo na vida das pessoas. O tema central do filme é basicamente esse: como a vida moderna tornou todos escravos do tempo.

É quando deixa de lado a comédia adolescente para fazer critica social que Cashback deixa a desejar. Além de trazer um assunto desgastado, exaustivamente retratado no cinema, não consegue apresentar nem mesmo resquícios de originalidade em suas críticas à sociedade fast-food. Por diversas vezes são feitos pequenos comentários do tipo "use protetor solar", ou "pare, respire, preste atenção à pessoa do seu lado porque ela deve ser legal".

Porém, ainda é possível ignorar esses momentos de pretensão crítica do diretor e se divertir com a história que dá suporte ao filme. É um filme agradável, que não cansa em nenhum momento. As brincadeirinhas bestas dos amigos do supermercado e o humor tipicamente inglês deram um ar juvenil ao filme, e neutralizaram os conceitos batidos que o filme apresenta.

The Marine

Busca Explosiva - 2006

Clichê. Não existe outra palavra que se encaixaria tão bem no início da crítica. Se você assistiu e gostou dos filmes dos anos 80 estrelados por Arnold Schwarzenegger, Steven Seagal ou Stallone, você vai amar “Busca Explosiva”. É um filme de ação boba, sem profundidade nenhuma. Não me entendam mal, eu não estou procurando profundidade num filme de ação produzido pela WWE e estrelado por John Cena (!), mas quando fui assisti-lo, notei que ele estava catalogado nos gêneros “Ação, Thriller, Drama“. E sinceramente, o único drama que eu encontrei foi não dormir até o final do filme.

Na trama, John Cena é  John Triton, um ex-fuzileiro que tenta viver uma vida normal longe das guerras com sua esposa Kate, que é interpretada por Kelly Carlson, atriz famosa por seu papel na série Nip/Tuck (e só!). John se vê numa situação complicada quando encontra Rome (Robert Patrick) um ladrão de joias que leva Kate como refém. O ex-fuzileiro então tem que voltar à suas origens e entrar numa perseguição frenética para resgatar sua esposa.

Logo no início da perseguição, vemos uma das cenas mais mentirosas do filme. John rouba um carro de polícia, e vai atrás dos sequestradores. O problema é que seu carro é metralhado em toda parte dianteira, e continua andando normalmente. Como se não bastasse, nenhum dos 500 mil tiros disparados nessa cena acerta John. Que sorte hein!? E eu nem vou comentar todas as outras 20 mil explosões que não matam ninguém.

Os personagens do filme também não ficam atrás de tudo isso, eles conseguem ser clichês ao extremo. Na gangue que sequestra Kate, temos o líder, que se mostra um homem frio e calculista e seus 4 capangas. Um “rapper”, um “espertinho”, um “louco armado” e uma mulher (sem aspas, ela é uma mulher mesmo), que está lá só para sentir ciúmes da refém. Nada mais clichê.

“Busca Explosiva” vai conseguir agradar apenas fãs do gênero, ou pessoas que estejam completamente entediadas na frente da TV. Mas na minha opinião, o filme não empolga e deixa muito a desejar em vários aspectos.

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Asterix e os Vikings (2006)

 Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor.

É assim que começam as histórias nas histórias em quadrinhos protagonizadas pelos divertidos gauleses Asterix e Obelix, os cultuados personagens que estrelam o desenho animado Asterix e os Vikings. Nesta divertida aventura eles não têm muitos problemas com os romanos, mas sim com os vikings.

Asterix (voz do Repórter Vesgo na versão brasileira) e seu inseparável amigo Obelix (voz de Ceará) vivem tranqüilos em sua vila entre brigas de peixes e carregamento de menires (aquelas pedras gigantes e pontudas que Obelix não tem problemas em carregar) quando recebem uma missão do chefe da aldeia, Abracourcix. Seu sobrinho adolescente Calhambix (dublado por Mendigo) está a caminho, vindo da cidade grande, para ser treinado pela dupla, que deve transformá-lo num grande guerreiro. Paralelamente, os vikings, liderados por Grossebaf, não agüentam mais invadir povoados inabitados. Por conta de um mal-entendido, eles acabam chegando à conclusão que o medo faz os homens voarem. Os destemidos lutadores, então, resolvem procurar a pessoa mais medrosa do mundo para ensiná-los como é essa sensação e, conseqüentemente, fazê-los voar a fim de conquistar mais territórios ainda. Está armada a confusão quando eles encontram nossos amigos gauleses.

O encontro desses personagens tão peculiares e diferentes entre si resulta numa animação divertida, especialmente por conta dos diálogos e das referências, que vão desde as geringonças modernas com as quais os jovens de hoje estão habituados (como as mensagens SMS, que, nas mãos de Calhambix durante o Império Romano, são em forma de um pombo correio) até outros filmes, como Rocky - O Lutador. Notar essas referências torna-se um passatempo divertido ao espectador mais crescido, enquanto que as cores e os personagens fazem com que os pequenos também apreciem esta animação francesa.

Só um ponto negativo: a versão dublada em português tem a turma do programa Pânico na TV. No entanto, a versão norte-americana de Asterix e os Vikings conta com vozes de atores do naipe de Paul Giamatti (A Dama na Água), Sean Astin (O Senhor dos Anéis) e Evan Rachel Wood (Aos Treze). No Brasil, estão sendo lançadas cópias dubladas e legendadas (com as vozes na versão norte-americana). Para os maiores, a segunda opção é, definitivamente, mais válida. A diversão despretensiosa é garantida para ambas as idades.

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A Casa Monstro (2006)

Os bem-sucedidos produtores Robert Zemeckis e Steven Spielberg, que de bobos não têm absolutamente nada, também estão de olho no lucrativo mercado de desenhos animados de longa-metragem. Eles levantaram um investimento de US$ 75 milhões e produziram A Casa Monstro, um filme de suspense protagonizado por crianças, teoricamente direcionado ao público infanto-juvenil, mas que também pode assustar muitos marmanjos.

A história mostra três crianças descobrindo um segredo que nenhum adulto acreditaria: a estranha casa de um vizinho rabugento não apenas é mal-assombrada, como também é um monstro com vida própria. Até aí, tudo bem para começar uma trama infantil. O problema é que o filme vai assumindo contornos cada vez mais densos, assustadores até, e culmina com uma triste história de amor e morte que talvez desagrade às crianças. Principalmente as mais jovens. Por vezes, tenta ser lúgubre e um pouco gótico, no melhor estilo "quero ser Tim Burton", mas não abre mão da aventura, marca registrada de Spielberg, e acaba emperrando num perigoso e indefinido meio termo. Talvez por isso não tenha recuperado seu investimento nas bilheterias dos EUA, onde rendeu menos que US$ 70 milhões.

Depois do O Expresso Polar, dirigido por Zemeckis, A Casa Monstro é o segundo longa produzido em "Real D", um sistema de captura de movimentos através de atores, e posterior reprodução em animação digital.

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Soltando os Cachorros (2006)

 Uma simples comédia com animais ainda pode render bons frutos? É o que a Walt Disney tenta provar em Soltando os Cachorros. E quase fracassa. Para assumir esta responsabilidade, foi escolhido Tim Allen – ator que dá vida ao boneco Buzz em Toy Story - como intérprete de Dave, um ranzinza aspirante a promotor publico envolvido no caso de ecologista acusado de incendiar um laboratório que promove experiências biológicas ilegalmente em animais.

Um desses animais é Shaggy, simpático coolie de 300 anos (sim, é isso mesmo) que, ao ser levado coincidentemente para a casa do advogado que odeia cães, acaba mordendo nosso protagonista e infectando-o com as mudanças genéticas provocadas pelo laboratório. Por ironia do destino, Dave gradativamente vai sentindo os efeitos caninos em seu organismo. Involuntariamente, ele passa a lamber, farejar, abanar o rabo, urinar com a perna levantada, e literalmente, transformar-se num cão. A situação passa a ficar mais constrangedora - para o advogado, claro – quando envolve perseguições a gatos, corridas para busca de galhos, rosnadas para as testemunhas do tribunal, etc.

A intenção em Soltando os Cachorros é apresentar uma comédia familiar pura e de bons valores, como se percebe nos momentos em que Dave, encarnado no collie, vê que sua família não está nada satisfeita com sua ausência e seu comportamento, principalmente a esposa, Rebecca (Kirstin Davis). Nessas cenas, o resultado do diretor Brian Robbins é ora visto com bons olhos, ora visto de maneira sofrível.

Não consegui encontrar graça nas bizarrices realizadas com os tais experimentos do laboratório, como uma cobra com cauda de cachorro, um macaco que late e um sapo com cabeça de boi. No entanto, Tim Allen consegue segurar a condição de protagonista de maneira divertida, além de ter dois atores consagrados, Danny Glover e Robert Downey Jr., como um excelente elenco de apoio.

Mas, se a intenção era lucrar com esta refilmagem – a terceira desde que surgiu a original, em 1959 -, os produtores de Soltando os Cachorros não conseguiram atingir um público-alvo. Isso porque, se analisado sob a visão do público infantil, torna-se maçante. Na visão do público adulto, é tão inofensivo quanto um sheep dog.

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Shortbus (2006) / Legenda

A primeira cena de Shortbus engana: você acha que o rapaz que está ali é um louco; você acha que vem pela frente um filme sobre sexo, somente sexo, com personagens rasos e bizarros. Mas dê chance ao segundo filme de John Cameron Mitchell, diretor do cultuado Hedwig - Rock, Amor e Traição (2001). Mitchell consegue superar a "síndrome do segundo filme" sem perder sua essência ou mesmo a espontaneidade presente em sua estréia como diretor.

Shortbus mostra uma série de personagens desajustados que se encontram num clube de fetiches em Nova York. Apesar de todos freqüentarem o local, onde o sexo explícito é praticado, eles se sentem solitários. São amados, mas incapazes de sentir alguma coisa, e é atrás disso que estão durante todo o filme. Mitchell, também roteirista do longa, cria personagens profundos, complexos e melancólicos, apesar da aura alegre que circunda toda a produção. Shortbus traz uma melancolia bonita e lúdica.

Apesar de ser engraçado, Shortbus é triste em sua essência ao trazer personagens que tentam, por meio da realização sexual, preencher o tipo de vazio que morar numa cidade como Nova York provoca. Apesar de ser um lugar onde preconceitos são deixados de lado, os personagens desenvolvem uma "película", digamos, que os protege de um mundo tão maluco. Não sentir pode ser bom, às vezes, mas é cruel na maioria do tempo. De qualquer forma, prepare-se para ver muitas cenas de sexo. Mitchell não tem pudores de mostrar os órgãos genitais de seus personagens, mas, acredite, nada é em vão.

Assim como em Hedwig - Rock, Amor e Traição, existe uma atenção toda especial para a trilha sonora, assinada pela banda indie norte-americana Yo La Tengo. Algumas músicas são cantadas pelo compositor nova-iorquino Scott Matthew que, com sua voz bela e melancólica, pontua alguns dos momentos mais tristes do filme.

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O Plano Perfeito - 2006

De uma vez só, duas boas notícias. Sim, ainda é possível se fazer um belo e intrigante roteiro para um filme de assalto. E, sim, Spike Lee está se tornando um cineasta cada vez melhor, a exemplo de Almodóvar e Woody Allen. Tudo isso pode ser confirmado no magnético O Plano Perfeito, que o experiente Lee dirigiu a partir do roteiro do estreante Russell Gewirtz. Esta é a primeira vez que o diretor é produzido por Brian Grazer, o mesmo produtor de Apollo 13, Plano de Vôo e vários outros. No filme, o entrosamento da trinca também é perfeito.

Logo nas primeiras cenas, Spike Lee oferece à platéia ótimas cenas de sua musa preferida: Nova York. São cortes rápidos e belos planos que ressaltam o centro financeiro da cidade. O próprio protagonista da história, o criminoso Dalton (Clive Owen, de Fora de Rumo), avisa o público que veremos um filme de assalto a banco. E não demora quase nada para que a ação propriamente dita seja iniciada. A primeira sensação é de estranheza: o que o sempre político Spike Lee estaria fazendo no comando de um simples filme de polícia e bandido? Logo vem a resposta: O Plano Perfeito está longe, muito longe de ser um simples filme de polícia e bandido. O assalto é apenas o pretexto que vai colocar frente a frente alguns personagens dos mais interessantes.

Metido no mais ridículo figurino de sua carreira, e ostentando um bigodinho a la amigo-da-onça, Denzel Washington vive Keith, o policial designado a fazer o complicado trabalho de negociação junto a Dalton, o cabeça do assalto. Dalton é um criminoso pensante, refinado e com senso de humor; acima da média. Christopher Plummer é Crane, o dono do banco, homem poderoso que, como todos os poderosos, tem um terrível segredo a esconder. Fechando o quadrilátero principal, Jodie Foster é a srta. White, influente lobista que pode usar toda esta situação de crise para ficar ainda mais rica. Junte-se a isso um punhado de algumas dezenas de reféns apavorados, aprisionados dentro de um banco multiétnico que é o próprio microcosmos de Nova York. Está armado o circo para um dos melhores filmes do ano, até aqui.

Mais até do que a própria situação de assalto/reféns, O Plano Perfeito delicia o público com seu sarcasmo. Não faltam situações de humor agridoce, montadas especialmente para satirizar o racismo. Claro, é um filme de Spike Lee. Um garoto negro distrai-se com um videogame ultraviolento, no qual marca mais pontos quem matar mais negros e traficar mais drogas. Um indiano se enfurece ao ser - mais uma vez - confundido com um árabe, mas se acalma ao ser lembrado de que, pelo menos, ele consegue tomar um táxi em Nova York com mais facilidade que os outros. Um policial fica surpreso ao saber que "armênio" e "albanês" não é a mesma coisa. É um filme sobre prejulgamentos. Assim como árabes, negros, "chicanos" e habitantes da Europa Oriental, reféns e assaltantes também são todos culpados, até que se prove o contrário.

Os diálogos são deliciosos, alguns deles intraduzíveis. Como na cena em que o policial Keith convida o criminoso Dalton para tomar uma cerveja no bar em frente ao banco e ele recusa, dizendo que está tentado ficar longe de "bars". A palavra é a mesma para "bares" e "barras" de uma prisão. Ou, num momento bem menos sutil, quando Keith diz à personagem de Jodie Foster "Kiss my black ass, miss White!".

São duas horas e dez minutos que passam voando. Com inteligência, ritmo, sátira, crítica, humor, tensão e ótimas interpretações. Para os fãs de Spike Lee, mais uma prova de amadurecimento do cineasta. Para quem prefere ver no filme apenas uma boa história de mocinhos e bandidos, também uma ótima opção.

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A Pantera Cor-de-Rosa (2006)

Não confunda: A Pantera Cor De Rosa não é uma refilmagem, mas sim baseado nos personagens que apareceram no cinema pela primeira vez em 1964, em filme homônimo dirigido por Blake Edwards. Para quem é fã do cult, a má notícia é que as novas aventuras do inspetor Jacques Clouseau (Steve Martin) devem atrair somente a geração que não cresceu tendo como a primeira produção uma referencia no cinema de comedia. Apesar das locações européias serem mantidas - o que preserva o toque de glamour que o primeiro filme reserva -, não temos mocinhas do nível de Claudia Cardinale.

Jacques Clouseau (Steve Martin) é um policial bastante atrapalhado que atua em uma pequena cidade francesa. Ele é chamado a Paris pelo Inspetor-Chefe Dreyfus (Kevin Kline), que tem um plano: promove Clouseau ao cargo de Inspetor e o apresenta à imprensa como o investigador da morte do treinador do time de futebol francês, Yves Gluant (Jason Statham), cujo assassinato foi seguido do roubo do diamante conhecido como o da Pantera Cor-de-Rosa. Mas o plano de Dreyfus é somente usar o atrapalhado policial. Enquanto ele investiga o caso, seus homens, mais qualificados, teriam mais chances de descobrir o culpado fora dos holofotes da mídia. Mas, como trata-se de uma comédia e Clouseau é nosso herói, ao lado de seu novo companheiro Gendarme Gilbert Ponton (Jean Reno) e com a ajuda da secretaria Nicole (Emily Mortimer), ele chega perto do assassino do que os homens de Dreyfus.

Mais do que ter como referência A Pantera Cor de Rosa de 1964, A Pantera Cor de Rosa resgata o tipo de humor que ficou famoso nos anos 90 com a clássica série cinematográfica Corra Que A Policia Vem Ai, protagonizada por Leslie Nielsen. Ambos os protagonistas são atrapalhados, mas de uma forma inocente. Suas confusões, apesar de graves, sempre acabam levando à solução do crime. Claro que, aqui, não falta, também, espaço às piadas escatológicas e a exploração em exaustão do sotaque francês criado por Steve Martin. O que, no final das contas, é o ponto alto na comédia. A cena na qual Clouseau tenta aprender a falar como um americano é uma das melhores. Talvez uma das poucas boas.

Apesar do nome deste filme ser o mesmo do clássico de 1964, não há muitas semelhanças entre os dois longas-metragens. O que somente decepciona os fãs da Pantera. Por outro lado, esta nova produção tem muitos elementos que podem agradar aos espectadores mais novos, tornando esse seu maior público-alvo, também pela presença da popular cantora e atriz Beyoncé Knowles - que já viveu uma femme fatale em Austin Powers em o Homem do Membro de Ouro (2002).

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Viagem Maldita (2006)

A violência explícita representada na mídia contemporânea é tão escancarada que criticar os filmes por excesso de sangue é no mínimo irônico. Por falar na operação excesso + sangue, Viagem Maldita, refilmagem do cultuado Quadrilha de Sádicos, de 1977, que ganhou nova versão em 2006, é um ótimo material para exemplificação. Com a aprovação do produtor Wes Craven, diretor do “original”, o filme foi lançado e logo causou muita polêmica, haja vista o nivelamento da violência física e psicológica que exalava pelos poros narrativos.

Após o esgotamento das refilmagens de filmes orientais, Hollywood decidiu continuar com o processo de adaptação de clássicos do terror para as plateias mais jovens. Alguns funcionaram muito bem, outros nem tanto. A releitura dos sádicos habitantes das colinas, canibais sedentos de sangue, responsáveis por apresentar uma “América” maniqueísta, entre o sonho e o pesadelo, tornou-se um filme parricida: é um dos poucos casos em que a refilmagem está num nível superior do seu “original”. Ele desbanca o “texto pai” e se estabelece muito bem.

O filme é bastante representativo para o que conhecemos da cultura estadunidense. Ao seguir um caminho de dominação mundial, um caminho de violência física, patrimonial e simbólica se estabelece, com custos altos para a sociedade. Os monstros de Viagem Maldita são alegorias, haja vista que aparecem como seres indesejáveis, criações de um processo irreversível de biopoder com consequências no bojo da sociedade.

A narrativa é uma crônica sobre os sobreviventes de uma esboçada típica de estratégias de guerrilha. O horror se estabelece após um suposto acidente na estrada. Tendo em vista comemorar o aniversário de casamento, Bob (Ted Levine) decide levar toda a família para uma viagem através da Califórnia. No meio do caminho fazem um desvio e seguem uma trilha que possibilitará a economia de duas horas na direção.

Junto com ele está a sua esposa Ethel (Kathleen Quinhn), a sua prole Lynn (Vinessa Shaw), Bobby (Dan Byrd), Brenda (Emilie de Ravin), o seu genro Doug (Aaron Stanford), o seu neto recém-nascido e os cachorros, Bela e Fera. Ao parar o carro para os devidos ajustes são atacados por um clã sedento que ceifará sem piedade a vida de muitos envolvidos naquela viagem típica da família tradicional. Como aponta o cartaz, “quem tem sorte morre primeiro”. Com elementos de crueldade, eles causam transtornos para os viajantes, espalhando medo e terror numa das trilhas de sangue mais extensas do cinema.

No terreno da forma Viagem Maldita foi muito bem concebido. A trilha sonora do grupo Tomandandy, responsável pelos aspectos sonoros de filmes como O Suspeito da Rua Arlington, emprega um tom opressor. A maquiagem, assinada pelos sempre competentes Greg Nicotero e Howard Berger, cria monstros asquerosos e terrivelmente assustadores. A cenografia é bem eficiente, pois as filmagens em um deserto no Marrocos permitiu ampliar o perigo. Há poucos obstáculos, quase lugar nenhum para se esconder, em suma, o horror pode vir de qualquer lado e pegá-los de surpresa.

Por falar em forma, não podemos deixar de brindar a direção do francês Alexandre Aja. Na época o cineasta havia chamado às atenções da crítica e dos festivais europeus com o igualmente sangrento Alta Tensão. Não demorou muito para os executivos hollywoodianos o convidarem para assumir a direção do clássico explotation dos anos 1970. Aja também assinou o roteiro, juntamente com Gregory Levasseur, sob as sugestões do mestre Wes Craven.

A violência transborda e alcança um patamar insuportável, não apenas pelo banho de sangue, mas por causa dos efeitos catárticos do roteiro. Nos anos 1970 os aspectos visuais estavam de acordo com a linguagem underground, com muita sugestão. Produzido no esquema de mainstream da indústria, a refilmagem deixa a sugestão de lado e capricha na estética do horror, com sangue, perfurações, estupros, corpos carbonizados e muitos ferimentos e fraturas expostas. Isso não é ruim. Em um ponto da franquia Jogos Mortais esta questão foi um problema, mas o roteiro de Viagem Maldita não nos deixa se preocupar com a representação da violência, pois a necessidade dramática e a evolução dos personagens nos permite relevar os excessos.

O texto está bem polido e organiza bem a crônica sobre a família que sofre os diabos nas mãos de vingativas criaturas que também são vítimas, pois se tornaram o que são graças aos desmandos do imperialismo estadunidense e seus toques de belicismo em tudo que se envolvem no que diz respeito à outras nações.

Um dos pontos nevrálgicos está no desenvolvimento dos personagens. O patriarca da família é amante das forças armadas, prega a guerra e acredita no poder imperial do país, enquanto o seu contraponto dramático está no genro Doug, democrata pacifista que acredita na diplomacia para a resolução de conflitos. Ao passo que o roteiro avança, o ideal de família é devastado, tendo ainda críticas severas ao conservadorismo estadunidense como material gravitacional em torno dos demais conflitos que se apresentam.

Ainda sobre os personagens, cabe destacar os demais viajantes. Lynn é a filha mais velha. Por ser mãe do bebê preocupa-se o tempo inteiro com o marido e o filho. Com o primeiro por causa das implicâncias políticas do pai. No caso do bebê, ela ocupa o espaço de mãe ideal, temendo a saúde e a segurança do filho, principalmente depois do acidente. Bobby é o típico adolescente que copia os moldes do pai. Adora armas e não sai de perto dos cachorros, personagens também importantes para efeitos catárticos no decorrer da narrativa. Brenda, a adolescente típica, irritada, não gostou nada de ter deixado os seus amigos para seguir viagem com a família. Logo, precisarão deixar as diferenças de lado para tentar sobreviver.

Outro ponto interessante do filme é a sequência de créditos iniciais. Há fotos de mutações, mas não são de ordem atômica. Na verdade, são registros em imagens dos efeitos das armas químicas utilizadas no Vietnã (agente laranja). Com uma trilha indicando o oposto do que se espera, tamanha a tranquilidade, lembra a abertura do ótimo Madrugada dos Mortos.

No que diz respeito às comparações com Quadrilha de Sádicos, a versão de Alexandre Aja, como já dito, é explícita, tal como os nossos noticiários, com antagonistas que adotam uma tática descentralizada de ataque, diferente dos aspectos de guerrilha da sua versão dos anos 1970. Irônico aos extremos, ao longo dos 107 minutos, a bandeira dos Estados Unidos é usada e abusada, parodiada, encharcada de sangue, rasgada, utilizada como arma branca e apresentada como ícone para reflexão em uma numerosa sequência de cenas. Um filme sangrento, mas distante das trivialidades de algumas narrativas de horror. Aqui, o explícito sobrepõe o implícito para a elaboração de um tecido narrativo crítico escancarado, graças ao roteiro, aos personagens e as suas ações e ao trabalho de direção de fotografia de Maxime Alexandre.

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Um Natal Brilhante - 2006

Velhote barbudo de pança grande, enfeites cafonas, presentes com laço, árvores com neve de algodão, aflição das compras, generosidade sazonal... é Natal e todo ano é a mesma coisa. Aproveitando a onda das festas, o cinema também veste seu gorro vermelho.

Dezembro é o tradicional mês de filmes-família sobre as confusões geradas pela correria dessa época do ano e Um Natal brilhante (Deck the halls, 2006) é só mais uma na extensa lista de produções dispensáveis sobre o tema.

O longa do fraco John Whitesell (Mamãe Zona 2) não traz um sopro sequer de novidade. Segue o ABC do gênero com um sujeito disputando com o recém-chegado vizinho quem comemora o Natal de maneira mais marcante.

Matthew Broderick vive o primeiro, Steve Finch, oculista de uma pequena e pacata cidadezinha dos Estados Unidos. Conhecido como o "Sr. Natal" no lugar, ele tem tudo planejado. Blusas combinando para a foto do cartão da família, estoque de cinco anos de árvores perfeitas e fez suas compras meses atrás. Enfim, tudo em nome da tradição da festa. Ele não contava, porém, com a chegada de Buddy (Danny DeVito), homem insatisfeito que almeja algo mais da vida que os empregos comuns que consegue. O problema começa quando Buddy enfia em sua cabeça que seu objetivo de vida é fazer com que a pirotécnica iluminação de Natal de sua casa seja vista do espaço - e o título de "Sr. Natal" periga mudar de dono, afligindo o pacato oculista.

Há uma ou outra situação capaz de produzir risadas, mas a clicheria corre solta, para o desespero de quem espera algo mais dos competentes Broderick e DeVito. Só faltou um labrador no meio pra tornar tudo mais óbvio. O desfecho é igualmente batido, com a inevitável lição de moral sobre entendimento e tolerância.

Fica o destaque, no entanto, para a excelente direção de arte de Dan Hermansen. A casa de Buddy é sensacional quando decorada - completa com telão de alta definição no telhado, show de som e luzes e bonecos animatrônicos. Algo que dá uma nova dimensão à breguice das decorações que surgem anualmente.

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Três Ladrões e Um Bebê - 2006

 O compulsivo jogador Slipper vê o sequestro do neto de um magnata a salvação de suas dívidas. Quando, junto com seu senhorio e o oportunista Octopus, sequestra BB, sem saber, frustram os planos do crime organizado, que também está atrás da criança e Slipper resolve transformar o refém em seu protegido. Encurralados pelos policiais e perseguidos por gângsters perigosos, este trio embarca numa arrepiante, perigosa e delirantemente engraçada fuga para colocar BB de volta em seu berço são e salvo.

 

Ovelha Negra (2006) / Legenda

É algo que todo trash gostaria de ter: uma produção muito bem cuidada, com efeitos feitos pela Weta Digital do diretor da trilogia “Senhor dos Anéis” Peter Jackson (mas lógico, adequado ao baixo budget do filme); um elenco que tem lá seu carisma e, é claro, uma história tão absurda que a sinopse por si só já provoca risos involuntários: numa fazenda no interior da Nova Zelândia ovelhas são geneticamente modificadas e um acidente fazem com que o rebanho se torna assassino. E o único que pode detê-las é um cara que (justo ele) tem fobia de ovelhas. E quando elas mordem um ser humano eles viram Ovelhomens!!!

Agora imagine uma carnificina geral praticada pelas ovelhas com cenas, só pra exemplificar, em que uma delas pega a, digamos, lingüiça de certo personagem; ou soltam gases provocando uma explosão; ou ainda um ovelhomem antes da transformação completa falando e fazendo “Béééé”. Pronto é esse o nível de “Ovelha Negra“. Isto é, engraçadíssimo do início ao fim. E em nem por um momento ele tenta se levar a sério.

Claro que com o excesso de piadas, algumas ficam sem graça e até mais atrapalham que ajudam. Além disso, se a produção é bem cuidada, a direção nem tanto. Em alguns momentos fica claro alguns erros de continuidade (personagem que se sujam e ficam limpos na cena seguinte, etc) ou de fotografia (o plano seqüência totalmente diferente de uma tomada pra outra) ou ainda alguns furos de roteiro medíocres (as ovelhas não atacam quem foi transformado, mas em certo momento o roteiro esquece disso). Mas talvez tudo isso faça parte do gênero trash. Ou do maquiavélico plano das ovelhas de se apoderarem do filme. Para os fãs do gênero, uma palavra: imperdível.

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OLHAR ESTRANGEIRO (2006)

Festas, sexo à vontade, praias e selvas exóticas, muita pobreza, nada de trabalho... Eis uns poucos elementos que definem o Brasil na mentalidade de um público estrangeiro menos informado. Esses clichês, que comportam um amplo estereótipo cultural, foram em boa parte fomentados pelo cinema – e, é bom que se diga, não somente dos EUA e da Europa. A própria produção audiovisual brasileira tem um parcela dessa culpa. Uso aqui a palavra “culpa” justamente porque o documentário Olhar Estrangeiro, de Lúcia Murat, se propõe a ser menos uma análise que um tribunal para julgar as visões distorcidas do Brasil. Tanto que um dos entrevistados chega a perguntar se a diretora pretendia mostrar o filme a algum juiz.

O tema mereceu um exame vertical e horizontal no livro O Brasil dos Gringos, de Tunico Amancio, publicado em 2000. O estudo ampliou e enriqueceu uma discussão bastante corrente ao descortinar as raízes históricas desses lugares-comuns e mostrar, em detalhes, como foram construídos pela câmera e pela edição de imagens. Amancio agora assina com Lúcia Murat o roteiro de Olhar Estrangeiro, que pretende tratar o assunto pelo ângulo da indústria. Com esse objetivo, Lúcia aproveitou viagens a festivais internacionais para fazer suas entrevistas e pesquisas, na França, EUA e Suécia.

A cineasta ataca com gana as suas presas, mas não creio que tenha medido bem o teor dos ataques. Nos rápidos depoimentos (tipo “povo fala”) de anônimos nos três países, ela já estimulou respostas estereotipadas ao propor palavras como “sexo”, “liberdade”, “violência”, “paraíso” etc. Na coleta desse material, assim como ao entrevistar (ou melhor, tomar satisfação de) notórios picaretas como Zalman King (diretor de Orquídea Selvagem) e Greydon Clark (Lambada, a Dança Proibida), Lúcia parecia interessada em criar um antípoda igualmente complicado: o clichê do gringo ignorante.

A estratégia, diga-se, surte alguns efeitos interessantes. É o caso do ator Michael Caine, que devolve aos brasileiros a responsabilidade por tantas fantasias: “O problema é que vocês são muito bonitos. Se quiserem ser levados a sério, como nós, relaxem e sejam feios”, diz mais ou menos assim. De maneira geral, a abordagem desse tema suscita uma curiosa descontração nos “gringos”. Lúcia tem evidentes dificuldades em aprofundar uma conversa fadada a terminar em piadas. Na verdade, ninguém parece levar muito a sério o fato de estar colaborando para um documentário sobre os clichês do Brasil no cinema estrangeiro. Eis aí mais uma manifestação do mesmo sintoma.

Como enfrentar esse dilema? Fazendo um filme-tese, como o livro de Tunico Amancio? Descorticando os filmes e pondo a nu seus mecanismos de construção de fantasias? Aprofundando a análise histórica, num modelo mais clássico de documentário? Nenhuma dessas alternativas é contemplada a contento em Olhar Estrangeiro. O filme ilustra alguns aspectos, veicula alguns poucos raciocínios esclarecedores (“esses filmes não foram feitos para passar no Brasil, mas fora dele”, diz alguém), mas não avança muito em relação ao que já se discute costumeiramente sobre o “Brasil dos gringos”.

 

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O PEQUENINO (2006)

A família Wayans está presente – com sucesso – em diversos ramos do entretenimento. Keenan Ivory Wayans (uma espécie de mentor da família) foi um dos criadores do lendário programa televisivo “In Living Colour” (que revelou o talento de Jennifer Lopez, na época uma dançarina), que contava com seu irmão Damon Wayans no elenco – posteriormente, Damon ficaria conhecido com o seriado “My Wife and Kids”. Já Marlon e Shawn Wayans (os astros de cinema da família) foram responsáveis pelo retorno do gênero da paródia com os sucessos “Todo Mundo em Pânico” e “Todo Mundo em Pânico 2”. Para Marlon e Shawn, não existe limite na hora de fazer comédia. Depois de se vestirem como patricinhas em “As Branquelas”, Shawn agora empresta o rosto para um anão em “O Pequenino”, filme dirigido por Keenan Ivory Wayans.

O filme conta a história de Calvin “Bebezão” Sims (Shawn Wayans), um ladrão de postura firme e que coloca qualquer um no seu devido lugar. O fato de ele ser anão ajuda Calvin a desempenhar de melhor maneira o seu serviço, pois faz com que ele sempre passe despercebido. É assim que ele, depois de sair da prisão, consegue roubar um diamante valioso. Na fuga da joalheria, Calvin e seu parceiro Percy (Tracy Morgan, que fez parte do elenco do “Saturday Night Live”) quase são pegos pela polícia. Para despistar os guardas, Calvin acaba colocando o diamante na bolsa de Vanessa (Kerry Washington, de “Ray”). Quando o chefão do crime Sr. Walken (Chazz Palminteri) entra no encalço de Calvin e de Percy, o primeiro tem uma idéia brilhante: fingir ser um bebê abandonado – Vanessa e seu marido Darryl (Marlon Wayans) estão naquele ponto importante de um casamento: o de decidir se este é o momento certo para ter o primeiro filho – e recuperar o diamante que está escondido na bolsa de Vanessa.

É justamente quando Calvin se transforma num bebê de tamanho e desenvolvimento incomum e passa a viver o cotidiano do casal Darryl e Vanessa que “O Pequenino” entra num rumo já bem conhecido daqueles que tiveram a oportunidade de assistir a algum dos filmes dos irmãos Wayans. Entre uma e outra piada grosseira e de mau gosto, são inseridos momentos delicados que mostram que o bandidão Calvin tem coração.

Em comparação com “As Branquelas” – um filme bobo, porém divertidíssimo e com algumas cenas inesquecíveis -, “O Pequenino” é um retrocesso. O roteiro do filme (que foi escrito por Keenan Ivory, Marlon e Shawn Wayans) não convence, pois é cheio de furos (o roubo do diamante está sendo super noticiado na TV, mas nem Vanessa, nem Darryl, nem os amigos deles e nem mesmo os policiais que participam de uma das cenas do filme chegam a reconhecer Calvin). A impressão que se tem é a de que os irmãos Wayans querem ocupar o espaço deixado pelos irmãos Bobby e Peter Farrelly desde que eles decidiram fazer filmes mais “adultos”. Os Wayans querem ser agora os reis do politicamente incorreto, mas acabam indo sempre parar na vulgaridade.

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O Massacre da Serra Elétrica – O Início (2006)

Um filme feito para os fãs. E claro, para os produtores faturarem horrores na bilheteria. Depois da realização da refilmagem de 2003, um filme esteticamente interessante e ágil enquanto narrativa, o público ficou à espera de mais uma produção. Continuar a história não era o foco dos envolvidos, mas alguém teve a ideia de reconstituir as origens de Leatherface e da sua monstruosa família. Assim, surgiu O Massacre da Serra Elétrica – O Início, um filme pesado, violento, barulhento e atordoante.

Como Monty perdeu as pernas? Como o xerife perdeu os dentes? Como Leatherface nasceu? Estas e outras perguntas foram programadas para serem respondidas, juntamente com litros de sangue, gritos em excesso e mortes brutalmente gráficas. Visceral como outros “colegas de gênero” de sua época (Jogos Mortais e O Albergue), as origens de Leatherface, aqui, interpretado pelo fisiculturista Andrew Bryniarski, foi obrigada a cortar 17 cenas para ganhar a classificação R do MPAA. No Brasil, a produção sequer foi aos cinemas, sendo lançada diretamente em DVD.

Com roteiro de Sheldon Turner, a trama recria várias cenas dos filmes anteriores para nos mostrar um grupo de jovens que atravessa o estado do Texas em 1969, rumo ao cadastramento seguido de viagem para combate no Vietnã, guerra conhecida como uma das maiores feridas da história dos Estados Unidos. Depois de uma parada num estabelecimento local, são perseguidos por uma ladra numa moto, acabam envolvidos num acidente e ao chamar a atenção do terrível xerife Hoyt, adentram nos piores de seus pesadelos.

O cineasta Liebesman, responsável pelo péssimo No Cair da Noite, consegue entregar um trabalho melhor, pois se há algo que de bom para destacar, não podemos deixar de apontar as cenas de tensão. O suspense é calculado milimetricamente durante o filme, somado aos elementos da direção de fotografia, design de produção e sonoplastia, esta última, item básico para o filme alcançar os efeitos desejados: asco e pavor.

Cabe ressaltar que os reclamantes do roteiro precisam dar o ponto merecido para a ótima contextualização histórica, mesmo que os personagens não sejam bons “arautos” da época em que vivem. O canibalismo superficialmente apresentado nos filmes anteriores ganhou maiores contornos nesta versão e a verossímil explicação para a “retirada do local da rota” (o fechamento do matadouro, maior empreendimento econômico da região) e do “mapa”, relegando-o ao esquecimento, graças a autuação do Departamento de Saúde do Texas explica muita coisa.

O problema é que para alguns, explicações demais tendem a estragar coisas que poderiam ficar subentendidas. Em O Massacre da Serra Elétrica – O Início tudo é milimetricamente explicado, numa espécie de justificativa do subtítulo “The Beginning”.  Com um final pouco convencional para o gênero, o filme não é ruim como parece ser. É sujo e sangrento, mas possui uma boa estrutura enquanto narrativa. Os personagens são frágeis, mas nada que já não tenha sido visto em outros filmes do gênero, inferiores a este, por sinal. Marcus Nispel e Scott Kosar criaram um estilo com a refilmagem de 2003 e esta versão parece uma refilmagem da refilmagem. Digamos que Jordana Brewster seja a Jessica Biel da vez e as cenas de perseguição se repitam, tal como o epílogo no matadouro, quase idêntico em ambas as produções.  Se você não for destes que se incomodam com tais detalhes, a sua relação com o filme será de pura tensão.

Lembro que na época do lançamento de O Massacre da Serra Elétrica – O Início nas videolocadoras do Brasil, muitos críticos profissionais escreveram em seus textos que a produção era descartável e que o espectador não deveria gastar o seu dinheiro ou tempo, etc. Outro apontava que o filme serve apenas para os fãs de terror, haja vista que este público não tem muita sensibilidade estética. Um grande “oi” se estabeleceu diante de mim, juntamente com uma linha extensa de interrogações. Desde quando uma crítica é um guia de consumo?

O Massacre da Serra Elétrica – O Início é um filme repleto de problemas narrativos, a sua abordagem estética tem alguns exageros, mas a produção tem o seu valor enquanto arte e não cabe a crítico nenhum dizer que ela deva ou não ser assistida. Nosso papel é mediar, obra e público, não classifica-las numa peneira presunçosa, como se o espectador não fosse capaz de fazer as suas escolhas. Dito isso, farei o percurso contrário, caro leitor: se ainda não viu, assista. Tire as suas próprias conclusões.

Se você curte o gênero, vale o investimento. Só não indico mesmo para pessoas com estômago fraco ou que se impressionam demais, isto, no entanto, é apenas uma ressalva, pois estas pessoas sequer poderão ficar com os olhos vendados, afinal, em muitos trechos do filme, a violência se alastra pela sonoplastia, haja vista as cenas que envolvem ossos quebrados, facadas, perfurações e retalhamentos com a motosserra de um dos psicopatas mais icônicos da história dos filmes de horror.

 

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Jogos Mortais 3 (2006)

Definitivamente, a expectativa gerada em torno de Jogos Mortais 3 é maior do que o próprio filme. Não é uma produção ruim, muito menos pode ser taxado como "o pior filme de terror do ano", mas, se comparado aos outros filmes da trilogia, o espectador fica decepcionado. Visto como um longa-metragem único e isolado, sem comparações, agradaria muito mais. Mesmo assim, o terceiro longa da série já é o mais rentável: com custo de US$ 10 milhões, arrecadou US$ 34,3 milhões no fim de semana de sua estréia nos EUA - 8% a mais que o anterior.

Em Jogos Mortais 3, Jigsaw (Tobin Bell) está à beira da morte, mas quer acompanhar o seu último jogo. Sua assistente Amanda (Shawnee Smith) seqüestra a médica Lynn (Bahar Soomekh) para mantê-lo vivo até que Jeff (Angus Macfadyen) passe por três testes distintos. Jeff é um homem transtornado que foi escolhido por Jigsaw por ter se tornado vingativo e obcecado com a morte de seu filho, deixando de lado os cuidados com sua outra filha. Lynn foi eleita por ser uma médica desleixada e fria com seus pacientes, além de distante de sua família.

Darren Lynn Bousman está mais uma vez à frente da direção, repetindo a mesma linguagem visual utilizada em Jogos Mortais 2, com os invariáveis efeitos de edição que confundem a cabeça do espectador já atormentado com as cenas fortes. Esteticamente, Jogos Mortais 3 continua dando um show de efeitos especiais. Não se engane achando que as mortes estarão menos violentas. Pelo contrário: estão mais perversas e frias, tornando difícil manter os olhos abertos em alguns momentos. Parece que Bousman focou sua atenção em causar repulsa e calafrios no espectador. Com isso, a trama se torna fraca e desinteressante, ganhando força somente no final. Aliás, este continua incrível, podendo até mesmo ser considerado o melhor desfecho da trilogia.

Shawnee Smith (Horas de Desespero) é o grande destaque do elenco. Ela interpreta uma Amanda diferente, mais forte e passional em relação ao segundo filme. Imprevisível, se torna o único suspense na produção. Quanto aos demais, com exceção de Tobin Bell, que manteve a linha do seu personagem, Angus Macfadyen (Coração Valente) e Bahar Soomekh (Missão: Impossível M:i:III) não conseguem transmitir o desespero que qualquer pessoa sentiria se estivesse no lugar deles. São muito corajosos, fazendo com que o público também não sinta medo, nem receio do que está por vir.

Mais uma vez, existe um espaço para uma possível continuação, que já foi confirmada pela Lions Gate, produtora da série. Porém, o melhor a ser feito é parar enquanto o filme tem algum atrativo, a não ser que consigam surpreender de alguma forma muito criativa, sem se distanciar tanto da proposta inicial, como já está acontecendo.

Jogos Mortais 3 não tem o mesmo vigor e tensão que os anteriores possuem; não há um clima de suspense, somente uma violência explícita que desagrada aos fãs que se apaixonaram pelas armadilhas e reviravoltas mirabolantes da série. No entanto, encanta aos espectadores mais sanguinários, que se interessaram por filmes como O Albergue e Abismo do Medo.

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A Era do Gelo 2 (2006)

Qual a explicação para o sucesso da série A Era do Gelo? Os roteiros são pouco originais, a animação em particular – feita pelo estúdio Blue Sky, da Fox – não difere drasticamente de nenhum dos concorrentes, como a Pixar (Wall-E, 2008) e a Dreamworks (Kung Fu Panda, 2008) e seus realizadores, o norte-americano Chris Wedge (diretor do primeiro filme e produtor do segundo) e o brasileiro Carlos Saldanha (co-diretor do anterior e diretor desta seqüência), não possuem tradição em longas-metragens – ambos debutaram nestes trabalhos. Mesmo assim, os dois filmes arrecadaram milhões ao redor do mundo: o de 2002 faturou quase US$ 400 milhões em todo o mundo, e esta continuação, que estreou simultaneamente em diversos países, como Estados Unidos e Brasil no dia 31 de março de 2006, ultrapassou a marca dos US$ 650 milhões mundiais (contra um orçamento total de US$ 80 milhões). Isso sem falar do reconhecimento crítico: A Era do Gelo disputou o Oscar como Melhor Longa de Animação (perdeu para o japonês A Viagem de Chihiro, 2001), enquanto que o segundo filme chegou aos cinemas recebendo diversos elogios da crítica especializada.

E estes resultados se justificam qualitativamente? Sim, em parte. O grande charme de A Era do Gelo, tanto este quanto o outro, são seus personagens, simpáticos, irônicos, debochados, sarcásticos, bem-humorados e dotados de uma personalidade muito própria. Eles são muito maiores do que a história que carregam. Afinal, quantos lembram da trama do primeiro filme (era sobre devolver um bebê humano a sua família)? O mesmo acontece nesta segunda aventura. Como anuncia o subtítulo original, “O Degelo”, a ‘era do gelo’ está no fim, e com isso o descongelamento das gigantescas geleiras. O vale onde os animais habitam está prestes a ser inundado, e eles precisam, com urgência, achar outro lugar para viver. Neste caminho, a trupe de amigos formada pelo mamute Manfred, pelo tigre dentes-de-sabre Diego e pela preguiça Sid vai se deparar com outro grupo bem original: a também mamute Ellie (que vai desmistificar o boato de que esta espécie estaria em extinção) e dois gambás, Eddie e Crash, que a tratam como irmã – e o pior, ela também acredita nesta teoria. Fazê-la acreditar que é, na verdade, um animal de outra espécie, e que somente juntos poderão sobreviver, passa a ser a missão de todos.

Que Fernando Meirelles (Ensaio sobre a Cegueira, 2008) ou Walter Salles (Linha de Passe, 2008)! O grande cineasta brasileiro no exterior é, sem sombra de dúvidas, Carlos Saldanha. Carioca do Rio de Janeiro, ele mostra finalmente em A Era do Gelo 2 que é um realizador do primeiro time da animação mundial. A boa recepção recebida por este segundo episódio confirmou qualquer expectativa. Apesar da estrutura dramática ser por demais convencional – é uma espécie de Dinossauro (2000), da Disney, com pitadas de Procurando Nemo (2003) e Shrek 2 (2004) – sem apresentar nada de muito inédito, a habilidade do diretor em conduzir sua história e em desenvolver seus personagens se destaca com primor. Todos possuem seus momentos, e a alternância entre musicais, suspense, drama e romance serve para conquistar e entreter desde a criança até o adulto. E, claro, a decisão em abrir ainda mais espaço para o esquilo Scrat e sua busca por uma noz tão desejada não tinha como ser equivocada!

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007: Cassino Royale (2006)

Muito se falou, antes da estréia de 007: Cassino Royale, como Daniel Craig era um ator que nada tinha a ver com o personagem criado por Ian Fleming. Claro que o fato dele ser loiro, pouco conhecido e estar substituindo o bem sucedido Pierce Brosnan foram fatores que ajudaram a elevar a desconfiança dos fãs. Chegou a estreia, no entanto, e todas as dúvidas foram dissipadas. Craig é um excelente ator e deu uma nova atitude para o batido James Bond, um agente que sempre ficava com as mais belas mulheres, dirigia os mais luxuosos carros e bebia seu Martini batido, não mexido.

Na verdade, em 007: Cassino Royale, Bond continua ficando com as belíssimas Bond girls, ainda dirige carros velozes e tem tempo até de inventar bebidas que chamam a atenção pela meticulosidade, como o Vésper. Ainda assim, as mudanças são visíveis. O agente é mais brutal que no passado, tem sentimentos que não nutria com antigas parceiras (quando James Bond largaria uma conquista para correr atrás do bandido?) e não se importa se sua bebida é mexida, batida ou cuspida pelo bartender. Esse é o Bond do século XXI. E um bem-vindo sopro de novidade em uma série que teimava em se repetir.

No filme dirigido por Martin Campbell (o mesmo que dirigiu a estréia de Pierce Brosnan no papel em 007 contra Goldeneye, 1995), conhecemos James Bond antes de ter sua permissão para matar. Em uma cena elegante pela fotografia – e violenta na temática – sabemos como 007 ganhou seus dois zeros e, a partir daí, a ação teima em não parar. James Bond precisa vencer o temível Le Chiffre (Mads Mikkelsen) em uma partida de pôquer para, assim, conseguir do vilão o nome da pessoa por trás de um grupo terrorista. Mas antes disso, Bond se mete em uma perseguição a pé em Madagascar, por perigos bombásticos em um aeroporto e por outras tantas situações que poderão lhe custar a vida. Para sua missão, 007 conta com a ajuda da bela e inteligente Vesper Lynd (Eva Green), do agente da CIA Felix Leiter (Jeffrey Wright) e do dúbio Mathis (Giancarlo Giannini).

É necessário cumprimentar Martin Campbell pelo excelente trabalho em 007: Cassino Royale. Pura adrenalina, o cineasta conseguiu superar todos os seus longas anteriores fazendo um filme que carrega na ação, mas que não esquece nunca da necessidade de uma história envolvente. Quem fica à cargo dela é Paul Haggis, o premiado roteirista de Crash: No Limite (2004) e Menina de Ouro (2004), que supervisionou o trabalho final da dupla Neal Purvis e Robert Wade. A história consegue equilibrar momentos agitados com outros totalmente cerebrais. Ou alguém já viu um filme de ação que reserva mais de 30 minutos de sua duração para jogos de pôquer? E sem nunca perder o ritmo, é importante dizer.

A performance acima da média de todo o elenco, que conta com uma Judi Dench totalmente à vontade com seu papel de grande chefe, é outro ponto favorável para o filme do espião britânico. De forma inédita para a franquia do espião à serviço da rainha, 007: Quantum of Solace (2008), lançado dois anos depois, começa exatamente do ponto onde 007: Cassino Royale termina mas, infelizmente, não se apresenta como uma sequência à altura do trabalho de Martin Campbell. Ainda que tenha bons momentos, a continuação deixou a desejar. É esperar e ver se 007: Operação Skyfall consegue recuperar – ou talvez suplantar – o excelente novo capítulo da franquia agora estrelada por Daniel Craig.

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Xeque-Mate (2006)

Slevin Kelevra é um cara que parece não ter muita sorte. Perde o emprego, o apartamento, a namorada. Viaja para a casa do amigo, no caminho é assaltado, e quando chega na casa do amigo é confundido com este. Então ele é levado ao "O Chefe", que em troca de cobrar os 96 mil dólares que Nick Fisher (esse é o nome do amigo sacana) devia, pede que Slevin mate o filho do "Rabino", o outro chefe do mundo do crime. No meio de uma guerra entre os dois chefes das organizações criminais, ele ainda consegue flertar com a vizinha de Fisher, e ser perseguido pela polícia.

Paul McGuigan começou sua carreira como diretor há menos de dez anos. Nesse tempo, não teve nenhum trabalho no cinema que pudesse ser considerado como grande êxito, mas foram bons trabalhos, muitos até elogiados. O mais recente, e que também teve não só a presença de Josh Hartnett (que interpreta neste filme o Slevin), mas de quase toda a equipe técnica, foi "Paixão à Flor da Pele". "Xeque-Mate" consegue agradar por um jogo de edição e de câmera, imagens sobrepostas, que economizam o tempo do filme em explicações, e até mesmo as histórias desconexas se tornam parte de uma trama muito maior, que talvez os mais antenados possam até descobrir. McGuigan também prova ter noção de direção não só de câmera, mas de atuação e consegue tirar atuações que se tornam convincentes, mas que não chegam a espetaculares.

Josh Hartnett, apesar de ter talento, continua inexpressivo, mas que no caso de "Xeque-Mate" (diferente do que aconteceu em "Paixão à Flor da Pele"), chega a funcionar, se tornando até essencial para o desenrolar da história. Bruce Willis não chega a fazer muito esforço e mantém a mesma cara com apenas um olho fechado, um meio riso no canto da boca e um tom manso de falar, que fica perfeito para sua personagem. Um dos pontos altos do filme é o momento em que Morgan Freeman e Sir Ben Kingsley dividem a mesma cena, no mesmo cenário. Parece haver, nesse momento em especial, um verdadeiro duelo travado entre os dois, que, em determinados momentos, Kingsley consegue apagar a estrela de Morgan Freeman, que chega a ficar meio apagado tanto quanto em seu último trabalho exibido nos cinemas no Brasil, "Um Lugar para Recomeçar", com Jennifer Lopez e Robert Redford.

Para Jason Smilovic, "Xeque-Mate" é a sua estréia em roteiros para o cinema. E ele não falha. Utiliza-se de uma história com uma premissa batida (acredite, quando você assistir ao filme, talvez você entenda), mas consegue dar uma nova roupagem, criando personagens, mesmo que sem um lado psicológico trabalhado, consegue dar vida e agilidade à história. Claro que parte da vida das personagens se deve ao elenco estelar, que, no caso deste filme, não se trata de mais uma proposta de marketing, geralmente trabalhada quando o roteiro de um filme é ruim: "Roteiro ruim + um ator muito conhecido = a uma bilheteria boa". Tanto que infelizmente o filme não conseguiu se sair bem na bilheteria americana, mas isso é fácil de se compreender.

Como a história é um pouco complicada, muitos fatos, muitas personagens, e o filme também não perde tempo na velocidade a qual a história é contada, acaba que muitos podem deixar de assimilar um fato ou outro, e nem McGuigan nem Smilovic entregam determinados pontos de bandejas ou mesmo destrincham alguns acontecimentos, para que o espectador tenha certeza de que é aquilo que está acontecendo. Se ele não compreender na primeira vez que vir, bom, azar do espectador. Talvez isso tenha atrapalhado na bilheteria dos Estados Unidos.

De toda forma, "Xeque-Mate" é um bom filme, com um final que pode ser surpreendente para muitos, e com reviravoltas interessantes. Só não posso falar muito com o risco de entregar o filme inteiro, e aí ele perde a graça.

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Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio

Sem os protagonistas Paul Walker e Vin Diesel para estrelar um novo longa-metragem, os produtores da cinessérie Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio tiveram de ser criativos. O diretor taiwanês Justin Lin foi chamado para dar um novo rumo à franquia e, ainda que tenha conseguido melhorar em alguns quesitos, como as cenas de ação e as corridas em velocidade, o roteiro rasteiro de Chris Morgan atrapalha e muito, assim como a performance canhestra de Lucas Black como o protagonista, Sean Boswell. O jovem ator é tão fraco que faz qualquer um sentir falta de Diesel e Walker.

Na trama, Sean arruma encrenca com seus colegas de colégio ao participar de uma corrida e é enviado para Tóquio, para morar com seu pai. Chegando lá, se interessa por Neela (Nathalie Kelley), uma garota que, pasmem, é fanática por velocidade e está envolvida com corridas clandestinas. Ela é namorada de Takashi (Brian Tee), conhecido por todos como Drift King, um grande corredor de uma modalidade diferente de rachas, no qual o importante é saber fazer curvas fechadas – chamadas de drifts. De sangue quente, Sean desafia Takashi para um “duelo” e acaba destruindo o carro que havia pego emprestado de Han (Sung Kang). Curiosamente, em vez de ficar furioso com Sean, Han toma o rapaz como um pupilo, o ensinando a arte do drift.

Han é, sem sombra de dúvidas, o personagem mais interessante de Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio. Aliás, iria além e diria que é o mais interessante de toda a franquia. E isso só é possível pela atuação cativante e completamente calma de Sung Kang. Sempre mastigando alguma coisa, nunca mudando seu cenho plácido, Han é uma figura que prima pelas boas companhias e observa em Sean um sujeito correto, com quem poderia começar uma amizade. Certamente, o roteirista Chris Morgan não esperava um ator tão convincente no papel, senão não criaria um desfecho definitivo para um dos destaques do filme. Isso é tão verdade que em Velozes e Furiosos 4, 5 e 6, o ator foi chamado de volta e foi deixado claro que os acontecimentos destas continuações eram ambientadas antes da trama de Desafio em Tóquio.

Tirando este personagem e algumas boas cenas de drift, com menos efeitos especiais (ou com trabalho digital melhor acabado) do que os dois filmes anteriores, este episódio de Velozes e Furiosos é bastante descartável. O roteiro é uma bobagem sem tamanho, com diversas coincidências e acasos felizes acontecendo para que a trama se desenrole. A história é tão fraca que faz os dois primeiros filmes parecerem muito melhores. As atuações pífias de boa parte do elenco também não ajudam em nada, fazendo com que os poucos bons atores que dão as caras pareçam incrivelmente deslocados – o que diabos Sonny Chiba está fazendo aqui?

Com direito a uma participação especial de um membro do elenco original no desfecho, Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio é uma tentativa frustrada de continuar a série de forma diferente, sem a necessidade de seguir a história dos primeiros longas. Por sorte dos produtores e dos fãs, Vin Diesel e Paul Walker resolveram retornar aos seus papéis nas demais produções e a cinessérie conseguiu emplacar alguns bons filmes e excelentes bilheterias. Se dependesse da continuidade deste terceiro capítulo, com aqueles personagens, ia ficar bastante difícil.

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Selvagem (2006)

"Selvagem" é o segundo animado do estúdio a ser feito em computação gráfica (animação em 3D) e notamos que a Disney está provando que não precisaria da PIXAR, pois a qualidade da animação está excelente, e o realismo dos animais é de dar um brilho nos olhos de quem assiste.

O filme inicia com o Leão Sansão tentando começar uma história para seu filho Ryan, que sempre reclama que já ouviu a história. É aí que o Leão Sansão conta uma história que ele chama de "Selvagem". A partir das histórias, Sansão sempre é o leão forte e super corajoso e Ryan, como todo filho, quer ser igual ao seu pai. Porém, um pequeno problema acontece: ele não conseguiu achar seu rugido e fica totalmente chateado por isso, já que todas as crianças que vão ao zoológico riem dele por não conseguir rugir. Depois de sempre ouvir as histórias do pai, Ryan começa a achar que para ele ser selvagem como o pai, ele tem que ir para a Selva e lá conseguirá achar seu verdadeiro rugido. Após uma discussãoi, Ryan é levado em uma caixa para a selva e a partir dai uma grande aventura começa. O Leão Sansão e seus quatro amigos, o esquilo Benny, a girafa Bridget, a cobra Larry e o Koala Nigel juntos vão sair do zoológico e enfrentar a cidade para trazer Ryan de volta para junto de seu pai.

Quando foi anunciado para os cinemas, o animado recebeu diversas críticas falando da semelhança gritante que o filme tinha com o lançamento de “Madasgacar”, podendo até ter personagens e um roteiro semelhante. Porém, “Selvagem” se mostra superior e mais criativo. Com menos piadas sim, mas um filme não tem que ter só piadas. O longa-metragem de animação tem um roteiro médio, pois conta a tradicional história de um personagem sumir e seus amigos se arriscarem numa grande aventura para salvá-lo. Mesmo assim, o filme tem pontos altos, tanto que traz uma trilha sonora interessante, personagens carismáticos, um cenário maravilhoso e um bom vilão (não é um vilão dos tempos de ouro da Disney, mas há tempos não temos um bom vilão num animado, mas esse dá para o gasto).

Com uma história manjada, “Selvagem” de um certo modo consegue cativar as pessoas e seu ponto principal é o fato de, em nenhum momento, se tornar cansativo, já que ele te prende do começo ao fim. Ao fim, ainda é possível ficar com aquele gostinho de 'o que será que vai acontecer agora?' (sim o filme deixa uma brecha excelente para ter uma continuação, mas isso deverá depender dos frutos que o filme render e se o novo pessoal da Disney vai topar).

O filme apresenta uma boa trilha sonora, além do fato de voltar a trazer os personagens cantado no decorrer do filme, coisa que alguns animados dos estúdios Disney deixou de trazer. Mesmo assim, o animado não apresenta um grande número musical além das letras serem bem contagiantes e de ter uma letra que fica por algum tempo na sua cabeça após assistir ao animado. Vai dizer que ninguém nunca ficou cantarolando uma canção de um animado após terminar de ver?

O filme apresenta uma excelente animação, com os personagens bastante reais, causando espanto à primeira vista, mas em nenhum momento durante a animação você se incomoda pelo fato, ao contrário os personagens se mostram super carismáticos e agradam a adultos e principalmente as crianças. O destaque fica com a girafa Bridget, que, por ser doce e ser a única mulher do bando, tem chances de agradar a garotada. Já o esquilo Benny funciona como a principal chave das boas piadas do animado e também pelo fato de ficar soltando cantadas direto para a Bridget, um fato engraçado, já que mostra um amor impossível e não correspondido entre animais totalmente diferentes. Os cenários do filme são muito bons, principalmente nas cenas noturnas que ficam belas quando os animais passeiam pela cidade. O céu azul escuro com as estrelas ficam tão bonitas com as luzes dos cartazes luminosos da cidade.

O longa-metragem apresenta um vilão simples, mas pelo menos não foi o mocinho que virou vilão como acontece em “Madagascar”. Mesmo assim, o filme peca em dois momentos: o vilão não é mau o suficiente para que as pessoas peguem ódio por ele, além do final desagradável que o mesmo tem. O clímax acabou ficando infantil demais. Vale lembrar que a Disney na década de 90 marcou época com belos clímax que empolgavam as platéias com os trágicos e merecidos finais para seus vilões. Hoje em dia, os vilões da Disney não têm o seu fim merecido, sendo infantilizados.

No Brasil, a versão dublada do filme recebeu as vozes de dois bons atores da Rede Globo. Mesmo sendo marinheiros de primeira viagem, os dois acabaram se dando muito bem. O esquilo dublado por Luigi Baricelli conseguiu em diversos momentos do animado mudar sua voz dando vida a seu personagem. A atriz Flavia Alessandra também fez um bom trabalho.

Além da homenagem feita ao musical “O Rei Leão – O Musical da Broadway”, que em uma determinada cena tem seu pôster exibido no animado, não deixem de conferir o filme até o final dos créditos, já que o Koala acaba dando alguns avisos bem engraçados para as pessoas antes de sair da sala do cinema.

“Selvagem” é gostoso de se assistir e, além de divertir, consegue com seus personagens passar uma bela mensagem sobre a importância da família e da amizade.

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Premonição 3 (2006)

Premonição 3 faz parte de uma franquia contemporânea de filmes de terror. Iniciada em 2000, traz uma fórmula muito bem-definida: grupo de jovens escapa de um acidente após premonição de um deles, mas passa a ser perseguido pela Morte (com letra maiúscula mesmo, pois, apesar de não ganhar forma, é a grande vilã destes filmes). O que varia nessa franquia é a criatividade das mortes bizarras sofridas pelos personagens. E, nesse sentido, Premonição 3 deve agradar muito mais do que o fraco anterior.

Isso se deve, basicamente, à volta de James Wong na condução da "matança juvenil". O diretor do primeiro filme, afastado no segundo, volta trazendo efeitos visuais convincentes e encarnando o sadismo extremo da Morte. Neste filme, a pessoa que tem a premonição que dá início à perseguição é Wendy (Mary Elizabeth Winstead). Ela está com seus amigos numa excursão de formatura. Prestes a entrarem na faculdade, todos estão a fim de farra no parque de diversões, onde a principal atração é uma montanha-russa na qual, logo na entrada, os usuários são saudados por um demônio gigante e assustador. Wendy não está contente em entrar no brinquedo. Afinal, ela sente que algo não está certo. Mas, com a insistência do namorado, Jason (Jesse Moss), a estudante embarca na montanha-russa. Momentos antes dos carrinhos partirem, ela tem a premonição: um acidente horrendo matará todos que estão junto dela nessa "rodada" do brinquedo. Aí você já sabe: a menina faz um escândalo, alguns descem a contragosto e o acidente dizima jovens saudáveis que, coitados, só queriam um pouco de emoção.

O roteiro de Premonição 3 não tem novidade alguma em relação aos outros filmes. Com um elenco cheio de jovens rostos, quase que iniciantes no cinema, o terror preza pela qualidade na direção de arte. Seu objetivo não é prender o espectador pelo desenrolar do roteiro, mas sim pelo sadismo e criatividade das mortes, que são muito melhores que nos dois primeiros filmes. Por isso, já vale uma conferida. Mas só por isso. 

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Por Água Abaixo (2006)

Os estúdios Aardman conseguiram notoriedade na área cinematográfica por desenvolver produções em stop motion, técnica de animação que consiste na fotografia de modelos reais que, juntos quadro a quadro, formam um filme. Depois de ganharem um Oscar de Melhor Curta-Metragem em 1994, foram responsáveis pela produção de uma das animações mais divertidas de todos os tempos, Fuga das Galinhas, de 2000. Conhecidos exatamente por suas produções em stop motion, os estúdios se rendem à tecnologia digital em co-produção com a DreamWorks. O resultado é Por Água Abaixo, provando que essa mudança na técnica do estúdio inglês não afetou em nada a qualidade de suas produções.

Por Água Abaixo se passa num mundo submerso, mas está longe das cores do fundo do mar presente em animações recentes. Aqui, o cenário é o esgoto de Londres, onde vai parar Roddy (voz de Hugh Jackman na versão original), um rato de estimação que costumava viver sozinho numa mansão no chique bairro londrino de Kensington. Lá, ele conhece a simpática rata Rita (dublada por Kate Winslet). Independente, apesar de ter uma numerosa família, ela representa tudo que Roddy não é, sendo sua parceira ideal nesta divertida aventura. No esgoto, a dupla descobre que um maléfico sapo (voz de Ian McKellen) e seus capangas têm terríveis planos a serem executados durante a final da Copa do Mundo de 2002 e, juntos, tentam impedi-los ao mesmo tempo em que buscam por um caminho para levar Roddy de volta ao Alto, como é conhecida a superfície de Londres na visão dos habitantes dos esgotos.

Está formado o cenário ideal para que aconteça um desfile de personagens divertidos e carismáticos. O desenvolvimento do roteiro, bem como dos personagens, é feito de forma cuidadosa. O fato desta animação da Aardman ser feita em digital não fez com seus personagens perdessem o frescor encontrado nos de produções anteriores, muito pelo contrário. A construção dos cenários, grandiosa e muitas vezes sombria, faz com que a animação fuja da limpeza estética presente na maioria das animações infantis (sem trocadilhos com o fato do filme se passar no esgoto, no caso). O uso da trilha sonora funciona muito bem, especialmente nas figuras das simpáticas "lesmas cantoras".

Inteligente e divertido, o filme tem como trunfos o carisma dos personagens (o que costuma encantar aos menores) e o roteiro, que flui de forma dinâmica ao explorar a solidão confortável do personagem principal versus a simplicidade rodeada de familiares de sua parceira de aventuras. Não há muitas dúvidas: Por Água Abaixo é uma das melhores animações que entraram em circuito comercial este ano.

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Piratas do Caribe - O Baú da Morte (2006) 

 Saí da projeção de Piratas do Caribe 2 - O Baú da Morte meio tonto. A quantidade de informações que o filme bombardeia sobre nossos olhos, ouvidos e mentes chega a atordoar. São duas horas e meia de um visual arrebatador, direção de arte exuberante e efeitos especiais que fazem até os mais céticos acreditarem que piratas de verdade podem desembarcar a qualquer momento num cinema perto de você. Com alguma imaginação, quase se sente o cheiro dos marujos. Ah, claro, a música não pára quase nunca, como virou mania entre os arrasa-quarteirões.

Vale, antes de mais nada, uma recomendação: para curtir melhor esta continuação, tente ver (ou rever) o primeiro filme. O roteiro deste não se preocupa em explicar o episódio anterior e talvez a intenção seja esta mesma. Assim, todos nós alugamos e/ ou compramos mais DVDs do filme de 2003. A ação já começa como se estivéssemos entrado no cinema no meio da projeção. Desta vez, o capitão Jack Sparrow (Johnny Depp, impagável) descobre que tem uma dívida de morte com o legendário Davey Jones (Bill Nighy, irreconhecível debaixo de uma maquiagem virtual de polvo humano, ou coisa parecida), capitão do navio fantasma Flying Dutchman. O descolado Jack não vai medir esforços para encontrar uma forma de fugir de sua eterna maldição, nem que para isso seja necessário envolver até o pescoço os "amigos" Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley).

O roteiro, na verdade, não é o forte de Piratas do Caribe 2. Algumas idas e vindas desnecessárias acabam criando "barrigas" (momentos redundantes nos quais o filme parece "patinar") que quase prejudicam o resultado final. Quase. O fascínio visual da produção é tão sedutor que acaba superando as fragilidades da narrativa. Seu grande mérito é utilizar com competência o que há de mais moderno em termos de recursos visuais cinematográficos para recriar diante dos nossos olhos um dos mundos mais antigos que as câmeras já captaram: o dos piratas.

A franquia Piratas do Caribe é uma espécie de Indiana Jones deste início de século. Da mesma forma que Steven Spielberg e George Lucas ressuscitaram na tela grande do cinema, com toda a tecnologia disponível na época, as aventuras clássicas e juvenis que faziam a alegria das matinês dos nossos pais e avós, agora o diretor Gore Verbinski e o produtor Jerry Bruckheimer nos fazem mergulhar no fascinante universo de navios fantasmas, bucaneiros e tesouros escondidos. O encanto é inevitável. Junte-se a isso um elenco dos mais carismáticos e o resultado é um mega-sucesso que superou os US$ 130 milhões de bilheteria somente no seu primeiro final de semana nos EUA, batendo todos os recordes de estréia em todos os tempos (o anterior era do Homem-Aranha, com US$ 114,8 milhões).

Desnecessário dizer que o terceiro capítulo - filmado simultaneamente a este segundo - está previsto para 2007. Em time que está faturando não se mexe.

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Os Sem Floresta (2006)

Poucos sabem a origem dessa divertida história, Over the Hedge - título original do filme - são tirinhas de quadrinhos muito populares entre os norte-americanos, desde 1995, escritas por Mike Fry e ilustradas por T. Lewis, consultores criativos do longa-metragem.

Os Sem-Floresta conta a história de um grupo de animais liderado por Verne, uma tartaruga cuidadosa e metódica. Eles formam uma família estranha, composta por uma gambá pessimista, um casal de porcos-espinhos dedicado aos três filhos, uma sarigüê adolescente com vergonha do próprio pai e um esquilo hiperativo. Apesar das diferenças, eles são muitos felizes e vivem juntos em um tronco de árvore, até o fim do inverno. Quando acordam da hibernação, percebem algo muito diferente: um estranho muro formado por arbustos, limitando a floresta a um pequeno bosque. Do outro lado, um condomínio foi construído e eles se deparam com uma realidade totalmente desconhecida. Mas não para o manipulador RJ (Bruce Willis, na versão original), um guaxinim que se aproxima de uma inocente família para recuperar toda a comida que roubou do urso Vincent (Nick Nolte).

Aventuras e perigos envolvem esses pequenos animais, mas o importante, em Os Sem-Floresta, são as lições deixadas, não só para o público mirim, mas para o adulto também. A animação é ecologicamente correta, mostrando o dano da invasão humana no hábitat dos personagens, que não sabem onde conseguir alimento. Algo simples, que se aprende rindo e se divertindo, sem aquele discurso demagógico de proteção ao meio ambiente, que faz qualquer criança dormir. Além disso, a animação resgata o valor familiar, tão fragmentado nos dias de hoje.

Sempre por meio da visão dos bichinhos, eles mostram peculiaridades sobre os seres humanos, como o fato de viverem para comer e não comerem para viver. Com uma forte crítica ao consumo exagerado, eles provam que podem ser mais civilizados do que nós, tornando o filme mais inteligente do que possa parecer em um primeiro instante.

O humor deste filme se distância de outras animações da Dreamworks como Shrek, com suas tiradas irônicas que só os adultos entendem. Também diverge das cores e traços marcantes encontrados nos personagens caricatos de Madagascar. Os Sem-Floresta é um longa-metragem com personagens "fofinhos", hilários, que contagiam a família inteira, independentemente da faixa etária de seus integrantes.

A mensagem é simples, o humor é direto, a animação limpa (sem exagerar na informação visual) e o roteiro criativo e cheio de possibilidades, tanto que os diretores Tim Johnson (Formiguinhaz) e Karey Kirkpatrick (A Fuga das Galinhas) já estão empolgados com uma possível continuação. Se a intenção era unir os familiares de todas as idades, o objetivo foi alcançado. Parece que na briga entre estúdios de animação, a Dreamworks está encontrando seu espaço.

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O Último Rei da Escócia (2006)

Nos últimos anos, alguns filmes contundentes estão sendo produzidos sobre a situação de alguns países africanos que sofrem com violentos governos ditatoriais e não menos violentos grupos rebeldes, como Hotel Ruanda e Diamante de Sangue. Baseado em romance de Giles Foden, O Último Rei da Escócia é mais uma produção que elucida a violenta história recente de um país africano, a Uganda.

Trata-se de uma descrição romanceada da ascensão de um dos mais violentos ditadores da história mundial recente, o General Idi Amin (Forest Whitaker), que, ao tomar o poder no país, espalhou uma onda de assassinatos a qualquer pessoa que criticasse seu governo ou levantasse suspeitas em relação à sua fidelidade ao presidente. A história é contada sob o ponto de vista do jovem escocês Nicholas Garrigan (James McAvoy). Recém-formado em medicina, viaja à Uganda não necessariamente para salvar o mundo ou os pobres flagelados do país, mas para escapar do tédio que o domina em sua terra natal. Mulherengo inveterado, é convidado pelo presidente para ser seu médico pessoal. Logo, Garrigan vira seu braço direito e testemunha de perto as atrocidades cometidas pelo novo líder da nação. A euforia de um novo governo, vinda da população, é a mesma do médico. No começo, o novo mundo o seduz. No entanto, ele começa a ser englobado por tanta novidade e percebe que as partes obscuras dessa sua nova vida são densas demais.

Tudo em O Último Rei da Escócia gira em torno da ilusão e é isso que causa não somente a euforia de ambos os personagens, mas também a decadência. Garrigan e Amin são de formações completamente diferentes; a falta de maturidade os une e os destrói da mesma forma. Guardadas as proporções, são dois personagens desprezíveis, cada um em seu modo.

O fato de ser dirigido pelo documentarista Kevin Macdonald (Um Dia Em Setembro) faz com que O Último Rei da Escócia tenha um tom documental na direção. A câmera perde a firmeza e ganha mobilidade entre os conflitos da trama. Os enquadramentos e closes não-convencionais fazem com que o espectador tenha a impressão de estar observando algo que não deveria ver. Como uma denúncia documental. O desenvolvimento do roteiro, assinado por Peter Morgan (A Rainha), é gradativo: os personagens passam da euforia pela novidade ao temor de uma forma rápida e totalmente justificada. Na verdade, a história em si é totalmente apoiada nos personagens e na relação entre os dois protagonistas.

O maior destaque de O Último Rei da Escócia é a forma como Forest Whitaker rouba a cena na composição do General Amin. Dependente, bufão, farrista e sedutor quando toma o poder na Uganda, seu carisma é capaz de conquistar não somente a população, mas também os estrangeiros que estão em sua terra, especialmente Garrigan. Na medida em que os acontecimentos avançam, sua imaturidade e insegurança no cargo de presidente da Uganda fazem com que ele use a violência e a repressão para manter esse poder ilusório em suas mãos. Indicado ao Oscar e ganhador do Globo de Ouro de Melhor Ator, Whitaker dá a força necessária para sustentar a trama.

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O Diabo Veste Prada (2006)

Alguns filmes são capazes de deixar o público em polvorosa, ansioso por seu lançamento. O Diabo Veste Prada é um deles. Mas os espectadores que aguardam esta comédia são, em sua maioria, interessados em moda. Afinal, esta produção brinca com este mundo, frívolo quando visto pela ótica da maioria dos espectadores. E esta aí o maior trunfo de O Diabo Veste Prada: o filme trata a moda com seriedade, tornando-se melhor ainda do que o esperado. Até mesmo por pessoas como eu, fãs do livro homônimo de Lauren Weisberger, no qual o roteiro foi inspirado.

Dirigida por David Frankel (mais conhecido por seus trabalhos na direção de séries televisivas), a trama é centrada na figura de Andy Sachs (Anne Hathaway, de O Segredo de Brokeback Mountain). Recém-formada em jornalismo, ela se muda para Nova York a fim de conseguir um emprego como articulista em alguma revista da cidade. Mas ela acaba conseguindo trabalho somente na revista de moda Runway, desconhecida pela garota até o momento em que decide tentar uma vaga como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), a poderosíssima chefe de redação da publicação.

Todos dizem que é emprego desejado por milhares de garotas, mas Andy não faz idéia do porquê. Ao conseguir a tão desejada vaga, têm início os tormentos na vida da jovem. Sua vida pessoal é anulada na medida em que os pedidos (sempre emergenciais) de Miranda tornam-se cada vez mais absurdos, a qualquer hora do dia (ou da noite). Na Runway, a jovem jornalista toma contato não somente com os problemas que surgem ao trabalhar para uma pessoa tão exigente quanto Miranda, mas também com o mundo da moda. Andy passa por uma mudança radical, tanto visualmente quanto em relação ao seu comportamento, mostrando-se muito mais preocupada com o visual do que na época na qual nunca havia pisado no alvo piso da redação da Runway.

O Diabo Veste Prada funciona muito bem como adaptação do livro homônimo. Muitos dramas presentes na publicação, bem como detalhes sobre a batalha pessoal de Andy para conseguir manter a sanidade na Runway, ficaram de fora do roteiro escrito por Aline Brosh McKenna (Leis da Atração), que preferiu priorizar a participação de Miranda na história - que, no livro, era apenas a pessoa que infernizava a vida da protagonista. Idéia excelente, já que Meryl Streep é capaz de humanizar o personagem de uma forma que o livro nunca conseguiria (nem pretendia). Meryl compôs uma chefe exigente, perfeccionista e durona, capaz de existir em qualquer tipo de empresa. De coadjuvante, passou a ser protagonista. Outro acerto do roteiro foi a criação de novas e surpreendentes situações, fazendo com que a produção agrade e surpreenda os que leram o livro. E, para os brasileiros, mais um atrativo: a tão falada presença de Gisele Bündchen como uma das funcionárias da revista. São poucas as falas, mas a modelo brasileira não decepciona nem deve virar piada, como aconteceu com sua incursão cinematográfica anterior (Táxi).

Claro que a atenção deveria ser redobrada em relação aos figurinos. Afinal, O Diabo Veste Prada é uma deliciosa comédia cuja ação acontece no mundo da moda. Miranda Priestly comanda a moda mundial e se veste de forma sóbria, porém cheia de estilo. Elegância, inclusive, é a palavra de ordem no figurino criado por Patricia Field, um guru atualmente entre os fashionistas (como são conhecidos os interessados por moda) por conta de seu trabalho no seriado Sex And The City (pelo qual também passou o diretor David Frankel), no qual apresentava atenção redobrada nos figurinos. A excelente reputação de Patrícia rendeu ao filme o empréstimo de peças não somente da grife que dá nome à produção, mas também Chanel (predominante no vestuário de Andy), Valentino, Donna Karan, Bill Blass, Calvin Klein, Marc Jacobs e Dolce & Gabbana. A própria figurinista revelou que as peças presentes no guarda-roupa usado em O Diabo Veste Prada devem valer mais ou menos US$ 1 milhão.

Apesar do roteiro, performances e figurinos serem acertados, existe um "porém" em O Diabo Veste Prada: a trilha sonora. Capaz de reunir boas canções - que vão de Madonna ao grupo escocês Belle & Sebastian -, a compilação perde o brilho por não conseguir dialogar com as cenas. Mesmo assim, O Diabo Veste Prada é uma comédia dramática acima da média. Ppesar de fazer piada com as frivolidades do mundo da moda, o filme é capaz de levar esse cenário a sério, passando longe do enfadonho. É a prova de que moda consegue ter conteúdo, assim como uma boa comédia.

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O Bicho Vai Pegar (2006)

Quando o espectador acha que o mercado está saturado de animações sobre animais tendo problemas nas florestas, eis que a Sony Pictures lança sua primeira animação digital sobre... Animais tendo problemas na floresta. Mas, apesar da mesmice do tema, O Bicho Vai Pegar é uma divertida animação que, se não traz muitas inovações no roteiro, pelo menos cumpre a função de divertir o espectador, especialmente o infantil.

Boog (voz de Martin Lawrence na versão original) é um simpático urso adestrado pela treinadora Beth (voz de Debra Messing, a Grace do seriado Will & Grace). A cidade é rodeada pela floresta. Por isso, costuma atrair caçadores durante a temporada de caça, que está prestes a começar. Mas o caçador Shaw (voz de Gary Sinise) teima em capturar animais fora de época e um deles é o simpático cervo Elliot (voz de Ashton Kutcher), que se afeiçoa com o urso quando ele o ajuda a escapar das mãos do brutamontes.

Essa situação inicia uma amizade entre os dois animais, que, quando se encontram, se metem em diversas confusões. O cervo, recém-expulso de seu bando e sem um dos dois chifres após ter sido capturado por Shaw, mostra ao urso como é a vida fora do ambiente domesticado onde cresceu. Ensinamentos que se tornam mais úteis ainda quando Beth resolve soltar Boog na floresta, acreditando ter chegado a hora do animal retornar ao habitat. Lá, eles encontram animais bastante simpáticos - como as lebres e os esquilos mal-encarados.

A dinâmica formada entre Bood e Elliot funciona da mesma forma que acontece em outras animações, como Shrek, Monstros S.A. e A Era do Gelo. Apesar das situações serem previsíveis, o quadro formado pelos diversos personagens é divertido, especialmente se observarmos os animais coadjuvantes dessa história (edificante, claro). Dirigida por Roger Allers (diretor de O Rei Leão), Jill Culton (estreante na direção que já trabalhou na Pixar) e Anthony Stacchi (também novato nessa função), a animação é caprichada, colorida e cheia de pequenos detalhes que funcionam na tela grande. As músicas são compostas pelo cantor norte-americano folk Paul Westerberg, o que dá um aspecto menos infantil e pop às canções.

O Bicho Vai Pegar não vai mudar a história do cinema de animação digital, mas pelo menos cumpre o papel de divertir sem pretensões.

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Happy Feet - O Pingüim (2006)

Uma das animações mais adoráveis da última temporada é Happy Feet (Happy Feet - O Pinguim). E o mais curioso a respeito dela, e provável causa dos seus méritos inovadores, é que esta produção não vem de um estúdio tradicional no gênero, além de ser a estréia de um veterano realizador neste universo "animado". Produzido pela Warner Bros., dirigido por George Miller (de sucessos tão díspares quanto Mad Max e Babe) e com roteiro de John Collee (Master and Commander: The Far Side of the World), este filme conseguiu se sair bem tanto junto à crítica quanto com o público, mesmo provido de tão pouca expectativa. Apesar de ter tido um custo relativamente alto, US$ 85 milhões, só nos Estados Unidos arrecadou nas bilheterias quase US$ 200 milhões. Isso sem falar das indicações ao Oscar, ao Bafta, ao Satélite de Ouro e ao Globo de Ouro de Melhor Longa de Animação do Ano e da vitória, também no Globo, de Melhor Canção Original (The Song of the Heart, do Prince).

Happy Feet conta a história de Mumble, um pingüim que nasce com um dom especial - e com isso, um problema. Apesar de não saber cantar, como todos os iguais da sua espécie, ele possui uma incrível habilidade com os pés, tornando-se assim excelente sapateador. O drama que enfrenta é que, para conquistar uma companheira, os pingüins-imperadores fazem uso do canto como arma de sedução. Mumble até tenta uma nova tática - o sapateado - mas o preconceito dos demais acaba por lhe expulsar do grupo. Os anciões acreditam que são mudanças como a que ele propõe que estão causando a falta de alimentos naturais. Mas nosso herói tem outra teoria: não seriam "alienígenas" (os seres-humanos) os responsáveis por esta nova condição? Sozinho, ele parte em busca de uma resposta, numa jornada em que irá se deparar com novos amigos, muitos perigos e descobertas e feitos até então inimagináveis para um pequeno pinguim.

Se os talentos apresentados na dublagem original são um caso à parte - estão, entre as vozes famosas, nomes como Elijah Wood, Hugh Jackman, Nicole Kidman e Brittany Murphy - o destaque, assim como foi em Aladdin (1992), da Disney, ou em Robots (2005), da Fox, é Robin Williams, que aqui se supera mais uma vez ao se desenrolar em dois personagens: o histriônico Ramón e o mítico Lovelace. Ele consegue construir duas personalidades distintas, e ambas igualmente envolventes.

E como Happy Feet é um 'semi-musical', Williams consegue ainda demonstrar seus dotes vocais, tendo como ponto alto a versão latina de My Way, do Frank Sinatra. Murphy, em Somebody to Love, do Queen, e o dueto entre Jackman e Kidman em Kiss, do Prince, também são bem marcantes.Outro ponto bastante positivo é o engenhoso roteiro, que apesar de um pouco longo e repleto de reviravoltas, consegue transmitir uma poderosa mensagem através de muito bom humor e aventuras vertiginosas, sem nunca chegar a cansar, ou pior, aborrecer o espectador.

Ficamos grudados na tela a cada instante, e toda nova situações proposta pelo enredo aumenta a tensão e o consequente prazer em sua resolução. Visualmente impecável, com uma perfeição digital assustadora, possui ainda ação ininterrupta, de tirar o fôlego de qualquer um. Happy Feet parece ser mais um produto bem embalado para o público infantil, mas é muito mais do que isso: é uma grande lição de humanidade e consciência ecológica, numa história de amor encantadora.

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Diamante de Sangue (2006)

 Se a personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (1961) vivesse nos anos 90, provavelmente não teria idéia da procedência dos diamantes que gosta de admirar na vitrine de sua joalheria favorita. Nem os milhões de mulheres que, como ela, sonham com um anel incrustado com um belo diamante. Afinal, ao observar algo tão valorizado como essa pedra em seu estado lapidado, não se tem idéia de como ele pode ter parado lá. Hoje, as pedras que chegam do continente africano têm a garantia de que foram obtidas sem terem sido envolvidas em conflitos civis locais. Pelo menos é o que garantem os grandes comerciantes e, se isso acontece, é por causa da notoriedade mundial de casos como os que ilustram a trama de Diamante de Sangue. Como não poderia deixar de ser, graças à densidade do tema, trata-se de um filme duro e corajoso.

Diamante de Sangue mostra o encontro de dois personagens que ocupam castas totalmente opostas na sociedade do país africano de Serra Leoa, no fim dos anos 90. Danny Archer (Leonardo DiCaprio) nasceu na África do Sul. Descendente de europeus, acabou sozinho e seguiu o caminho que conseguiu: virou contrabandista de diamantes, os conhecidos como "diamantes de sangue", que financiam os violentos grupos revolucionários do país. Solomon Vandy (Djimon Hounsou) é um simplório pai de família que obtém seu sustento por meio da pesca. Seus destinos se cruzam quando a família de Solo, como é chamado, é capturada pelos guerrilheiros que atuam na região e ele é obrigado a trabalhar numa mina de diamantes. Lá, descobre um gigante diamante rosa, mas não o entrega por ver na pedra a chance de juntar-se novamente à família. Quando ambos são presos, Archer descobre a pedra e, como sempre, movido pela ambição, aproxima-se do pescador para, enfim, tê-la em mãos. Juntos, embarcam numa árdua e violenta jornada através de Serra Leoa, cada um com um objetivo: Archer quer a pedra para conseguir sair do continente como sempre almejou; Solo só pensa em encontrar sua família e, principalmente, o filho, Dia (Kagiso Kuypers), capturado pelos guerrilheiros.

Esta é a história central de Diamante de Sangue, mas existe uma rica gama de personagens e tramas paralelas que constroem este assustador panorama. Como da jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connelly), que, idealista, entra no caminho da dupla protagonista com o objetivo de tornar pública a história de Archer e seus envolvimentos escusos com as empresas que comercializam os "diamantes de sangue" na Europa e EUA. Mas a mais fascinante e assustadora é a que envolve Dia: capturado, torna-se membro do exército de guerrilheiros locais e, ao lado de outras crianças com não mais do que 12 anos, são educados a pegar em armas em nome da revolução numa verdadeira lavagem cerebral.

Diamante de Sangue serve para afirmar o melhor momento vivido por Leonardo DiCaprio em sua carreira. De galã juvenil em filmes como Romeu + Julieta (1996) e Titanic (1997), agora demonstra maturidade suficiente para compor papéis densos e convincentes como este. Não à toa, é indicado ao Globo de Ouro não somente por esta atuação, mas também em Os Infiltrados - outra excelente performance recente do ator. A arrogância e ganância de seu personagem, no entanto, não seria nada sem o ponto de vista extremamente correto construído por Djimon Hounsou (A Ilha), que também apresenta uma de suas melhores performances, dando a alma necessária para o equilíbrio desta produção.

A direção assinada por Edward Zwick (O Último Samurai) é caótica, imprimindo bastante tensão ao longa, especialmente nos momentos mais violentos. Quando o foco é voltado à população e à cultura local, ganha uma mão mais documental, lembrando bastante o trabalho de Fernando Meirelles em O Jardineiro Fiel. No começo, a direção caótica ajuda; no entanto, enquanto a produção caminha para o final, existe certa disparidade. O filme não consegue se resolver muito bem e, quando o faz, apela para soluções previsíveis demais, que não acompanham a intensidade presente no resto do longa.

Mesmo assim, Diamante de Sangue não deixa de ser um relato contundente de uma violenta época que está mais no passado do país do que no presente, já que, hoje, os comerciantes de diamantes lapidados garantem que existe um rigoroso controle em relação à procedência das pedras. A trama, estritamente local, torna-se universal por ter personagens movidos por valores humanos comuns, como a ética, a moral e a ganância. Além disso, ela envolve o espectador ao mostrar a aventura pela qual passam os protagonistas. A história é complicada, bem como o tema abordado - que mexe com as raízes da economia mundial -, lembrando a relação que Syriana - A Indústria do Petróleo tem com o mercado do conhecido como "ouro negro". No entanto, existem mais laços emocionais no roteiro de Diamante de Sangue, criando uma empatia quase que automática com o público.

É sempre bom manter em mente que a trama, apesar de bastante inspirada pelo documentário Cry Freedom (de Sorious Samura), é fictícia, o que não deixou de preocupar os comerciantes de jóias quando a produção começou a acontecer. No entanto, Diamante de Sangue explora mais os conflitos civis ligados ao comércio ilegal das pedras. Portanto, não há muitas chances das mocinhas pararem de sonhar com jóias cheias de diamantes por causa desta produção, mas sim do espectador se emocionar com a trama envolvente e muito bem interpretada.

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DÉJÀ VU (2006)

O terrorismo continua sendo um tema dos mais recorrentes no cinema pós-11 de setembro. Déjà Vu, a nova aventura do megaprodutor Jerry Bruckheimer, não foge a esta regra. Ambientado na cidade de Nova Orleans, que tenta se recuperar da tragédia do furacão Katrina, o filme mostra logo em suas primeiras cenas um violento atentado terrorista que mata mais de 500 pessoas numa balsa que navega pelo rio Mississipi. O agente Doug (Denzel Washington) vai investigar o caso e descobre um fato dos mais inusitados: entre os mortos resgatados, há uma mulher (a bela Paula Patton, de Hitch - Conselheiro Amoroso), que teria morrido aproximadamente uma hora antes do atentado. Como assim? É isso que Doug precisa descobrir. E, em sua busca pelos fatos, ele acaba se deparando com um novo experimento de altíssima tecnologia do governo americano que pode revolucionar o combate ao crime.

Com a direção de Tony Scott (que será sempre lembrado por Top Gun - Ases Indomáveis, para o bem e para o mal), Déjà Vu consegue aliar um roteiro intrigante a um bom ritmo de ação. O filme começa como um tradicionalíssimo policial e de repente vira para uma aventura com fortes toques de ficção científica, chegando a lembrar Minority Report - A Nova Lei. Sem ser futurista. Tudo isso com a sempre exagerada e pirotécnica produção comandada por Jerry Bruckheimer, o mesmo de Piratas do Caribe, Bad Boys, Armaggedon, Pearl Harbor e tantos outros sucessos explosivos.

Para apreciar melhor a trama é preciso, porém, embarcar nas fantasias que o filme propõe, deixando o senso crítico em segundo plano. É uma aventura, uma viagem fantástica que só será apreciada por quem estiver disposto a comprar as deliciosas mentiras que fazem a magia do cinema.

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Apocalypto - 2006

Rodado em locações como Catemaco (floresta tropical) e Veracruz, ambos no México, Apocalypto conta com um elenco formado por indígenas das Américas e é falado no idioma maia. É um projeto bastante ousado abraçado por Mel Gibson, com prestígio (e dinheiro) de sobra depois do fenômeno A Paixão de Cristo. Ainda pisando em terrenos delicados, como religião e cultura (só que de povos antigos, quase que extintos, o que deve criar menos polêmica do que sua produção anterior), o cineasta mostra mais um bem-feito exercício de direção neste novo filme, provando saber criar primorosas cenas de ação.

O contexto histórico é diluído durante o filme, mas sabe-se que a produção explora um drama acontecido durante o declínio do Império Maia, pouco antes da chegada de colonizadores europeus na América Central, durante o século 15. Apocalypto acompanha a jornada de Jaguar Paw (Rudy Youngblood), que vive com sua tribo numa floresta tropical. Quando ela é invadida e dominada por violento grupo, o espectador é levado a conhecer a rica cultura - especialmente visual - do povo maia. Esse novo grupo para o qual a tribo é levada é visivelmente mais desenvolvido por conta dos ornamentos corporais, armas e arquitetura. Há também um novo nível de crenças: em nome de deuses, aclamados para que suas terras sejam mais férteis, os líderes do grupo oferecem os corpos dos dominados para seus deuses. Sempre escapando por pouco da morte (por isso, é chamado de "quase" por um dos que dominam seu povo), Jaguar Paw tenta voltar à tribo e juntar-se à esposa grávida e o filho pequeno.

Apocalypto aborda uma época histórica pouco explorada pelo cinema moderno. Afinal, trata-se de um assunto perigoso. O que se sabe da cultura existente na América Central antes da chegada dos europeus é baseado em livros e no que é encontrado em escombros, objetos e construções locais. Por isso, esteticamente, não é algo impossível de ser reproduzido pelo cinema. No entanto, o desconhecimento em relação à sociedade desses povos pode causar problemas. Aqui, Gibson não consegue escapar do maniqueísmo que borra o cinema norte-americano. Essa necessidade de dois lados, o bom e o mal, faz com que ambos soem falsos. A carnificina patrocinada pelo povo dominador é exageradamente cruel. Inclusive, a violência está em Apocalypto desde a primeira cena, que mostra o protagonista e seu bando caçando uma grande anta, até o final.

Se a tribo de Jaguar Paw mata pela sobrevivência, os astecas matam em nome de sua religião. Neste aspecto, Apocalypto dialoga com A Paixão de Cristo. A intolerância cultural é motor para que a violência mais pesada no filme aconteça, dando forma ao maniqueísmo que Gibson (também autor do roteiro, ao lado do estreante Farhad Safinia) parece não querer abandonar. A crença religiosa faz com que castas diferentes de um mesmo povo se destruam. Seria uma resposta às críticas que Gibson recebeu por conta de seu filme anterior? Se for assim, qual será a próxima do diretor? Já que, desta vez, são os mexicanos quem estão vendo Apocalypto de uma forma bastante negativa.

Se o retrato da ideologia maia não é bem-feito, não se pode negar que, graças à primorosa direção de arte, Apocalypto consegue desenhar um excelente panorama dessa civilização no sentido estético, que, dizimada por colonizadores europeus, ainda intriga estudiosos por conta do desenvolvimento de seus estudos e descobertas em todas as áreas científicas, da arquitetura à astrologia. A complexidade da sociedade maia, no entanto, acabou fazendo com que muitos de seus povos fossem caçados e capturados como animais. Pelo menos é a esta conclusão que o espectador pode chegar ao assistir a este longa-metragem.

Esses problemas esvaziam o contexto de Apocalypto. A violência é excessiva e extrema sem muito sentido, fazendo com que o filme seja ideal para os que têm estômago mais forte. Mesmo assim, pelo rigor estético e a excelência na direção - especialmente nas cenas de ação -, é produção bastante interessante, mas não serve para que o espectador aprenda mais sobre essa civilização. Melhor deixar este papel para os livros de história.

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Alpha Dog (2006)

O nome do traficante de drogas juvenil norte-americano Jesse James Hollywood já tem cara de cinema: o sobrenome não pede explicações detalhadas; o primeiro foi inspirado num dos maiores bandidos da história norte-americana. Não demorou muito para que sua história de bandidagem - mais especificamente a que o levou a ser o mais jovem a figurar na lista dos mais procurados pelo FBI - virasse filme. O roteiro de Alpha Dog é baseado nos três dias que marcaram para sempre a história do rapaz e de sua turma de amigos igualmente delinqüentes durante os anos 90.

Além de dirigir este longa-metragem, Nick Cassavetes (Diário de uma Paixão) também assina o texto da trama. Para tal, teve acesso a todos os documentos arquivados pela polícia do condado de Santa Bárbara, na Califórnia, onde os crimes de Hollywood aconteceram. Apesar deste pretenso comprometimento com a história real, Alpha Dog é uma releitura dos fatos. Evidência primordial disso é que os nomes dos envolvidos foram trocados no roteiro: Jesse James Hollywood virou Johnny Truelove (Emile Hirsch). Na década de 90, o jovem traficante de drogas vive numa grande casa na Califórnia, cercado de amigos e belas mulheres. Aparentemente, esse seu estilo de vida de gângster moderno é apoiado pelo pai, Sonny (Bruce Willis). Tudo vai muito bem, entre festas, bebedeiras e muitos dólares faturados, até que o protagonista resolve cobrar o montante que Jake Mazursky (Ben Foster) lhe deve. O jovem, viciado e violento, passa a perseguir Johnny e ameaçar sua vida. Para pressioná-lo, o traficante seqüestra o irmão mais novo de Jake, Zach (Anton Yelchin). Mas, aos quinze anos e criado por uma mãe que o sufoca (vivida por Sharon Stone), ser refém de Johnny e sua turma é como férias para Zach, que curte três dias de festas, a companhia de belas mulheres e a simpatia de Frankie (Justin Timberlake). Mas uma seqüência de acontecimentos faz com que as coisas dêem errado para todos.

Alpha Dog é como um filme de gângsteres juvenis. Sua trilha sonora é embalada pelo rap norte-americano, o que ajuda a ambientar a trama tanto nos anos 90 quanto no clima de crimes. O filme pode encontrar público junto aos jovens freqüentadores das salas de cinema, principalmente os fãs do cantor Justin Timberlake, que não decepciona no novo investimento em sua carreira artística. No entanto, o roteiro é muito mal-amarrado e óbvio; os diálogos são histéricos, especialmente em se tratando da atuação de Ben Foster, exagerada ao extremo. Uma pena, pois, inicialmente, ela parecia ter potencial - um dos poucos demonstrado pelo filme desde o início. As atuações dos atores veteranos presentes no elenco acabam apagadas pela nova geração que protagoniza o filme, mas isso não adianta muito quando a direção e o roteiro são mal-desenvolvidos, assim como os personagens, construídos sob clichês. Por isso, Alpha Dog acaba ficando num incômodo limbo: não se sustenta quando tenta mostrar o estilo de vida dos jovens protagonistas nem quando aborda os crimes e o drama vivido pelos envolvidos.

Os elementos narrativos de Alpha Dog levam o espectador a crer que seu objetivo é ser fiel à história que inspirou o roteiro, desde as entrevistas com os personagens (feitas por um repórter que quer recontar a história do protagonista) até a enumeração das dezenas de testemunhas do crime. No entanto, para uma produção que pretender seu fiel, existe um detalhe em sua conclusão que põe a intenção em risco: diferentemente do acontecido com Johnny Truelove, Hollywood não foi capturado foragido no Paraguai, mas no Brasil, em 2005.

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A Vida dos Outros (2006)

Alemanha Oriental, anos 80. A Stasi, polícia secreta a serviço dos comunistas, se gaba de saber tudo sobre todos. Não há espaço para quem for contra o regime. Qualquer indício de simpatia pelos valores ocidentais pode significar o "desaparecimento" do traidor. Este foi o pano de fundo que o cineasta e roteirista alemão Florian Henckel Von Donnersmarck escolheu para o seu primeiro longa, A Vida dos Outros.

Ambicioso, realizou logo na estréia um projeto com quase 140 minutos de duração, envolvendo reconstituição histórica. Deu certo. O filme recebeu uma enxurrada de prêmios e indicações, entre o Spirit Independent, Locarno, Londres, Copenhague, Los Angeles, Montreal, Varsóvia, Globo de Ouro e outros. Isso sem falar no tão cobiçado Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e no recorde de indicações (onze) no German Film Awards. Faturou mais de € 11 milhões apenas na Alemanha e outros US$ 11 milhões nos EUA, país que, tradicionalmente, rejeita filmes com legendas. Sua produção teria custado algo em torno de US$ 2 milhões. Ou seja, sucesso total.

Porém, contrariamente ao que possa parecer, A Vida dos Outros não é (apenas) um filme político sobre os desmandos de um regime ditatorial. Mais que isso, aborda profundamente a complexidade das relações humanas. Num primeiro momento, a produção até parece ser fria, distante. "Alemão demais", eu diria, já destilando uma certa dose de preconceito. Porém, aos poucos, se percebe que esta suposta "frieza" narrativa é um dos grandes méritos da direção de Von Donnersmarck. Na realidade, o cineasta utiliza os primeiros minutos da ação para jogar o espectador no sombrio mundo da ausência total de liberdade. Tudo é escuro, mecânico, quase sem sentimentos. Deste universo cinzento e metálico, emerge a depressiva figura do capitão Gerd (Ulrich Muehe, de Violência Gratuita), agente especial da polícia secreta da Alemanha Oriental que tem como única finalidade servir cegamente ao seu totalitário país. Seu rosto é impassível, sua fala é monocórdica, seu apartamento é de uma tristeza estéril. Gerd desafoga as tensões contratando uma prostituta tão mecânica e friamente profissional quanto ele.

Do outro lado da vida, está Georg (Sebastian Koch, de Amém), um homem das artes, diretor de teatro apaixonado pela namorada Christa (Martina Gedek) que tem a rara habilidade de se equilibrar habilmente entre a liberdade dos palcos e a opressão da ditadura. O que une estes homens tão diferentes e de nomes tão parecidos é um punhado de escutas clandestinas instaladas no apartamento de Georg. Quanto mais Gerd ouve e percebe a vida de Georg, mais ele mergulha num inesperado mar de sensações antes impensadas. Georg age como instrumento modificador de Gerd, mesmo sem ter a mínima consciência disso. Os fios que unem microfones e fones de ouvido desta escuta tão vil acabam funcionando com um cordão umbilical entre os personagens.

E isto é apenas uma das formas de se ler a história. Ainda há o segredo de Christa para ser esclarecido (sim, ela tem um) e todo o desenrolar histórico de um filme cheio de reviravoltas que se estenderá até... Bem, é melhor não falar mais nada.

A Vida dos Outros marca uma estréia excelente de um cineasta grande: Florian Henckel Von Donnersmarck, além de um nome gigantesco, tem mais de dois metros de altura. A julgar por este seu primeiro filme, também será um grande cineasta.

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16 Quadras (2006)

Depois do estrondoso sucesso do seriado 24 Horas, tramas filmadas em tempo real parecem ter ficado mais interessantes. Esse é um dos motes do longa-metragem 16 Quadras. Dirigido por Richard Donner (da série Máquina Mortífera), o filme mistura ação e drama nos 116 minutos - de extensão do filme e dos acontecimentos que ilustram seu roteiro.

Não são nem oito da manhã e o policial decadente e alcoólatra Jack Mosley (Bruce Willis) comparece ao seu trabalho na delegacia apenas para cumprir tabela, após ter ficado de tocaia num apartamento escuro, cuidando de cadáveres para que o local do crime não fosse mexido e as provas apagadas. Nada muito empolgante, assim como sua próxima tarefa delegada na última hora: acompanhar um fugitivo da delegacia ao tribunal. Algo simples que se transforma num verdadeiro pandemônio nas ruas de Nova York, uma vez que o tal do presidiário, Eddie Bunker (Mos Def), é testemunha de diversas irregularidades policiais. Por isso, esse simples trajeto é acompanhado de perto pelos colegas de Mosley, que pretendem "apagar" a testemunha.

Uma vez que o primeiro atentado contra a vida de Bunker acontece, tudo pode acontecer em 16 Quadras. A direção, de influências documentais, faz com que tudo, no entanto, se torne plausível. Ao mesmo tempo em que a vida da dupla de protagonistas se torna cada vez mais ameaçada, uma profunda amizade cresce entre os dois. Nesse jogo de aparências enganosas, os papéis de mocinho e bandido confundem-se constantemente, iludindo e envolvendo o espectador.

Além do roteiro dinâmico e muito bem amarrado, vale destacar as atuações dos protagonistas. Bruce Willis está no papel que sempre lhe caiu bem: o de policial, mas desta vez é diferente. Esqueça o vigor físico de Duro de Matar (1988) - o que é evidente, já que o filme está para completar 20 anos de produção. Ele está mais para o Hartigan do mais recente Sin City (2005). Decadente não somente fisicamente, mas, especialmente, sem a esperança de salvar o mundo sendo um policial. Prestes a se aposentar, Mosley perdeu a vontade de viver, ao contrário de Bunker, um contraponto nessa animação. Mais jovem que o policial, a testemunha está na mira de bandidos e foi criado numa vizinhança violenta. Mesmo assim, ele tem planos.

16 Quadras não é um sopro de frescor no cinema norte-americano, nem pretende. Não muda a vida do espectador - o que também não é essa a intenção da produção -, mas, sim a diversão, o que o longa-metragem cumpre com louvor.

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Uma Noite no Museu (2006)

Há um encanto na noite proveniente da ideia de escuridão, que vem do psicológico natural humano de paralelamente temer e ser curioso quanto ao desconhecido. O escuro, como ausência de luz, é nada mais do que algo que não podemos ver e de que, portanto, não sabemos nada com certeza. Some isso a ausência de rotina social, da sociedade em si que deve estar, em sua maior parte, dormindo, e a noite torna-se o cenário mais fértil para se semear as mais mágicas histórias. Não é à toa que os contos de fadas ganharam o costume de serem lidos para as crianças antes de dormir. Contadores de histórias em diferentes épocas entenderam e usaram isso para hipnotizar suas plateias: seja Charles Dickens ao compor sua mais famosa história, Um Conto de Natal, todo ambientado em uma única noite, ou Spielberg ao apresentar o pequeno alienígena protagonista de E.T.: O Extraterrestre (1982). As possibilidades do mundo noturno, porém, se encerram com o nascer o dia, que traz a noção de obrigações e rotinas a serem cumpridas. Aproveitando-se deste sentimento já tão bem trabalhado como ferramenta, Uma Noite no Museu constrói uma pequena aventura fantástica que o usa como elemento de sua própria trama, criando uma história que se não é memorável como poderia ser, ao menos é divertida e aconchegante enquanto dura.

Trazendo como centro do enredo o segurança recém contratado Larry (Ben Stiller), agora responsável pela vigilância noturna do Museu de História Natural em Nova York, o roteiro não demora para apresentar o conceito mágico que governa o local: um encanto que faz com que todas as figuras expostas ganhem vida após o anoitecer, voltando ao seu estado natural quando o sol se levanta outra vez. Isso é, desde que estejam dentro dos limites do museu. E manter os mais diferentes tipos sob controle dentro de um espaço tão pequeno vai ser o grande desafio do herói, que, ainda por cima, tem de lidar com o filho que sente falta de um maior contato com o pai.

Estruturalmente, o longa não é nenhuma novidade, seguindo o mesmo padrão percebido em outros filmes divertidos com um final feliz para a família, e sua força e sucesso se explicam pelos personagens. Mesmo Stiller – que apesar de limitado, não é mau ator – conquista com facilidade o carisma do público, que ainda encontra em cena figuras como Owen Wilson, Robin Williams, Steve Coogan, Ricky Gervais, Mickey Rooney e Dick Van Dyke (!) como coadjuvantes de luxo. Com uma noite povoada com tantos rostos conhecidos, fica fácil embarcar na aventura que apresenta gags e desafios que vão do enorme esqueleto de T-Rex até os furiosos hunos, passando pelo irritante macaquinho Dexter.

Se gerou mais duas continuações – até então, e nenhuma delas chega nem perto de ser tão divertida, apesar de uma delas contar até mesmo com Amy Adams – a explicação está mesmo no carisma que esse elenco exala ao, antes de mais nada, representar um problema para o nosso herói, e só então irem aos poucos transformado-se em parte da solução. Uma Noite no Museu usa então de artifícios comprovados e fáceis para fazer uma comédia empolgante e que, graças aos toques únicos dos atores envolvidos, acabou ficando icônica. Em uma outra situação, com outro orçamento e outros intérpretes, talvez tivesse sido só uma bobinha distração. Felizmente, temos aqui mais do que apenas isso.

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Arthur e os Minimoys (2006)

Apesar de Luc Besson não ter experiência no gênero infantil, muito menos com animação - ele já produziu, dirigiu e roteirizou filmes como Carga Explosiva, O Quinto Elemento, O Beijo do Dragão e muitos outros -, o cineasta acertou em cheio com Arthur e os Minimoys, conseguindo atrair a atenção da criançada por diversas formas. O roteiro é fantasioso, mas sem fugir do contexto do enredo, estimulando a criatividade do público mirim. Inventiva, a história dá abertura a uma linguagem visual envolvente, misturando atores reais e animação.

Arthur e os Minimoys conta a história de um corajoso e sonhador garoto de dez anos chamado Arthur (Freddie Highmore). Ele tem uma admiração enorme pelo avô que está desaparecido. Mia Farrow (A Rosa Púrpura do Cairo) interpreta a dedicada avó de Arthur, que adora contar as histórias do avô em suas aventuras pela África. O pequeno garoto fica encantado com uma história em particular, uma lenda sobre o mundo encantado dos Minimoys, pequenas criaturinhas que guardam um tesouro de rubis dado ao avô por uma tribo de gigantes que vivem em perfeita harmonia com os pequeninos.

A casa em que moram será demolida para construírem diversos prédios caso sua avó não consiga pagar a hipoteca. Para resolver o problema, Arthur resolve seguir um mapa deixado pelo avô e sai em busca do tesouro escondido. O que o pequeno garoto não sabe é que enfrentará a maior aventura de sua vida, repleta de muitas surpresas e desafios.

Além de todo encanto transmitido por esse mundo mágico, o que mais impressiona é a forma natural como as cenas dos atores reais se misturam e interagem com as animações. Ao mesmo tempo em que o espectador se deixa envolver por Arthur e os Minimoys, essas variações de imagens não cortam a fluidez da narrativa, como acontece em filmes mais antigos do gênero, como Mundo Proibido (1992) e Uma Cilada para Roger Rabbit (1988).

Arthur e os Minimoys só possui um problema: chegará ao Brasil somente em versões dubladas, ofuscando parte do brilho da produção em sua versão norte-americana, que tem a voz de Madonna dando vida ao personagem da pequenina princesa Selenia e Robert De Niro como o rei dos Minimoys. Além de outras celebridades que também fazem parte da versão lançada nos EUA, como David Bowie, Snoop Dogg, Emilio Estevez, Harvey Keitel e muitos outros.

Esta bem-humorada aventura, que deve encantar a família inteira, foi baseada no livro homônimo (Arthur and the Minimoys) escrito pelo próprio Luc Besson, que já lançou outros três volumes, chamados Arthur and the Forbidden City, Maltazard's Revenge e Arthur and the Two Worlds - as adaptações cinematográficas desses dois últimos já foram confirmadas por Besson e devem ser lançadas em 2009 e 2010, respectivamente.

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O Segredo dos Animais (2006)

 Depois que a Pixar e a DreamWorks provaram que desenhos animados de longa-metragem podem ser muito lucrativos, iniciou-se uma verdadeira enxurrada de filmes (que os marqueteiros dos estúdios odiosamente chamam de "produtos") visando morder esta suculenta fatia de mercado. Como conseqüência, a técnica destes desenhos evoluiu de maneira espantosa. Mas, infelizmente, o mesmo não se pode dizer de seus conteúdos. Pelo contrário. A falta de criatividade em muitos roteiros faz o espectador mais desavisado confundir Madagascar com Selvagem (parecidíssimos), Vida de Inseto com Lucas - Um Intruso no Formigueiro ou mesmo Shrek com O Bicho Vai Pegar. São roteiros com estruturas narrativas extremamente similares. O próprio Carros reconta uma história já vista na comédia Doutor Hollywood, com Michael J. Fox.

O Segredo dos Animais, da Paramount e Nickelodeon, não foge à regra. Primeiro, o conceito básico: quando não são vistos por seres humanos, os animais se comportam como as pessoas. Se alguém os avista, eles voltam instantaneamente a se comportar como meros animais. Ou seja, é a mesma premissa de Toy Story em relação aos brinquedos. O segredo dos animais é o mesmo segredo dos brinquedos da Pixar. Quanto ao desenvolvimento da história, a trama fala de Ben (um boi, mas com tetas de vaca, coisa meio estranha), líder dos animais de uma fazenda que tem sérias dificuldades em educar seu filho Otis (outro boi com tetas de vaca), um adolescente irresponsável que só pensa em se divertir. Ben sonha em fazer de Otis o seu sucessor na liderança, mas percebe que a tarefa não será nada fácil. Atacado por um bando de coiotes, Ben morre e a fazenda fica sem comando, abrindo caminho para Otis crescer como pessoa (desculpe, como boi, ainda que com tetas de vaca), superar seus problemas e se posicionar como o novo líder.

Experimente: no texto acima troque "Ben" por "Mufasa", "Otis" por "Simba", "coiotes" por "hienas" e "fazenda" por "reino". Fácil, não? Para quem ainda não se convenceu, há uma passagem bem significativa na qual o jovem Otis vê uma mensagem de seu falecido pai refletida num grande céu estrelado. Trocando em miúdos, O Segredo dos Animais é uma mistura de O Rei Leão com Nem que a Vaca Tussa, mais alguns personagens que parecem ter saído do "elenco" de O Galinho Chicken Little. Junte a isso algumas situações divertidas, meia dúzia de piadas legais, algumas canções dançantes (nem todas dubladas, o que é uma pena) e temos mais um desenho simpaticamente descartável. Ruim? Não. Mas facilmente esquecível após o primeiro pedaço de pizza depois da sessão de cinema.

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O GRANDE TRUQUE (2006)

Após o sucesso de Batman Begins (2005), o diretor e roteirista Christopher Nolan decidiu pisar no freio. Ao invés de partir para outro blockbuster, preferiu usar a máquina de Hollywood – ao seu dispor após os mais de US$ 370 milhões arrecadados em todo mundo com a aventura do Homem-Morcego – para construir uma trama mais autoral e intrincada, nos moldes do seu primeiro sucesso, Amnésia (2000), porém com um visual refinado e com astros gabaritados. E o resultado desta vontade é O Grande Truque, que coloca novamente sob o comando do cineasta o ator Christian Bale (o Batman em pessoa), que aparece ao lado de Hugh Jackman (que ficou famoso ao interpretar outro super-herói, o Wolverine). O encontro dos intérpretes dos dois heróis mais badalados do cinema atual é igualmente emocionante.

Nolan, em conjunto com o irmão Jonathan, adaptou o romance de Christopher Priest sobre dois ilusionistas que, no final do século XIX, se tornam rivais e admiradores. Apesar de terem começado suas carreiras trabalhando juntos, uma trágico acidente termina por separá-los – e mais, passam a ser inimigos um do outro. Se um é mais hábil na execução dos truques, o outro se sai melhor junto ao público, com uma atitude mais simpática e envolvente. Deste modo, nenhum nunca estará completo, procurando eternamente aquilo que tinha à disposição quando atuavam juntos, pela sintonia que exerciam reciprocamente. A obsessão que acabam desenvolvendo simultaneamente irá afetar não só suas vidas, como as daqueles que os cercam – a esposa, o melhor amigo e companheiro, a amante – definindo os rumos de uma relação de gato-e-rato que não tem como ter final feliz. Ao menos não para ambos.

Jackman, apesar do desempenho hipnotizante como o mutante de garras retrátil da Marvel, é capaz de vôos muito mais altos, e aqui ele confirmou pela primeira vez um talento que está além de aventuras de histórias em quadrinhos ou de comédias românticas. Seu personagem é complexo e triste, mas ao mesmo tempo irresistível. Por outro lado, Bale constrói com competência a metade oposta desta moeda, oferecendo um universo mais triste, amargurado e sombrio ao espectador. Em muito lembra a performance como o Cavaleiro das Trevas, porém sem uma racionalização simplista. Os dois funcionam bem quando juntos em cena, porém são melhores ainda ao serem observados individualmente. Se os confrontos que estabelecem parecem necessitar de uma fagulha para atingir a combustão desejada, é quando vistos separadamente que percebemos melhor os potenciais envolvidos, assim como são nestas ocasiões em que os próprios intérpretes desenvolvem o que possuem de melhor.

Mas O Grande Truque tem mais a oferecer. Somente no elenco há outras surpresas, como a presença sempre gratificante de Michael Caine (duas vezes vencedor do Oscar), e um surpreendente David Bowie (sem atuar numa grande produção desde A Última Tentação de Cristo, em 1988). Se há um ponto em falso está na participação da equivocada Scarlett Johansson, que dá mais um sinal do seu despreparo e falta de versatilidade, como percebido no anterior Dália Negra (2006). A personagem dela, além de ter pouca relevância na trama, teve uma participação obviamente reduzida. Além de algumas caretas e muita afetação, sua única utilidade é servir como chamariz de público, pois pouco contribui para o desenrolar da trama. O filme, no entanto, se destaca ainda pela trilha sonora caprichada (cortesia de David Julyan, em seu terceiro trabalho consecutivo com o diretor) e da fotografia estudada (Wally Pfister, vencedor do Oscar por A Origem, 2010). Isso sem deixar de mencionar a elaborada edição de Lee Smith (indicado ao Oscar por Batman: O Cavaleiro das Trevas, 2008), que não só colabora decisivamente na narração como proporciona uma visão ainda mais interessante dos acontecimentos.

Assistir a O Grande Truque é como estar diante de um bom show de mágica: ficamos impressionados com o que presenciamos, ao mesmo tempo em que nos esforçamos para tentar descobrir o que está por trás do que é oferecido para a audiência. E, tal qual nas melhores apresentações, o mistério aqui permanece após as resoluções, principalmente por estas não serem tão completas quanto talvez gostaríamos que fossem. De qualquer forma, saímos da sala satisfeitos em termos sido enganados, uma vez que a magia permanece conosco após o término da sessão. E o que melhor podemos exigir de um bom filme?

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Missão Impossível 3 - 2006

Missão: Impossível M:i:III é aquele tipo de filme que o espectador já sabe como vai acabar. E mesmo assim adora. Afinal, como um bom longa de ação, o que conta é o tipo de hormônio que a produção é capaz de ativar no espectador: a adrenalina. E, nesse sentido, Missão: Impossível M:i:III cumpre muito bem com seu papel. Baseada em série de TV homônima famosa nos anos 60, a franquia cinematográfica produzida e protagonizada por Tom Cruise começou em 1996 e, hoje, parece ter data para acabar, já que o astro jura que será uma trilogia.

Agora, Ethan Hunt está a fim de se aposentar. Apaixonado pela primeira vez, ele está noivo da enfermeira Julia (Michelle Monaghan, de Beijos e Tiros) e quer curtir o romance. Mas, quando a agente Lindsey (Keri Russell, famosa como protagonista da extinta série Felicity) é seqüestrada pelo vilão Owen Davian (o ganhador do Oscar Philip Seymour Hoffman), Hunt repensa suas decisões profissionais. Como tem uma estreita relação com Lindsey, Hunt resolve abrir uma exceção e volta à ativa para a missão, ao lado dos agentes Luther (Ving Rhames), Declan (Jonathan Rhys Meyers) e Zhen (Maggie Q). Mas o resgate não dá a muito certo e o protagonista resolve comprar uma briga com o vilão, conhecido por ser o mais inescrupuloso negociador de armas. Hunt acaba tendo de roubar uma arma química conhecida como "Pé de Coelho" quando Davian tem nas mãos a pessoa que ele mais ama no momento.

A trama de Missão: Impossível M:i:III não é das mais complicadas. Nem pretende ser esclarecedora. O que é o tal do "Pé de Coelho"? Ninguém sabe, nem mesmo o protagonista. Como ele consegue fazer tantos malabarismos sem quebrar um membro e sempre se dando bem no final? Também não fica claro, mas isso não importa. O que existe é uma sucessão de cenas de ação, intercaladas ao planejamento das missões comandadas por Hunt. Também foram adicionados ao filme toques de romantismo graças à entrada de seu par romântico à história, o que ajuda a agradar, também, ao público feminino (como se os closes em Tom Cruise não bastassem).

O terceiro filme da série está realmente caprichado em relação ao elenco, que também conta com Laurence Fishburne e Billy Crudup. Isso sem contar que Philip Seymour Hoffman faz um vilão mal. Realmente mal. Blasé, sem coração nem escrúpulos, daqueles que parecem ameaçar de verdade a vida de qualquer pessoa, até do imortal Ethan Hunt. O que veio a adicionar na ação é a direção de J.J. Abrams. Em sua estréia no comando de um longa-metragem, Abrams leva às telonas o que aprendeu dirigindo seriados como Alias e o fenômeno Lost. O diretor segue com sua câmera nervosa, o que aumenta a tensão nos momentos de ação, e é capaz de aproveitar muito bem as locações onde o filme se passa. Ao mesmo tempo, sabe como explorar os momentos de intimidade entre o casal protagonista. A direção de arte também segue caprichada, destacando os divertidos "brinquedinhos" que Ethan e sua turma usam para cumprir suas missões. Tudo isso faz com que o terceiro filme seja o melhor da trilogia.

Missão: Impossível M:i:III mantém a tradição dos outros filmes da série: muita ação, situações surreais, um herói que para ser "super" só falta algum poder sobre-humano. Também não podemos esquecer da tradicional mensagem sobre a missão que autodestrói em cinco segundos. Por isso, não há como decepcionar o espectador que espera muita ação e adrenalina. E nada mais. Afinal, não é só isso que esse tipo de filme tem a oferecer? E, nessa área, Missão: Impossível M:i:III não deixa a desejar, muito pelo contrário.

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Lucas, um Intruso no Formigueiro (2006)

Lucas - Um Intruso no Formigueiro marca a estréia de outro estúdio no filão das animações digitais, a Warner Bros, em parceria com a DNA Productions (criadora da série e do filme com o personagem Jimmy Neutron). Adaptação de best seller infantil inédito no mercado brasileiro, a produção é dirigida por John A. Davis (Jimmy Neutron: O Menino Gênio).

Lucas é o personagem central desta história. Como tantos meninos de dez anos, ele é atormentado pelos fortões da vizinhança. Incapaz de revidar, desconta sua raiva nas formigas do seu jardim, que, em seu mundo reduzido, conhecem Lucas como "O Destruidor". Lá, o mago Zoc (voz de Nicolas Cage na versão original) procura por uma solução para livrar sua colônia dos tormentos provocados pelo menino. Quando ele descobre uma poção mágica, resolve aplicar em Lucas. De repente, ele é reduzido ao tamanho de uma formiga. Seqüestrado pelos insetos, é obrigado a trabalhar no formigueiro sob a tutela da adorável Hova (voz de Julia Roberts na versão original), namorada de Zoc.

Como qualquer outra produção destinada ao público infantil, Lucas - Um Intruso no Formigueiro traz uma mensagem edificante relacionada ao amadurecimento do protagonista. Ao mesmo tempo, seu roteiro traça visíveis paralelos com o momento geopolítico atual, especialmente quando pensamos nos personagens mais fortes desrespeitando os que não entende. Qualquer relação com a política norte-americana em relação aos países do Oriente Médio não deve ser mera coincidência.

Vale destacar a qualidade da animação de Lucas - Um Intruso no Formigueiro. A composição das formigas, cada uma com suas características físicas e expressões, é caprichada e realista. As piadas funcionam, independente da idade do espectador, o que torna a animação melhor do que o esperado.

Lucas - Um Intruso no Formigueiro não revoluciona o cinema de animação digital, nem pretende, mas é uma bela fábula sobre a vida em sociedade (e como ela deveria funcionar) e o respeito ao próximo. Merece ser visto.

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FÉRIAS NO TRAILER (2006)

Bob Munro (Robin Williams) está estressado de tanto trabalhar. Decidido a descansar, ele quer levar sua esposa Jamie (Cheryl Hines) e seus filhos Cassie (JoJo) e Carl (Josh Hutcherson) para uma viagem. Após prometer levá-los ao Havaí, Bob decide mudar os planos sem comunicá-los e decide viajar pelo Colorado em um trailer. Jamie, Cassie e Carl não gostam da idéia, mas aceitam fazer a viagem. Só que a vida em um trailer não tem o conforto com o qual estão acostumados em Los Angeles e cada tentativa de Bob em animar sua família acaba se tornando um grande desastre.

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Entre o Céu e o Inferno - 2006

Se Quentin Tarantino fosse dirigir um drama, essa seria a pedida. Com um estilo anos 70 trash, conhecemos uma ninfomaníaca (Christina Ricci de “Amaldiçoados“) que, após seu namorado (o cantor e dublê de ator Justin Timberlake de “Alpha Dog“) ir pra guerra, passa a sair com todos os homens que vê no caminho. Depois de tomar muita porrada de um deles, ela é encontrada por um negro evangélico (o bad ass mother f*cker Samuel L Jackson de “Serpentes a Bordo“), o qual cuida dela, porém acha que ela deve ficar presa até ter um comportamento adequado pra voltar a sociedade. Isso acaba desencadeando uma estranha amizade.

Em suma, apesar de focar na dupla de protagonistas, “Entre o Céu e o Inferno” nos dá um bom panorama do sul americano e de seus valores. Muito blues na veia, ótimas atuações e extras interessantes fazem desse filme uma excelente e, digamos, inusitada pedida.

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Carros (Dublado) - 2006 - 1080p

Dar forma e alma a histórias fantásticas é uma das especialidades dos estúdios Pixar desde a primeira vez que lançaram um longa-metragem de animação, Toy Story, em 1995. Dez anos depois de marcar para sempre a indústria cinematográfica em parceria com a Disney, o nome "Pixar" significa qualidade em animação digital. Por isso, não é de se estranhar a ansiedade que sempre acompanha os lançamentos de seus novos filmes. Carros é seu sétimo longa-metragem de animação e segue confirmando que, nessa área, não tem para mais ninguém.

Aqui, o diretor John Lasseter (Toy Story) mergulha completamente num universo pelo qual confessa ser apaixonado: os carros. São eles os protagonistas desta imperdível animação. No centro da trama está Relâmpago McQueen (dublado por Owen Wilson na versão original), um carro de corrida estreante e ambicioso. Destaque nas pistas em busca do titulo máximo da Copa Pistão, ele disputa o troféu com outros dois carros, muito mais experientes do que ele. O Rei (dublado na versão original por Richard Petty, heptacampeão da NASCAR) é uma lenda nas pistas e está prestes a se aposentar. Chick Hicks (voz de Michael Keaton na versão original) está de olho na mesma posição que Relâmpago: a de novo queridinho das pistas.

A caminho de Los Angeles para a corrida que pode lhe dar a tão sonhada Taça Pistão, Relâmpago se perde e vai parar na pacata cidade de Radiator Springs, à beira da famosa Rota 66 - percorrida pelos protagonistas de Sem Destino (1969). McQueen fica preso ao local depois de provocar um grande acidente que destrói a estrada que cruza a cidade. Relutante, ele permanece na cidade e, com o tempo, faz amizade com os residentes locais, como a bela Porsche Sally (dublada por Bonnie Hunt na versão original e por Priscila Fantin na brasileira), Doc Hudson (dublado por Paul Newman na versão original e por Daniel Filho na brasileira) e o velho e simpático reboque Mate, que o ajudam a ver que há coisas mais importantes que troféus, fama e patrocínios.

Carros é como um bolo de aniversário que a Pixar se deu para comemorar os dez anos desde que seu primeiro longa foi lançado. Há diversas referências aos outros filmes do estúdio - culminando nas imperdíveis cenas que aparecem durante os créditos finais. Assim como as outras animações da Pixar, podemos encontrar uma história envolvente, desenvolvida por um roteiro melhor ainda. A história mostra o embate entre o novo e o velho; carros de corrida com decalques versus os "normais", com ferrugens e história; a individualidade, conseqüência do estilo de vida moderno, contra o espírito de coletividade tão perdido quanto a cidade de Radiator Springs do filme.

Também não faltam os personagens carismáticos, com os quais o espectador pode, sim, se identificar - por mais que sejam apenas carros - e, claro, a qualidade visual. A primeira cena, na qual o ponto de vista que seria da câmera está dentro da pista de corrida, é perfeita. Todos os detalhes, os ângulos, fazem com que o espectador se sinta como se fosse um dos carros competindo. Ao mesmo tempo, existe esse cuidado com cada pedra, cada grão de areia que o protagonista encontra em sua epopéia pela Rota 66 - resultado de uma extensa pesquisa feita pelos animadores de Carros. Por isso, esta produção significa que a técnica dos estúdios Pixar evolui a cada nova produção, como sempre, agradando aos pequenos e aos seus pais de maneiras diferentes, mas satisfatórias em ambas as situações.

Uma curiosidade: o sobrenome do personagem Relâmpago McQueen é uma homenagem a Glenn McQueen, animador da Pixar falecido em 2002. 

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Anjos da Noite – A Evolução (2006)

 Contrariando a maioria dos casos, esta continuação conseguiu superar o filme original. Não que Anjos da Noite - A Evolução seja uma produção exemplar, mas cumpre muito bem seu papel de entreter, com bons efeitos especiais e um roteiro mais conciso do que a versão anterior. Perguntas que ficaram abertas em Anjos da Noite - Underworld (2003) são respondidas nesta seqüência. O diretor Len Wiseman manteve a mesma mistura de gêneros como Matrix e Blade com uma pitada de romance.

Anjos da Noite - A Evolução começa sua história exatamente do ponto final do anterior, dando uma breve e superficial explicação. Portanto, se você tiver algum interesse em assisti-lo, mas não teve oportunidade de ver Anjos da Noite - Underworld no cinema, pare e vá até uma locadora. Caso contrário, o enredo não fará o menor sentido.

A vampira Selene (Kate Beckinsale) está de volta. Não mais para matar e perseguir indiscriminadamente os Lycans (lobisomens), mas sim para descobrir a verdade sobre a guerra milenar entre vampiros e lobisomens que, por alguma razão, se mistura com o passado de sua família. Marcus (Tony Curran) é o último ancião dos vampiros. Ele acorda de sua hibernação bebendo o sangue de um Lycan, o que o transforma em um híbrido - espécie de meio vampiro, meio lobisomem. Depois de ter assassinado Victor e transformado o humano Michael (Scott Speedman) em híbrido, a vampira assassina passa a ser o alvo das perseguições, porém sem imaginar a verdadeira razão de tanto interesse por parte de Marcus.

O relacionamento frio e distante entre Selene e Michael ganha força e um pouco mais de ternura - se é que isso é possível entre uma vampira e um híbrido -, demonstrando, de certa forma, que são capazes de amar. Mas nada que irá prender o espectador na poltrona e fazê-lo suspirar pelo casal.

O ponto forte de Anjos da Noite - A Evolução continua sendo a direção de arte e os efeitos especiais. Os cenários se destacam criando uma ambientação perfeita para uma história repleta de vampiros e lobisomens, que fabricam suas próprias armas e fazem experiências científicas, sem cair no clichê de castelos mal-assombrados e empoeirados com teias de aranha. As transformações de Michael e Marcus em híbridos surpreendem. Os efeitos especiais e a maquiagem se misturam para criar um novo ser, ainda mais evoluído que vampiros e lobisomens.

Anjos da Noite - A Evolução é um filme criativo e bem-feito esteticamente, porém despretensioso. Se você é fã do primeiro não irá se decepcionar em nada com esta seqüência que seguiu os mesmos padrões, mas, dessa vez, com um roteiro mais envolvente.

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American Pie 5 - O Último Stifler Virgem (2006)

Bom, sempre tem aquele filme na franquia que ferra com tudo né? Coisa feia estragar tantas histórias legais só porque o sexo tem que continuar. Foi exatamente o que aconteceu em American Pie: O Ultimo Stifler Virgem. Ao invés de continuar com as histórias passadas que marcaram meia década, preferiram exagerar e transformar a franquia num filme pornô. Preparados pra comer a torta estragada? Pois é, nem eu.

No filme,acompanhamos Eric e seu eterno dilema sobre ser virgem. Com o sobrenome Stifler, ele se sente moralmente obrigado a mudar seu quadro e traçar de vez alguma garota. Como sua namorada não estava preparada, ela decide lhe dar um passe livre de culpa por um fim de semana inteiro, onde ele pode fazer o que quiser sem dever nada a ela. E ele escolheu a peladatona, um evento em que os alunos da faculdade correm pelados pelo campus, e é exatamente o que o faz refletir se vale mesmo a pena honrar o nome da família ou estar com a mulher que ama.

Que lixo de filme, não é brincadeira. Fiquei revoltado com tanta falta de informação e exagero, minha mente foi estuprada por jovens que se acham descolados e fazem qualquer coisa que no fim dê em sexo. O roteiro se perdeu completamente. Aliás,isso tinha roteiro? Porque eu não considero aquele quase clima de comédia romântica do final como um ponto positivo, ou algo que faça sentido, pelo menos.

Os personagens são tão ridículos que dá pra odiá-los apenas nas primeiras cena.Nosso protagonista virgem parece um cara de 30 anos que teve mal desenvolvimento. E o Stifler da vez, nem parecia um Stifler, era apenas mais um idiota que fazia coisas doidas e balançava a língua como uma naja epilética. E pelo amor de Deus, que diabo de mocinha era aquela? Se já era ridículo namorar por dois anos e não fazer sexo, imagina dar um passe livre pro namorado se meter numa orgia. Não sei como ela não levou porrada de ninguém, porque foi revoltante.

E pra que tudo isso? É claro, pra no final todo mundo correr pelado e ter aquele show de nudez que sai direto em DVD. É gente pelada pra todo lado, eles apelaram demais.Colocaram até anões pra preencher mais de uma hora, como se fosse necessário colocar isso pra um filme ser bom. Os quatro primeiros foram muito bem sem anões, sem brincadeiras da argola, apenas com situações hilárias e virgens, que não eram nem um pouco exageradas.

Não recomendo. Não importa a nudez, a briga com os anões, ou qualquer outra coisa que pode ser considerada engraçada a nível pré-escolar, o filme é uma droga,torturante demais. Acho que nem serve pra tocar uma, e por isso é tão inútil,já que nem serve pro que foi criado. O pior é que, daqui pra frente, as coisas só pioram.

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O Mestre das Armas (2006)

Quem acompanha Cinema sabe como os filmes orientais vêm experimentando grande força e popularidade em todo o mundo, nos últimos anos. E isso acontece precisamente porque a cinematografia asiática vem trazendo nossas propostas, idéias e estilos. Ou seja, o cinema oriental está se fortalecendo justamente por ser... oriental.

Porém, rodar um filme em Xangai, com temática chinesa e atores de olhos puxados não significa exatamente fazer cinema "oriental". É exatamente isso que acontece em O Mestre das Armas, um filme chinês, mas com um pé bastante fincado nas fórmulas e estéticas desgastadas da indústria hollywoodiana.

Baseado em fatos reais acontecidos na China entre 1880 e 1910, O Mestre das Armas narra a saga heróica de Huo Yuanja (Jet Li), um lendário mestre de um tipo de arte marcial denominado Wushu. Quando criança, Huo não se conforma ao ver o próprio pai, também lutador, entregando uma luta que ele poderia facilmente ter vencido. Decepcionado, promete a si mesmo que jamais seria um perdedor e passa a se dedicar de corpo e alma às artes marciais. Ele procura obsessivamente o sucesso a qualquer preço e, para isso, acaba renegando valores importantes da alma humana, como honra e justiça. Esta obsessão custará caro a Hug, que será obrigado a realizar uma verdadeira descida aos infernos, até finalmente descobrir as razões que levaram seu pai a tomar tal atitude no passado.

O diretor Ronny Yu (de Freddy Vs. Jason) equilibra-se num perigoso meio termo que tenta deixar seu filme agradável, tanto ao gosto oriental quanto ao paladar das bilheterias ocidentais. Para isso, busca momentos da sabedoria milenar chinesa, ao mesmo tempo em que carrega na ação e na violência nas numerosas cenas de luta. Peca pela redundância, ao verbalizar com excesso de didatismo pensamentos já claramente explicitados pela força das imagens, e segue a cartilha dos roteiros tradicionais que exploram a força, a redenção e o tradicional tema da "segunda chance" do herói.

Provavelmente, o sub-tema mais interessante do filme é o processo de ocidentalização que a China passa naquele período, com a invasão sucessiva de várias culturas que acabam por descaracterizar em poucas décadas alguns dos aspectos mais caros às milenares tradições locais. Porém, isto acaba sendo apenas um pano de fundo para a história, que mereceria um enfoque mais aprofundado, em alguma próxima produção chinesa.

Se por um lado a tentativa do diretor em equilibrar oriente e ocidente acaba desagradando ao apreciador de um cinema mais transgressor, por outro, esta opção deve ter agradado aos investidores do filme: O Mestre das Armas conseguiu lançamento de blockbuster nos EUA, onde estreou em mais de 1.800 cinemas e faturou US$ 25 milhões nas bilheterias daquele país.

É a globalização, como sempre, fazendo mal à arte e bem aos bolsos.

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O Ilusionista (2006)

Assinado por Neil Burger em seu segundo longa-metragem, O Ilusionista é um filme dirigido de maneira clássica, lembrando os dramas dos anos 40. Com reconstituição de época impecável, trata-se de um filme elegante. A fotografia, estonteante, valoriza o excelente desenho de produção. Ao mesmo tempo em que tem elementos que remetem aos filmes antigos, O Ilusionista tem um roteiro cheio de reviravoltas, traições e reencontros.

O ilusionista do título é Eisenheim (Edward Norton). Pobre, cresceu fascinado com pequenos truques de mágica. Cresceu estudando na Europa Oriental, onde aprendeu grandes feitos de ilusionismo. Na virada do século 19, volta a Viena, sua terra natal, onde reencontra seu amor de infância, Sophie (Jessica Biel). No entanto, ela está noiva do poderoso príncipe Leopold (Rufus Sewell). Entre uma e outra apresentação de magia que sempre lota os teatros vienenses, Eisenheim tenta reconquistar a mocinha do filme e driblar o poder de seu noivo.

Em muito O Ilusionista se assemelha a O Grande Truque, outro filme recente que foca o mundo dos ilusionistas no século 19. Aqui, o foco está mais voltado ao romance entre os dois protagonistas. O roteiro, baseado em conto do escritor Steven Millhauser, envolve e seduz o espectador da mesma forma que fazem os truques de mágica do protagonista com sua platéia, sempre atônita, desenvolvendo mistérios e romance de uma forma elegante. No entanto, essa dinâmica é perdida enquanto caminha para o final, especialmente quando ensaia uma história com fundo sobrenatural. A conclusão de O Ilusionista, repleta de reviravoltas e revelações - o que não deixa de surpreender a platéia hipnotizada -, é um tanto quanto atropelada, destoando do resto do filme, desenvolvido com tanto cuidado.